Cada passo que dou,
Cada atitude que tomo,
Não são mais que tentativas
Para fugir ao meu DESTINO.

Ignoro as normas ditas ou escritas,
Os léxicos, as formas polidas de falar
As palavras lindas e correctas,
Ou bem escritas.

Um poema é um MAR de emoções
Que me embarga a voz e os sentidos,
Afogando-me a ALMA numa suprema
E luxuriante arte de ver o quão
Belo é o mundo e nós mesmos.

Sinónimos do intelecto,
Vazio e “prolixo”?
É apenas “parece” correcto.
Plenitude das palavras elaboradas,
Orgias gramaticais.

Destituídas de alma,
Nada mais.
Palavras mais que elaboradas,
Procuradas, ritmadas.

Sinónimos de fantasia e frustração,
Pois então!!!.
Aprimorem as letras!!!,
Abandonem o coração!!!
(Nas letras?)

Há sinónimos nas letras,
onde quero viver a ética e estética do amor,
Sem tretas!
Por favor
Falem de AMOR!

Prefiro olhar o CÉU
Depois da tempestade e sentir,
Sem qualquer palavra nem clamor,
Nem regras, nem métodos nem escolas,
Nem o simplesmente correcto.

Falem-me de AMOR!
Quando olho o chão e sinto a dádiva da TERRA,
Sei onde está o caminho para a FELICIDADE!

Como quando vejo no CÉU
O abraço de um PAI,
E no chão sinto o conforto
Do regaço de uma MÃE
Sei o caminho para além das palavras lindas!


Fernando Pascoa
Poema 2
Letra F
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