Chibata, Chicote, e Açoite Marcados a ferro e fogo na pele lisa, brilhante, narrando a história de um povo que soube seguir adiante, matando no peito as injustiças sofridas de boca calada, salgando as costas feridas dos açoites, das chibatadas. Negro da cor da noite, em senzala, acorrentado, nascido de negra bonita, pelo branco, maltratada. Com altivez e coragem próprias, de quem sofreu, carrega nas costas largas as dores todas do mundo, sem que por um segundo se ouça um gemido de dor. Negro, foi o destino cruel e traiçoeiro, deste povo guerreiro que mesmo se curvando às regras da Casa Grande, manteve no peito, acesa, a chama da esperança, e como qualquer criança, não desistiu de lutar. O patrão branco, recatado, devoto de desconfiar, era pai de muito negro, com lágrimas derramadas em noites de amedrontar. Mas, negro nascido em senzala, não podia dizer não, cavava a própria vala chamando de pai o patrão. Negro, domado a castigo, trazia desde o berço, as amarras do destino traduzido em chibata, chicote e açoite!... Simone Borba Pinheiro (19/09/03) |
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