Segundo matéria publicada pela Folha de São Paulo, 17
de junho de 2001, baseada no texto de Mark Schrope da New Scientist, um
macacão especial que exerce pontos de pressão na pele vem
sendo usado por pilotos para ajudá-los na orientação
espacial de céu e chão. Tal dispositivo pode ser estendido
não só aos pilotos, mas às pessoas com diminuição
da eficiência física como alterações da visão
e audição.
Angus Rupert, cirurgião de vôo da Nasa e da Marinha dos
EUA produziu o primeiro macacão táctil de pilotagem.
O macacão é um aplicativos que explora a reação
ao tato. Pesquisadores demonstraram que a linha direta que liga pele e
cérebro - a que permite tentar matar um mosquito com um golpe,
sem parar para pensar na mira - pode abrir uma série de possibilidades.
Geldard e Sherrick são pesquisadores que passaram anos explorando
os aspectos do toque. Mas, no geral, permaneceram praticamente sozinhos
nesse campo. No mundo todo, apenas cerca de cem pessoas se dedicam a pesquisar
o tato, em comparação aos milhares de cientistas que estudam
a visão e a audição.
O macacão dispõe de 32 tatores pneumáticos, cada
um dos quais com cerca de um centímetro e meio de diâmetro
e alguns milímetros de espessura. Eles ficam dispostos em torno
do torso, com intervalos de cerca de dois centímetros entre cada
um. De acordo com Cholewiak, essa é a menor distância a que
podem ser instalados e ainda manter a utilidade. 'A pele não trabalha
bem com vibrações em alta densidade', explica.
Os tatores são acionados por um pequeno motor que bombeia os jatos
de ar de acordo com determinações eletrônicas dos
instrumentos da cabine do piloto. Dessa maneira, o piloto pode receber
informação tátil sobre a altitude, inclinação,
atitude e velocidade relativa do aparelho. Mas a principal função
do macacão é ajudar a distinguir entre as sensações
de 'em cima' e 'embaixo'. 'A maioria dos pilotos mortos na guerra do Golfo,
morreu por não saber qual era o lado de cima', afirma Cholewiak.
Cerca de 30% das colisões aéreas civis - incluindo, acreditam
investigadores, a que matou John Kennedy Jr. - foram atribuídas
à desorientação espacial.
Saber onde está o chão envolve informações
complexas e, o mais importante, contínuas, recebidas por nossos
sentidos. Normalmente, usamos nossos olhos e nosso sistema vestibular,
que passam as sensações de equilíbrio e orientação.
Mas, em certas situações, essas informações
podem ser enganosas. Os pilotos podem se convencer de que estão
com o aparelho nivelado quando, na verdade, estão mergulhando em
direção ao chão ou -de forma ainda mais enganosa
- ao mar.
Assim, quando o helicóptero se inclina para a frente, fortes vibrações
na frente do traje praticamente forçam o piloto a corrigir a posição.
Derivar para um lado causa vibração na lateral do macacão.
Se o aparelho estiver se inclinando lateralmente para a direita, as vibrações
se movem da cintura para a região da axila direita do traje. Se
o nariz da aeronave estiver empinado demais, haverá vibrações
na parte posterior do pescoço. A resposta instintiva a cada um
desses estímulos é a correta: a reação automática
é a de corrigir movimentos involuntários.
Arrepios na espinha - O sistema é tão eficiente na transmissão
de informações geradas pelos instrumentos da cabine de pilotagem
que permite até mesmo fazer 'loopings', sabendo exatamente em que
ponto do círculo nivelar - durante um 'looping' executado para
trás, o macacão tátil lhes causa um arrepio na espinha,
que passa pelos ombros e desce pela frente do corpo, para mantê-los
orientados.
Outras aplicações dos macacões tácteis estão
sendo desenvolvidas. Mergulhadores militares estão testando uma
versão do sistema que permitirá a orientação
e a comunicação em mares muito escuros. E os trajes estão
até chegando ao espaço.
Um objetivo mais distante da pesquisa táctil seria ajudar pessoas
com problemas auditivos, especialmente os desenvolvidos na infância.
Kimbrough Oller, da Universidade do Maine em Orono, acredita que o cérebro
de uma criança pequena possa ser treinado e reorganizado de modo
a receber sons pela pele. 'O plano neurológico não é
inato e fixado cedo na vida', afirma.
Charlotte Reed, pesquisadora de fonologia e audição no MIT,
acredita que a idéia de Oller poderia ser colocada em prática
com um sistema, usando uns poucos tatores. Variar os tipos e texturas
das vibrações - como mudar as freqüências em
um aparelho de som - poderia permitir que informação complexa
fosse transmitida. Isso manteria baixo o custo do sistema de audição
tátil, talvez tornando-o dezenas de milhares de dólares
mais barato do que os implantes cocleares.
Fonte: O novo sentido do tato Folha de S. Paulo Flórida, 09/08/2001
Comentário SACI: Matéria publicada em 17 de junho de 2001
no jornal Folha de S. Paulo.
Dra. Carla de J. Rodrigues; Fisiopediatria
- Pesquisa em Saúde Infantil, São Paulo/SP, Brasil.
Contato: cax_fisio@yahoo.com,
bip (0xx11) 3444-4545 cod. 154661.
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