"Assim como Caboclo, Preto-Velho, no Ritual de Umbanda Sagrada, é um grau manifestador de um Mistério Divino. Nem todo Preto-Velho é preto ou velho. São espíritos elevadíssimos que se manifestam sob a aparência de negros escravos, trazendo-nos o exemplo da humildade e simplicidade da alma. Seu campo de atuação é vastíssimo e os encontramos atuando nas Sete Linhas de Umbanda, trabalhando a Evolução nos sete sentidos da vida dos seres. Sua manifestação desperta a paz, a tranquilidade, a esperança e a perseverança, remetendo-nos à reflexão de nossa própria natureza íntima. Com sua sabedoria e paciência, traz sempre uma palavra de fé e de consolo." (1) É impossível comentar a respeito dos amados Pretos e Pretas-Velhas sem subir à lembrança a figura simpática dos velhinhos que mais se parecem com os avós de cada ser, com suas palavras doces, pacientes e tranquilas a respeito de tudo. São eles sempre tolerantes com as mazelas dos milhares de filhos que se sentam diante deles nos Centros de Umbanda e buscam uma palavra de conforto e carinho. Palavras de conforto e carinho é o que transmitem com maestria, aliviando de seus filhos o peso da lida cotidiana, incutindo-lhes resignação, fé e esperança no porvir. Falam com mansidão e temperança. Não se aborrecem com as pessoas que, mesmo após ouvir seus conselhos sempre sábios, continuam tropeçando e caindo em erros e armadilhas feitas por elas mesmas. É impossível falar a respeito dos queridos Pretos-Velhos, sem subir à memória a triste condição em que estiveram durante tanto tempo no solo brasileiro e em terras estrangeiras, sendo humilhados e subjugados a ferro e chicote. Trazem consigo a recordação daqueles famigerados anos de escravidão. Écerto que nem todo Preto-Velho foi escravo nas terras brasileiras, mas uma grande parte dos Espíritos que assim se apresentam esteve encarnado na pele de negros africanos vivendo sob a tortura dos brancos. |