Varicela (Catapora)
Milton Artur Ruiz
Histórico
A varicela é uma doença comum e benigna. Na maioria das vezes ela não é levada à sério. Deve estar na memória de todos o costume da população, quando uma criança adquiria a doença, colocavam-se todas as crianças da casa perto daquela para que as outras pegassem a doença.
Apesar da crença geral de que a doença está resolvida, vários pontos ainda são controversos, e dentre eles está o uso da vacina. A vacina já em estudo e uso, há longo tempo no Japão, somente agora recebeu a chancela do FDA (Food Drug and Administration), para o seu uso nos Estados Unidos.
  Um fato, no entanto, é consensual em considerar a doença grave, em especial nos portadores de câncer, ou naqueles extremamente debilitados ou sob uso de quimioterápicos, na leucemia da infância, que hoje tem bom prognóstico e chances relativas de cura, a varicela mata mais da metade dos que contraem o vírus.
Além da vacina, outras medidas encontram-se preconizadas, como o uso de plasma de pacientes convalescentes de varicela. Esta medida faz com que os anticorpos produzidos passem do convalescente para a pessoa que pretende-se proteger ou tratar.
Outra situação especial e extremamente grave, são os casos de varicela hemorrágica, em que o início da doença ocorre da forma habitual, com o aparecimento das lesões de pele, que podem, às vezes, piorar e apresentar sangue no seu interior. Nesta situação, é necessária pronta intervenção dos pais para fazer com que o paciente chegue logo ao médico e seja submetido a um pronto atendimento. Há a necessidade de exames e medicamentos para melhora do seu estado geral, e de componentes do sangue para corrigir a falência hematológica que se instala.
Mesmo sendo considerada uma doença benigna da infância, e comum o seu aparecimento em crianças, o número de casos da varicela é elevado, e a doença é considerada um problema de saúde pública. Estima-se que, em todo o mundo, aproximadamente 60 milhões de pessoas apresentam varicela a cada ano.
Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que 90% dos casos da varicela ocorrem em crianças menores de 10 anos de idade, com maior prevalência entre 3 e 6 anos. Apenas 2% dos casos ocorrem em adultos, mas a freqüência do herpes-zoster aumenta com a idade, o que torna improvável a sua extinção, mesmo com a imunização mundial. Em pessoas que entraram em contato com o vírus, 90% adquirem a varicela; e aproximadamente 4.500 crianças são hospitalizadas em virtude da doença.
A mortalidade por varicela é muito baixa, porém as taxas variam de 1 por 10.000 entre crianças normais, e 25 por 10.000 em adultos de 30 a 40 anos. Em crianças com deficiência imunológica, em uso de quimioterapia, radioterapia ou corticoesteróides em doses elevadas, as taxas de letalidade são elevadas, e variam entre 7% a 28%.
O que é?
A varicela, popularmente conhecida como catapora, é uma doença que aparece principalmente na infância, pois quase todos os indivíduos se infectam antes da vida adulta. É causada pelo vírus varicela-zoster, que é um DNA vírus do grupo herpes, capaz de causar duas doenças: a varicela, a fase invasiva aguda do vírus; e o herpes-zoster, a reativação da fase latente.
A doença se manifesta por uma dor de cabeça moderada, febre e mal-estar, cerca de 24h a 36h antes do aparecimento da primeira série de lesões. Essa fase preliminar não é reconhecida em crianças pequenas, mas é mais provável em crianças com mais de 10 anos, e é geralmente severa em adultos. Em seguida aparecem coceiras, que podem ser acompanhados de uma vermelhidão, e dura entre 5 a 7 dias, caracterizando-se pelo surgimento de vários tipos de lesões na pele em várias fases de evolução. como: máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas.
Transmissão:
A transmissão do vírus se dá pelo contato de pessoas infectadas, que esteja no estágio inicial da doença. O período de incubação habitual do vírus é de 14 a 16 dias. Quando o paciente está na fase final, quando as lesões estão em crostas, não se transmite mais a doença.
É aconselhável o isolamento do paciente infectado por 6 dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas, afim de controlar a infecção.
Após o contato, as pessoas adquirem a varicela e, quase sempre, a imunidade é duradoura, embora possa haver a reativação dos vírus latentes, surgindo o zoster, quando ocorre uma redução das defesas do organismo.
Complicações decorrentes da varicela:
A varicela na infância é benigna. Mas pode ser severa ou fatal em adultos, ou em pacientes com leucemia ou recebendo hormônios, e indivíduos com deficiência imunológica. Quando se manifesta antes do primeiro ano de vida, a doença também pode apresenta uma maior gravidade. Em crianças normais, raramente ocorre complicações em consequência da varicela, porém há casos onde há a necessidade da hospitalização.
Tratamento:
O tratamento para os casos leves, não graves, é simples. Pode-se aplicar compressas úmidas nas lesões para controle, e para evitar escoriações que podem levar a uma infecção mais grave. Deve-se também banhar o paciente freqüentemente com sabão e água e mantidos com roupas de baixo limpas. As mãos devem estar limpas e as unhas cortadas, evitando, assim, infecções futuras. Higiene é fundamental quando aparecem as erupções na pele.
Não deve-se aplicar antissépticos; antes de adotar esse tratamento, é necessário consultar o seu médico de confiança.
Em casos severos, recomenda-se procurar um médico, para que se faça o tratamento e acompanhamento adequado.
Prevenção:
Para prevenir a varicela, em crianças normais, pode ser feita a administração de vacinas preventivas.
Complicações decorrentes da varicela:
* pneumonia * apendicite
  * meningite * hepatite
* encefalite (doença produzida por vírus, e caracterizada por sonolência progressiva e fraqueza muscular). * glomerulonefrite ( forma de nefrite - inflamação dos rins)
* artrite ( inflamação na articulação) * pericardite ( inflamação do pericárdio)
* osteomielite ( inflamação da medula óssea) * orquite ( inflamação dos testículos)
* púrpura ( manifestações hemorrágicas que aparecem na pele; manchas roxas)  
A vacina contra a varicela:
* A primeira vacina contra a varicela foi desenvolvida no Japão, no início da década de 70. Os japoneses isolaram o vírus da varicela de um menino saudável, com 3 anos de idade, acometido pela doença. A vacina ficou conhecida por cepa Oka. Desde então, a vacina vem sendo bastante estudada, tanto em crianças com leucemias quanto em crianças normais, tentando-se conseguir uma forma de proteção adequada para os grupos de maior risco (os pacientes com deficiência imunológica e adultos).
Diversos estudos demonstraram que a vacina é bastante eficaz e segura, quando administrada naqueles pacientes, com mais de um ano de idade. Além disso, reduz o número de casos de zoster. Atualmente, a vacina está aprovada para o uso em crianças saudáveis, maiores de um ano, adolescentes e adultos não imunes, em países como: Estados Unidos, Japão, Coréia e alguns países europeus. No Brasil, é pouco provável que seja adotada, visto que outras vacinas, mais eficazes e prioritárias para crianças menores de cinco anos, como as vacinas contra rubéola, caxumba e hepatite B, por exemplo.
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