Em Segredo


No filme do teu sono
Que de olhos semi-cerrados assistes
Apareço de repente e roubo a cena
Mas sinto que por medo te afliges

Arranco-te para o meu sonho
E de forma tênue mas decidida
Minha imagem reconheces escondida
Meio aos teus devaneios sutís

Teu sono é calmo, tua expressão indecifrável,
E a febre que evitas no bom-senso do teu dia
Te acomete neste sonho de forma irreparável
E assim processas o real em fantasia.

Plasmas no teu corpo a presença do meu
E mesmo adormecido sentes que sou eu,
Que na penumbra dos teus cantos escondidos
Ocupa os espaços que julgavas preenchidos.


Maria Helena Santini
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