O Haver da Paixão O que há de mim sem ter você? Há quem morreu, pois, já não crê. Há um gole amargo de bebida. Sem gosto, sem graça, sem vida. Há um simples banco de praça Que não delata a desgraça. Há um céu que não se faz dia, Pois, perdeu sua doce magia. Há um pássaro que canta o encanto, Sem notar em meu íntimo, o pranto. Há quem fique surpreendido, Notando meu peito aturdido. Há um olhar mudo, grito que cala... Há um mundo que não se abala Com a dor que ora me dói... Dor de amor que me corrói. Há um futuro que não existe. Há um passado que persiste, Querendo viver hoje, agora, A ilusão de tempos de outrora. Há um mar sem sol, revolto... Há um amar sofrido, morto... Há uma bússola sem o seu norte Há uma úlcera no coração, antes, forte. Há uma Poesia que não rima Pois, entende a minha sina... Há uma inspiração que inexiste... Canção sem melodia, que insiste. Há uma cruel companheira, a solidão Fomentando minha triste sofreguidão. Há uma vida que não sabe se viver, Há um saber que não sabe se querer. Há um mundo que se cala. Há o fundo de uma vala. Há uma grande escuridão. Há uma tola e inútil paixão. Há um amor que deveria ser, Há um sentimento a morrer, Há um pensamento a sofrer, Há um triste e dorido haver. © Celso Brasil FBN - BR |
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