PARAGEM CÓSMICA Repentinamente tudo parou. O filme do universo fixou-se numa só imagem estática. Tudo inerte, astros e astronaves. Suspensos os ruídos o curso dos rios e o fumo das fábricas e as balas assassinas. Tudo parou no espaço. A corrida às armas acabou e as sórdidas manobras dos magnates. Trovões e terramotos, cataclismos tudo parou. Só o mar, testemunha confidente, continuou a ondular com lampejos de luar nessa noite em que enlaçados meigamente nos olhámos nos beijámos longamente. Foi um amplexo tão forte tão crepitante de afecto que fez parar o universo. E no embalo materno do oceano a cantar tal momento fez-se eterno beijo terno à beira-mar! Orlando Caetano |
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