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TERMINOLOGIAS USADAS NO EXAME

Alguns parâmetros analisados no espermograma apresentam uma terminologia própria, que diz respeito a resultados encontrados no exame, como segue:

POLIZOOSPERMIA
Quando a contagem de espermatozóides é >250x10(6)/ml (para alguns pesquisadores >200x10(6)/ml). Semens polizoopérmicos geralmente apresentam bons indicadores espermáticos, quando a contagem é <350x10(6)/ml (são os melhores resultados encontrados no exame). Entretanto, polizoospermia também pode se associar com infertilidade, de diversas causas e, principalmente, com índices elevados de aborto espontâneo (cerca de 25% dos casais, onde o cônjuge possui semen polizoospérmico, apresentam pelo menos um episódio de aborto). Por outro lado, os semens com contagem de espermatozóides >350x10(6)/ml (em alguns casos a contagem pode chegar a 1000x10(6)/ml ou seja 1 bilhão de espermatozóides/ml) geralmente apresentam alterações espermáticas que podem comprometer a fertilidade. Suspeita-se que os distúrbios decorrentes de polizoospermia (infertilidade e aborto) seja resultante de alterações genéticas, mas esta possibilidade ainda não é bem definida.

NORMOZOOSPERMIA
É o resultado mais comum no exame e diz respeito a contagens de espermatozóides entre 20 e 250 (ou 200)x10(6)/ml. Entretanto, este têrmo não indica que o exame é normal, pois há várias alterações que podem ser encontradas em outros parâmetros seminais, como, por exemplo, na motilidade e na morfologia espermática, indicando a presença de algun distúrbio (varicocele, por exemplo, pode causar estas alterações. Distúrbios funcionais na próstata e nas vesículas seminais, infecções genitais, auto-imunidade e outros fatores podem ser diagnosticados em pacientes com semen normozoospérmico.

OLIGOZOOSPERMIA
Indica que a contagem de espermatozóides é <20x10(6)ml. Este distúrbio é classificado em: OLIGOZOOSPERMIA MÉDIA - quando a contagem de espermatozóides situa-se entre 10 e 20x10(6)/ml; OLIGOZOOSPERMIA MÉDIA - quando a contagem de espermatozóides situa-se entre 5 e 10x10(6)/ml; OLIGOZOOSPERMIA SEVERA - quando a contagem de espermatozóides é <5x10(6)/ml. Oligozoospermia é resultante de uma deficiência na produção de espermatozóides pelo testículos e tem várias origens: disfunções hormonais, varicocele, orquites, uso determinados medicamentos e produtos químicos, etc. Em pacientes com oligozoospermia, alterações muitas vezes significativas também são encontradas em outros parâmetros seminais, principalmente, na motilidade e na análise morfológica dos espermatozóides. Oligozoospermia geralmente reduz a qualidade dos espermatozóides e sua capacidade de fertilização. Na oligozoospermia severa também pode ser detectada microdeleção do cromossoma Y, que associa-se com fatores de risco genético em uma gravidez.

AZOOSPERMIA
Este distúrbio caracteriza a ausência de espermatozoides no ejaculado. Para fins de diagnóstico classifica-se a azoospermia em 2 tipos: 1- AZOOSPERMIA NÃO OBSTRUTIVA (SECRETORA), que é causada por um falha testicular severa. ; 2- AZOOSPERMIA OBSTRUTIVA (EXCRETORA), causada por uma obstrução nos ductos excretores, que impedem a saída dos espermatozóides. O diagnóstico diferencial baseia-se no exame físico, na avaliação endócrina e genética e, principalmente, na realização de uma biópsia de testicular, que praticamente define a origem do distúrbio. Azoospermia também pode se associar com microdeleções do cromossoma Y. As causas mais comuns de azoospermia não-obstrutiva são os distúrbios na espermatogênese (parada de maturação, hipospermatogênese, hialinação, fibrose e esclerose tubular, syndrome de klinefelter, síndrome da células de Sertoli isoladas, etc.) e de azoospermia obstrutiva, a agenesia congênita dos vasos deferentes, pós cirúrgico inguinal e genital, obstrução dos testículos, rete testes, epidídimos e ductos ejaculatórios, infecções e a síndrome de Young.

TERATOZOOSPERMIA
Este distúrbio diz respeito à análise morfológica dos espermatozóides (qualidade dos gametas). Segundo referência padrão da Organização Mundial da Saúde (WHO manual para o exame do sêmen, 1999), considera-se normal o achado de >15% de espermatozóides morfologicamente normais, isto é, com cabeça oval, acrossoma entre 40-70% e peça intermediária e flagelo sem alterações. Valores no exame >15% indicam boa possibilidade de se conseguir a gravidez. Valores <15% indicam a presença de teratozoospermia, ou seja, a qualidade dos espermatozóides não é boa. Quanto mais intensa a teratozoospermia menores são as chances de fertilização, embora isto não indique que ela não possa ocorrer. É importante ressaltar que a detecção de teratozoospermia depende de uma análise morfológica rigorosa, seguindo os critérios do manual da OMS. Distúrbios que causam teratozoospermia são praticamente os mesmos que afetam a contagem de espermatozóides. Algumas síndromes raras também causam teratozoospermia, com predomínio de determinada anomalia espermática.

ASTENOZOOSPERMIA
Astenozoospermia é a presença de baixa mobilidade espermática. Segundo a OMS semens normais apresentam motilidade grau (a) - progressão rápida e direcional - igual ou maior que 25% ou progressão (a) + (b) - progressão rápida e direcional + progressão lenta - igual ou maior que 50%. Valores inferiores a esta referência determina a presença de astenozoospermia, que pode comprometer a capacidade de fertilização do homem. Quanto mais intensa a astenozoospermia, menores são as chances de fertilização. Os principais fatores que afetam a motilidade espermática são varicocele, distúrbios hormonais, infecções genitais, anticorpos antiespermatozóides, o aumento de bactérias no sêmen, defeitos flagelares, disfunções na próstata e nas vesículas seminais, fumo, determinadas medicações, consumo de alcool, stress e excesso de radicais livres no sêmen.

HIPERESPERMIA E HIPOSPERMIA
É o excesso de ejaculado, ou seja, um volume maior do que o normal. Segundo experiência deste pesquisador, o volume de ejaculado deve variar entre 2,0 e 5,0 ml. Valores menores que 2,0 ml denomina-se de HIPOSPERMIA, ao passo que os valores >5,0 denomina-se de HIPERESPERMIA. Em condições normais, a próstata e as vesículas seminais contribuem com cerca de 30-35% e 60-65% do volume ejaculado. Estas percentagens são mais ou menos constantes e refletem uma interação dinâmica entre estas glândulas, que produzem diversos compostos que são essenciais para os espermatozóides. Quando há um distúrbio funcional em uma das glândulas ou em ambas, há um rompimento desta interação e a secreção de uma glandular passa a predominar em relação a outra, o que pode prejudicar os espermatozóides, causando infertilidade. Este rompimento provoca alterações em características físicas do ejaculado (coagulação, liquefação, volume, viscosidade e pH) e em seus marcadores bioquímicos (frutose, cálcio, fosfatase ácida, zinco, magnésio, ácido cítrico, gama gt, fósforo e outros). Pode também ocorrer uma redução (HIPOSPERMIA) ou uma excessiva produção de líquidos (HIPERESPERMIA). A causa mais comum destes distúrbios é uma infecção genital. Entretanto, disfunções glandulares de origem não infecciosa também ocorrem, alterando estes parâmetros seminais.

ASPERMIA
É um distúrbio raro e caracteriza-se pela ausência de ejaculado. Sua causa mais comum é a ejaculação retrógrada, um distúrbio que direciona o sêmen para a bexiga. A colheita de urina após a suposta ejaculaçao confirma o distúrbio. Esta amostra mostrará a presença de muitos espermatozóides.
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