Perdoando como Filemom



Poucos minutos pareciam uma eternidade para Onésimo. Ali, de pé à porta enquanto Filemom lia a carta, seu coração apertava dentro do seu peito. Paulo lhe dissera para confiar que tudo daria certo. Dera-lhe uma carta, mas seu conteúdo era desconhecido, afinal Onésimo sempre fora escravo e não sabia ler. Ele foge dos olhos de seu senhor que termina a leitura.O medo do castigo, da vingança e da ira do seu senhor por causa da fuga o impede de levantar a cabeça. Filemom aproxima-se toca em seu ombro e olhando no fundo dos seus olhos diz: “Seja bem-vindo a casa, filho”.

A carta de Paulo a Filemom revela muito mais do que a experiência, espiritualidade e sabedoria de Paulo. Mostra o que há de mais poderoso no cristianismo: o perdão. Imagino Filemom recebendo Onésimo, que antes de qualquer coisa lhe entrega uma carta com a assinatura de Paulo. Imagino o coração de Filemom exigindo justiça pelo quanto Onésimo o tinha prejudicado. Em seu coração a luta contra o orgulho, quase sem vontade de ler a carta: “Já sei... Paulo vai mandar eu perdoá-lo e recebê-lo de volta... isso não é justo!”

Porém quando a voz de Paulo soa em seu coração fica evidente que se trata da Palavra de Deus. Não era uma ordem, uma regra ou autoritarismo. Era um apelo de amor.

Tudo o orgulho cai diante da cruz. Como exigimos algo diante de tamanho presente? Como podemos humanizar as situações diante do amor divino? Quantas vezes nosso coração não fica assim? Quantas vezes não ficamos tentados a não ouvir a Bíblia ou o discipulado por saber que vai nos dizer o que mudar? Quantas vezes não ficamos tentados a nos entregar ao orgulho? Endurecemos nosso coração por humanizar a mensagem de Deus em nossa vida.

O coração de Filemom se quebra de constrangimento. “Como pude deixar meu coração se endurecer assim?”

Essa é nossa reação quando nos humilhamos diante do perdão de Deus. Uma vez quando nos convertemos e somos batizados e durante toda nossa vida cristã quando somos confrontados com nossos pecados.

Paulo poderia exigir algo de Filemom, poderia usar de sua autoridade, cobrar o que ele lhe devia, mas não o faz. Deus pode exigir tudo de nós, uma obediência seca - afinal de contas ele é Deus - mas não o faz. Prefere fazer um apelo de amor, nos constranger.

Se Paulo levanta Onésimo e expressa o quanto ele é útil e importante e manda que as dívidas dele sejam colocadas na sua conta pessoal, mais ainda Cristo fez por nós. Ele deu a sua vida por nossas dívidas, ofereceu perdão e tomou a iniciativa de se reconciliar conosco – e tem continuado a tomar – e espera que para mim e para você, isso seja o suficiente. Não é simplesmente uma ordem, é um apelo de amor.

1. Você tem ouvido o apelo de amor feito por Deus a cada dia?
2. Você tem refletido para ser grato à tamanha demonstração de amor da parte de Deus?



Voltar à página anterior