Gênesis - Oitavo dia Era apenas um Sonho Infindo Onde o Senhor dos Sonhos morava E eram trevas Que se fizeram luz Pela Palavra. E foi o primeiro dos dias Materialização primeira do Sonho Havia o Céu e a Terra Elementos misturados Abismo sem formas Tomado pelas águas Onde o Sonho flutuava... E a Palavra, separando os elementos Oceanos, mares e terra criava... E assim o segundo dia terminava... E era Sonho, e era Palavra.... E eram Mãos... Mãos que no terceiro dia, Sementes que dormiam no solo, tocava E da terra germinava o verde Em frutos, perfumes e beleza E assim, o terceiro dia findava... E era Sonho, eram Mãos e era Palavra... E eram Olhos... Olhos que no quarto dia Espalharam-se pelo espaço Transformando-se em estrelas, em sol e em luar E dos olhos de Sonho, dia e noite se criava E assim, o quarto dia acabava... E era Sonho, eram Mãos, eram Olhos e era Palavra... E no raiar do quinto dia As Mãos de novo se estenderam E delas brotaram pequenos e grandes animais Golfinhos e borboletas, A enfeitar céus e oceanos A vida era bela Era o paraíso... Havia ninhos... E canto de passarinhos Havia Paz... E assim se fechava o quinto dia... E era Sonho, eram Mãos, eram Olhos e era Palavra... É noite... Os Olhos se fecham, a Palavra se cala, as Mãos descansam... O Sonho adormece... E sonha... Sonha com criaturas à Sua imagem e semelhança... Seres que dêem continuidade ao seu sonho... E era Sonho, eram Mãos, eram Olhos e era Palavra... Amanhece o sexto dia... Os Olhos procuram a matéria para a realização do sonho As Mãos carinhosamente modelam o barro Materializando o Sonho E a Palavra lhe dá vida... À Sua imagem e semelhança O Homem é concebido. É findo o sexto dia... E era Sonho, eram Mãos, eram Olhos, era Palavra... E era o Homem... No alvorecer do sétimo dia O Sonho descansa... E diz ao Homem: __ É todo teu este paraíso São teus os peixes dos rios e mares E as aves do céus São teus todos os animais que povoam a terra Teus são os límpidos mares e os regatos cristalinos Teus são os frutos, as flores e as cascatas São tuas as matas e os jardins Foste feito à minha imagem e semelhança És meu sucessor na criação Em tuas mãos deposito o poder de dar continuidade ao paraíso. Começarás amanhã, e o amanhã será o oitavo dia... E assim terminava o sétimo dia E era Sonho, eram Mãos, eram Olhos, era Palavra... E era o Homem... E o Homem tomou o paraíso em suas mãos E se fez Senhor do Sonho... Luz e sombra... Espelhos quebrados.. Imagens distorcidas pelo chão... Abre-se o último portal onde o silêncio reina E há um calado grito de solidão executando a dança da partida... O paraíso já não existe Devastado que foi pela ganância dos que nunca tiveram olhos para vê-lo As Mãos pendem inertes Os Olhos já nada vêem, pois há só fumaça onde houve luz E a palavra se cala... Sequer se ouve o clamor Dos que tentam resgatar o paraíso... As bombas falam mais alto E o Homem, predador da própria espécie Só consegue ver armas Onde existia a poesia... Bombas e mortes... Fome... Devastação... Não houve Oitavo dia ***** Mas ainda resta uma esperança Pois o Sonho é infindo E continua vivo O Sonho Nosso de todo dia.... Maricell - 11/janeiro/2004 |
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