Imprevisível É para ti Que a quietude se dá Oferecendo guarida aos teus lábios E ainda assim é em ti Que meu silêncio se arrepia É em mim Que as palavras transbordam Sabem que não me contenho Nada entendo de moderação Sou assim, sem atalhos Não me cabem os adiamentos Só se me sei em reboliço Os passos a andarem em ebulição O gosto da descoberta a me invadir O imponderável a me vestir os olhos Talvez me quisesses mais previsível Quando te abrisse minhas portas E meus olhares já te falassem de saudades A pele exalasse tua fragrância preferida Ou guardasse ainda o ardor dos teus carinhos Talvez me desejasses menos fugaz Murmurando as juras próprias dos amantes É que em mim O vento folheia-me sem permissão Abre-me em qualquer capítulo Estreando enredos em minhas mãos Tomando-me de súbito, sem ensaios Quando leio as páginas do teu corpo E não me perguntes de auroras Porque pouco conheço de eternidades... © Fernanda Guimarães |
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