Vinicius de Moraes |
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Soneto de Fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu sorriso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive; Quem sabe a solidão, fim de quem ama, Eu possa dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja enterno enquanto dure! |
Soneto de Véspera Quando chegares e eu te vir chorando De tanto te esperar, que te direi? E da angústia de amar-te, te esperando Reencontrada, como te amarei? Que beijo teu de lágrima terei Para esuqecer o que vivi lembrando E que farei da antiga mágoa quando Não puder te dizer por que chorei? Como ocultar a sombra em mim suspensa Pelo martírio da memória imensa Que a distância criou - fria de vida Imagem tua que eu compus serena Atenta ao meu apelo e à minha pena E que quisera nunca mais perdida... |
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