A GARGANTA DA SERPENTE Não há luz. O tremor do útero anuncia a sílaba. Diga tua profecia enquanto refaço o evangelho. A boca sorri tortuosa maldizendo a dança dos temores. Pronuncie! Não ouse sussurrar o caos. O terço se enrosca em minha língua enquanto a primeira estrela se arrebenta. Hospedo-me nas gavetas do inferno, onde os verbos maceram. Não olhe: vou nascer. A garganta arreganhada permite o sibilar do cio Esfrego-me em teus pudores enquanto conjugo um bocado da lua. As escamas pulsam displicentes sob a fronteira úmida da dor. E o verde rasteja - infindável - trazendo a serpente. Agostina Sasaoka |
![]() |