ROMA: ORIGENS E A MONARQUIA

A cidade-estado de ROMA, localizada na Península Itálica, no continente europeu, deu origem, na Antiguidade, à civilização e ao Império Romano, o qual abrangeu vastos territórios em torno do Mar Mediterrâneo.

Aspectos Geográficos e de povoamento. A península Itálica, cujo território é limitado, ao norte, pela cadeia de montanhas dos Alpes, a leste, pelo Mar Adriático, a oeste pelo Mar Tirreno e ao sul, pela ilha da Sicília, era habitada por ligúrios e iberos, ligados aos abitantes da Gália e da Espanha, e por iapígios, vindos da Ilíria, do outro lado do Mar Adriático.  

Por volta de 2 200 a 2 000 a.C., clãs indo-europeus denominados italiotas, atingiram a Itália pelo norte, trazendo armas e utensílios de ferro; fundiram-se com os antigos hbitantes e ocuparam uma região após outra até o sul. Dividiram-se gradualmente em três grupos que falavam dialetos diferentes da mesma língua: os úmbrios, ao norte e parte do centro; os latinos, na margem esquerda e curso inferior do vale do rio Tibre e os samitas, nos montes e vales ao sul da península.  

Em princípios do 1º milênio a.C., a região do litoral do Mar Tirreno, entre os rios Tibre e Arno, foi conquistada pelos etruscos(invasores vindos da Ásia Menor) que aí se estabeleceram e penetraram pelo interior até o vale do rio Pó, ao norte da península.  

Os etruscos cultivavam o solo, criavam o gado, exploraram as minas de cobre e ferro da região, produziam objetos de metal e tecidos e desenvolviam um amplo comércio com as colônias gregas ao sul da Itália e com a colônia fenícia de Cartago, ao norte da África. Criaram uma civilização urbana avançada, cujo apogeu data aproximadamente de 720 a 300 a.C.. As principais cidades da Etrúria formavam uma confederação, em que se destacavam Vulci, Vetulônia,. Populônia, Volsini, Clusiun, Veios, Arezzo, etc.  

Do século VIII ao VI a.C., todo o litoral sul, da Campânia a oeste, passando pela Sicília, até a Apúlia a leste, foi ocupado pelos gregos cuja colonização deu origem às cidades de Siracusa, Tarento, Nápoles, Síbares, Crotona, Megara, etc.  

A expansão etrusca em direção ao sul foi detida pela oposição dos gregos de Tarento e Nápoles, pelos samnitas e pelos latinos, habitantes do Lácio, na margem esquerda do rio Tibre.  

Os últimos invasores da península foram os celtas ou gauleses, que, vindos da França, desalojaram os etruscos do vale do rio Pó(século V a.C.) e aí se estabeleceram. A região passou a ser chamada de Gália Cisalpina.

 

As Origens de Roma

A Monarquia 753 a 509 a.C

Por volta do século VIII a.C., havia numerosas aldeias de agricultores e pastores latinos no alto das colinas existentes à margem esquerda do rio Tibre. O surgimento de Roma se deu, quando essas aldeias se uniram numa liga de caráter defensivo e religioso, denominada "Septimontium'’, criando uma única comunidade, provavelmente em 753 a.C..

Ao se unirem, as aldeias se fortaleceram, prejudicando as comunicações pelo rio Tibre entre as cidades etruscas de Veios e Fidenes, motivo pelo qual os etruscos ocuparam a liga de aldeias, a qual chamaram “Rumon” (Roma), que significa a “cidade do Rio”. Os etruscos aos poucos urbanizaram Roma: houve a abertura de ruas, a instalação do Fórum(centro cívico e mercado), a construção de casas e de templos e até de uma rede de esgotos.

A vida econômica baseava-se na exploração da agricultura de cereais e na pecuária. Com o aumento da população, o comércio e o artesanato também se desenvoleram e surgiram classes sociais diferenciadas.

A cidade era dominada por um conjunto de famílias extensas – as “gentes” – que reconheciam ter um antepassado comum, praticavam o culto familiar e detinham as melhores terras agrícolas, formando uma aristocrácia. Os membros das “gentes” eram denominados patrícios, nome derivado de “pater” (pai), o chefe todo poderoso de cada família nobre.

A maioria da população de Roma era formada pela plebe, constituída por pessoas sem organização gentílica, de origem variada e sem direitos políticos. Os plebeus eram geralmente camponeses, artesãos e comerciantes e podiam ser escravizados por dívidas.

Além dos patrícios e dos plebeus, existiam os clientes, plebeus que se colocavam sob a proteção de determinada família patrícia, em troca de sustento e de obediências. A clientela permaneceu como um traço marcante da sociedade romana até o Império e como símbolo do poder das famílias gentílicas.  

Do ponto de vista político, Roma era uma monarquia. A assembléia dos cidadãos patrícios em idade militar(comitia curiata) elegia ao rei, que exercia ao mesmo tempo as funções de chefe militar, sumo sacerdote e juíz, com dois atributos especiais: o “imperium”, mando supremo, e o “auspicium”, capacidade de interpretar a vontade dos deus pelo vôo dos pássaros.  

Havia também um importante órgão denominado Conselho dos Anciãos ou Senado, composto de 100 chefes das famílias patrícias(mais tarde 300) nomeados pelo rei. O senado podia vetar as decisões do rei sempre que contrariassem as leis tradicionalmente estabelecidas, baseadas nos costumes dos antepassados.  

Segundo a tradição, Roma teve sete reis, sendo os três últimos etruscos: Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo. Em 509 .C.,os patrícios, apoiados pelos plebeus, expulsaram os etruscos e proclamaram a República em Roma.

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Autores: Fábio Costa Pedro e Olga M. A. Fonseca Coulon.
História: Pré-História, Antiguidade e Feudalismo, 1989