Poesias ocasionais Já se foram os tempos da poesia atarantada Do monte de palavras juntas umas das outras Enormemente colocadas como alexandrinos e outros bichos Quanto maiores melhor... Também já se foram Os tempos curtos De vacas magras De pastos secos De sílabas curtas Não me falem Da antiga métrica Dos versos de pé quebrado Ou coisa que o valha Das redondilhas Maiores ou menores Redondilhas redondonas E outros tipos de arrumações silábicas Poesia parnasiana Simbolista Decadentista Montes de nomes Para quem aprecia Literatura (a Literatura que aprendemos no colégio). Que poesia fazemos? Estamos "dialogando" com quem? Se você não "dialogar" com alguém Quem irá escutar seus lamentos? Em tempos de poesia contínua Rápida Imediata (Nem os poetas do "ready-made" sonhavam com isso) Onde ficarão os "manuscritos"? Quem irá pesquisar e publicar Obras inéditas À margem de uma história? Poesias formatadas Poesias com cor, luz e som... Só nos faltam poesias com cheiro... Porque ninguém conseguiu transmitir o cheiro Pela TV Pelo cinema Pela internet? Paulo César Tamiazo |
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