O DESESPERO PROFANO Por essa janela ouço passar o tempo... Ontem era nunca... amanhã é sempre... Não ser temporário que efêmeramente arrebata a consciência num eterno baixar de pescoço que a nada conduz, onde o passo dado é um cego desafio para o nada... E o pescoço volta, permanentemente.... querendo pegar... o que? Desfrutar um pouco mais o que já passou? A roda colossal dos três ponteiros se afiança em cada instante que equivalem a séculos ou talvez a eras para os quais não encontramos mais significado do que um inseto lhe daria em meia hora... Enquanto o corpo é lançado para o infinito e temido o novo instante transitando seu caminho para o final, em eterna desobediência a alma desanda sua senda inutilmente. O centro luminoso do sincrônico medita só a conexão com O Divino, com o permanente, com o que não foi nem será mas que é. Se o velho Cronos deixasse de dar voltas eternas à sua ampulheta de cristais já embaçados, não ganharia o homem mais do que o desespero profano ao perder as referências de seus espelhos irremediáveis. Alberto Peyrano Buenos Aires, Argentina 29/3/04 |
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