A Esperança na Ressurreição

A Esperança na Ressurreição



Quando examinamos nossa dedicação para com Deus, não é difícil ver o quanto nos animamos com as reuniões e eventos especiais da igreja. As vezes nossa alegria está baseada nos resultados que obtemos, como as assistências dos eventos e os números de convidados que temos. Porém sabendo que Jesus nos chamou para que déssemos fruto abundante e que perduraria, temos que ver algo além da assistência, dos eventos especiais e das reuniões. Quando se tem trabalhado fortemente para trazer muitas pessoas a uma Conferência de Homens ou de Mulheres ou algum outro evento especial, porém logo depois do evento não há um crescimento significativo no número de pessoas que estão estudando a Bíblia e tomando a decisão de batizar-se e tornar-se discípulos de Cristo, isto indica que falta algo, algum ingrediente. Geralmente o problema é que muitos dos discípulos andam desfocalizados.

A leitura de 1 Coríntios 15:1-11 nos mostra o enfoque do apóstolo Paulo, e portanto da igreja do primeiro século. Cristianismo nos chama a uma vida de boa conduta moral, porém seu enfoque não está nesta vida. Cristianismo tem seu enfoque nas boas notícias da ressurreição. Por tanto, vamos ver que a ressurreição é também a motivação para viver a vida cristã.

Em nossos estudos bíblicos com amigos que não são cristãos, e em tempos de discipulado com irmãos e irmãs na fé, recorremos muito à cruz de Cristo como um fator de motivação importante. Certamente o sacrifício de Cristo deve nos comover no mais profundo de nosso ser, nos confronta com nossa natureza pecadora e nos motiva a buscar uma mudança radical em nossas vidas.

Porém façamos uma simples pergunta: Onde estavam os apóstolos no dia da crucificação? A maioria estava escondida, mortos de medo. A crucificação não foi um fator de alta motivação naquele dia. Não estavam muito animados a examinar seus corações e a fazer mudanças radicais em suas vidas. O enfoque deles era o de salvar suas vidas!

O que foi que produziu a mudança nestes homens? Como obtiveram o poder para transformarem-se e se tornarem os homens que transformariam o mundo inteiro? Foi a ressurreição de Jesus.
Vejamos alguns exemplos de personagem antes da Ressurreição e depois da Ressurreição:

Tiago: Criticou a Jesus e zombou dele - Líder principal da igreja de Jerusalém
Pedro: Negou três vezes a Jesus - Um dos apóstolos principais da igreja
Paulo: Perseguidor de cristãos - Enfrentou a morte por causa de Jesus, queria salvar o "maior número possível"

Como já vimos em 1 Coríntios 15:5-7, a ressurreição não foi uma lenda nem uma alucinação. Paulo faz uma lista de pessoas que viram a Jesus ressuscitado, incluindo um grupo de mais de 500 que o viram juntamente. Tiago, Pedro e Paulo morreram pelo evangelho. Na cidade de Roma milhares de cristãos morreram por sua fé. Pessoas não se entregaram ao martírio por defender uma lenda ou uma mentira. Estes irmãos criam de todo coração que o Senhor havia ressuscitado e sua esperança estava apoiada 100% na ressurreição.

Este deve ser também o enfoque da Igreja hoje. A ressurreição não é algo para se repetir nos funerais como sinal de "segurança". Se lermos 1 Coríntios 15:12-19, podemos notar que entre os primeiros cristãos talvez se tivesse infiltrado uma dúvida sutil. O contexto desta passagem é que a ressurreição é elemento indispensável do Evangelho. Sem ressurreição, a mensagem é em vão. Portanto, quando a ressurreição deixa de ser parte integral de nossa mentalidade, a proclamação da mensagem se enfraquece. Alguns dos primeiros cristãos diziam crer porém não viviam proclamando o evangelho. O que dizemos? O que cremos? No que confiamos? Então, por que não estamos proclamando a Palavra?

Como vai seu relacionamento com Deus? Você está crescendo ou está estacionado? Você está dando o máximo no louvor dos cultos? Se esforça ao máximo em seu evangelismo? É uma luta manter o enfoque, porém a ressurreição de Cristo nos da a esperança de obter a vitoria (1 Coríntios 15:20-28). Por causa da esperança e da ressurreição, podemos agüentar pressões e problemas, podemos dar o melhor de nos mesmos nas reuniões e atividades da igreja. O cristão que anda cambaleando em sua fé não está firme em sua esperança. O cristão que não está envolvido em ajudar outros a conhecer a Cristo não está firme em sua esperança. O cristão que pensa em deixar a igreja se esquece de que por causa da esperança da ressurreição a igreja é uma pequena mostra do que será o céu (1 Coríntios 15:51-58). A ressurreição da sentido a tudo o que fazemos, de maneira que nosso esforço "não é em vão" (v.58).

A vida na igreja nos prepara para a vida eterna. Desejar a eternidade e não se envolver com a missão da igreja é como um menino que assiste um jogo de futebol pela televisão e diz que ele quer algum dia fazer parte da Seleção Nacional, porém nunca sai para jogar futebol.

Em sua carta aos Filipenses, o apóstolo Paulo diz que quer sentir em si próprio o poder da ressurreição (Filipenses 3:10-11). Não falava de uma doutrina, mas de poder. Era sua esperança e sua motivação. Porém não esqueçamos que, para sentir o poder da ressurreição, tem que "morrer" primeiro. Jesus advertiu que para segui-lo temos que morrer para nos mesmos, o que quer dizer, colocar de lado nossos desejos, nossas idéias e opiniões, nossos preconceitos e preferências, nossos sonhos e ambições, nos deixar governar pela mente de Cristo. Isto é algo difícil de fazer se somente estamos motivados pelo sentimento de culpa por causa do pecado ou pelo puro sentimento de obrigação. Porém quando vemos que nossa verdadeira vida é aquela que viveremos com Deus na eternidade, então é mais fácil ver que as coisas as quais nos agarramos nesta vida não são tão importantes como parecem.

Nossa verdadeira vida está no céu, com Cristo (Colossenses 3:1-4). É lá onde deve estar nosso foco, nosso pensamento, nossos valores, nossa esperança. E é essa vida eterna com Cristo que nos deve motivar a cumprir com nossa missão de proclamar a Palavra.




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