| filosofia em auxílio do cotidiano! | ||||||||||||
| A maneira como a filosofia se "expressa" fica muito distante do nosso cotidiano. A linguagem formal e rebuscada da filosofia não consegue alcançar as massas; muitas pessoas nem sabem o que é filosofia. Acaba ficando restrita a um pequeno grupo reservado de elite onde as pessoas que dele fazem parte acabam por se considerar pessoas superiores e nada fazem para que a filosofia caminhe de forma espontânea e natural ampliando o conhecimento do indivíduo comum, abrindo leques de novas possibilidades de entendimento do mundo. Essa forma de lidar com a filosofia põe uma trava na criatividade e espontaneidade do próprio filósofo que acaba por manter os limites dos filósofos antigos, modernos e contemporâneos estudados por eles. Esquecem que eles são os novos filósofos; a academia brasileira é na verdade a mantenedora dessa situação praticamente irremediável. Eu acredito que cabe a nós pensadores livres, que temos liberdade de expressão, de nos conscientizarmos e trabalharmos no sentido de um novo olhar para a filosofia. Podemos perceber, numa simples conversa com os jovens, a necessidade que eles sentem de filosofar, o que quer dizer, de transcenderem, atrás de seus próprios horizontes. Mais do que ninguém os jovens naturalmente são criativos e esperam dias melhores. A eles dedico esta síntese da filosofia de Nietzsche, filósofo sem fronteiras, um rebelde de sua época (1844-1900) que hoje vive mais do que nunca, implantando na humanidade novas expectativas. Falar sobre Nietzsche, filósofo alemão do século passado é falar sobre toda modernidade. Não raramente houve na contemporaneidade filósofo que não tenha se ocupado de sua filosofia, tentando evidenciar erros, em seu pensamento cheio de contradições ou esmiuçar detalhes insignificantes na procura de compreender seu pensamento escrito através de uma linguagem metafórica. Megalomaníaco, louco ou apenas um homem, filósofo, atormentado pelo fato de não ser entendido; rejeitado pela elite filosófica de sua época. Hoje, entretanto, podemos constatar sua competência filosófica, em ter "de certa forma previsto" o rumo dos ventos contemporâneos, a direção certa do destino do homem que se conhece como tal ou se procura dentro da existência humana. É difícil, entretanto, atingir uma "plenitude" de compreensão necessária para entender os textos de Nietzsche em sua real profundidade, que assume a tragédia e o sofrimento como fazendo parte da própria vida. O super-homem de Nietzsche seria o homem que fez a travessia do homem pensante racional para o além pensar; algo parecido com um encontro entre alma e corpo; um homem transparente e puro; sem culpas e más intenções nem para si e nem para o outro. Para clarificar o entendimento do super-homem de Nietzsche vamos aqui sintetizar a travessia, ou seja, a passagem tão vasta e obscura do homem ao super-homem, através "Das três transmutações", passagem escrita no "Assim falou Zaratustra" em que o camelo se transforma em leão e o leão finalmente em criança. O camelo para Nietzsche seria o homem submetido às verdades impostas pela moral da Igreja da Idade Média, para o filósofo uma falsa moral cujas verdades estabelecidas vão em desencontro às verdades reais do ser humano. Assim sendo o camelo depois de carregar em si por muito tempo o peso dessa moral, cansado e sentindo exageradamente o peso da culpa imposta que não reconhece como verdadeira, apesar de ter se submetido a ela em nascimento, rebela-se então conscientemente contra os valores impostos e não adequados a si como ser natural e divino que é, aqui entendido "divino" como sendo natureza.Transforma-se então em leão; é de bom tom ressaltarmos aqui a importância do pensamento racional ainda presente no leão só que de forma mais consciente.O leão tem por sua vez, agora a responsabilidade e a força para contestar e lutar por si, por seus reais valores. Nietzsche realça o sofrimento da transformação do camelo em leão; compara-o mesmo às dores de um parto. Poucos são os homens capazes de lutarem por si, no sentido exposto anteriormente, frisa ainda Nietzsche pela autenticidade do seu si, sem serem marginalizados pela sociedade em que vivem. A passagem do leão finalmente para a criança é o final da travessia do ser humano, é a chegada do homem ao super-homem. A criança então no meu entender poderia ser o super-homem de Nietzsche. A criança nietzschiana é consciência, pura luz, puro saber; não possue porém o pensamento racional do leão que é o pensamento crítico; a criança é pura intuição, mas uma intuição "divina", natural advinda de um processo de busca interior do ser humano. Nela não existe autopiedade, nem castigo ou culpa somente uma vivência plena e una e não mais dual. |
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