ORIENTE MÉDIO

ORIENTE MÉDIO


INTRODUÇÃO

        O Oriente Médio é a região situada no sudeste da Ásia e no nordeste da África. Esta área que hoje esta composta dos Estados do Egito, Chipre, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kawait, Líbano, Arábia Saudita, Turquia, Iêmen, Bahrein, Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos, divulgou idéias, invenções e instituições para os povos de todo o mundo. Por isso, é tida como o "berço da civilização". Os primeiros assentamentos humanos, cidades, governos, códigos de leis e alfabetos, além, das quatro principais religiões do mundo (judaísmo, zoroastrismo, cristianismo e islamismo), procedem desta região, hoje chamada de Oriente Médio.
        Considerada uma das regiões mais tensas do pós-guerra, devido aos seus muitos conflitos religiosos e políticos, o Oriente Médio também se transformou num palco de disputa entre as superpotências pela supremacia na região. Sua posição estratégica, aliada a existência de imensas reservas petrolíferas, caracterizam historicamente a região como uma área sujeita a impasses.
        Neste trabalho, faremos um breve retrospecto histórico, analisaremos a formação dos atuais Estados a partir da queda o Império Otomano, as Ligas, alguns tratados e conflitos, a questão sionista e o Estado Judeu, motivo de guerras e atentados, especialmente nas últimas três décadas, destacaremos a economia de toda a região, baseada na grande quantidade de poços do petróleo e a dependência de todo o mundo, fazendo com que as questões "internas" daquele povo, passem a ser questões mundiais.

I - HISTÓRICO - FORMAÇÃO DOS ATUAIS ESTADOS

        No final da Primeira Guerra Mundial o Oriente Médio - Domínio do derrotado Império Otomano, foi colocado a proteção da Liga das Nações. Essa medida foi tomada para permitir independência política desses Estados por vias pacíficas. A Liga dividiu a região entre a Grã-Bretanha e a França. A Mesopotâmia (hoje Iraque), a Palestina e a Jordânia ficaram submetidas à jurisdição britânica; a Síria e o Líbano à jurisdição francesa. A partir de então, grandes companhias industriais européias, especialmente interessadas na exploração das jazidas de petróleo, começaram a intervir econômica e politicamente na região. Isso despertou o nacionalismo dos árabes divididos entre correntes favoráveis à saída das tropas de ocupação e das elites locais beneficiadas pela penetração de capitais estrangeiros. Os conflitos locais se agravaram com a "questão Palestina", que se originou com a proposta de criação de um Estado judeu num território predominantemente árabe, que culminou com a fundação do Estado de Israel em 1948.
        O processo de emancipação das nações muçulmanas se fortaleceu com um projeto de união, concretizado na Liga Árabe de 1945. Esse organismo, formado por Argélia, Egito, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Iêmen, Síria e Líbia, tinha a função de coordenar a política externa desses Estados.
        Com exceção dos pequenos países da Península Arábica, que só conseguiram se libertar em 1971, a maioria das nações do Oriente Médio tornou-se independente da Inglaterra e da França em 1950. As monarquias constitucionais e as Repúblicas que as potências haviam estabelecido nessa região no período entreguerras foram derrubadas por grupos militares nacionalistas, cujos regimes eram efêmeros e instáveis.
        A República egípcia, instalada por Gamal Abdel Nasser, em 1954, e seus projetos de reforma agrária, industrialização e neutralismo tornaram-se modelo para as demais nações, principalmente após a vitória egípcia na crise de Suez (1956) quando o Egito conseguiu a nacionalização do canal.
        No entanto, as rivalidades entre as diferentes tendências nacionalistas árabes, entre países exportadores e não exportadores de petróleo, entre árabes e judeus, além dos confrontos político-ideológico dos Estados Unidos com a União Soviética, tornaram o Oriente Médio um palco permanente de guerras.

OS ESTADOS:

Egito - Berço de uma das mais importantes civilizações da antiguidade, é o país das pirâmides, dos hieróglifos e dos faraós. Grande parte de seu território, no nordeste da África, é tomada por desertos. Depende do Rio Nilo, que garante o abastecimento de água e energia elétrica, que possibilita ao longo de suas margens, a agropecuária. Governo república parlamentarista. Economia: pesca, agricultura: cana-de-açúcar, tomate, arroz e trigo. Pecuária: ovinos, caprinos e búfalos. Minérios: petróleo, fosfato e gás natural. Indústria: petrolífera e têxtil. Religião: maioria muçulmana

Chipre - O Chipre é palco há décadas de um conflito grego-turco que leva à divisão do país entre a parte grega - situada ao sul - e a auto-proclamada República Turca do Norte do Chipre (RTNC). Governo: república presidencialista. Economia: pesca, agricultura: cevada, batata, uvas azeitona, trigo e laranja. Pecuária: ovinos, caprinos e suínos. Minérios: gipsita, bentonita e mármore. Indústria: alimentícia, vestuário, farmacêutica e cimento. Religião: muçulmanos e cristãos de várias correntes

Irã - O Irã é o principal foco de expansão do islamismo no mundo desde a revolução xiita que tomou o poder no país 1979. Governo: república presidencialista. Economia: pesca, agricultura: trigo, beterraba, cevada, batata, melancia e cana-de-açúcar. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: petróleo (um dos maiores produtores do mundo), gás natural, gipsita, magnesita e carvão. Indústria: petrolífera, têxtil, alimentícia, e equipamentos de transporte. Religião: muçulmano

Iraque - Grande parte do território do Iraque fica no vale dos rios Tigre e Eufrates. Governo: república presidencialista. Economia: pesca, agricultura: tomate, cevada, tâmaras e melancia. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: petróleo, fosfato, gás natural e gipsita. Indústria: petrolífera, química, produtos plásticos de carvão e borracha, alimentícia, metalúrgica e têxtil.

Israel - A criação do Estado de Israel ocorre em 1948, na Palestina, com o retorno dos judeus ao território de onde tinham sido expulsos. Governo: república parlamentarista. Economia: pesca, agricultura: laranja, trigo, batata e tomate. Pecuária: ovinos e bovinos. Agricultura: destaque para a produção com a irrigação e a reforma agrária. Religião: a liberdade de culto é garantida por lei e o ministério de assuntos religiosos sustenta sacerdotes judeus e muçulmanos. Minérios: fosfato, gás natural e potássio. Indústria: alimentícia, bebidas, tabaco, máquinas elétricas, refino de petróleo e carvão.

Jordânia - País árabe cuja a fronteira mais extensa se faz com Israel, é considerado um dos mais ocidentalizados do Oriente Médio. Governo: monarquia parlamentarista com chefe de Estado forte. Economia: pesca, agricultura: 1/3 da população ativa trabalha na agricultura. Pecuária: ovinos e caprinos. Religião: predominam os muçulmanos Minérios: potasio e fosfato. Indústria: refino de petróleo, química, alimentícia e manufaturas de metal.

Kuwait - Pequeno país desértico da península arábica, o Kuwait fica sobre imensas jazidas de petróleo. Governo: monarquia islâmica. Economia: pesca, produção agrícola e petróleo (um dos maiores produtores do mundo.. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: petróleo e gás natural. Indústria: petrolífera, alimentícia, e metalúrgica. Religião: muçulmana

Líbano - O Líbano é o histórico território dos fenícios. Possui uma estreita faixa costeira úmida e fértil. Governo: república parlamentarista. Economia: pesca, agricultura: frutas cítricas, batata, tomate e uva. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: ferro e linhita. Indústria: refino de petróleo , têxtil, alimentícia, móveis e artigos de madeira. Religião: o governo assegura a liberdade de culto. Maioria muçulmanos

Arábia Saudita - Nação do O. Médio, dona da maior reserva mundial de petróleo. Governo: reinado (com Conselho Consultivo de 60 membros). Economia: pesca, produção petrolífera e agricultura: trigo, cevada, tâmara, melancia e sorgo. Pecuária: ovinos, caprinos e camelos. Religião: maioria muçulmanos. Minérios: petróleo, gás natural, calcário e gipsita. Indústria: petrolífera

Síria - A Síria é a segunda potência militar árabe, superada apenas pelo Egito. Localização: sudoeste da Ásia. Governo: república parlamentarista com chefe de Estado forte. Economia: pesca, produção petrolífera agricultura: algodão, frutas verduras e legumes. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Religião: maioria muçulmanos Minérios: petróleo, rocha fosfática e minério de ferro. Indústria: petrolífera, química, carvão, manufaturas de borrachas, têxtil, vestuário, calçados, alimentícia., bebidas e tabaco.

Turquia - O território da Turquia é ocupado na Antiguidade, por diferentes povos. A cidade de Constantinopla é sede do Império Bizantino de 395 até 1453, quando é conquistada pelos turcos. Governo: república parlamentarista. Economia: pesca, agricultura: algodão, tabaco, trigo, frutas, cevada, óleo de semente de girassol, milho, beterraba, batata, chá e azeitona. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: cromita, cobre, carvão, petróleo, gás natural, balxita, minério de ferro, manganês e enxofre. Indústria: têxtil, alimentícia, refino de petróleo, metalúrgica, siderúrgica, química e vestuário.

Iêmen - O Iêmen é o resultado da fusão, em 1990 do Iêmen do Norte - nação de forte tradição islâmica - com o Iêmen do Sul, mais ocidentalizado. Governo: república parlamentarista com chefe de Estado forte. Economia: pesca, agricultura: batata, tomate, melancia e uva. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: gesso e petróleo. Indústria: alimentícia, têxtil, borracha, bebidas não alcóolica e cerveja fumageira.

Bahrein - É um arquipélago de 35 ilhas no Golfo Pérsico, das quais apenas as três maiores são habitadas. Governo: monarquia islâmica (emirado). Economia: pesca, agricultura: tomate, melão e tâmara. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: petróleo e gás natural. Indústria: refino de petróleo, metalúrgicas, siderúrgica, naval e química.

Omã - É um país desértico totalmente dependente da exploração de petróleo. Seu território integra o lado sul do Estreito de Ormuz. Governo: monarquia islâmica ( sultanato). Economia: pesca, agricultura: tâmara, tomate, manga, banana e papaia. Pecuária: ovinos, caprinos e bovinos. Minérios: petróleo, gás natural, cromita, ouro, sal, mármore, gesso, cobre, calcário e carvão. Indústria: petrolífera, de construção e produção de cobre fundido.

Qatar - País encravado no Golfo Pérsico, é uma das nações mais ricas dessa região desértica, situada sobre extensos veios de petróleo. Governo: monarquia absoluta. Economia: pesca, produção petrolífera e agricultura: tâmara, cereais, legumes e verduras. Pecuária: ovinos e caprinos. Religião: muçulmanos Minérios: petróleo e gás natural. Indústria: petrolífera, química, metalúrgica, siderúrgica, plástica, materiais de construção ( cimento, concreto e tinta).

Emirados Árabes Unidos - Situado em terras desérticas, permeadas por oásis, o país é formado por sete emirados localizados na entrada do Golfo Pérsico. Com reservas de gás e petróleo que o colocam entre os principais membros da OPEP. Governo: federação de monarquias islâmicas. Economia: pesca produção petrolífera e agricultura: tâmara, tomate e berinjela. Pecuária: ovinos, caprinos e camelos. Religião: muçulmana Minérios: petróleo e gás natural. Indústria: petrolífera, alumínio, siderúrgica e química. Obs: a maioria dos Estados são muçulmanos e tem suas economias baseadas na produção do petróleo, apesar de terem alguma agricultura e pecuária, são grandes importadores.

III - TRATADOS E CONFLITOS

        Uma das maiores marcas desta região são seus conflitos e o consequentes tratados. Alguns honrados, outros não saem do papel. Por exemplo: os que envolvem Israel e Palestinos. Normalmente funcionam como argumento para guerras, muito mais do que qualquer outra coisa. Destacaremos alguns dentre os muitos, desde a queda o Império Otomano, início do século:

Liga das nações: Dividiu o Oriente entre França e Grã-Bretanha em 1918. Tinha o objetivo de encaminhar a formação dos Estados de forma pacífica, com atenção especial a causa sionista. A Grã-Bretanha era favorável a criação de Israel, desde 1917 - Declaração de Balfour (Lord Balfour, ministro das Relações Exteriores).

Liga Árabe: Acordo firmado em 1945 pelas nações muçulmanas (Argélia, Egito, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Iêmen, Síria e Líbia). Tinha como objetivo principal, coordenar as políticas externas destes Estados.

OPEP: Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Mesmo tendo países de fora do Oriente Médio (Venezuela, por exemplo), este organismo criado em na década de 70 regula o preço do petróleo no mercado mundial e é de grande importância para todo o Oriente Médio, já que os maiores poços estão naquela região. A guerra do golfo, tem um de seus motivos, a suposta desobediência por parte do Kuwait ao acordo de preços firmado entre eles.

Revolução Xiita do Irã: (1979) Levante xiita contra o que chamavam de ocidentalização do Irã, que durante a II Guerra Mundial foi base estratégica soviética e invadida pelos nazistas, era governado entre 1946 e o início dos anos 70 por líderes e voltados para o ocidente, de onde recebiam grandes investimentos e empréstimos. Os Xiitas, tomaram o poder. Saiu o Xã Mohamed reza Paalevi entrando e seu lugar o aiatolá Khomeinh, fechando o País ao Ocidente em todos os sentidos.

A Intifada: (1987) conflito motivado pelo atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense. Este é um dentre muitos, antes até da decretação do Estado Judeu.

Outras Guerras:

Guerra de Suez - (1956) Israel, apoiado pela França e Inglaterra, contra o Egito. Nacionalização do Canal de Suez e o fechamento do porto no Golfo da Ácaba.

Guerra dos Seis Dias - 5/6/67 a 11/6/67: Israel contra Egito, Jordânia e Síria. Resposta israelense aos ataques do Al-Fatah.

Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão) - (1973): Israel contra Síria e Egito. Considerado a continuação da guerra de 1967.

IV - A PALESTINA E O ESTADO JUDEU

Dos Otomanos ao Estado Judeu.
        A Palestina, em fins do século XIX, era uma pequena região (cerca de 27000 Km2, com baixa densidade populacional), próxima ao Mediterrâneo Oriental e parte do decadente Império Turco-Otomano. Pobre e pouco desenvolvida, no campo predominava as forças feudais de organização social, enquanto nas cidades destacava-se o comércio em decadência e a industria era quase inexistente.
        O processo de colonização sionista, ou, a chegada dos judeus à Palestina, dispersos pelo mundo desde a diáspora do antigo Império Romano, ao contrário de outras iniciativas colonizadoras da época, não pretendia explorar a mão-de-obra nativa, mas substituí-la na totalidade. No século XIX, a maioria dos judeus concentrava-se no Leste Europeu, sobretudo na Polônia (mais de um milhão), na Lituânia, na Rússia e na Hungria, dedicando-se tradicionalmente ao comércio e ao empréstimo de dinheiro a juros. O desenvolvimento das burguesias nacionais e o avanço da revolução industrial nessa região fizeram renascer o antigo ódio aos judeus, que foram responsabilizados pelo desemprego em massa e pela concorrência com as classes dominantes.
        O ressurgimento do anti-semitismo em toda a Europa levou o jornalista austríaco Theodor Herzi, em 1896, a criar o movimento sionista, que tinha por objetivo estabelecer uma comunidade autônoma internacional na Palestina, berço do judaísmo. Em 1882 surgiram as primeiras colônias financiadas pelo banqueiro judeu Barão de Tothschild. Em 1897, fundou-se na Suíça a Organização Sionista Mundial para estimular a volta à Palestina. O movimento sionista ganhou ainda mais força após 1918, quando a Palestina foi submetida a jurisdição britânica, quando da Liga das Nações. A criação do Estado judeu já desde 1917 recebia apoio britânico (declaração de Balfour). Assim, no período entreguerras começou a entrada de judeus na Palestina, até então habitada por árabes. Começava também a história particular de conflitos entre estes povos no nosso tempo, já que os palestinos defendem a teoria de que habitavam a terra antes da chegada dos judeus, quando do cativeiro egípcio, nos tempos bíblicos, dias de Moisés, Josué e Arão, numa história de guerras até os dias de Davi (aproximadamente ano 1.000 a.C), quando da conquista de Sion e a edificação de Jerusalém, um dos motivos das discussões hoje.
        Ajudados por fundos internacionais, os judeus passaram a controlar as melhores terras para o cultivo, criaram um exército clandestino para proteger suas colônias contra as reações árabes, cada vez mais violentas, à medida que os imigrantes sionistas aumentavam, àquela altura já em razão das perseguições do nazi-facismo (a partir de 1933). Entre 1936 e 1939 em razão dos mútuos ataques terroristas, a Palestina vive uma grande guerra civil, atrapalhando aos interesses da Grã-Bretanha, apesar das tentativa de evitar a imigração o contigente judeu não parou de aumentar, agora por vias clandestinas. Durante a Segunda Guerra Mundial a situação continuou tensa pois a Agência Judaica - Órgão executivo da Organização Sionista Mundial, criado em 1920 para cooperar com a administração britânica - tomou o partido dos aliados, enquanto os árabes ficaram do lado das potências do eixo. Após o fim do conflito, como as divergências locais continuassem, a Grã-Bretanha renunciou a seu mandato, delegando à ONU, em 1947, a tarefa de resolver os problemas da região.
        Sem consultar aos árabes palestinos, as Nações Unidas resolveram, em 29 de novembro de 1947, dividir o território palestino formando Estados independentes e uma zona neutra em Jerusalém. Os árabes (1 300 000 palestinos) ficariam com 11 500 Km2. Os judeus (700 000), favorecidos pela comoção mundial por conta das torturas sofridas durante a guerra, receberiam 14 500Km2. A recusa palestina concretizou-se num ataque a Jerusalém e na ocupação da Galiléia, ao norte pela Liga Árabe. Aproveitando-se da evacuação das tropas e de funcionários britânicos. Bem Gurion, líder da Agência Judaica, proclamou a fundação do Estado de Israel em 14 de maio de 1948 e tornou-se o Primeiro-Ministro logo que o Estado se organizou como uma República Parlamentarista. A partir de então, o Oriente Médio transformou-se num pólo permanente de tensões e conflitos armados, onde às disputas pela definição das fronteiras entre árabes e judeus juntou-se ao problema dos palestinos, desalojados da terra que ocupavam há séculos. O "ressentimento ilimitado" dos países árabes contra Israel, tem suas raízes históricas nos seguintes pontos:
- Corão - Os israelenses e sua religião são definidos como elementos minoritários, e como um povo em quem não se deve confiar, devendo ser mantido sob domínio (livro sagrado do islamismo, região predominante nos países árabes)
- na criação do Estado e Israel e nas sucessivas derrotas árabes nos conflitos armados ocorridos entre 1948 e 1973;
- a criação de uma sociedade moderna e ocidentalizada em Israel que, transformando terras desertas em lavouras produtivas e agrupamentos urbanos em cidades progressivas, acentuou as diferenças econômicas e sociais entre os israelenses e os países árabes. Um exemplo é Golã, antes área Síria, que apenas a utilizava para atacar as colônias israelenses às margens do Tiberíades e agora florescem nas mãos os israelenses.
A questão Palestina e os dias atuais.
        Calcula-se que aproximadamente um milhão de palestinos foram expulsos dos territórios conquistados pelos judeus. A maioria foi para os países vizinhos, os que ficaram passaram a ser considerados cidadãos de 2ª categoria, perderam a maioria de seus direitos. Israel destruiu as aldeias, proibindo a volta, implantando conjuntos habitacionais nas áreas ocupadas . Em 1950, a ONU criou a UNRWA (Organização de Ajuda e de Trabalho das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos), encarregados de providenciar a alimentação, vestuário, saúde e escola para a população palestina. Surgiram também os campos de concentração, no primeiro momento provisórios, tornando-se permanentes, principalmente após as conquistas israelenses na "Guerra dos Seis Dias", já em 1967. Na medida que aumentava o número de refugiados, mais se intensificavam os movimentos pro-nacionais palestino.
        Os grupos de guerrilheiros palestinos, organizados desde o início dos anos 50, atacavam Israel a partir de bases instaladas na Síria, na Jordânia e Faixa de Gaza. Em 59, foi criado o Al-Fatar (Movimento de Libertação da Palestina), já despontava a liderança e Yassen Arafat e desejando fundar o Estado através da luta armada; obrigando Israel a devolver as áreas ocupadas nas guerras contra os árabes. Em 64, vários grupos da resistência palestina criaram a OLP, com o objetivo de criar um Estado Laico para os judeus, cristãos e muçulmanos abrangendo toda a Palestina, inclusive o Estado de Israel. Também foi criado o Conselho Nacional Palestino, com funções legislativas e encarregado de eleger o Comitê Executivo, presidido desde 69 por Arafat.
        A intensa atividade da OLP foi um dos motivos da "Guerra dos Seis Dias" , onde Israel derrotou o Egito, a Síria e a Jordânia e ocupou o Sinai, a Cisjordânia e as Colinas do Gola, devolvendo o Sinai ao Egito em 82. Em 1973, a questão palestina ganhou destaque internacional após a "Guerra do Yom Kuppur", por causa da condenação da à política belicista de Israel. Além dos Estados árabes começarem a usar o petróleo como arma. A OPEP, boicotou o abastecimento aos países que apoiavam a Israel, gerando inflação mundial. Arafat depois de um trabalho político diplomático conseguiu que a OLP fosse reconhecida como a legítima representante dos palestinos e reconhecida na ONU. O Líbano desde 67 passou a ser usado como base de operações das organizações armadas palestinas. Em 70, mais de 1.600 000 refugiados palestinos expulsos da Jordânia entraram, transformando o Líbano na sede da OLP. Em 78 respondendo a um ataque violento dos guerrilheiros da palestinos, Israel invadiu o sul do Líbano. A invasão israelense foi incrivelmente destrutiva. Devastou grandes áreas de Beirute, Sidom, Nabatiê e Trípole. Milhares de libaneses e palestinos foram mortos. Dezenas de milhares ficaram sem casa. Neste contexto de guerras, movimentos terroristas de direita, esquerda, cristãs, muçulmano, palestino ou judeu, em 82 o Presidente do Líbano foi assassinado. No meio deste estado de coisas surgiu o caminho do diálogo, no primeiro momento o "paz agora", israelenses iniciaram as conversas com os palestinos.

A Intifada.

        Arafat reforçou sua disposição de negociar uma solução política, os que renovou a dissidência dentro da OLP. Em 83, forças ligadas à Arafat venceu aos rebeldes chefiados por Abu Mussa, que contava com o apoio da Síria. Escapando de atentados dos dissidentes radicais, Arafat, firmou novas alianças com o Presidente do Egito, rei Russein da Jordânia, conseguindo sua reeleição para a presidência da OLP. Em 85, os três líderes fizeram uma oferta de paz a Israel em troca de sua retirada das regiões ocupadas. Os judeus não aceitaram e mantiveram a política de colonização e o exército nas áreas ocupadas. Esta intransigência fez com que em 8 de dezembro de 87 explodisse uma rebelião expontânea em Gaza: "A Intifada", Motivada pelo atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense. Iniciado por jovens com paus e pedras, a revolta tomou todas as regiões ocupadas. Por parte de Israel houve uma brutal repressão contra mulheres, crianças, uso de gás, balas borracha, somente detida depois da condenação da ONU e a influencia da opinião pública a favor da OLP. Episódios como o da "intifada" vem se repetindo periodicamente na Cisjordânia e em Gaza apesar da violenta reação do governo de Israel. A própria população israelense já é de certa forma dividida em os que apóiam e os que não apóiam a organização do Estado palestino. Em torno da OLP todas as facções se uniram com o objetivo de que o Estado palestino fosse criado. Em 15 de novembro de 1988 o Conselho Nacional Palestino, reunido em Argel, proclamou o Estado independente da Palestina e aceitou a existência de Israel como um Estado da região, além disso, declarou sua rejeição ao terrorismo, em todas suas formas . Mesmo não tendo sido aceito imediatamente pelos EUA, Arafat, conseguiu grande destaque na imprensa internacional e acabou sendo reconhecido como o líder dos palestinos na ONU e posteriormente nos EUA. Em 93 com a intermediação da Noruega e pressionado pelos EUA, Israel começou a negociar com os palestinos e Yitzahak Rabin (Primeiro Ministro de Israel) e Arafat, assinaram uma declaração de princípios prevendo a autonomia dos palestinos na Faixa de Gaza e na cidade de Jerico, na Cisjordania. Em 95, Rabin foi assassinado por um extermista judeu, assumiu em seu lugar o Cancheler Shimon Peres e enfrentou uma série de atentados dentro do próprio país. Em 96, o ultra-direitista Benjamin Netanyahu venceu as eleições e o processo de paz foi freiado. Fechou a sede da OLP em Jerusalém, se agravaram os atentados em ambos os lados. Todo o processo de paz assinado em 93 foi retardado, por exemplo: Israel só se retirou da Cisjordania em 1998.
        O atual conflito não é diferente dos outros. Teve seu início quando o líder Ariel Sharon (do Likud), foi a esplanada das Mesquitas. Entende-se que tal atitude tinha como objetivo provocar os palestinos. Em consequência, os palestinos assassinaram soldados judeus, dando início a onda de violência que temos assistido.

        Algumas das milícias responsáveis pelos atentados e movimentos terroristas.

Palestinos: Tanzim - Está por trás dos recentes tiroteios. Deixou de ser terrorista, mais a ambição política de seu líder, Marwan Barghouti, pôs a milícia de volta às ruas.

Hamas - Fundada em 78, combatia tanto Israel quanto a liderança de Arafat.

Jirad - Formada por estudantes palestinos no Egito em 1980, é responsável por alguns atos terroristas e muitas mortes.

Hezbollah - Milícia xiita, combateu a ocupação de Israel ao Líbano. Considerado exemplo pelos outros grupos.

Judeus: Kach - Ex-partido político, responsável por várias mortes e atentados.

Eyal - Formado por estudantes. Ganhou destaque quando um de seus integrantes, Yigal Amir, matou o Primeiro Ministro Yitzhak Rabin.

Karane Chal - Prega a expulsão dos palestinos. Congrega colonos nos territórios ocupados, suas atividades e ideologia são muito próximas das do Kach.

V - CONCLUSÃO

        O Oriente Médio com seus quinze Estados, seus conflitos religiosos e políticos, por vezes econômicos (considerando a importância do petróleo para o mundo), pode ser considerado hoje o centro das atenções do mundo. Uma guerra envolvendo dois destes estados, pode provocar alterações na economia do mundo e acionar as grandes potências. As questões do Oriente Médio ganharam ainda mais importância a partir de 1973 com a criação da OPEP (Organização do Países Exportadores de Petróleo), quando o petróleo passou a ser usado como arma pelos Estados árabes contra o Mundo Ocidental, na maioria das vezes por ações favoráveis aos judeus. As questões religiosas também ganham destacadas proporções nas histórias de cada Estado, bem como na de seus conflitos, um bom exemplo está no Irã com a Revolução Islâmica do aiatolá Khomeíni, em 1979.
        Por último, a questão palestina divide as forças no Oriente Médio em contrários e favoráveis ao Estado judeu. Estes sentimentos são também responsáveis pela maior parte dos ataques de movimentos extremistas praticados por facções e milícias político-religiosas, contra seu próprio povo, bem como ao ocidente e consequentemente ao mundo todo.

Trabalho cedido pela turma de História das Faculdades Integradas Simonsen

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