É interessante como a ordem dos fatores pode alterar o produto na vida real. Pensar na multiplicação dos pães nos faz pensar no quanto Jesus é poderoso e no quanto ele se importa conosco, no quanto quer nos alimentar. Porém quando pensamos em quais circunstancias ele fez o milagre vemos o quanto ele ama cada um de nós, o quanto ele amou de todo o coração até o fim.
Mt 14:1-21
Ele era conhecido como o melhor gerente financeiro que jamais havia cursado uma universidade. Os anos de experiência, o coração humilde de aprendiz o fez saltar de office-boy a gerente em longos 30 anos. Ele tinha o respeito dos outros diretores, que mesmo mais estudados, - até no exterior – reconheciam de certa forma seu valor. Um grande homem reconhece a hora de ir e vai com glória. Antônio sabia que a aposentadoria era necessária, para o bem da empresa é claro, pois ele amava o seu trabalho.
Foi uma cena rara quando o jovem Brian, recém formado, assumiu o seu posto. Não havia discursos formais sobre confiança tentando esconder ou o rancor por sentir-se dispensado e inútil, ou a ansiedade por deixar logo o trabalho e curtir férias prolongadas para o resto da vida. Havia lágrimas, alegria e uma frase com um olhar firme: “Você pode fazer muito mais do que eu. Você é mais especial e mais importante.”
Receber um cargo tendo uma recepção assim faria qualquer um sentir-se especial e motivado a dar o melhor. Brian jamais esqueceria Antônio e seu coração.
Esse era o sentimento de Jesus a cerca de João Batista. Sua pregação simples e forte preparou de maneira especial o caminho de Jesus. Sua humildade mostrou o que viria a ser o Reino que anunciava.
A notícia de que Herodes o matara entristeceu Jesus.
“Ouvindo o que havia ocorrido, Jesus retirou-se de barco, em particular, para um lugar deserto.” (v.13).
Jesus sabia o que fazer quando vinha a dor, quando ficava mais frágil às armadilhas de Satanás, quando seu lado humano ganhava força e ficava mais difícil cumprir sua missão de amar até o fim. Ele sabia que nessas horas ele precisava estar com o Pai, orar.
“Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e curou os doentes.” (v.14).
Jesus estava pronto para amar as pessoas? Será que não precisava ficar sozinho um pouco, dar um tempo, orar talvez?
Uma dor forte! Era o que Wallace sentia quando chegou ao pronto socorro. Sua moto ‘escorregou’ em uma curva fechada enquanto tirava um racha. A outra moto nem parou para socorrê-lo. Um carro desconhecido o deixara no hospital. Ele aparentemente estava bem, andava e parecia que não havia quebrado nada! Só a dor da queimadura na perna e a cabeça – que mesmo protegida com capacete – doía pelo impacto com o chão, pelo orgulho ferido e pela raiva do oponente omisso.
Chegou reclamando e continuou assim por causa da demora do atendimento. Gritava, esperneava e reclamava.
Foi quando uma enfermeira de voz suave, franzina e delicada lhe dirigiu a palavra: “Será que você não consegue enxergar a dor das pessoas ao seu redor?”
Wallace sentiu mais dor do que nunca naquele dia. As dores na cabeça e na perna se calaram. Seu coração agora é que doía. Olhando em volta viu uma mãe que chorava pelo filho que havia tomado oito tiros e estava a beira da morte – atiraram pensando que era um viciado devedor. Olhou no canto da sala e viu um senhor de seus oitenta anos que já estava sem esperança, pois sua companheira e única conhecida, teve um derrame e estava quase o deixando. Olhou para o corredor e viu um médico dando a notícia para a esposa com uma criança no colo que seu marido não resistiu ao traumatismo craniano.
Uma lágrima correu. Antes que a segunda rolasse, o cara da ambulância gritou: “Preciso de ajuda aqui!”.
Ocorrera um acidente e a ambulância entrando rápido atropelou algumas pessoas.
Não havia mais dor em Wallace. Ele largou seu capacete e começou a ajudar. Esquecera-se dele, agora seu coração estava tomado de compaixão.
Cinco mil homens! Sem contar mulheres e crianças. A noite estava chegando. Os discípulos estavam preocupados, pois não teriam como alimentar toda essa multidão. Cinco pães, dois peixes... não dá mesmo.
“Este é um lugar deserto, e já está ficando tarde. Manda embora a multidão para que possa ir aos povoados comprar comida.” (v.15) – disseram a Jesus, os discípulos. ‘Era óbvio! Como Jesus não pensou nisso antes. É só raciocinar e ver que aqui, não dá pra alimentar a multidão!’ – talvez o que alguns deles pensaram.
“Respondeu Jesus: ‘Eles não precisam ir. Dêem-lhes vocês algo para comer’”.
‘Ok. Eu não posso fazer milagres, certo?’ O milagre em si não foi o ensinamento de Jesus. Nem ao menos foram os discípulos que multiplicaram. Isso vem de Deus! Os discípulos serviram às pessoas. Os discípulos deram tudo que tinham. Os discípulos trabalharam duro. Os discípulos obedeceram e confiaram em Jesus, que fez o milagre.
Os discípulos recolheram em 12 cestos para verem que o que têm pode alimentar a todos e ainda sobra.
Jesus ensinou com seu exemplo que nos momentos difíceis o que nos ajuda é olharmos para a dor das pessoas e ajudá-las.
Jesus mostrou que o que temos é suficiente para ajudar as pessoas. É claro que somos incapazes, mas ele dará o que for preciso.
1) Como reajo nos momentos de dificuldades pessoais (lutas emocionais, doenças, dificuldades financeiras)? Busco a Deus em oração? Focalizo em mim ou olho para a dor das pessoas e faço algo para ajudá-las [fisicamente (Hope) e espiritualmente (evangelismo)]?
2) Qual a minha atitude diante das dificuldades para ajudar as pessoas: dou desculpas e humanizo as coisas ou confio que Deus é que fará os milagres?