EXISTÊNCIA Existência a « metro » é distribuída A retalhos de solidão… O « homem da loja » ninguém o conhece (…) Mas todos julgam conhecer o material… E tremem de frio E sufocam de calor Pois não reconhecem o Tempo Nem que casacos trazem vestidos… Põem a culpa ao homem da loja Devolvem-lhe os enganos (…), e Trazem de rosto vitorioso Enganos mais dolorosos… De lágrimas se fazem « bolsos » De esperanças se desenham « modelos » E quando alguns « metros » não chegam Pedem-se aos « nús » sorrisos emprestados Para adornar a « fazenda » da existência E disfarçar seu fundo negro de solidão!... EXISTENCIA A METRO É DISTRIBUIDA A RETALHOS DE SOLIDÃO… « Moldes » emprestados para « corte » Apresentam-se como a sorte Que sendo análoga ao azar São ambas cúmplices do destino… Será a amizade um « remendo » de existência Ou uma « tesoura » a abrir buracos ? (…) Será o Amor uma « agulha » que cose Ou serão suas « marcas de linhas » Meras « costuras » de feridas ? (…) Adiantará coser, pobres e tristes rasgões Se com o Tempo também as « linhas » rebentam Jazendo igualmente com o « material » Que ao “homem da loja” se trocou? Três pontos e seis tesouradas Três beijos e seis bofetadas São o “molde” restante duma existência Talhada a frios golpes (…) Dos que sangraram para serem inteiros !… Na casa do « alfaite » Numa sala vazia, uma mesa quebrada E à sua volta, encontram-se « trapos »… Sómente trapos… tão pequenos Que se reduziram a farrapos… Foi o fim da “peça“ O alfaite desistiu da profissão (...) O homem da loja parou a distribuição E o desespero talhou o coração dos homens: Sem amor Sem alegria Com frieza. SÓ VEJO TRAPOS SÓ SINTO FARRAPOS… Manuela Pittet in Cartas Da Minha Alma |
Direitos de imagem |
Quem é o homem da loja? Escreve-me: |