Reflexão Essa manhã eu olhava para o tempo pensando em que os homens miravam-se para julgar quando compreendi que não existe julgamento fora de nós mesmos. E que digam o contrário como dizem da maioria das coisas que sinto. Nos condenamos ou nos libertamos. O mundo parecia ter acabado para mim. As maiores dores aproximaram com cores que tornaram negros os meus pensamentos e encheram meu coração de revolta. Chorei tentando entender o que motivava as pessoas a ferirem umas as outras. Culpei o mundo, a forma como tudo acontece. A verdade é que pensei em rebelar-me, deixar que a violência armazenada em minha mente trouxesse à boca esse sentimento de fúria, continuando com o processo que me aniquilava. Procurei encontrar justificativas para as ações dos outros e mais eu sofria por não conseguir encontrar as explicações exatas. Eu queria sentir mais revolta. Alguém era o culpado. Eu não era. Sempre conheci meus atos. Sempre fui segura de minhas conclusões. Era ele, era ela,eram eles. Dessa forma decidi que não perdoaria. Que seguiria meu caminho sem eles.Nunca precisei que me dissessem o que fazer ou por onde seguir, e não deixaria que pessoas que me magoavam tivessem importância em minha vida. E à medida que esse pensamento crescia mais a tristeza cobria meu rosto.Foi quando assumi que eu nada faria. Que ficaria em total silêncio porque essas mesmas pessoas que eu tanto julgava eram as mesmas que eu amava. Aos poucos fui descobrindo onde estava a falha, onde estava a resposta que eu buscava. Não tive medo de encará-la. Posso ser vista como arrogante por ser como sou, mas não tenho medo de nada porque sei que se existo é porque tenho algo para realizar e que não realizarei enquanto deixar que sentimentos mesquinhos dominem minhas emoções. Por alguns momentos ainda lutei com minhas reflexões por não conseguir chorar e quis gritar sem voz. Eu me encontrava ferida, no campo de batalha sendo perseguida por todos que pareciam meus amigos. Essa foi à visão mais triste e isso foi o que me fez cair. Levantei, não sei desistir. Prossegui culpando os que amo, até que não pude me levantar. Fiquei esperando que o último golpe viesse. Esperei que os que não me amavam cumprissem com suas táticas e disparassem o tiro certeiro. Várias balas cortavam o ar sem atingir meu corpo. Passavam de raspão cortando a pele. Senti que uma pessoa olhava em meus olhos com uma dor tamanha. Foi a única pessoa que vi, mesmo chamando por todos. Em momentos em que tudo parecia estar terminado foi que percebi que não.Foi quando compreendi que eu estava julgando. Que estava me comportando exatamente igual ao que eu abomino. Olhei para mim deixando o peso do corpo ferido no chão e, não consegui me reconhecer. Eu sabia que aquele era o meu corpo e não o reconhecia por mais que eu tentasse. Não havia nada de meu. Olhei para o passado. Pouco tempo e eu consegui destruir mais do que construir. Essa foi a maior dor. E as lágrimas que eu segurava romperam. Esse foi o motivo de não conseguir sentir ódio das pessoas que me apunhalaram. Alcancei minha paz. Senti a natureza tomar novamente meu corpo recebendo-o com cores vivas. Senti que pertenço aos dias que virão, mas que só sabiamente eu poderei vivê-los. Que grite em mim a poesia em sua liberdade, que se faça em mim à palavra da qual sou filha e propagadora. Com o coração aberto e com os olhos cheios de lágrimas volto aos meus reaprendendo a viver, renascendo. Resgatando aquela que sou. Aquela que busca as respostas para poder prosseguir. Aos que feri peço perdão por meu egoísmo, por minha imaturidade. Quero correr como água que brota da fonte: límpida. Eliane Alcântara 28/03/04. 10h e 57 min |
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