O espantalho No meio da ceara, um espantalho Tinha sobre a face, de palha fina, O velho chapéu da avó Joaquina, Que ela sempre levava pr'ó trabalho. As brisas dos fins de tarde de Junho, Davam àquele monstro um tom de vida Como se fosse alguma alma perdida Duma ceifeira, ao sol, de foice em punho. Muitas vezes, no regresso da escola, Punha no chão o peso da sacola E perdia-me ali tempos sem fim. E num dia, o espantalho do chapéu, Pereceu-me a avozinha, lá do Céu, Sorrindo, como dantes, para mim. Cândido, 22/05/2004 |
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