Solidão & Afins


Não é sempre a primeira que pára
Vai e volta sem muito esperar
São rosas caídas em pétalas,
Pétalas da vida,
Que passam e repassam como as nuvens,
Que cobrem o Sol, a noite, as estrelas e a Lua.

Feita uma neblina escusa,
Que paira sobre a cidade
E encobre as pessoas, forte ou fina,
Apenas ou sentida.

Sentida a tal ponto, que em causa, traz e retraz
Uma preocupação
Os espaços vazios teimam em se encarar
Face a face, voando baixo, sem um largo sorriso
Abocanha, feito um lobo em cima do rebanho.

Por não haver sentido, não há prática,
Nem princípio, vai e volta, vai e volta.
Às vezes permanece não é sempre
Não é plataforma oriunda de um processo
É como um amigo, que vai
Sim, como um amigo.

Amigo são muitos, de todos os tipos,
Desses que vem e vão,
Desses que vão e não voltam
E deixam saudade.
É também como,
Como um beijo não dado,
Como um carinho não recebido, amarga e dura
Como que caída de cara no chão.

É estúpida
Mas às vezes, há quem goste,
Em pequenas doses, para doses de reflexão.
Mas é terrível, quando implaca,
Feito erva daninha.
Machuca e maltrata
O corpo, o espírito.

Malfadada,
É uma aspiração acabar com ela.
Mesmo completados
Mais um ano de caminhada
É difícil desvencilhar-se.
Por mais que o homem tente, acomodá-la ao seu meio,
Para ao mesmo tempo esquecê-la,
Ou sufocá-la.

Há casos, que a solidão se instala,
E nem anjos, nem deuses a reparam.
Muitas coisas ficam escondidas,
Muitos atos não são tomados
E as poucas, que são feitas, não se supre a falta,
Que causa.
São pares de um olhar tristonho,
A ver e rever o que passa e tenta passar,
Deixando marcas profundas, dores agudas
E sentimentos partidos.

Uma voz retraída em agonia,
Suplantada em vida a um afago,
A uma emoção, sem cor ou forma,
Caminha fácil contra a correnteza
Tendo ou não pudor, exala um perfume
Inconfundível e uma amargura,
Que se arrastra, arranha e demora a passar.

São passos batidos em estrada de terra
Com uma areia fina a machucar os olhos,
A dizer não. Naufragar.

Em uma seiva doce são copos erguidos
Dos pés pelas mãos e o querer chorar
Sem ter a vergonha, de querer chorar.

Chorar faz bem, fez e fará.
Vai ser outra estória, que não entrará
Para a História.

Não há síntese, nem vernáculos,
Tão pouco também não terá oráculos.
Vai ser apenas sentida.
Sentida como que
O se ter uma pequena dor.
Dor que dói, e não ao mesmo tempo.
Sentida como o ar,
Que fresco vem bater às faces
Amainando o calor, mas não a dor.

Essa se fará presente
Até que por um desses
Caminhos percorridos,
Se faça a presença de uma mulher,
Que de uma vez por todas
Expulsará, sem medo.

E tremor, a solidão
Que tanto machuca e dói,
Dentro e em volta do coração
Até nunca mais se sentir,
Só, Sozinho, Solidão.

Peixão89
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