A Lenda da Andorinha Caolha

A Lenda da Andorinha Caolha

"Sabes do lugar onde não há lei?
Sabes do lugar onde mora o mal?
Sabes do lugar onde está a destruição?
Pois bem, a Andorinha Caolha está lá."
(Antigo Provérbio Anglo-Saxão)

Reza uma antiga lenda, esquecida pelos tempos e pela amnésia, o aparecimento de um ser. Um ser único dotado de características especiais. Nasceria sob uma formação singular de estrelas, a poderosa formação da Andorinha Caolha. Um ser fora de série: capaz de se mover entre espaço e tempo; com força descomunal - 100 homens não seriam páreo para tal; com inteligência soberba; capaz até de assobiar e chupar cana.
Diz também a mesma lenda que o descendente da Andorinha Caolha (para efeitos meramente comerciais o chamaremos a partir de agora de 'O Escolhido') se casará com a filha do mais materialmente rico entre os homens.
Em suas últimas linhas, a lenda também fala sobre a irmã d'O Escolhido. Herdando geneticamente os poderes¹ (de forma mais branda, claro), ela seria chamada de 'A Iluminada', teria A Visão, podendo vislumbrar o futuro.
Mas, como já foi dito, tudo isso não passava de uma lenda infundada e esquecida nos anais (sem trocadilhos, por favor) da civilização...

Não passava...
 

Uma Andorinha Desperta...

Epaminondas (para preservar sua identidade, resolvo alterar o nome da Andorinha Caolha) acordara como se fosse um dia comum. Sua vida - jovem adolescente pré-vestibulando - não saía do marasmo rotineiro do ser². Epaminondas, na verdade, não tinha nada que o diferenciasse do resto: era apenas mais um nessa sociedade da massa. Até aquela manhã.
Sua mãe bateu na porta do quarto por 3 vezes, mas o jovem não queria acordar. Na quarta, Epaminondas desejou que pudesse dormir por mais um tempinho, não ligando para a insistência da mulher. Voltara a dormir.
Acordou muito tempo depois, totalmente descansado, porém com um grande peso na consciência, afinal ter dormido tanto tempo quanto dormiu já devia ter tomado, ao menos, 2 horas de aula! Olhou ao lado, pro seu relógio digital, conferir o estrago, quando tomou o primeiro dos muitos que o dia reservava a ele: não se passara sequer um minuto desde que voltara a dormir! Como podia ser?...
Não questionou-se por muito tempo. Levantou e foi ao banheiro, pois sua boca poderia atrair, no máximo, uma múmia (nota: essa piadinha não foi boa). Ao apertar a pasta de dente, Epaminondas fez com que seu conteúdo derramasse inteiramente no chão. Não havia medido sua força - e olha que era aquela pasta de dente que você esquece a tampa aberta e fica dura, não podendo mais ser usada!
Não sendo o mais inteligente da sua idade, demoraria muito mais para notar qualquer alteração em sua rotina. Mas, espantosamente, além de ter percebido a mudança, conseguiu calcular a força necessária para apertar a pasta sem que essa derramasse no chão, o valor do empuxo que aquilo-que-boiava-na-privada sofria para não afundar e a razão a qual Einstein deveria ser contestado por sua tola teoria...
Desceu para tomar café entretido em seus pensamentos. Tão entretido que não percebera aquele pé de patins em um dos degraus da escada - aquele patins mesmo que não precisa do outro pé: serve apenas para estar na sua frente enquanto está distraído. Epaminondas estava a poucos centímetros de uma dolorosa queda quando ouve a voz de sua irmã, vinda não se sabe de onde (na verdade, veio do quarto dela, mas esse "não se sabe de onde" dá um tom mais etéreo)...
- Irmão! Não pise!
O jovem, com uma agilidade felina, consegue não pisar em seu destino. Einstein fica em segundo plano ante a espantosa descoberta: não era o único que acordara com dons diferenciados! Como sua irmã poderia saber que ele estava descendo a escada e se encontrava a poucos centímetros da dor?!
No mais, nada acontecera de diferente em sua casa (excluindo o incidente com os ovos de codorna que falam...). No colégio, porém, os fatos voltam a acontecer: quebrou o braço de um amigo ao dar um tapinha como bom-dia, tirou 10 na prova de Física Avançada e ganhou do garoto mais veloz do colégio numa prova de 100m rasos. Isso, porém, foi secundário ante as revelações da aula de História.
A professora K. Quética contava sobre mitos e lendas bárbaras. Falou sobre os godos, visigodos e obesos até chegar...
- E uma interessante lenda que temos é a dos anglo-saxões. Esse povo bárbaro, altamente avançado na Astronomia, contava sobre aquele que nasceria sob uma formação estrelar singular. A despeito das constelações conhecidas hoje, os anglo-saxões falavam que, de 461 anos, 6 meses e 3 dias, 4 horas e 29 minutos em 461, 6 meses e 3 dias, 4 horas e 29 minutos, o céu, visto do mar do Norte, formaria a imagem de uma Andorinha. Uma Andorinha com um tapa-olho. Foi chamada, pelos bárbaros, de "Andorinha Caolha". Não riam, por favor. A lenda fala que aquele nascido sob tal formação adquiriria poderes fenomenais. Uma descrição mais detalhada está no livro de vocês. Há no livro, também, uma foto da formação das estrelas da última vez que foi vista ao céu, por acaso há uns 18 anos atrás...
Uma estranha força fez com que Epaminondas prestasse atenção (pela primeira vez na vida) na aula de História. E mais: o fez abrir o livro e ler sobre os poderes d'O Escolhido.
Ficou com aquilo na cabeça durante a volta para casa. Almoçou calmamente e, como sobremesa, resolveu chupar um pedaço de cana-de-açúcar. Quando sugou pela segunda vez, ouviu, espantado, o som de um assovio. Continuou chupando a cana³ e ouvindo o assovio até perceber que o som saía dele. Era assombroso. Assoviava e chupava cana. Seria ele? Teria ele o poder?

SERIA EPAMINONDAS O ESCOLHIDO? A ANDORINHA CAOLHA?!
*tan, tan, taaaaaaaan...* 4

 

Continua...


¹ Se O Escolhido nasceu sob a formação da Andorinha Caolha, como poderia sua irmã herdar seus poderes através da genética? Veja a força da Andorinha!...

² Chamando atenção para essa frase bonita que escrevi; parece livro de auto-ajuda!

³ Tá...

4 Música de suspense

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