Hinos Clássicos - Abandono dos hinos clássicos? <!-- LOCALIZE this title -->Rodapé de artigo incluído para <%DiscussionTitle%>

 

Louvai ao Senhor

Página inicial

Hinos

Download do hinário completo

Similaridade entre hinários

Recado aos irmãos da CCB

Assinar o Livro de Visitas

Exibir o Livro de Visitas

Abandono dos Hinos Clássicos?

E-mail

 

 

 

 

 

Como dito na página inicial, muitas denominações evangélicas que antes, nos seus cultos, entoavam hinos clássicos, deram lugar para a "modernidade", sendo que muitas vezes este "artifício" é questionável. Não somos contra os "hinos avulsos", mas depois de lerem os artigos que estão abaixo, vocês perceberão que muitos estão regredindo na parte do louvor.


É claro que a música cristã moderna entoada em diversas denominações, via de regra, é bem inferior aos hinos clássicos que eram escritos 200 anos atrás. Isto não é uma reclamação do estilo no qual as músicas são escritas na maioria das vezes. Ao invés as letras são o que revelam mais nitidamente quão feio os padrões caíram.

Os hinos são ferramentas didáticas maravilhosas cheias da Palavra e de doutrina sólida um meio de ensinar e admoestar uns aos outros como nos é ordenado em Colossenses 3.16 “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente em toda a sabedoria ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos hinos e cânticos espirituais cantando ao Senhor com graça em vosso coração”. Mais de cem anos atrás a música de igreja tomou uma direção diferente e seu foco se tornou mais subjetivo. As músicas enfatizaram a experiência pessoal e os sentimentos do adorador. Os músicos evangélicos modernos têm promovido essa tendência ainda mais e freqüentemente vêem a música como não mais do que um instrumento para estimular emoções intensas. O papel didático ordenado pela Bíblia é simplesmente esquecido efeito é previsível. O que foi semeado por várias gerações está colhendo-se agora em abundância assustadora. A igreja moderna alimentada por letras insípidas tem pouco apetite pela Palavra e doutrina sólida.

Há o perigo de se perder a rica herança da hinódia visto que alguns dos melhores hinos da fé cristã (independente do hinário de música tradicional) caem na negligência sendo trocados por letras banais dentro de melodiazinhas que não saem da cabeça. É uma crise e muitas denominações evangélicas estão sofrendo espiritualmente. Tanto líderes evangélicos quanto músicos devem ver a gravidade da crise e trabalhar diligentemente para uma reforma.

Em uma pesquisa de John MacArthur sobre hinos clássicos o mesmo constatou o fato de que uma profunda mudança aconteceu na música da igreja perto do fim do século XIX. A composição de hinos praticamente parou e foi trocada pelas "músicas gospel" – músicas geralmente mais leves no conteúdo doutrinário com estribilhos curtos seguidos de um refrão um coro ou uma linha lírica comum no final repetida após cada estribilho. As músicas gospel de maneira geral eram mais evangelísticas que os hinos. A diferença principal era que a maioria das músicas gospel era expressões de testemunho pessoal visando a uma audiência formada de pessoas enquanto a maioria dos hinos clássica era músicas de louvor dirigidas diretamente a Deus.

Na maioria das vezes, no entanto o crescimento da música gospel no canto comunitário marcou uma diminuição de ênfase na verdade doutrinária objetiva e um aumento da experiência subjetiva. A mudança de foco afetou claramente o conteúdo das músicas. Devemos notar que algumas das músicas gospel originais são tão insípidas e vazias quanto qualquer coisa que os opositores da presente geração de música cristã contemporânea jamais poderiam reclamar legitimamente.

De fato os críticos tradicionalistas que atacam a música contemporânea somente porque é contemporânea no estilo - especialmente aqueles que pensam que a música antiga sempre é melhor - precisam repensar o assunto. A preocupação que levanto tem a ver com conteúdo não estilo somente.Considerando só as letras algumas das músicas de estilo antigo mais populares são até mais ofensivas do que coisas modernas.

Hoje em dia a adoração é freqüentemente caracterizada como algo que acontece bem longe do domínio do intelecto dos fiéis. Essas noções destrutivas têm criado vários movimentos perigosos nas denominações contemporâneas. Talvez tenham chegado ao ápice no fenômeno conhecido como a Bênção de Toronto onde risos irracionais e outras emoções selvagens eram consideradas as mais puras formas de adoração e uma prova visível da bênção divina. Essa noção moderna de adoração como um exercício irracional tem causa do muito prejuízo às denominações evangélicas implicando em um declínio na ênfase na pregação e ensino e uma interessante ênfase em entreter a igreja e fazer as pessoas se sentirem bem. Tudo isso deixa o crente no banco da igreja destreinado e incapaz de discernir e muitas vezes jubilantemente ignorante dos perigos ao redor dele ou dela.

A Era dos Cânticos de Louvor.

No final do século XX aconteceu uma outra grande mudança. Uma nova forma sucedeu às músicas gospel: os cânticos de louvor. Os cânticos de louvor consistem de versos em músicas fáceis geralmente mais curtas do que as músicas gospel e com menos estribilhos.

Os cânticos de louvor assim como os hinos são geralmente músicas de louvor direcionadas a Deus. Com essa recente mudança voltou-se à pura adoração (ao invés de testemunho e evangelismo) Ao contrário dos hinos, contudo os corinhos populares geralmente não têm nenhum propósito didático. Os cânticos de louvor são feitos para serem cantados como uma simples expressão pessoal de louvor enquanto hinos são geralmente expressões coletivas de louvor com uma ênfase em alguma verdade doutrinária. Um hino geralmente tem várias estrofes cada qual construindo ou expandindo o tema introduzido na primeira estrofe. Pelo contrário um cântico de louvor é geralmente mais curto com um ou dois versos e a maioria desses cânticos deliberadamente faz repetições para prolongar o enfoque numa única idéia ou expressão de louvor. (Obviamente essas não são distinções absolutas. Alguns corinhos contêm instruções doutrinárias e alguns hinos têm o objetivo de serem maravilhosas expressões de louvor).

Certamente não há nada de errado com o louvor simples e diretamente pessoal que caracteriza os melhores cânticos de hoje. Também não há nada de errado com a campanha evangelística e de testemunho das músicas gospel deontem. É uma profunda tragédia, no entanto que em alguns círculos apenas cânticos contemporâneos sejam cantados. Outras denominações evangélicas limitam seus repertórios a músicas gospel retrocedendo no máximo de até cem anos atrás. Enquanto isso um grande e rico conjunto da hinologia clássica cristã corre o risco de ser irreparavelmente extinto por pura negligência. - Nota do nosso site: Graças a Deus, a Congregação Cristã no Brasil - e no exterior-  e algumas denominações estão longe deste risco.

 

Salmos, Hinos e Cânticos Espirituais.

A perspectiva bíblica para música cristã se encontra em Colossenses 3.16: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente em toda a sabedoria ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos hinos e cânticos espirituais cantando ao Senhor com graça em vosso coração”. Este verso simplesmente pede por uma variedade de formas musicais - "salmos hinos e cânticos espirituais”. Sobre o significado dessas expressões Charles Hodge escreveu: "Os primeiros usos das palavras psalmos hinos e ode parecem ter sido tão livres quanto os termos correspondentes em Inglês o são conosco salmo hino e cântico. Um salmo era um hino e um hino era um cântico. Ainda havia uma distinção entre eles”. Um salmo falava de uma música sagrada escrita para acompanhamento com instrumento musical. (Psalmos é derivado de uma palavra que quer dizer tanger cordas com os dedos.) A palavra era usada para referir a salmos do Antigo Testamento (Atos 1.20 13.33) bem como canções cristãs (I Cor14.26)[14]. Um hino falava de uma música de louvor a Deus um pai [hino alegre e exultante de louvor tributo ação de graças ou triunfo] religioso.Um cântico, porém podia ser música tanto sagrada quanto secular. Então o apóstolo especifica: "canções espirituais”.

As distinções entre os termos são um tanto nebulosas e como Hodge indicou a nebulosidade se reflete mesmo no uso moderno dessas palavras. Não obstante determinar as reais formas dos "salmos hinos e canções sagradas" não é essencial. De outra forma as Escrituras teriam registrado essas distinções para nós.

A grande importância da expressão "salmos hinos e cânticos espirituais” parece ser a seguinte: Paulo estava pedindo uma variedade de formas musicais e uma variada gama de expressões espirituais que não podem ser incorporadas em qualquer uma forma musical. A opinião apenas de salmos (que vem ganhando popularidade em alguns círculos reformados hoje) não permite essa variedade. As opiniões dos fundamentalistas/tradicionalistas que parecem querer limitar a música eclesiástica às formas de músicas gospel do início do século XX também silenciariam a variedade que Paulo pediu. Mais importante acorrente reinante nas denominações evangélicas modernas onde as pessoas parecem querer se empanturrar de nada além de simplistas cânticos de louvor também destrói o princípio de variedade que Paulo determinou.

Acredita-se que a comunidade evangélica protestante errou cem anos atrás quando a composição de hinos foi quase que completamente abandonada dando lugar [exclusivo] à música gospel. Os compositores crentes hoje estão cometendo um engano similar ao não comporem hinos substanciais enquanto removem os antigos hinos do repertório musical das denominações evangélicas e os trocam com corinhos triviais e músicas pop parecidas.

"A música... limita-se exclusivamente a cânticos de louvor, com letras projetadas [por um retroprojetor ou um datashow] ao invés de cantadas dos hinários, de forma que o adorador tenha total liberdade de reagir fisicamente”. Cada cântico de louvor se repete várias vezes e o único sinal de que estão indo para o próximo cântico é quando a transparência muda. Não há anúncio ou comentários falados entre as músicas. De fato, não há um líder de louvor, para que o cantar tenha um sentimento de espontaneidade.

A música começa devagar e calma e vai progredindo gradual e constantemente num crescendo de 45 minutos. Cada cântico que sucede tem uma carga emocional mais forte que a anterior. Ao longo de 45 minutos, a força emocional da música aumenta a passos quase imperceptíveis desde calma e serena até uma intensidade forte e impulsiva. No começo todos estão sentados. À medida que o sentimento de fervor aumenta, as pessoas reagem quase que instintivamente, primeiro levantando as mãos, depois se levantando, depois se ajoelhando ou caindo prostrados no chão. Ao fim do momento de louvor metade da igreja está no chão, vários estirados com a face voltada para o chão e se torcendo de emoção. A música foi cuidadosa e propositadamente levada para esse intenso ápice emocional...

Ainda assim, em meio a isso tudo, não há uma ênfase no conteúdo das músicas. Canta-se sobre "sentir" a presença de Deus entre as pessoas, como se as crescentes emoções fossem a principal maneira de confirmação da sua presença e de medida da força da sua visitação. Várias das músicas dizem ao Senhor que ele é grande e digno de louvor, mas nenhuma jamais diz realmente porque. Não importa. O objetivo, claramente, é atiçar nossas emoções, e não focalizar nossos pensamentos num aspecto particular da grandeza de Deus. Na verdade, depois, na pregação, o pregador nos diz para tomar cuidado [a fim de não] seguir as cabeças ao invés dos corações em quais quer assuntos com Deus.

Em outras palavras, o louvor aqui é intencional e propositadamente anti-intelectual. E a música reflete isso. Ao passo que não há nada explicitamente errado com qualquer um dos cânticos que foram cantados, também não há nada de substância na maioria deles. São escritos para serem transmissores da paixão, porque a paixão, deliberadamente divorciada do intelecto, é o que define esse conceito de 'louvor'.

Nem todos cultos contemporâneos vão tão longe, claro, mas as tendências mais populares estão indo nessa direção, com certeza. Qualquer coisa muito cerebral é automaticamente suspeita, considerada não “louvável” o suficiente, porque claramente, a noção reinante de louvor não dá nenhum ou pouco lugar ao intelecto. É por isso que no culto típico as pregações estão sendo encurtadas e ficando mais light, e mais tempo é dado para a música. A pregação, que costumava ser o centro do culto de adoração, agora é vista como algo distinto da adoração. Algo que se intromete no "momento de louvor e adoração", no qual o foco é música, testemunho e oração, mas principalmente música. E música cujo principal propósito é atiçar as emoções.

Se a função apropriada da música inclui "ensinar e admoestar", então a música na igreja deve ser muito mais do que um estímulo emocional. Na verdade, isso significa que a música e a pregação devem ter o mesmo alvo.Ambas pertencem à proclamação da Palavra de Deus. O compositor deve, portanto, ser tão hábil nas Escrituras e tão preocupado com a precisão teológica quanto o pastor. E ainda mais, porque as músicas que ele ou ela escreve provavelmente serão cantadas vez após vez (ao contrário de uma pregação que é feita apenas uma vez..

John MacArthur teme que esta perspectiva está totalmente perdida entre os músicos crentes comuns de hoje em dia. Como observou Leonard Payton: "O quadro é tão extremo agora que qualquer um que sabe meia dúzia de acordes num violão e consegue fazer rimas que nem cartões de lembranças é considerado qualificado para exercer esse componente do ministério da Palavra, independentemente do treinamento e exames teológicos. Payton afirma que os músicos líderes do Antigo Testamento - Hemã, Asafe e Etã (I Crônicas 15.19) - foram os primeiros dentre todos os sacerdotes levitas, homens que dedicaram suas vidas ao serviço do Senhor (v. 17), homens treinados nas Escrituras e hábeis no manejo da Palavra de Deus. Seus nomes estão registrados como autores de alguns dos salmos inspirados (Sal 73-83 88.1 89.1). Payton escreve:

"Foi Asafe que proclamou que Deus é dono 'de 'milhares de cabeças de gado nas montanhas' (Salmos 50.10). Se um músico de uma igreja moderna tivesse escrito uma letra de louvor como o Salmo 50, ele provavelmente não conseguiria publicá-la na indústria de música cristã. E ele talvez estivesse bem perto de ser demitido da sua igreja. O Salmo 88 de Hemã é incontestavelmente o mais triste de todos os Salmos. Em suma, músicos levitas escreveram Salmos e esses Salmos não foram subjugados às exigências emocionais e gnósticas da música evangélica do século XX. I Reis 4.31 escreve sobre Salomão: “E era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol e correu o seu nome por todas as nações em redor”. Payton indica a importância desta afirmação: "Se Salomão não tivesse vivido, dois músicos teriam sido os homens mais sábios. Resumidamente, músicos eram professores da mais alta categoria.Isto me leva a pensar que os músicos levitas, tendo sido espalhados pela terra, serviram como professores de Israel. Mais ainda, os Salmos eram seus livros-texto. E porque este livro-texto era um livro de canto, provavelmente os músicos levitas catequizaram a nação de Israel cantando os Salmos.[18] [ênfase no original].

Gostem ou não, compositores são professores também. Muitas das letras que escrevem serão muito mais enraizados profunda e permanentemente nas mentes dos crentes do que qualquer coisa que líderes ensinem do púlpito.Quantos compositores são hábeis o suficiente em teologia e nas Escrituras para se qualificarem para tal papel fundamental na catequese do nosso povo?

A pergunta é respondida pela falta de expressão achada nos cânticos de louvor mais populares - especialmente quando comparados a alguns dos hinos clássicos.

É difícil imaginar numa outra expressão de louvor mais deficiente para oferecer a Deus do que "Pai de amor gosto tanto de ti

(Heavenly Father We Appreciate You). Mas “Meu Deus é um Grande Deus” (Our God is an Awesome God) chega perto. Em parte porque o adjetivo 'awesome [tremendo] foi pilhado pela presente geração tornando-o no elogio preferido para todas as ocasiões, usado em tudo deste manobras de skate até piercings. Na boca de um jovem "Our God is an Awesome God" é equivalente a cantar sobre como Deus é "massa”

Ao menos "Meu Deus é um Grande Deus" faz uma rápida referência à"sabedoria,poder e amor" de Deus, dando razões bíblicas porquê ele é grande e digno de louvor. Neste aspecto é melhor do que o monte de cânticos modernos que expressam um louvor vago a Deus, mas nunca se dão ao trabalho de mencionar o que há nele que o faz merecedor do louvor (e é certamente melhor do que o outro tipo popular de cânticos, aqueles que se concentram quase que completamente nos sentimentos do adorador).

Compositores modernos claramente precisam levar suas tarefas a sério.As denominações também devem fazer tudo que puderem para cultivar músicos que sejam treinados no manuseio das Escrituras e capazes de discernir a doutrina sólida. Mais importante ainda, os pastores e anciãos devem acompanhar mais de perto e mais cuidadosamente os ministérios de música na igreja, conscientemente fixando um alto padrão para o conteúdo bíblico e doutrinário do que se canta. Se estas coisas forem feitas, começará a ver uma dramática diferença qualitativa na música que vem sendo composta para a igreja.

Enquanto isso, não se deve jogar fora os hinos clássicos. Melhor ainda, deve-se reavivar alguns dos maiores hinos que caíram em desuso e adicioná-los novamente ao repertório.

Fonte: Baseado na matéria publicada na revista Christian Research Journal, com a autoria de John MacArthur. Tradução de G. Frederico

 


Cultura popular influencia o culto cristão e ameaça a essência da adoração

O ato de adorar, a experiência mais significativa do ser humano, sempre mereceu destaque no cristianismo. Algumas igrejas se preocupam mais com o tema do que outras, mas todas o consideram uma prioridade. Os estilos de culto variam, mas os encontros com o sagrado não podem faltar.

A busca coletiva de Deus é o exercício semanal ou mesmo diário mais fiel ao longo de dois milênios de história. Durante séculos, o culto cristão permaneceu mais ou menos estável. Na maior parte das igrejas, é marcado por apresentação solene dirigida pelo líder espiritual, o canto tradicional e a participação discreta da igreja. Embora aqui e ali grupos reavivamentalistas agitassem as massas, as coisas quase sempre permaneceram sob o controle da hierarquia, dentro das estruturas eclesiásticas.

Agora, porém, vastos setores do cristianismo enfrentam uma profunda transformação no seu estilo de adorar. Não dá para dizer que o legado cristão esteja em jogo, mas é evidente que uma mudança está em processo. Em alguns casos, onde havia fossilização e frieza, a mudança pode ser para melhor, pois resgata o fervor e oferece a possibilidade progressiva de maturidade e equilíbrio; em outros casos, onde estão ocorrendo grandes excessos, a mudança é para pior, pois pode oferecer um contato ilusório com o sagrado e levar a pessoa a se abrir a influencias maléficas.

O novo estilo de culto é visto especialmente em igrejas de tradição pentecostal e carismática, consideradas hoje a terceira força do cristianismo no mundo e o segmento evangélico mais forte no Brasil. Nessas igrejas, a adoração inclui participação efusiva ou mesmo frenética da igreja, com música rítmica e às vezes o falar em línguas (fenômeno conhecido, tecnicamente, como "glossolalia"). Os crentes, acreditando estar sendo movidos pelo Espírito Santo, têm um grande envolvimento emocional.

Em algumas igrejas evangélicas, influenciadas pelo mundo pentecostal e carismático, já são aceitos e executados vários ritmos e estilos populares, como rock, samba e sertanejo. É claro que a batida secular sempre vem mesclada com uma letra contendo motivos religiosos. Porém, a proximidade com a música popular é muito grande. Isso era impensável há alguns anos.

Donald Bloesch, um respeitado teólogo na arena evangélica norte americana, recentemente reclamou da crescente vacuidade na adoração protestante. "A atmosfera em muitos de nossos cultos é mais clubística e convencional do que adoradora e expectante", constata. A adoração contemporânea, na avaliação do teólogo, busca mais satisfazer os desejos humanos do que glorificar a Deus. "Essa motivação em si não é errada, mas se torna questionável quando vira a prioridade".

Nas comunidades católicas que adotaram a renovação carismática, a missa também se tornou mais celebrativa e agitada. Instrumentos de percussão geralmente marcam o ritmo. O padre Marcelo Rossi, com as suas missas gigantescas e aparições freqüentes na TV, é apenas a ponta mais visível do iceberg.

As razões para essa guinada impressionante são várias. Primeiro, as igrejas tradicionais deixaram um vácuo na adoração, ao promover um culto formal e árido. Muitas inovações correm exatamente nos aspectos onde a igreja falha. Os crentes, hoje, querem sentir um Deus mais próximo e amigo. A transcendência deu espaço para a imanência. Na busca de sentido e identidade espiritual, apela-se para aquilo que afete o psiquismo, provoque êxtase e dê a sensação de contato com o sobrenatural.

Em segundo lugar, a filosofia pós-moderna descartou os absolutos e exaltou os relativos. Nesse contexto, as verdades objetivas do cristianismo, expressas nos grandes hinos do passado, perderam força. Além disso, as barreiras entre o sagrado e o secular caíram ou se estreitaram. O que conta agora é o aqui, o já, o eu, o que penso, quero e sinto. Muitas pessoas sentem-se na liberdade de escolher apenas os itens doutrinários que interessam à sua experiência.

Vanderlei Dorneles, ex-editor da revista Sinais e atualmente professor de jornalismo no Unasp, no interior de São Paulo, sugere em seu livro Transe Místico (Centro Universitário Adventista, 2002) uma ligação entre o pós-modernismo, o pentecostalismo e o culto primitivo. Segundo ele, o pós-modernismo preparou o caminho para a expansão do pentecostalismo. Por cultivar o subjetivismo e, na prática, minar o conceito de verdade absoluta, o pentecostalismo ocuparia na religião o lugar que o pós-modernismo ocupa na filosofia. Paradoxalmente, porém, o pentecostalismo, com sua ênfase em experiências místicas, parecidas com as experiências religiosas do antigo mundo greco-romano e da cultura africana, seria um fenômeno de natureza pré-moderna.

"A liturgia pentecostal e carismática, voltada para as experiências de transe, reflete as liturgias dos cultos antigos, em que a música e o apelo emocional eram as técnicas para a obtenção do transe", afirma Dorneles. Por isso, diz ele: "o pentecostalismo representa melhor um retorno ao primitivo do que uma renovação religiosa". A religião primitiva, pautada mais pelos mitos e discursos (idéias), dava grande ênfase ao corpo, ao ritmo e à dança.

Finalmente, a adoração vem sofrendo uma mudança devido a uma escolha consciente e deliberada de certas comunidades que desejam atrair para os templos as pessoas com mentalidade secular. Há igrejas, especialmente nos Estados Unidos, que oferecem diferentes tipos de culto, alguns embalados pela música rock ou pop, na tentativa de agradar o gosto das novas gerações. Na visão dessas igrejas, os resultados obtidos compensam a estratégia de marketing questionável.

Guerra musical – A música é um dos elementos centrais do culto tradicional e especialmente desse novo estilo de adoração. Nos Estados Unidos, as revistas evangélicas têm até falado em uma "guerra do culto" nas igrejas protestantes, referindo-se aos embates para definir qual é o melhor estilo de música para o culto cristão. Contudo, o pesquisador George Barna, apoiado em pesquisas do seu instituto, relativiza essas disputas. Segundo ele, 24% dos pastores titulares reconhecem que suas igrejas enfrentam tensões relacionadas ao estilo musical, mas somente 5% deles alegam que as tensões são fortes. No total, apenas cerca de 7% das congregações protestantes no país têm conflitos "sérios" ou "mais ou menos sérios" na área de música.

As pesquisas do grupo Barna também revelaram que somente 17% dos entrevistados definitivamente ou provavelmente trocariam de igreja por causa de uma alteração no estilo musical, enquanto 76% não mudariam seus hábitos por causa de um novo estilo musical. Caso a pessoa fosse tentada a buscar uma igreja devido ao fator música, as opções seriam muitas. Cerca de 73% das igrejas protestantes oferecem múltiplos cultos, com estilos musicais variados. O numero de igrejas que oferecem música tradicional, utilizando hinos, coral, órgão ou canto congregacional, chega a 46%. Quase a mesma porcentagem (43%) usa música "mista", uma combinação de dois ou mais estilos no mesmo culto. Outros estilos usados são o rock e a música cristã contemporânea (usados em 24% das igrejas), louvor e adoração (em 8%) e gospel (em 7%).

Barna falou sobre o assunto no final do ano passado num simpósio promovido na Universidade Beylor, em Waco, Texas. Citando conclusões de três pesquisas sobre o tema nos Estados Unidos, ele sugeriu que o problema real não é a escolha do estilo de música pelas igrejas para facilitar a adoração, mas o interesse e a participação consciente do publico no ato de adorar. A maioria das igrejas tem pouca gente que realmente se engaja na adoração. "O desafio maior", diz Barna, é ajudar as pessoas a entender a adoração e a ter uma paixão intensa para ligar-se a Deus.

Na opinião do pesquisador, a música é importante no processo de adoração, mas tem recebido mais atenção do que merece. "A música é apenas uma ferramenta projetada para capacitar as pessoas a se expressar diante de Deus, embora às vezes gastemos mais tempo debatendo sobre a ferramenta do que sobre o produto e o propósito da ferramenta".

Apesar de possíveis distorções, muitas pessoas parecem estar satisfeitas com a sua experiência de adoração. Segundo Barna, quatro em cinco norte-americanos (83%) dizem que saem do culto sentindo-se aceitos ou completamente amados por Deus "toda vez" ou "na maioria das vezes", 69% normalmente saem inspirados; 62% sentem-se como se tivessem conectados com Deus ou estado em Sua presença em muitos casos; 50% freqüentemente sentem-se desafiados a mudar de vida; e apenas um pequeno número deixa os templos sentindo-se culpados ou desapontados (10%), ou frustrados por não terem suas necessidades atendidas (8%).

Equilíbrio – Muitas pessoas hoje tendem a ver a adoração como uma atividade que visa trazer benefícios para elas mesmas. Elas querem tocar, sentir, receber. Contudo, o objetivo principal da adoração é render honra e tributo ao Criador, sentindo Sua presença e conectando-se à fonte da vida. Os benefícios pessoais vêm como conseqüência. O foco do culto deve ser Deus, não o eu. No culto bíblico, somos tocados, transformados e então oferecemos a vida a Deus (veja o anexo 01: "A adoração bíblica").

Um dos problemas com este novo estilo de adoração é que ele geralmente enfatiza demais o corpo e a emoção, em detrimento dos neurônios e da razão. É claro que a emoção e o corpo são importantes na adoração. Porém, não se deve esquecer o lado racional. A religião cristã é uma religião da mente e do corpo, da razão e da emoção, da revelação e da experiência. Devemos expressar nosso amor a Deus com o intelecto, a emoção e o corpo.

O cristianismo é um equilíbrio entre transcendência e imanência. Se de alguma forma o antigo Testamento, com a Torah (lei), estabelece a santidade e a transcendência de Deus, o Novo Testamento, com Jesus, ressalta o amor e a imanência de Deus. O culto cristão, assim, deve unir elementos que mostrem o distanciamento e a aproximação, a grandeza e o interesse de Deus.

O problema com certos cultos modernos não está no fato de serem diferentes do tradicional. É possível ser diferente e ainda promover a verdadeira adoração. Assim como os quatro evangelhos apresentam ângulos diferentes da vida de Cristo, todos válidos, os diversos estilos litúrgicos também podem contribuir para o enriquecimento da experiência de Deus. O problema é quando excessos e elementos estranhos subvertem o próprio conceito de adoração.

Fonte: Revista Sinais dos Tempos, Maio-Junho, 2003, pp.07-10, matéria de Marco de Benedicto.

 

1