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Vanessa da Mata
Fotos e Vídeos de Vanessa da Mata no XI FICA, dia 21/06/09

Léo Jaime
Fotos e Vídeos do Show de Léo Jaime, dia 09/06/09


..:: C O N T A T O S ::..


Léo KarnaK é professor por atuação, historiador por formação e jornalista por opção...

leocarrer@antitelejornal.net

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Vanessa da MataFICA, Vanessa!
Se eu contar ninguém acredita, mas esta foi o 1° ano que eu fui ao FICA, Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que acontece todos os anos na cidade de Goiás, antiga capital de nosso estado. Todo ano eu falava que ia, mas sempre acontecia algo que não me deixava comparecer ao evento, nem um diazinho sequer. E este ano quase que a profecia se cumpre mais uma vez. Isto porque, após combinarmos, eu e minha irmã, com uma amiga nossa de irmos no carro dela, ela desistiu e voltou atrás umas 3 vezes, sem contar no quanto mudou o horário de nossa saída. Depois de desistirmos na última hora, eis que finalmente as 15h da tarde de ontem saímos de Goiânia rumo à Goiás.

Outra coisa que tenho que confessar é que a estrada foi uma das melhores partes da viagem, afinal não é todo dia que temos a oportunidade de dirigir um Peugeot 207 SW, com direção hidráulica, ar condicionado e tudo o mais o que podemos querer em um carro. Isto é o que faz uma viagem destas se tornar um verdadeiro passeio. Nem me importei de estar perdendo o jogo do Brasil, que aliás, deu um show, diga-se de passagem. Chegamos em Goiás por volta das 17h, e nos reunimos às centenas de pessoas que se aglomeravam na praça do coreto, principal ponto turístico da cidade, ao som do Bloco dos Raizêros, que tocava sua batucada por ali.

Vanessa da MataAté a hora do show tivemos tempo suficiente pra andarmos por lá, jantarmos, tomarmos uma cervejinha, fazer compras, e finalmente por volta das 21h chegamos ao local do show, com a Vanessa já no palco cumprimentando a cidade, e o espaço totalmente tomado. O show estava lotado, tinha gente por tudo que era canto. Fomos entrando e passando por um e por outro até conseguirmos ficar em um local relativamente bom pra se ver e ouvir a cantora. E que cantora! Linda e com sua potente voz, Vanessa colocou todos pra dançar e cantar junto seus maiores sucessos. Trajada com um belíssimo vestido vermelho sangue, seus tradicionais cabelos encaracolados, enfeitados com uma flor no alto, a cantora cantou, pulou e dançou em cima do palco, esbanjando simpatia, e mostrou porque já pode ser considerada uma das grandes divas deste país.

No repertório tivemos as músicas de seu último álbum SIM, que animaram bastante a todos, como Vanessa da MataQuando um Homem Tem uma Mangueira no Quintal, minha preferida do álbum: Ilegais; além de Vermelho; Pirraça, que inclusive foi tocada duas vezes; e as belíssimas Amado e Boa Sorte/Good Luck, música que gravou com Ben Harper e que se tornou um sucesso absoluto no último ano, estas últimas cantadas em uníssono por todos. A banda que a acompanha é muito boa, abusando dos efeitos eletrônicos e fazendo ótimos arranjos das músicas, que passeiam pelo samba, forró, ritmos nordestinos e regionais, além da música pop e temas românticos. Ainda fomos brindados com um cover da música História de Uma Gata, de Chico Buarque, em que Vanessa mostra toda a potência de sua belíssima voz. De suas músicas antigas, não faltaram Não me Deixe Só e Ai, Ai, Ai, que encerrou seu show com brilhantismo.

No fim da festa ainda tivemos um espetáculo de queima de fogos, que durou aproximadamente uns 10 min., iluminando a noite no céu de Goiás. Só nos restou então pegar a estrada de volta para Goiânia, trazendo as belas lembranças deste evento. Para mim, foi uma ótima estréia, e espero poder voltar nos próximos anos cobrindo mais e mais ótimos shows como este.

publicado em 22/06/09
ao som de
The Zutons - Not a lot to Do
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A Igreja é Falha...
Dan Brown adora provocar a igreja. E seguindo o sucesso de seu primeiro best seller, O Código Da Vinci, ele resolveu fazer sua continuação seguindo a mesma fórmula que o consagrou no primeiro. E, claro, deu certo. Embora a história de Anjos & Demônios seja inferior ao seu antecessor, como filme ele ganha em ação e suspense. Isto porque este novo filme é muito mais dinâmico e tem mais ação do que o primeiro. Me lembrou muito aos filmes da Lenda do Tesouro Perdido, pelo estilo de investigação e mistérios utilizados.

O grande mérito deste filme no entanto está em como o autor consegue jogar com os antagonismos de seus dois personagens principais. Um deles é velho conhecido nosso. Protagonista do primeiro filme, o professor Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks, é o simbologista que vive em busca de desvendar os maiores mistérios por trás da história da Igreja Católica. Aqui ele retorna em grande estilo, e a atuação de Tom Hanks ficou bem melhor do que no primeiro filme, achei ele mais dinâmico e mais bem encaixado no papel. E o nosso segundo personagem é o que faz do filme ser tudo o que ele é. Trata-se da própria Igreja, o grande personagem deste filme!

E o antagonismo estre estes dois personagens, assim como no primeiro filme, aqui é explorado, mas de forma muito mais próxima e constante. A Igreja está sob ataque, e Lagdon aqui é convidado pela própria Igreja a desvendar os símbolos deixados por aqueles que a ameaçam. Lagdon passa então a penetrar nos mais profundos segredos desta poderosa instituição, e à medida que faz isto acaba entrando em um jogo de perseguições e intrigas onde nunca se sabe em quem confiar. Lagdon é levado então a confrontar suas crenças e visões sobre Deus e sobre a própria Igreja. Sua relação com esta que considerava adversária até então, se torna uma ambígua relação de rejeição e ao mesmo tempo dependência. Da mesma forma que ele a vê de forma crítica e até mesmo cética, depende dela pois ela é sua fonte e objeto de pesquisa. Lagdon vive uma relação de amor e ódio com a Igreja, relação esta que vai ficando mais clara à medida que o tempo passa.

De tanto tentar desmascará-la, e para isto ele é obrigado a adentrar cada vez mais seu mundo, a estudar sua história, seus pormenores, tanto que ele chega a saber mais sobre ela do que os próprios que estão lá dentro, de tanto adentrar em seu universo com o objetivo de criticá-la, negá-la, mostrar seus podres, Langdon acaba vivendo um estranho fascínio por esta mesma igreja, acaba vendo-a como ela realmente é: falha, assim como o ser humano, ao contrário do próprio discurso de perfeição que a mesma sempre adotou. Sua fraqueza provém da própria fraqueza humana, e isto ao invés de a diminuir, mostra apenas que ela é um produto da própria humanidade, e não está acima nem abaixo de nós. Assim, ao invés de servir como uma crítica à instituição católica, Anjos e Demônios é muito mais um elogio à sua existência. Através dele, Dan Brown consegue fazer com que a Igreja reconheça seus erros do passado, consegue mostrar que ela é falha, que ela tem defeitos assim como todos nós temos, e que, mais do que isto, que a Igreja pode ser progressista, pode reconhecer estas suas falhas, e até mesmo andar lado a lado com a ciência, a qual ela julgou de forma errônea durante tanto tempo.

O embate com a ciência toma proporções maiores neste filme. Os erros do passado levam esta Igreja a tentar rever seus conceitos e idéias sobre a mesma, e ao contrário da Igreja da Vida real, cada vez mais retrógrada neste assunto, Dan Brown leva sua Igreja a pensar que Fé e Razão podem sim andar juntas, em uma redescoberta de idéias renascentistas e iluministas. A Igreja de Dan Brown neste filme assume um caráter extremamente progressista, e o autor aproveita então para dar um alerta para esta insituição: ou ela acompanha os novos tempos, ou estará fadada a ser superada, considerada obsoleta, ou seja, estará cometendo os mesmos erros do passado. Mas agora dificilmente conseguirão organizar uma nova Inquisição para se reerguer. Nos últimos anos a Igreja tem avançado bastante em questões como o diálogo com outras religiões e revisões sobre a interpretação de seus textos sagrados, e isto a ajudou a ser vista com mais simpatia pela sociedade mundial.

Mas muito ainda se tem que avançar, e os diálogos com a ciência, especialmente na questão das células-troncos e do uso de preservativos, abordados de forma indireta no filme (através de um grupo de manifestantes mostrados em algumas cenas), são questões chaves sobre as quais a Igreja deveria repensar suas idéias, e demonstrar assim que a ciência não está acima de Deus, mas pelo contrário, se os cientistas conseguiram progredir e chegar ao nível de conhecimento que estão agora, é porque Deus o permitiu. A visão da Igreja sobre o embate entre Deus e a Ciência diminui seu Deus, o coloca como um concorrente dos homens, quando na verdade ele deveria estar acima destes, controlando-os e permitindo que eles alcancem o conhecimento. Portanto, sob este ponto de vista, a Igreja não deveria se preocupar tanto com o avanço da ciência, pois se ela avança é porque seu Deus o permite.

Todas estas críticas filosóficas são colocadas em tela em um filme com muita ação e suspense, em suma, um filme eletrizante do início ao fim, e com um final apoteótico. Assim Anjos e Demônios consegue superar seu antecessor enquanto filme, embora a história elaborada para o primeiro filme seja mais interessante e mais inteligente, mas aqui o modo como o filme é feito acaba tornando-o mais cativante e nos prende na cadeira do cinema como há muito eu não via um filme fazer. Pra quem gosta de ação, suspense, questões filosófico-existenciais, e claro, debates religiosos, é um prato cheio.

publicado em 13/06/09
ao som de
Iron Maiden - Black Bart Blues
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Léo JaimeSanto de Casa
Após alguns anos de ostracismo em sua própria terra natal, eis que nós goianos tivemos hoje o prazer de receber em nossa cidade um filho ilustre que retorna. Trata-se de Léo Jaime, cantor que fez bastante sucesso na década de 80, e que recentemente voltou à mídia ao lado de seu companheiro Leoni, lançando trabalhos novos, fazendo shows e até mesmo participando de reportagens na globo, reconhecido como um dos grandes nomes da nova onda da internet, o Twitter.

Rodrigo ShaO fato é que o cantor, cuja carreira atravessa várias gerações, é um dos poucos em nosso país que pode dizer que tem o privilégio de ter fãs de todas as idades. E isto ficou bem claro em seu show realizado hoje na cidade, no projeto Flamboyant in Concert. Crianças, garotos e garotas, adolescentes, adultos e gente mais velha, todos se reuniram no saguão do shopping para conferir este show. E não sairam decepcionados. Extremamente simpático, o cantor soube conquistar a platéia desde o início do show. Fazendo brincadeiras, contando histórias, e, claro, interpretando seus grandes sucessos, o cara soube agradar a todos.

Fernando MagalhãesEntre o repertório não faltaram as músicas novas, como Fotografia, uma belíssima canção que está em seu seu mais recente trabalho, e foi gravada também no CD ao vivo do Leoni; algumas mais raras, covers e parcerias com amigos, como Herbert Viana, Cazuza e Frejat, Leoni, entre outros, como as músicas Fórmula do Amor e Maior Abandonado; e claro os grandes clássicos do passado, como Solange, Bambolê e Pobre, que foram bastante animadas. Um dos destaques do show são os músicos que o acompanham, o guitarrista do Barão Vermelho, Fernando Magalhães, e o multi-instrumentista Rodrigo Sha, que além do violão também tocou sax e flauta, dando um show a parte, inclusive tocando uma música de sua autoria, que aliás achei muito boa!

Foi uma ótima oportunidade de ouvir novamente antigos sucessos e poder rever o cantor, com todo o seu carisma e simpatia, e pra quem não conhecia o seu som, foi uma boa chance de conhecer mais deste excelente artista, que infelizmente não goza de tanto prestígio em terras goianas. Só espero poder revê-lo mais vezes por aqui. E quem quiser entrar em contato, basta adicioná-lo no Twitter: http://twitter.com/leojaime

publicado em 09/06/09
ao som de
Judas Priest - Peace
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Jander TattooTodas as Tribos Rock Fest
Neste final de semana chegamos à 5ª edição de um dos festivais mais tradicionais de nossa cidade. Trata-se do Tattoo Rock Fest, festival que reune pessoas de todas as tribos em uma verdadeira celebração da diversidade. Metaleiros, punks, skatistas, emos, hippies, motoqueiros, e amantes das tattoos em geral se reuniram este final de semana na Estação Goiânia, no centro de nossa capital para prestigiarem os trabalhos dos maiores e melhores tatuadores do Brasil, tudo isto claro ao som de muito Rock'N Roll, em todas as suas vertentes.

U-Ganga (MG)Infelizmente só pude comparecer no segundo dia, que foi ontem, sábado, e só pude ir depois das 22h. Assim sendo, cheguei no local ao som de Born to be Wild, interpretado pela banda Devon, que já estava encerrando seu show. Tempo então para conferir o que rolava nos stands, tanto de tatuadores, body piercings e lojinhas em geral, vendendo desde óculos, botas e artigos estilizados até camisetas, botons e alargadores em geral. Minha impressão deste ano é que tínhamos menos stands de tattoos do que nos outros anos, mas não sei se procede. O local se mostrou bem legal para a realização do evento, sendo amplo, e com uma boa estrutura, arejado, bem iluminado (apesar das luzes atrapalharem a iluminação dos shows, que ficavam muito claros), e com estacionamento, seguranças. Enfim, tudo bem legal.

PirofagiaNo final da feira o palco dava lugar a grandes nomes do Rock de Goiás e outras regiões do país. Cheguei com o início do show da banda U-Ganga, direto de Uberaba-MG. A banda mandou seu grindcore com uma pegada bem thrasher. O som dos caras é pesado e bem trabalhado, com um vocal potente e letras ácidas, cantadas em português. Algumas faixas lembram muito o som do Korzus, o que é uma ótima referência. Além disto a banda conta com a pressença de um DJ, ou Rapper, que cuida dos samplers, fazendo uma mistura bem interessante. Logo depois tivemos um espetáculo de malabaris com fogo e pirofagia, e um maluco que apelidei de "açougueiro": um gordinho com a cara pintada, num balcão em cima do palco. Primeiro o cara jogou carne crua pra platéia. Depois começou a se espetar, e se furar com agulhas, seringas, até uma furadeira o cara usou, atravessando com a broca a parte inferior dos lábios, e enfiando espetos na boca e na garganta. Pra fechar, o cara colocou dois ganchos na barriga e se pendurou por eles. Coisa mais bizarra que já vi. A próxima foi uma garota, que enfiou dois ganchos nas costas e ficou brincando de balanço lá em cima do palco.

"O Açougueiro"Depois do show de horrores, a banda Pato com Laranja veio com seu pop rock engraçadinho. A banda conta com integrantes do extinto Rollin Chamas, e conta com a mesma veia cômica da antiga banda, mas perdeu um pouco em pegada. As músicas estão mais pop, mais lights, digamos assim, aparentemente mais voltados para o pop rock. Não deixou de ser legal o som da banda, inclusive tocando algumas do Rollin' Chamas, como a música Comprimido, mas é impossível não tecer comparações com a antiga banda, e acho que esta era bem mais divertida do que a atual. Mas tudo bem, mesmo assim os caras mandaram seu som e divertiram a quem os assistia, e isto é o que importa.

Pato com Laranja (GO)Pra encerrar minha noite, uma das bandas mais legais que já tive a oportunidade de ver. De volta à Goiânia, diretamente da capital federal, a banda Galinha Preta veio com seu tradicional e divertidíssimo show. O vocalista, que atende pela alcunha de Frango, mais uma vez deu um show a parte, contando histórias sobre as músicas, e até mesmo andando de bicicleta em cima do palco, o cara é muito louco. Musicalmente, o som do Galinha é um grindcore rasgado e bem encorpado, mas totalmente descompromissado. As músicas Galinha Preta (DF)tem letras escrachadas e simples, com versos como "A, e, i, o, u", ou "Vai trabalhá vagabundo", repetidas exaustivamente durante as músicas, que aliás não tem mais do que 1 minuto de duração. Desta vez tocaram algumas músicas novas, que estão bem legais também, e mostram que a banda vai continuar no mesmo caminho que tem feito até o momento. Depois de uma meia hora de pura diversão, em que devem ter tocado umas 30 músicas (hehehe), foi hora de me render ao cansaço e ir embora pra casa. Peço desculpas às demais bandas que não vi o show, mas vida de operário é difícil, e não pude comparecer em todos os shows. Mas fica aí os parabéns para todos que ajudaram na organização deste evento, que foi um sucesso de público, tanto na parte das tatuagens, quanto nos shows. Espero que nos próximos anos este evento continue crescendo cada vez mais.

publicado em 08/06/09
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Skank - Notícias do Subúrbio
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Os Sons da Vida
A música e seu impacto em nossos sentidos sempre me intrigou. Como pode uma sequência ritmada de sons e barulhos produzir tal avalanche de sentimentos em nós? A música é a maior prova da existência de Deus, já diria o filósofo. Ela nos faz despertar os mais sinceros sentimentos, e está em todo lugar, em todas as civilizações, mesmo naquelas mais antigas, a música sempre esteve presente. Assim como em tudo na vida, é de se notar também que existem pessoas com um maior dom ou vocação para a música. Pessoas que conseguem tirar notas só de ouvir, conseguem aprender um instrumento apenas de tocar uma única vez.

É sobre tudo isto que trata o filme O Som do Coração, lançado em 2007 nos cinemas brasileiros. O filme conta a história do garoto Evan Taylor, que vive em um orfanato próximo a Nova York, sem nunca ter conhecido seus pais. Mas Evan não é um jovem comum. Ele tem um estranho dom para a música. Mas não se trata apenas de ter facilidade para tocar instrumentos ou coisa do tipo. Seu dom vai além: ele sente a música que vem do mundo, os barulhos e sons vibram em seu interior fazendo com que ele se comunique com o mundo a sua volta de uma maneira única. E Evan acredita que tal dom vem de seus pais, e que a música que ele ouve de alguma forma o conecta a eles. E ele não esta errado. Fruto de um amor repentino entre dois músicos, Evan herdou dos pais a habilidade musical, e a usará para conseguir reencontrá-los.

Com esta premissa, O Som do Coração nos brinda com um roteiro formidável, cheio de nuances interpretativas e detalhes que emocionam e enriquecem a história do jovem garoto, que abandona seu orfanato e parte para a cidade grande em busca de seus pais. Ao chegar lá, Evan se encontra em meio a um universo totalmente novo, recheado de sons, barulhos, cores, cheiros, e claro, muita música. Logo ele conhece o jovem Arthur, um garoto que canta na praça e o leva até Wizard (Robbin Willians), uma espécie de cafetão dos garotos, que os coloca pra tocarem nas praças em troca de moradia e proteção. Logo Evan começa a desenvolver seus talentos musicais, e por onde passa impressiona a todos por sua versatilidade, inteligência e criatividade.

Assim sua história se torna uma verdadeira epopéia, um conto de fadas moderno onde Evan, que logo adota o nome de August Rush, passa por diferentes caminhos e conhece as mais diversas pessoas até conseguir atingir seu objetivo. E a música perpassa tudo isto, tornando o filme uma verdadeira ópera, um musical onde a trilha sonora é a própria vida que nos cerca. O cuidado musical do filme está perfeito, criando uma trilha sonora como há muito não se via, que passeia por diferentes estilos, do Rock ao Jazz, do Clássico ao Pop. Um dos grandes destaques do filme é a utilização de sons do cotidiano para fazer as músicas, como o barulho do trânsito e os sons de uma bola quicando durante um jogo de basquete; e também a forma como os compositores cruzam as músicas interpretadas pela mãe e pelo pai, em dois lugares diferentes, como se a música os conectasse antes mesmo de se conhecerem. As cenas que narram a forma como os pais de Evan se conhecem por exemplo é uma das mais belas do filme todo.

Por tudo isto, O Som do Coração é um filme que emociona, e nos brinda com uma verdadeira lição de vida. Sublime, leve e poético, o filme nos faz parar pra pensar se estamos prestando atenção ao que está a nossa volta. Muitas vezes ouvimos os sons do mundo, mas não estamos realmente prestando atenção no que eles querem nos dizer. Nos limitamos a passar pelo mundo, tão distraídos e preocupados com coisas pequenas, que nos esquecemos de viver. O Som do Coração é uma metáfora da vida moderna, de como certos valores são mais importantes do que o nosso carro, nosso emprego ou o que fazemos da vida. Em tempos tão conturbados, este filme é um prato cheio para nos desligarmos um pouco da correria do dia-a-dia. Aproveite!

"A Música é um pequeno lembrete de Deus de que há algo além de nós nesse mundo; uma ligação harmônica entre todos os seres vivos, em todos os lugares, até nas estrelas" (Wizard - O Som do Coração)

publicado em 03/06/09
ao som de
Carlinhos Brown - Tour
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Sagrado e Profano
Ontem tiveram início, na cidade de Pirenópolis-GO, interior do estado de Goiás, a Festa do Divino Espírito Santo. O grande destaque da festa por aqui, no entanto, são as tradicionais Cavalhadas, ritual que acontece todos os anos no início do mês de junho, e recria a batalha pela retomada da cidade de Granada, na Espanha, quando os Mouros são expulsos da península Ibérica, após quase 800 anos de dominação moura. Para assistir a este espetáculo, saí com uma turma de alunos da cidade de Itapuranga as 5 horas da manhã do domingo rumo a Pirenópolis. Após 4 longas horas de viagem finalmente pudemos chegar à antiga cidade de Meia-Ponte.

Só havia ido à cidade uma vez, e andar pelas ruas históricas de Pirenópolis nos traz uma sensação de volta ao passado, ainda mais pra um historiador como eu. É interessante notar como cidades como Piri e Goiás acabaram se voltando totalmente para o turismo, e hoje se mantém graças ao imenso círculo de turistas que frequentam suas ruas, se divertindo e claro, consumindo os produtos que são vendidos nas inúmeras lojinhas de artesanato espalhadas pela cidade, a maioria pertencentes à própria prefeitura, que colocam a venda peças e produtos de artesão e artistas locais. Como não podia deixar de ser, também pudemos andar bastante pela cidade, conhecendo a Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, igreja aliás que foi totalmente reconstruída após um incêndio ocorrido há alguns anos atrás.

A medida que o horário da festa se aproxima, já podemos ver os mascarados andando pelas ruas, conversando, fazendo suas peripécias e, claro, pedindo dinheiro, cerveja e cigarros aos turistas que os observam entre assustados e admirados. Sâo máscaras de todos os tipos e todas as idades, desde crianças que andam a pé até adultos a cavalo. Máscaras de monstros, super-heróis, caveiras, touros, e vários outros desfilam pelas ruas da cidade, dando um colorido todo diferente à festa. Os cavalos também são enfeitados com panos, ramos de árvores, retalhos e vários outros materiais. A criatividade aqui é grande, e hoje já vemos fantasias de todos os tipos, desde as mais tradicionais, como máscaras de touros feitas de papel machê, até as modernas máscaras de monstros e super-heróis de plástico vendidas em lojas de fantasias. O que vale é a diversão. Segundo a tradição, "não se sabe a origem destes personagem, que são encontrados em todas as cavalhadas do Brasil com diversas diferenças entre as cidades. Representam o papel do povo e daqueles que não tem acesso a pompa dos cavaleiros, que representam socialmente a elite e o poder. São irônicos e debochados, fazendo críticas aos poderosos e ao sistema. E, ao contrário da rigidez dos Cavaleiros, entre os Mascarados não há regras, tudo é permitido, menos mostrar sua identidade."*

Os outros personagens da festa são os Cavaleiros, aqueles que encenam a batalha entre mouros e cristãos. Para que a festa pudesse ser encenada até um local próprio construíram, uma grande arena, intitulada Cavalhódromo. O lugar parece um estádio de futebol, um gramado no centro e arquibancadas ao redor. Infelizmente o lugar é pequeno, e devia ter uma estrutura maior para abrigar o número de foliões que comparecem na festa. De um lado do gramado temos a construção de uma réplica de uma mesquita muçulmana, enquanto do outro lado uma igreja cristã. Os cavaleiros mouros, vestidos de vermelho e os cristãos, de azul, saem de seus respectivos lados e tem início a batalha, que dura três dias. Neste primeiro dia que fomos é encenada apenas o início da batalha, com a chamada "morte da onça", que representa os espiãos mouros, e logo após tem início as conversasões entre os reis de ambos os lados. Como não chegam a um acordo, logo vem a batalha, com a utilização de armas de fogo, que disparam tiros de festim no chão e o uso de espadas.

A encenação dura três dias, e na segunda-feira tem-se a rendição dos mouros, e na terça o encerramento da festa, com o batismo e a conversão dos mouros. O Cavalhódromo ficou completamente tomado pela multidão para assistirem ao espetáculo. Infelizmente o espaço reservado para os comuns era pequeno diante do número de pessoas que para ali foram, fazendo com que houvesse bastante tumulto na entrada e saída de pessoas, que se fazia pelo mesmo lado. Só quem ficou bem foi quem havia comprado entradas para os camarotes, que aliás ocupavam mais da metade do local. Em certo momento a estrutura do local mostrou sua total falta de preparo, quando uma grande quantidade de pessoas tentava deixar o local, ao mesmo tempo em que muitos tentavam entrar. Quase houve um tumulto, e a polícia local demorou muito para intervir e organizar o fluxo de pessoas, e mesmo assim não conseguiram organizar de forma satisfatória. Outro ponto negativo era o equipamento de som ruim, o que fazia com que quase não entendêssemos o que falavam os cavaleiros durante a encenação.

Mas mesmo pelos incovenientes a festa valeu a pena, e pudemos conferir uma das festas mais tradicionais de nosso estado de Goiás, e que se inscrevem nas tradições de nosso povo. Uma dúvida que fica é porque em pleno cerrado goiano se encena uma batalha entre mouros e cristãos acontecida há mais de 500 anos na Europa? Recorremos então ao site do evento para sanar esta dúvida, e descobrimos que as cavalhadas foram "introduzidas em Pirenópolis em 1826, pelo Padre Manuel Amâncio da Luz, como um espetáculo chamado de "O Batalhão de Carlos Magno". Pirenópolis manteve forte esta tradição, uma porque os primeiros colonizadores desta antiga cidade mineradora eram, em sua maioria, portugueses oriundos do norte de Portugal, local onde mais se resistiu à invasão moura, outra porque o caráter centralizador da população dominante viu com bons olhos o efeito separatista entre as classes sociais. Porém o que mais motiva a população a manter viva a infindável rixa entre mulçumanos e cristão é a beleza do espetáculo e o prazer pela montaria."*

* Trechos retirados do portal Pirenópolis

publicado em 01/06/09
ao som de
John Debney & Robert Rodriguez - Old Town
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atualizada em:
13/07/09


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