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Importância, estilo e escola
Texto do trabalho: José de Alencar Senhora

Importância de José de Alencar Para A Literatura Brasileira

A importância do escritor cearense para a nossa literatura e muito alta. Suas obras influenciaram muito para que fosse definido a formação literária nacional, sendo seu estilo um espelho para futuros escritores.

Situado num momento em que o espírito brasileiro se concentrava na consolidação de sua autonomia - tanto no plano político como no intelectual - seu papel consistiu em polarizar na sua personalidade as diversas correntes que se vinham desenvolvendo na alma do povo e fazer com que elas se concentrassem numa síntese de pensamento e arte tipicamente brasileira. Formou-se, assim, a grande encruzilhada da história literária brasileira. Nele chegam as forças vitais e dele se irradiam em fórmulas novas, verdadeiras sementes que fecundam a inteligência nacional, na ficção, nas idéias críticas, na atitude do autor em relação ao ambiente brasileiro. À sua lição, à sua tentativa de valorizar os assuntos nacionais, os temas históricos, regionais ou populares, à sua alta consciência técnica e artesanal, devem os que se lhe seguiram os meios e sugestões que só tiveram que aperfeiçoar. Situada a sua obra no tempo, encarada em qualidade e volume, as deficiências são avantajadas de muito pelo aspecto positivo de realização.

Alencar, cujas multifárias influências a crítica aponta e analisa, num debate que ainda não se encerrou. Sua contribuição lingüistica é também relevante. Rompendo com a acanhada forma de sintaxe lusitana, escreveu numa linguagem simples e de grande força poética.

 

O estilo de Alencar

Na literatura de José de Alencar e possível encontrar as seguintes características mostrada a seguir:

a) Aproveitamento de vocábulos

b) Expressões e fraseados nacionais

c) Retrata a fauna e botânica do país

d) Usa linguagem literária de inúmeros brasileiríssimos

e) Ênfase a fantasia nos seus romances regionalistas, ao seu estilo épico e ao desejo de lançar fundamentos da literatura nacional.

F) O seu estilo, dentro da literatura brasileira, é como o canto do Uirapuru das selvas amazônicas. Escultá-lo é ficar, para sempre, extasiado a ouvi-lo, por que as suas harmonias têm qualquer coisa de extra-humano, de quase divino.

 

Características da Escola Literária a qual o Autor Pertence
Romantismo:

Em meados do século XVII, novas transformações começaram a delinear-se na mentalidade do homem da época, que já se mostrava descontente com as formas e os temas explorados no Neoclassicismo. A "imaginação" começa a predominar sobre a "razão"; a sensibilidade espontânea, o entusiasmo, o emocional procuraram tomar vulto em detrimento das manifestações contidas, da medida cultivada pelo pensamento iluminista. Os elementos espirituais: a alma, as paixões, o inconsciente buscam criar uma realidade própria, muitas vezes melancólica, pessimista e angustiada.

O romantismo foi-se espalhando através da Europa, chegando à América e definindo-se no Brasil em 1836, quando Gonçalves Magalhães lançou o seu Suspiros Poéticos e Saudades.

O florescimento do Romantismo brasileiro coincidiu com notáveis eventos de nossa História. A chegada da Corte Portuguesa (1808) desencadeou uma verdadeira onda de prosperidade no âmbito sócio-cultural da Colônia. O Rio de Janeiro, sede do Governo, tornou-se o centro literário e artístico em resultado da criação da Impressa Régia, da Academia Real de Belas-artes, da Biblioteca Real, do Horto Real e de outras tantas melhorias. A imprensa da época contribuiu de forma extraordinária para difundir os livros publicados em forma de folhetins, muito bem aceitos pela clientela nos perímetros urbanos.

A literatura romântica estava impregnada de nacionalismo, e o recente episódio de nossa Independência mantinha acesa a chama em torno dos valores da Pátria, exaltando em prova e verso sua História, a natureza selvagem, o índio(como símbolo nacional), o sertão, o regionalismo, a vida urbana.

A partir de 1870 alterações fazem-se presentes na literatura brasileira, tornando-a cada vez mais a expressão de realidade nacional. Vida e estilo próprios consolidam, então, os gêneros literários dentro dos padrões nacionais, autônomos; nossos escritores apresentam uma literatura romântica mais livres dos parâmetros estrangeiros.

Assim, o Romantismo no Brasil, além de movimento literário, foi também o grande marco político e social que revalorizou nosso passado literário, fez desabrochar no espírito americano os ideais de liberdade, a maneira local de viver, dentro de forças definitivamente brasileiras.

"As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal."

(José de Alencar - Senhora - cena final)

"Lucíola é o vampiro noturno que brilha de uma luz tão viva no seio da treva e à beira dos charcos. Não será a imagem verdadeira da mulher que no abismo da perdição conserva a pureza d`alma?"

(José de Alencar - Lucíola - nota introdutória)

 

COMENTÀRIO

Nestes trechos, há expressões cuja natureza romântica salta aos olhos: vampiro noturno, seio da treva, abismo de perdição, por um lado, e seio das flores, hino misterioso do santo amor conjugal, por outro lado.

O romantismo de tais expressões decorre de seu caráter emocional, maniqueísta: pureza x perdição, abismo x santo amor conjugal.

Observe que o bem e o mal estão em jogo em ambos os trechos, os quais pertencem aos romances urbanos mais importantes de José de Alencar: Lucíola (1862), Senhora (1875). Esses romances, ambientados na cidade, são também chamados "perfis de mulher", já que as personagens principais são femininas.

 

CONCLUSÃO

Comparando o enredo de Lucíola e o de Senhora, vemos que ambos os romances têm um final romântico: a morte trágica de Lucíola e a reconciliação de Aurélia e de Fernando. Trágico ou feliz, é o destino dos amantes e o desfecho das histórias no Romantismo: destinos tão marcantemente maniqueísta, emocionais quanto a linguagem e a caracterização das personagens.

No entanto unilateralidade , que tornava estereotipadas. AS heroínas românticas como Carolina, Iracema e Cecília (de O Guarani) - nos três predomina a pureza e a virtude -, começa a ser problematizada nestes romances de José de Alencar.

Isto porque Lucíola e Aurélia são personagens mais complexas, mais uma humanizadas no sentido em que, embora representem o bem, conhecem e sabem lidar com o mal. O elemento que torna possível a exploração psicológica destas personagens, a revelação em estilo romântico mas mais verdadeira de suas contradições, é o aparecimento do mundo burguês, e especificamente de uma questão fundamental nele presente: a questão do dinheiro, que "corrói" os sentimentos humanos mostrando as controvérsias, os conflitos, "os cálculos" necessários para vencer (sem garantia de sucesso) numa sociedade onde prevalece um individualismo e um materialismo cujo lado "negativo" começa a aparecer...

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