A MORTE DO PASSADO Uma casa em estilo colonial telhado marrom escuro, paredes brancas, janelas e portas azuis. Na entrada da moradia uma escada de granito. No primeiro degrau, olhando para baixo estava uma senhora. Observava seriamente o visitante recém-chegado. O seu passado tocou a campainha e aguardava. Ela hesitava em descer e abraçar este seu velho conhecido. Não se atrevia a dizer-lhe que se aproximasse. O fitava nos olhos, não se envergonhava dele. Ele, silencioso, desfilava diante dela situações marcantes, a conduziu a uma viagem interior a levando ora ao sorriso, ora as lágrimas. Trouxe todas as malas, veio para ficar. Ela afastou-se dois passos. Como um fantasma ele foi subindo lentamente. Ela continuou a andar para trás sem se voltar e subitamente gritou: __ “Pare! Você não tem controle sobre mim!” E o empurrou escada abaixo. O passado se partiu em mil fragmentos. O vento espalhou várias partes por todos os lados. Choveu, molhando e apagando seus rastros. A senhora triunfante abriu a porta, e a fechou com estrondo atrás de si. O passado recuou na linha do tempo retornando a época a qual pertencia... Rosimeire Leal da Motta |
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