Fatyly falando com Camões


Descalça vai para a fonte
Descalça vou mas para a beira mar
*
Descalça vai para a fonte
como vês é verdade, vou mas à beira mar
Lianor pela verdura;
Fatyly pela areia molhada onde o sonho perdura
Vai fermosa, e não segura.
fermosa? és doido? sorrio por isso sou segura!
*
Leva na cabeça o pote,
o pote? não amigo na cabeça não levo nada
O testo nas mãos de prata,
qual testo, é um livro nas mãos rugosas
Cinta de fina escarlata,
isso já não se usa, são todas pirosas
Sainho de chamelote;
com este tempo vou bem agasalhada
Traz a vasquinha de cote,
isso era no teu tempo, morria abafada
Mais branca que a neve pura.
sempre fui branca como a neve, mas pura???
Vai fermosa e não segura.
fermosa? és doido? sorrio por isso sou segura!
*
Descobre a touca a garganta,
tira tu, aqui está muito frio nada destapo
Cabelos de ouro entrançado
os meus são brancos e não uso tranças
Fita de cor de encarnado,
havia de ficar linda com essas tangas
Tão linda que o mundo espanta.
ah,ah,são resmas, por isso na Praia Grande não escapo
Chove nela graça tanta,
qual graça, lágrimas porque chove a potes... oh parvo
Que dá graça à fermosura.
graça à fermosura? dou asas é ao pensamento, sinto ternura
Vai fermosa e não segura.
fermosa? teimoso! sorrio por isso sou segura!!!!!!
e sabes, é lá que deixo a minha amargura
anda daí Camões vais ver o que é doçura!
*
Luís de Camões (deixa-te ficar...)
Fatyly


por Fatyly
Junho/2002