Tendências 

Os inquéritos à população revelam um aumento do consumo recente de anfetaminas (Figura 8) e de ecstasy (Figura 9) entre os jovens adultos, na maioria dos países que dispõem de dados provenientes de inquéritos consecutivos. No caso do ecstasy, constituem exceções a Alemanha e a Grécia, países cujos níveis de consumo não aumentaram, e o Reino Unido, onde o consumo destas drogas estabilizou recentemente (2002/2003), se bem que em níveis relativamente elevados (Figura 9).

Como se disse atrás, em muitos países o consumo de ecstasy ultrapassa atualmente o das anfetaminas, mas isto está longe de representar uma diminuição do consumo destas últimas. Na maioria dos países em condições de fornecer dados resultantes de inquéritos consecutivos, o consumo de anfetaminas (consumo recente entre os jovens adultos) aumentou, efetivamente. Uma exceção digna de nota é a do Reino Unido, onde se observou uma diminuição substancial do consumo de anfetaminas desde 1998. Este fato poderá explicar por que razão, neste país, a prevalência da experiência ao longo da vida é elevada, quando comparada com os níveis mais moderados do consumo recente. Poderá especular-se sobre se a redução do consumo de anfetaminas terá de algum modo sido compensado pelo aumento do consumo de cocaína e ecstasy (ver Figuras 8 e 9).

 

 

 

As drogas da era sintética: designer drugs ou club drugs

As primeiras experiências humanas com substâncias psicoativas deram-se por meio do consumo de plantas. A partir do século XIX o homem conseguiu isolar o princípio ativo vegetal (alcalóide), mas continuava a depender das plantas. Uma terceira etapa começou no final dos anos vinte, com o surgimento das anfetaminas. Pela primeira vez, uma substância psicoativa fora sintetizada totalmente em laboratório, sem precursores vegetais. Uma última etapa começou nos anos oitenta: a popularização das designer drugs. Designer significa desenhar, projetar. 

 Essas drogas têm como característica essencial o fato de terem sido modificadas em laboratório, com o intuito de potencializar ou criar efeitos psicoativos ou evitar efeitos indesejáveis.    

 A disponibilidade e o barateamento tecnológico permite hoje que tais drogas sejam sintetizadas com facilidade em laboratórios clandestinos domésticos.

Tais substâncias começaram a ganhar notoriedade nos anos oitenta, a partir de seu consumo dentro dos dance clubs e das raves. Seus freqüentadores, conhecidos por clubbers, consumiam tais substâncias, embalados pelo efeito 'bate-estaca' da música eletrônica, num ambiente marcadamente colorido e sintético. Os ideais de "amor", "paz" e "unidade", como no psicodelismo do movimento hippie dos anos 60, estão comumente associados ao consumo de designer drugs ou club drugs, como o ambiente sugere.

 Inicialmente associada exclusivamente ao ecstasy, a família das club drugs foi aumentando. Isso se deveu à recuperação de antigas substâncias, esquecidas ou em desuso, e ao surgimento de novas.

      Excluídos os bem conhecidos álcool, Rohypnol® (flunitrazepam), Fentanil e anfetaminas, uma série de substâncias batizadas com as letras de suas fórmulas químicas se nos apresenta. Seus nomes sugerem algo futurista, massificado. A primeira vista parece haver impessoalidade. Letras e siglas capazes de alterar a mente, dentro de um ambiente por si só extravagante, psicodélico e sensual. Uma aproximação faz ver que tais substâncias possuem apresentações temáticas, que personalizam e proporcionam intimidade para as relações entre a droga e seus usuários.

 O ecstasy (3,4 metilenodioxi-N-metanfetamina) é a substância que mais se associa às club drugs. A droga foi sintetizada e patenteada em 1912 (Laboratórios Merck), mas só foi utilizada no final dos anos sessenta, quando o professor da Universidade de Berkeley, Alexander Shulgin, começou a utiliza-la como um auxiliar psicoterápico. Tal modo de uso foi proibido durante os anos setenta. A partir daí, o ecstasy ganhou as ruas, para se tornar popular a partir de meados dos anos oitenta, dentro das raves.

 O primeiro relato de morte atribuído à substância apareceu em 1987. O ecstasy é uma droga sintética derivada da anfetamina, com propriedades estimulantes e alucinógenas, por isso denominada de "anfetamina psicodélica". Os usuários relatam que o ecstasy é capaz de causar bem-estar, conforto, empatia e conecção com outros. Por outro lado, complicações como a hipertermia, desidratação, hiponatremia, blackouts e exaustão (tendo alguns casos evoluído para a morte) já foram relatados. Suas propriedades neurotóxicas foram sendo demonstradas ao longo dos anos noventa. O sistema serotoninérgico, responsável pelo controle do humor e dos impulsos, parece ser o mais atingido e lesionado pelo consumo repetido da substância. O ecstasy é capaz de causar dependência. Ao ouvir pessoas que só conseguiram emagrecer com remédios à base de anfetaminas, mas que continuam em tratamento, dá para notar a satisfação e o prazer de estar próximo a alcançar o maior prêmio de suas vidas: vencer a luta contra a obesidade. No entanto, passado o período da grande perda de peso, parece que algo errado acontece, já que o organismo começa se a acostumar com aquela medicação e passa a pedir doses cada vez maiores para continuar acelerando o metabolismo e queimando gorduras.

Sem que se perceba, entra em campo o círculo vicioso. É aí que mora o perigo, pois, mesmo tendo consciência de que o medicamento não é mágico nem milagroso, as pessoas continuam tomando. Um relatório feito pela ONU alerta para o consumo descontrolado dessas drogas no Brasil. Segundo o documento, de 1998 até 2003, a ingestão aumentou 500% no país.

As anfetaminas, conhecidas como drogas anoréticas, preocupam porque geram dependência química. “As estatísticas mundiais apontam o Brasil como um dos maiores consumidores da substância no mundo, e esse dado é alarmante”, afirma Alexandre Merheb, mestre em nutrologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Estimulantes da atividade do sistema nervoso central, elas fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas “acesas” e sem sono. “O uso como moderador de apetite traz efeitos colaterais a curto e a longo prazos, como irritabilidade, depressão, taquicardia, irritação, depressão e inquietude, perda de memória, cefaléia e alucinações”, alerta o médico.

Emagrecer é difícil, ninguém nega. O problema é que o uso de anfetaminas talvez não seja o melhor caminho. Muitas pessoas tomam anfetaminas nas fórmulas para emagrecer sem maiores problemas. Mas algumas pessoas tem uma sensibilidade maior a seus efeitos colaterais.

 

Os efeitos colaterais mais freqüentes, principalmente com o uso prolongado são:

·        Irritabilidade.

·        Depressão.

·        Disforia (uma mistura de humor instável, euforia, irritação, agressividade e depressão).

·        Perda de memória.

·        Cefaléia.

·        Confusão mental.

·        Alucinações.

 

Nos EUA, a metanfetamina (uma anfetamina) tem sido muito consumida na forma fumada em cachimbos, recebendo o nome de "ICE" (gelo).

Outra anfetamina, metilenodióximetanfetamina (MDMA), também conhecida pelo nome de "Êxtase", tem sido uma das drogas com maior aceitação pela juventude inglesa e agora, também, com um consumo crescente nos EUA.

 

Efeitos no cérebro

As anfetaminas agem de uma maneira ampla afetando vários comportamentos do ser humano. A pessoa sob sua ação tem insônia (isto é, fica com menos sono) inapetência (ou seja, perde o apetite), sente-se cheia de energia e fala mais rápido ficando "ligada". Assim, o motorista que toma o "rebite" para não dormir, o estudante que ingere "bolinha" para passar a noite estudando, um gordinho que as engole regularmente para emagrecer ou ainda uma pessoa que se injeta com uma ampola de Pervitin ou com comprimidos dissolvidos em água para ficar "ligadão" ou ter um "baque" estão na realidade tomando drogas anfetamínicas.

A pessoa que toma anfetaminas é capaz de executar uma atividade qualquer por mais tempo, sentindo menos cansaço. Este só aparece horas mais tarde quando a droga já se foi do organismo; se nova dose é tomada as energias voltam embora com menos intensidade. De qualquer maneira as anfetaminas fazem com que um organismo reaja acima de suas capacidades exercendo esforços excessivos, o que logicamente é prejudicial à saúde. E o pior é que a pessoa, ao parar de tomar, sente uma grande falta de energia (astenia) ficando bastante deprimida, o que também é prejudicial, pois não consegue nem realizar as tarefas que normalmente fazia antes do uso dessas drogas.

 

Efeitos no resto do corpo

As anfetaminas não exercem somente efeitos no cérebro. Assim, agem na pupila dos nossos olhos produzindo uma dilatação (o que em medicina se chama midríase); este efeito é prejudicial para os motoristas pois, à noite eles ficam mais ofuscados pelos faróis dos carros em direção contrária. Elas também causam um aumento do número de batimentos do coração (o que se chama taquicardia) e um aumento da pressão sangüínea. Aqui também podem haver sérios prejuízos à saúde das pessoas que já têm problemas cardíacos ou de pressão, que façam uso prolongado dessas drogas sem o acompanhamento médico, ou ainda que se utilizarem de doses excessivas.

 

Efeitos tóxicos

Se uma pessoa exagera na dose (toma vários comprimidos de uma só vez) todos os efeitos acima descritos ficam mais acentuados e podem começar a aparecer comportamentos diferentes do normal: ela fica mais agressiva, irritadiça, começa a suspeitar de que outros estão tramando contra ela: é o chamado delírio persecutório. Dependendo do excesso da dose e da sensibilidade da pessoa pode aparecer um verdadeiro estado de paranóia e até alucinações. É a psicose anfetamínica. Os sinais físicos ficam também muito evidentes: midríase acentuada, pele pálida (devido à contração dos vasos sangüíneos) e taquicardia.

Essas intoxicações são graves e a pessoa geralmente precisa ser internada até a desintoxicação completa. Às vezes durante a intoxicação a temperatura aumenta muito e isto é bastante perigoso pois pode levar a convulsões.

Finalmente trabalhos recentes em animais de laboratório mostram que o uso continuado de anfetaminas pode levar à degeneração de determinadas células do cérebro. Este achado indica a possibilidade de o uso crônico de anfetaminas produzir lesões irreversíveis em pessoas que abusam destas drogas.

 

Aspectos gerais

Quando uma anfetamina é continuamente tomada por uma pessoa, com o tempo, começa a perceber que a droga faz, a cada dia, menos efeito; assim, para obter o que deseja, precisa aumentar suas doses. Há até casos que de 1-2 comprimidos a pessoa passou a tomar até 40-60 comprimidos diariamente. Este é o fenômeno de tolerância, ou seja, o organismo acaba por se acostumar ou ficar tolerante à droga.

Discute-se até hoje se uma pessoa que vinha tomando anfetamina há tempos e pára de tomar, apresentaria sinais desta interrupção da droga, ou seja, se teria uma síndrome de abstinência. Ao que se sabe algumas pessoas .

 

 

           

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