Faz-te ao mar, amor Nesta tarde de ventos e de brisas... E se cruzares a barra do meu seio Pontilhado de amores Não te detenhas nas dores Com que, sem querer, tu me escravizas Faz-te ao mar, amor Na tarde dolente dos meus sonhos E se encalhares nos rochedos tristonhos Onde Deus o meu sangue incinerou Não perguntes onde e como estou Navega, apenas... Faz-te ao mar, amor No crepúsculo dormente dos meus olhos E entre cardos e escolhos Acena-me um adeus lá de estibordo Enquanto o teu amor recordo... Do cais da tua partida Este fantasma de mim Sorrir-te-á com candura E os meus lábios despidos de carmim Que do teu beijo, guardam a moldura, Engolirão a lágrima perdida da saudade da tua despedida Encarnarei a gaivota da poesia Dum amor que se perdeu... só por magia Ou poção funesta do Deus-medo Faz-te ao mar, amor Serei segredo E a pálida angústia desta tarde. Serei só eu o desassossego Dum peito que se cala, mas que arde Entre o calor e o frio Dum adeus que a quimera despertou... Aparta-te do meu amor e do meu cio Faz-te ao mar, amor O tempo do meu tempo terminou. Maria Badalassi |
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