A MORTE DO PASSADO


Uma casa em estilo colonial
telhado marrom escuro, paredes brancas,
janelas e portas azuis.

Na entrada da moradia
uma escada de granito.

No primeiro degrau, olhando para baixo
estava uma senhora.

Observava seriamente o visitante
recém-chegado.

O seu passado tocou a campainha e
aguardava.

Ela hesitava em descer
e abraçar este seu velho conhecido.

Não se atrevia a dizer-lhe que se aproximasse.
O fitava nos olhos,
não se envergonhava dele.

Ele, silencioso, desfilava diante dela situações marcantes,
a conduziu a uma viagem interior
a levando ora ao sorriso, ora as lágrimas.

Trouxe todas as malas,
veio para ficar.

Ela afastou-se dois passos.

Como um fantasma
ele foi subindo lentamente.

Ela continuou a andar para trás sem se voltar e
subitamente gritou:

__ “Pare! Você não tem controle sobre mim!”
E o empurrou escada abaixo.

O passado se partiu em mil fragmentos.
O vento espalhou várias partes
por todos os lados.

Choveu, molhando
e apagando seus rastros.

A senhora triunfante abriu a porta,
e a fechou com estrondo atrás de si.

O passado recuou na linha do tempo
retornando a época a qual pertencia...


Rosimeire Leal da Motta
Letra R
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