PERFUME


Vagueio clandestino pelas sombras
perfumadas do desejo
em busca da Última-barreira
que está algures para além
dos precipícios olfactivos da Rosa.

Descanso.
Sento-me em cima da felicidade
de um pássaro bizarro.

Estou alto e tenho medo,
medo de não permanecer
eterna-mente alto.

Descarrego do olhar
a luz de todas as manhãs do mundo.

Encosto a Alma
à cor  azul do céu e do mar.
Fecho sono-lenta-mente os olhos.

Actuam em mim, como que por encanto,
mil sentidos virgens.

Consigo cheirar o perfume intenso,
orgástico e arrebatador
da Rosa-Esotérica.

Sei agora que estou perto da
Última-Barreira.


Ângelo Rodrigues
In «Um bailado no centro da Alma»
Ed. Minerva, Maio de 2002.


Letra A
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