>>>>A Revolta dos Dândis

1- A Revolta dos Dândis I
2- Terra de Gigantes
3- Infinita Highway
4- Refrão de Bolero
5- Filmes de Guerra, Canções de Amor
6- A Revolta dos Dândis II
7- Além dos OutDoors
8- Vozes
9- Quem tem Pressa não se Interessa
10- Desde Aquele Dia
11- Guardas da Fronteira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 1- A Revolta dos Dândis

Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez, entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos, entre gritos e gemidos
(A mentira e a verdade, a solidão e a cidade)
Entre um copo e outro da mesma bebida
Entre tantos corpos com a mesma ferida

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre americanos e soviéticos, gregos e troianos
Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos
Entre a minha boca e atua, há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

 

 

2- Terra de Gigantes

Hey mãe!
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo
Que eu queria ter

Mas, hey mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Hey mãe!
Tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais
Não querem nem saber
Mas agora, lá fora
Todo mundo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas
De qualquer lugar

Nessa terra de gigantes
(Eu sei, já ouvimos tudo isso antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

As revistas
As revoltas
As conquistas da juventude
São heranças
São motivos
Pr'as mudanças de atitude
Os discos
As Danças
Os riscos da juventude
A cara limpa
A roupa suja
Esperando que o tempo mude

Nessa terra de gigantes
(Tudo isso já foi dito antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe!
Já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi
Só o que eu podia fazer
Mas, hey mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente
Não pode entender

Hey mãe!
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto antes de anoitecer
Pois agora, lá fora,

O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas...

Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

 

 

3- Infinita Highway

Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Você me faz correr atrás
Do horizonte dessa highway
Ninguém por perto, silêncio no deserto,
Deserta highway
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe exatamente onde vai parar

Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos nem objetivos
Estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Da infinita highway

Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo desta estrada
Olhe só! veja você!
Quando eu viva e morria na cidade
Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor
Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava
E, à noite eu acordava banhado em suor

Não queremos lembrar o que esquecemos
Nós só queremos viver
Não queremos aprender o que sabes
Não queremos nem saber
Sem motivos nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da infinita highway

Escute garota, o vento canta uma canção
Dessas que a gente nunca canta sem razão
Me diga garota: "será a estrada uma prisão?"
Eu acho que sim, você finge que não
Mas nem por isso ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre
Se tanta gente vive sem ter como comer

Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde quer chegar
Estamos vivos sem motivos
Que motivos temos para estar(?)
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte
Desta highway(?)
Silenciosa highway

"Eu vejo o horizonte trêmulo
Tenho os olhos humidos"
"Eu posso estar completamente enganado
Posso estar correndo pro lado errado"
Mas "A dúvida é o preço da pureza"
E é inútil ter certeza
"Eu vejo as placas dizendo
"Não Corra"
"Não Morra"
"Não Fume"
"Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas de dois gumes"

Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute garota, façamos um trato:
"Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato
Eu posso ser um Beatle
Um beatnik, ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não "tô à toa do teu lado"
Por isso garotas façamos um pacto:
"De não usar a highway pra causar impacto"

Cento e dez
Cento e vinte
Cento e sessenta
Só pra ver até quando
O motor agüenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra de um sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway

 

 

4- Refrão de Bolero

Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser

Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar

Num bar,
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro
E uma cara embriagada no espelho do banheiro

Ana, Teus lábios são labirintos, Ana
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre distante sempre me engana

Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser

Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar

Num bar...

Ana, teus lábios são labirintos, Ana
Eu sigo a tua pista todo dia da semana
Eu entro sempre na tua dança de cigana

 

 

5- Filmes de Guerra, Canções de Amor

Os dias parecem séculos
Quando a gente anda em círculos
Seguindo ideais ridículos
De querer, lutar & poder

As roupas na lavanderia...
O analista passeando na Europa...
As encomendas na Bolívia...
E nas fotos um sorriso idiota

Os dias parecem séculos
E se parecem uns com os outros
Como enfermeira nos filmes de guerra
E violinos nas canções de amor

A seguir senas obcenas
Do próximo capítulo
É só virar a página
E o futuro virá...

Filmes de guerra, canções de amor
Manchetes de jornal, ou seja lá o que for
Há sempre uma estória infeliz
Esperando uma atriz e um ator

Há vida na terra, há rumores no ar
Dizendo que tudo vai acabar
(Mais uma estória infeliz
esperando um ator e uma atriz)

Não tenho medo de perder a guerra
Pois no fim da guerra todos perdem
No fim das contas as Nações Unidas
"Tão sempre prontas pra desunião"

Não tenho medo de perder você
Desde o início eu sabia
era só questão de dias
Um dia iria acontecer

Preciso beber qualquer coisa
Não me lembre que eu não bebo
O que só nós dois sabemos
Nós sabemos que é segredo

Há um guarda em cada esquina
Esperando um sinal
Pra transformar um banho de piscina
Numa batalha naval

Agora sinto um medo infantil
mas na hora certa afundaremos o navio
Então dê um copo de aguardente
Para um corpo sentindo frio

Preciso beber qualquer coisa
Você sabe que eu preciso
E o que só nós dois sabemos
Já não é mais segredo

Se alguém, seja lá quem for
Tiver que morrer, na querra ou no amor,
Não me peça pra entender
Não me peça pra esquecer

Não me peça para entender
Não me peça pra escolher
Entre o fio ciumento e a navalha
E o frio de um campo de batalha

Chegamos ao fim do dia
Chegamos quem diria!
Ninguém é bastante lúcido
Pra andar tão rápido

Chegamos ao fim do século
Voltamos enfim ao início
Quando se anda em círculos
Nunca se é bastante rápido

 

 

6- A Revolta dos Dândis II

Já não vejo diferença entre os dedos e os anéis
Já não vejo diferença entre a crença e os fiéis
Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser
Há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer

Esquerda & direita, direitos & deveres, os 3 patetas, os 3 poderes
Ascensão & queda, são dois lados da mesma moeda
Tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser
Há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer

Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo
Mas não há mais muito tempo pra sonhar

Pensei que houvesse um muro entre o lado claro e o lado escuro
Pensei que houvesse diferenças entre gritos e sussuros
Mas foi um engano, foi tudo em vão
Já não há mais diferença entre a raiva e a razão

Esquerda & direita, direitos & deveres, os 3 porquinhos, os 3 poderes
Ascensão & queda, são dois lados da mesma moeda
Tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser
Há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer

Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo
Mas não há mais muito tempo pra sonhar

 

 

7- Além dos Outdoors

No ar da nossa aldeia
Há rádio, cinema e televisão
Mas o sangue só corre nas veias
Por pura falta de opção

As aranhas não tecem suas teias
Por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas voias
É por pura falta de opção

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio é sempre maior

No céu, além de nuvens
Há sexo, drogas e palavrões
As coisas mudam de nome
Mas continuam sendo religiões

No dia-à-dia da nossa aldeia
Há infelizes enfartados de informação
As coisas mudam de nome
Mas continuam sendo o que sempre serão

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio é sempre maior

No ar da nossa aldeia
Há mais do que poluição
Há poucos que já foram
E muitos que nunca serão

As aranhas não tecem suas teias
Por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias
É por pura falta de opção

 

 

8- Vozes

Se você ouvisse
As vozes que ouço à noite
Acharia tudo que eu faço
Natural

Se você ouvisse
As vozes que ouço à noite
Acharia tudo que eu faço
Natural

Se você sentisse o
Medo que eu sinto no escuro
Se você soubesse o mal que o sol me faz

Não me pediria pra repetir
Revoltas banais
Das quais eu já me esqueci

Se você ouvisse
As vozes que ouço à noite
Às vezes me assustam
Outras vezes me atraem

Se você ouvisse
As vozes que ouço à noite
Às vezes me assustam
Outras vezes me atraem

Se você sofresse
Tanto quanto eu sofro com a solidão
Se você soubesse
O Quanto eu preciso da solidão

Não me pediria pra repetir
Frases banais
Das quais já me arrependi

Duas pessoas são verdades
E, na verdade,
São dois mundos
A cada segundo, o pânico aumenta
E uma sombra arrebenta
A porta dos fundos

Se você sofresse
Tanto quanto eu sofro com a solidão
E precisasse
Tanto quanto eu preciso da solidão

Não me pediria pra repetir
Gestos banais
Iguais aos que eu não fiz

 

 

9- Quem Tem Pressa Não Se Interessa

Quando você me olha
Com o seu olhar tranqüilo
Sempre diz que falta algo
Ou isto ou aquilo
Você não entende
E se surpreende
Seu olhar já não está tranqüilo
Mas quem tem pressa
Não se interessa
Por questões de estilo
(Questões de estilo)

As vozes oficiais dizem:
"Quem sabe..."
Dizem: "talvez..."
Enquanto os vídeos e as revistas
Mostram imagens sem nitidez
Você se espanta
"Há tanta coisa nos jornais!"
Mas quem tem pressa
Não se interessa
Em andar rápido demais
(Rápido demais)

Eles tem razão
Mas a razão é só o que eles tem
A lâmina ilumina a mão
A lâmpada cria a escuridão
Ninguém se engana com uma canção
O tempo que nos gera também gera gerenciais
O tempo nunca espera que cheguem os comerciais
(Os comerciais)

Nas veias abertas
Da América, menina
Um mar vermelho de sangue
Leva navios piratas,
Negociatas, concordatas,
Candidatos democratas,
Sucos e sucatas
Termos e gravatas
Secando cataratas e lavando as mãos
Dando a impressão de que
Na areia movediça nada se desperdiça

 

 

10- Desde Aquele Dia

Desd'aquele dia
nada me sacia
Minha vida tá vazia
Desd'aquele dia
Parece que foi ontem
Parece que chovia

Um rosto apareceu
(Uma heroína)
O rosto era o seu
(Seu rosto de menina)
Parece que foi ontem
Parece que chovia

Desd'aquele
Minhas noites são iguais
Se eu não vou à luta
Eu não tenho paz
Se eu não faço guerra
Eu não tenho mais paz

Não agüento mais
Um dia mais, um dia a menos
São fatais
Pra quem tem sonhos tão pequenos
Sonhos tão pequenos
Que nunca têm fim

Eu só queria saber
O que você foi fazer no meu caminho
Eu não consigo entender
Eu não consigo mais viver sozinho

 

 

11- Guardas da Fronteira

Antes de atirar o vaso na TV
Eu ouvi o que ela dizia:
"Quando não houver mais amanhã
Será um belo dia"
Estranha coisa pra se dizer
Antes de dizer os números da loteria
Mas é assim que eles fazem
E fazem muito bem
E nós não fazemos nada, nada, nada
Nada além
Além do mito
Que limita o infinito
E da cegueira
Dos guardas da fronteira

Antes de atirar minha TV pela janela
Eu ouvi o que ela dizia
"Quando não houver mais ninguém
Será um belo dia"
Estranha coisa pra se dizer
Antes de vender mais mercadoria
Mas é assim o mundo que nos cerca:
Nos cerca muito bem
E as crises e cicatrizes
Não nos deixam ir além
Além do mito
Que limita o infinito
Além da cegueira
Das barreiras, das fronteiras

...Foi então que eu resolvi jogar
As cartas na mesa e o vaso pela janela
Só pra ver o que acontece na vida
Quando alguém faz o que quer com ela...
Acontece que eu não tenho escolha
Por isso mesmo é que eu sou livre
Não sou eu o mentiroso,
Foi Sartre quem escreveu o livro
Não sou a fim da violência
Mas paciência tem limite
Além do mito
Que limita o infinito
Além do dia-a-dia
Que esvazia a fantasia