Alva


Quero acordar a alva
Ver tua pele clara ao amanhecer
Pois sonho encontrar-te cá
Antes que o sol se esconda
É preciso que tenhas a manhosa arte
De amar-me loucamente,
Sem temor, sensível e ousada,
Na contrapartida natural
Interposta na química sentimental
Que mui  vívida, aos ímpetos do corpo,
E à alma ilumina
Vez ou outra vindo a ferir
Não nos importa a longa noite
Nem as juras sussurradas neste silêncio
Mesmo a marcante espera
Do momento de agora
Nem a transposição, o êxtase
De tão envolvente ternura
Basta-nos, isto sim, e somente,
Uma doação recíproca,
Cuja absoluta certeza
Sacia-nos a pureza espontânea
Do amor que resplandece como a alva,
E se renova, absoluto, a cada nascer do sol!


Capivari, 03/03/2006 – José Roberto Abib
Poema 4
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