Na Mansidão da Alma dos Poetas


Ah...
Quando li pela primeira vez um verso teu,
você estava em frente ao espelho
tentava, se divisava,
sem nenhuma esperança,
sem gostar do que avistava...

Ah! Poetas...
Muito mais que homens.
Pequenos anjos descobridores
de seus próprios deuses, que andam por aí
semeando asas, que guardam tesouros
e que se lêem pelas mesmas cartilhas.

Dos teus olhos, fontes inesgotáveis de pérolas,
madrigais, sinais e encantamentos,
nascem todos os sonhos.

Diretrizes de caminhos iguais,
que às vezes adormecem e tentam em vão
sossegar os fascínios dos desejos
de pedaços de seios e pernas, em beijos molhados,
que se mordem nos instintos.


Ah! Poetas...
Que por conhecerem todos os segredos
atiram-se sem medo.
Passeiam por entre todos os portais das emoções,
sentimentos e paixões.
Seres que volitam entre dores e prazeres.
Que precisam das ausências
para poder se tocar e se descobrir,
que precisam das prisões
para poder viver em liberdade.
Contradição pura por estradas de doce tortura. 

Ninguém duvida de que os poetas
todos se reconhecem pelo pressentimento
de um verso lido, acometidos pela intuição
de algo sentido, pelo mesmo desejo de encontrar
o lugar certo para guardar
cada uma de suas incertezas.

Nasceram em forma de sementes
caídas em corações maviosos de almas volitantes.

... Ah! Poetas...



Márcia Possar
Letra M
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