Otávio
Luciano Camargo Sales de Magalhães
UM
PROGRAMA DE GEOMETRIA PARA A 7a SÉRIE
E
RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM UMA TURMA NA ESCOLA MUNICIPAL ISAURA VILELA
BRASILEIRO EM BOTELHOS NO ANO 2000
Aluno: Otávio Luciano Camargo Sales de Magalhães
Monografia: Um programa de Geometria para a 7a
Série e Relato de Uma Experiência com uma Turma na Escola Municipal Isaura
Vilela Brasileiro em Botelhos no Ano 2000
Curso: Pós Graduação Lato Sensu em Matemática
Faculdade: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
de Guaxupé – MG
Orientador: Profa. Luciane Aparecida Marostegan
(Mestre / UNICAMP)
Local e Data: Muzambinho, 30 de Agosto de 2001
“Só
sei que nada sei”
Sócrates
Dedicatória
Dedico esta monografia aos meus pais Profa. Josefina
Camargo Sales de Magalhães e Prof. José Sales de Magalhães Filho, que me deram
a primeira oportunidade de aprender e ensinar.
Também dedico para todos os meus alunos, em especial
aos alunos da 7a Prata do ano 2000 e da 8a Prata do ano
2001 na Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro
Dedico também à minha primeira aluna experimental,
que muito me auxiliou na luta pela Educação Matemática, Luana Nuevo dos Santos;
e à minha ex-professora do Ensino Médio, a incansável batalhadora por um ensino
melhor Profa. Carmem Laura da Silveira
Santiago.
Dedico especialmente para Mírian Freire Tavares,
minha ex-aluna, noiva e companheira de minha vida.
Também dedico à minha orientadora Luciane Aparecida
Marostegan, por todo apoio que me dá, e por retomar minha vontade de prosseguir
nos estudos.
Mas dedico principalmente, para quem me abriu muitas
portas para a minha evolução no meio matemático, meu ex-professor José Carlos
de Souza Kiihl.
SUMÁRIO
PREFÁCIO.
INTRODUÇÃO.
CAPÍTULO
I –O ENSINO TRADICIONAL DA GEOMETRIA NA 7A SÉRIE E OS CAMINHOS PARA
O ENSINO IDEAL.
CAPÍTULO
II – DOS OBJETIVOS DO ENSINO DA GEOMETRIA NO ENSINO FUNDAMENTAL.
CAPÍTULO
III – UM PLANO CURRICULAR PARA A GEOMETRIA NA 7A SÉRIE.
CAPÍTULO
IV – SUGESTÕES DE COMO DESENVOLVER CADA UNIDADE DO PLANO SUGERIDO.
CAPÍTULO
V – ALGUMAS IDÉIAS COMPLEMENTARES PARA O CURSO DE GEOMETRIA.
CAPÍTULO
VI – A REPERCUSÃO ENTRE OS ALUNOS DA 7A PRATA – COMENTÁRIOS.
CAPÍTULO
VII – A APRESENTAÇÃO DOS ALUNOS EM GUAXUPÉ – OBSERVAÇÕES.
CAPÍTULO
VIII – SUGESTÕES PARA CONTINUIDADE NA 8A SÉRIE.
CAPÍTULO
IX – SUGESTÕES PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA.
APÊNDICE
1 – OS ALUNOS DA 7A PRATA 2000 E 8A PRATA 2001.
APÊNDICE
2 – A MINHA HISTÓRIA COMO PROFESSOR.
APÊNDICE
3 – TEXTO “UM NOVO ENSINO DA MATEMÁTICA”.
BIBLIOGRAFIA.
PREFÁCIO
Muito estranha é esta necessidade
que temos de escrever um prefácio para um texto extenso que parece por si só,
completo, sem necessidade de explicações.
Talvez pelo fato do prefácio não
fazer parte do texto. Preferi, no início do texto, fazer uma introdução que dê
razão lógica ao texto, e depois escrever este prefácio, quando termino a
produção, para deixar claro o que eu fiz.
Este texto é um trabalho de
monografia para um curso de pós-graduação. Diferentemente da maioria das
produções monográficas, a experiência que eu relatarei foi concluída antes da
monografia sequer ser idealizada. O trabalho que relatarei, com uma turma de
classe média baixa, da pequena cidade rural de Botelhos, foi um trabalho
expontâneo e dirigido pelo meu bom senso e pela minha responsabilidade com o
aprendizado daquelas crianças. A minha monografia é um relato do trabalho que
realizei, de forma espontânea, e, ainda é uma forma de aperfeiçoar este
trabalho e transmiti-lo para outras pessoas, além de deixar ele registrado
neste documento. Talvez este trabalho monográfico sirva mais ao trabalho
realizado do que este ao trabalho monográfico.
Na leitura do texto, talvez, o
profissional de educação matemática possa encontrar imprecisões históricas ou
fatuais, estas, eu peço para que me comuniquem para que eu possa realizar as
devidas correções. A maioria dos fatos citados foram retirados da minha
memória, e a minoria foi retirada de fontes escritas.
Também peço desculpas se fui parcial
em alguns julgamentos, e talvez tenha compreendido mal algumas idéias. Procurei
ser imparcial, mas, isto é praticamente impossível num tipo de texto como este,
onde se faz uma crítica ao sistema tradicional de ensino.
Talvez, devido ao meu modo de me
expressar, possa causar algum desconforto no leitor, e este pode pensar que
estou querendo exaltar a minha pessoa. Se isto parecer para alguém, peço
desculpas, pois jamais tenho esta intenção, e tenho consciência das minhas
limitações. Devo lembrar que sou um simples professor que tudo que sabe é devido
à poucas aulas na graduação e aos livros de estudo autodidáticos. Não tenho
autoridade nenhuma e pouquíssima experiência no meio acadêmico, tanto na área
de Matemática, quanto na área de Educação Matemática, e tudo que aprendi de
relevante foi por minha conta, portanto, impregnado de imprecisões e erros.
Insisto: tudo que aprendi foi dando cabeçadas, e quase sempre, sem orientação.
Espero que a leitura do texto
contribua de algum modo para que se tirem algumas idéias sobre o ensino da
Geometria na 7a série e para o ensino da Matemática.
Matemáticos profissionais ou
pesquisadores de Educação Matemática podem até reprovar o meu amadorismo, mas,
este trabalho e esta monografia tiveram apenas o auxílio de livros. Eu fiz tudo
sozinho, sem equipe, sem consultar opiniões alheias, sem apoio de autoridades,
sem consultar os outros e sem ler muito sobre pesquisas atuais em Educação
Matemática. Aliás, eu me formei sozinho, e por isso não sei muito ou erro
muito. (Veja o apêndice 2, onde relato a minha vida profissional).
* * *
A introdução dá um perfil geral
sobre o que vou falar sobre o meu plano de curso de7a série, que eu testei e
funcionou. Situa no espaço e no tempo este plano de curso e traça as diretrizes
gerais.
O capítulo I fala sobre o Ensino da
Matemática através dos tempos e da necessidade de uma mudança, situando que, o
meu trabalho é atualizado com os PCNs e com as novas idéias mundiais sobre
Educação Matemática. Há vários aspectos destas mudanças.
O capítulo II fala sobre os
objetivos do ensino da Geometria na 7a e 8a séries do
Ensino Fundamental.
O capítulo III introduz as idéias
fundamentais sobre o plano de Curso de Geometria na 7a série.
O capítulo IV descreve o meu plano
de curso, unidade por unidade. É o capítulo mais importante da obra. O capítulo
descreve o trabalho como foi realizado na 7a Prata em 2000, com
pouquíssimos itens acrescentados. Também fala-se em materiais utilizados,
estratégias de ensino, objetivos e relato de observações de alunos (algumas
pérolas).
O capítulo V cita mais algumas
idéias para um plano de curso de 7a série de Geometria.
O capítulo VI é uma enorme lista de
comentários que os alunos fizeram, elogiando o meu trabalho. Este capítulo é
importante para perceber que o meu trabalho, no mínimo, agradou os alunos.
O capítulo VII é o relato da
apresentação do meu trabalho de geometria de 7a série na Faculdade
de Guaxupé, no curso que eu faço e que motivou esta monografia.
O capítulo VIII é o esboço do que
seria um plano de curso de geometria para a 8a série. Talvez motive
uma outra monografia, quando tiver oportunidade de colocá-lo em prática.
Precisarei de no mínimo mais dois anos, visto que, o trabalho que realizei com
a 7a prata não pode ser continuado neste ano, pois a professora mais
velha da casa quis a turma, e não tive oportunidade de continuar o trabalho.
Agora terei que pegar uma turma desde a 7a série para depois chegar
na 8a.
O capítulo IX é uma introdução aos
principais aspectos da Matemática no Brasil. É uma lista de objetos, incluindo
livros, softwares, obras, sociedades, eventos, etc, que todo professor de
matemática deve pelo menos saber que existe. Os vários aspectos de muitos
destes objetos, muito me auxiliaram na minha formação autônoma.
O apêndice 1 dá a lista dos alunos
envolvidos; o apêndice 2 conta a minha história, com total falta de humildade e
o apêndice 3 é a cópia de um excelente texto.
Talvez a minha formação deficiente
tenha impedido de fazer uma monografia melhor, mas, tentei caprichar ao máximo.
O trabalho que realizei com a 7a Prata foi maravilhoso, e isto é o
que eu gostaria que o leitor percebesse durante o texto.
Aos alunos da 7a Prata,
espero que esta monografia sirva para que eles percebam a importância e a
grandeza daquele trabalho maravilhoso que foi realizado com eles, no ano 2000,
em Botelhos, apesar de todos os problemas políticos que rondavam a escola.
Espero que aquele trabalho sirva, para toda a vida, para aqueles alunos.
Otávio Luciano Camargo Sales de Magalhães
Muzambinho, 4 de Agosto de 2001
INTRODUÇÃO
O presente
trabalho tem como objetivo apresentar um programa de ensino de Geometria, de 6
meses, intercalados ou contínuos, na 7a série do Ensino Fundamental,
que sirva tanto para alunos que nunca tiveram contato com a geometria, quanto
àqueles que tenham uma sólida base geométrica, sem perder qualidade.
Este
programa concilia a modernização do currículo com o rigor conceitual e das
propriedades. Estão igualmente presentes no programa a conceituação, a manipulação e
as aplicações. Não é um programa que
“infantiliza” a geometria, ensinando-a de forma lúdica apenas ou “prática”
apenas (aplicações), mas é um programa que ensina a geometria como um saber, de
forma científica e rigorosa, usando exemplos concretos e práticos da vida real
que possam levar à compreensão do conceito.
O
programa é centrado nas idéias, e, propriedades baseando na intuição. O
Raciocínio Formal é levemente trabalhado, mas não é explorado de maneira
profunda, deixando este trabalho fundamental para a 8a série.
Também, em todo o programa se procura seguir o seguinte esquema de aprendizado:
do concreto ao abstrato, do intuitivo para
o formal, do particular para o geral, sempre observando o desenvolvimento
cognitivo do aluno, e compreendendo que foi com a ordem acima relacionada que a
humanidade compreendeu os conceitos de todas as ciências, e, que esta ordem é a
ideal para o desenvolvimento da criança e do adolescente.
Durante
todo o programa procurou usar diversas estratégias, como uso de jogos, resolução de problemas[1],
modelagens, abordagens etnomatemáticas, abordagens históricas e o uso de computadores. O programa também
procurou englobar, sempre que possível, e sem fugir da seqüência lógica,
contextualizar temas transdisciplinares e interdisciplinares e apresentar
aplicações práticas.
A
ênfase dada ao programa foi feita na geometria por si própria, portanto,
exercícios como os de livros tradicionais de matemática de nosso país foram
suprimidos, tais como aqueles exercícios “famigerados”, onde caímos em
equações, sistemas de equações, produtos notáveis, frações, proporções,
porcentagens e outros problemas algébricos e aritméticos, pois acredito que
estes exercícios são muito mais algébricos do que geométricos, e, num curso de
geometria, além do raciocínio formal, o mais importante são os conceitos,
idéias e propriedades, além da manipulação dos objetos geométricos e de suas
aplicações diretas.
Entre
os instrumentos de uso em geometria, foram amplamente utilizados o tangram, o geoplano, o pentaminó, como
objetos fundamentais para incrementação de conceitos. Também foram utilizadas
construções geométricas, com dobraduras,
recortes, papel quadriculado, régua e compasso, régua e esquadro e
transferidor. Além do trabalho de montagem de sólidos através de planificações, formas soltas, canudinhos,
varetas, etc...
Também
procurei introduzir neste curso uma “cultura matemática”, trabalhando com
muitas curiosidades como a faixa de
Möbius e a garrafa de Klein. Apresentei problemas motivadores clássicos,
raramente apresentados para alunos desta idade, como primeiro problema da
Teoria dos Grafos: O Problema das Sete
Pontes de Königsberg, apresentado por Euler, o que serviu para trabalhar
sobre as idéias deste matemático, incluindo a sua famosa relação de Euler para poliedros convexos, e, apartir daí, passar
para a apresentação de muitos outros matemáticos, na montagem de uma galeria de matemáticos[2].
Além, de apresentar textos, como o “Poesia
Matemática”, do poeta Millôr Fernandes, e “O Homem Que Calculava”, do professor de matemática Malba Tahan,
além de vídeos, como o animado desenho “Donald
no País da Matemágica”, de Walt Dysney.
Além disso podem ser sugeridos títulos
interessantes para leitura, como o atual e novo livro Tio Petrus e a Conjectura de Goldbach, romance que conta a história
de um matemático que largou tudo e foi procurar a demonstração da Conjectura de
Goldbach, que diz que todo número pode ser escrito como a soma de dois números
primos.
Todo o programa é trabalhado através de
deduções por inferência plausível e contemplação, procurando-se tornar visível o invisível.
***
A
parte do uso dos computadores, a cada ano será mais importante no ensino de
Geometria, e, na 7a Série do Ensino Fundamental será mais importante
ainda.
O
programa Geometriks, traduzido e
comercializado no Brasil pela Editora da Unesp é um programa muito rico para um
curso de 7a série, e, pode ser usado com bastante sucesso e tem a
vantagem de ser barato, fácil de usar, e de fácil acesso. Porém, o programa
ideal, para um curso ideal de Geometria de 7a série, é o Cabri Geomètre II, programa
mundialmente conhecido, com versão em português, porém, os seus custos são
muito altos, o que pode dificultar o seu uso em escolas de comunidades com
maior dificuldade econômica.
O
Cabri II é fundamental para que um curso de Geometria no século XXI seja
completo.
***
O programa que apresento neste trabalho já foi realizado, com bastante sucesso, uma vez por mim, e, está sendo repetido, no presente momento em duas séries.
Os originais deste programa, foram sendo montados num curso que ministrei, no ano 2000, na Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro, na pequena cidade de Botelhos – MG, à 20 km de Poços de Caldas e 70 km de Guaxupé, onde trabalho até hoje. A turma que trabalhei era a “7a Prata”, turma de “melhores” alunos selecionados, numa escola com graves problemas sociais e políticos, sem computadores, sem professores e sem uma estrutura pedagógica montada, onde muito destes alunos tinham tido aulas durante a 5a e 6a série apenas com professores não habilitados.
O trabalho da 7a Prata logrou muitos sucessos, apesar de todos os problemas que a escola passava, devido ao fato de ser municipal, e muito prejudicada politicamente pelo então prefeito, que a usava como instrumento eleitoral e para vinganças pessoais, influenciando até nos conteúdos que os professores trabalhavam dentro de sala de aula.
Este ano, ainda nesta escola, repito o trabalho, agora, com turmas de nível econômico e cultural inferior àquelas (não são as turmas dos “melhores” alunos), uma turma de 8a série do turno da manhã, e outra de 7a série do turno da noite. O trabalho dos conteúdos de 7a série na 8a série se justifica ao fato destes jamais terem tido contato com a geometria em série alguma, e, este programa apresentado também, sob este ângulo, poderá ser utilizado na 8a série.
O trabalho que foi realizado na 7a Prata, e este ano se realiza na 8a série, foi apresentado, comigo e com os 23 dos meus alunos de Botelhos, no dia 30 de junho, no último dia de aula do curso de pós graduação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé, sob a coordenação da Prof. Luciane Aparecida Marostegan, professora de Matemática do curso e do professor Reginaldo Arthus, diretor acadêmico da Fundação Educacional de Guaxupé. A apresentação foi a mesma desta monografia. É importante ressaltar que esta monografia foi feita para exatamente este curso de pós graduação.
***
O programa foi inspirado em três objetos: na prática de 6 anos como professor voluntário, no contato dia à dia com os alunos e no plano de Geometria da 5a, 6a e 7a série da coleção Matemática Atual[3], da Atual Editora, escrito pelo professor Antônio José Lopes Bigode, por mim, considerado, o melhor programa de Geometria de 7a Série de todos os livros didáticos do Brasil.
Vários tópicos já haviam sido trabalhados em várias experiências isoladas, e amadurecidos nestas oportunidades, e com o tempo, foram incrementados e burilados.
O programa, obviamente, não é completo, não é único, e tem muitas falhas, e, com o decorrer de minha prática, ano a ano, irá sendo aperfeiçoado e complementado. Ele apenas serve como uma referência de um programa rigorosamente científico que aplica todos os princípios exigidos, e muito coerentemente exigidos, nos nossos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Otávio Luciano Camargo Sales de Magalhães
Muzambinho, 26 de Maio de 2001
CAPÍTULO I –O
ENSINO TRADICIONAL DA GEOMETRIA NA 7A SÉRIE E OS CAMINHOS PARA O
ENSINO IDEAL
A
nossa geometria de 7a série tinha um plano de curso tradicionalmente
utilizado à mais de 80 anos, com poucas modificações[4],
e foram os PCNs que procuraram
modificar este plano de curso que não levava o aluno a lugar nenhum, e, fazia
com que ele odiasse a geometria.
O
plano de curso de geometria da 7a série, começava com a idéia de
ponto, reta e plano, conceitos absolutamente abstratos, e partia para os
conceitos mais concretos, cada vez mais, desconsiderando o aprendizado
cognitivo do aluno, e a evolução do conhecimento na humanidade – o programa nem
sequer falava em conceitos simples e concretos como o de bloco retangular ou de
esfera.
Este
plano tradicional foi motivado num movimento mundial, do início dos anos 60,
chamado Matemática Moderna, que se
iniciou com a tentativa de formalizar a Matemática ensinada nas escolas,
trabalhando-a com um rigor excessivo, tentando transformar o ensino da
Matemática em ensino da ciência Matemática[5].
Na época do início de movimento trabalhava-se exageradamente com a linguagem de
conjuntos, propriedades estruturais, funções, e, até chegou-se a ensinar na 5a
série, conceitos como o de monóide, semigrupo, grupo, anel (até mesmo no anel
dos polinômios (!)) e corpo, apenas acessível a alunos de 2o ou 3o
ano de graduação na área de Matemática
ou mesmo na pós graduação.
A
partir deste movimento ninguém mais aprendeu matemática de maneira
satisfatória, e este fato deixou seqüelas até os dias de hoje, como também
alguns benefícios, como alguns aplicações úteis da idéia dos conjuntos e ensino
de algumas propriedades estruturais que passavam despercebidas.
No
início dos anos 80, o NCTM – National
Council of Teachers of Mathematics (Conselho Nacional de Professores de
Matemática) dos Estados Unidos percebeu oficialmente que a Matemática Moderna
não funcionava, e, decidiu dar início a uma série de mudanças no ensino da Matemática
nos ensinos que aqui valem como Fundamental e Médio, dando ênfase à idéias,
resolução de problemas, aplicações, e, dando início aos conceitos matemáticos,
do concreto ao abstrato, do particular ao geral e do intuitivo ao formal,
exatamente ao contrário do sistema utilizado na Matemática Moderna, mas
aproveitando de alguns benefícios deste movimento, como a valorização do
aspecto científico da matemática e dos valores históricos desta ciência.
O
Brasil percebeu um pouco mais tarde estas idéias, que aos poucos foram sendo
introduzidas no país, através de matemáticos e educadores matemáticos. O
primeiro brasileiro que começou a batalhar por uma melhor educação matemática
foi o professor universitário e matemático paulista Omar Catunda, que foi um dos fundadores da primeira sociedade
científica brasileira, meados dos anos 50[6],
a Sociedade Paulista de Matemática,
que mais tarde virará a SBM.
Entidades como a SBM – Sociedade Brasileira de Matemática, através
da RPM – Revista do Professor de
Matemática, foram pioneiras em mostrarem e divulgarem as idéias da
importância na mudança no ensino, que começou, efetivamente a ser realizada no
Brasil, no início dos anos noventa, através de manuais didáticos, revistas,
artigos e livros de apoio. Destaca-se nesta sociedade a produção da CPM – Coleção do Professor de Matemática, com obras do professor Elon Lages Lima, de aperfeiçoamento do
Ensino Médio e Superior.
Também foi criada, em 1980
no Brasil, a Sociedade Brasileira de
Educação Matemática – SBEM, com o intuito de colaborar com o progresso da
Educação Matemática no Brasil, congregando os professores, educadores,
matemáticos, psicólogos e outros profissionais da educação para pesquisarem e
discutirem sobre os rumos da Educação Matemática no país. Entre as ações desta
Sociedade está a realização do ENEM –
Encontro Nacional de Educação Matemática, realizado trienalmente, sendo o
último deles, realizado no mês de julho de 2001, na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, UFRJ, onde tive a oportunidade de participar. Esta sociedade também
colaborou com realização de projetos governamentais para progresso da Educação
Matemática, como a criação dos PCN de Matemática do Ensino Fundamental e a
avaliação dos livros didáticos, o PNLD.
O
primeiro livro didático que ousou mudar foi o Matemática Atual, de Antônio
José Lopes Bigode, lançado em 1994, que modificou totalmente a ordem e a
ênfase do ensino da Matemática no Ensino Fundamental. Era o único livro que era
diferente, todos os outros eram idênticos. Mesmo o livro Matemática e Vida, da Editora Ática, que se dizia renovador, não
apresentava muitas mudanças – as mudanças neste livro eram muito sutis, e não
contemplavam abordagens didáticas satisfatórias para a mudança do ensino.
Em
1997 surgiu o livro, que se tornou a melhor coleção de livros didáticos até
hoje lançada no Brasil, o Matemática –
Imenes & Lélis, de Luís Márcio Imenes e Marcelo Lélis, pela Editora
Scipione, que, muito mais do que Bigode, modificava totalmente o plano de curso
e dava uma revolução no ensino da Matemática no Ensino Fundamental. O livro foi
o único que até hoje tirou, em todos os seus exemplares, nota máxima em todas
avaliações feitas pelo MEC e por outras entidades. O livro trabalha com as
idéias de mudança do NCTM, e, segue perfeitamente os padrões para um bom ensino
da Matemática. Os professores Imenes & Lélis em breve lançarão nova edição
de seu livro, e também trabalham na criação de uma coleção renovada para o
Ensino Médio[7].
O
respaldo para estes livros veio logo em seguida, com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, e,
estes livros, que já estavam prontos, contemplavam perfeitamente as idéias dos
PCNs, que nada mais é do que uma versão
adaptada para o Brasil, das idéias de renovação do NCTM.
Os
PCNs, os livros de Bigode e dos professores Imenes & Lélis, além de muitos
paradidáticos, representaram uma grande evolução no ensino da Matemática no
Ensino Fundamental, e, abriram as portas para o fim da Matemática Moderna.
Infelizmente,
nos dias de hoje, de todos os livros de Ensino Fundamental, apenas 5 ou 6
ousaram mudar, e, todos os outros continuam com aquele sistema e ordem de
ensino tradicionais, que desconsideram a evolução do aluno e o aspecto humano
do saber, impregnado de idéias arcaicas, ainda da Matemática Moderna. Muitos
destes livros, camuflam em exemplos “práticos” e pseudo-aplicações, que estão
mudando, ludibriando muitos professores[8].
Os
únicos livros que realmente mudaram, e, foram coerentes e felizes em suas
mudanças, e, conseguiram inovar, foram os livros que já falei acima, o do Bigode (que fez uma nova versão do livro:
Matemática Hoje Se Faz Assim, FTD) e
dos professores Imenes & Lélis, além de um novo livro da Editora do Brasil,
chamado Matemática na vida e na escola[9]
(de Ana Lúcia Bordeaux, Cléa Rubinstein, Elizabeth França, Elizabeth Ogliari e
Gilda Portela), que são completamente diferentes entre si. Quanto ao ensino da
Geometria, o livro do Bigode é mais praticável em turmas que não tiveram o
ensino ideal desde o primário. Os três livros citados, com nota máxima na atual
avaliação do PNLD – Programa Nacional do
Livro Didático.
Infelizmente,
os nossos professores, por comodismo ou falta de atualização, apesar dos livros
e da orientação dos PCNs e do PNLD, em nada mudaram o plano de curso
tradicional, e, ainda seguem aqueles planos clássicos, herança da Matemática
Moderna. Alguns seguem até hoje, os clássicos “Castrucci capa rosa”, que é o
modo mais fácil de dar aula e mais improvável de conseguir ensinar alguma coisa
para crianças hoje em dia. Talvez muitos não percebam que este último livro
citado é ótimo para quem já é adulto[10]
e já aprendeu muito de Matemática, bem, ou mal, mas, para uma primeira
abordagem, é altamente prejudicial, além de altamente incompleto, maçante e dá
apenas uma pequena face da Matemática.
E
só para piorar a situação: quase todas as apostilas de sistemas de ensino para
escolas particulares usa o sistema tradicional, alguns, altamente conceituados,
ainda usam idéias da Matemática Moderna ou idéias arcaicas, que pesquisas já
provaram que não geram frutos pedagógicos positivos.
Talvez
o ensino fundamental melhore quando nossos professores se convencerem que o
plano que ele deve seguir depende dos seus alunos, e, que ele não deve mais
usar os nossos antigos manuais, e não deve continuar ensinando como ele
aprendeu, e deve inovar, e, este programa para 7a série visa
orientar o professor de como ele pode mudar, como ele pode evoluir e dar valor
à Geometria, que, nos programas tradicionais ficava para o fim do ano, que, nos
programas tradicionais era trabalhada como um estanque completamente separado
da Álgebra, que nos programas tradicionais era trabalhada como um amontoado de
demonstrações e teoremas, além das fórmulas mirabolantes que caem do céu.
O
programa renovado é feito para seis meses, pois a Geometria é tão importante
quanto a Álgebra e a Aritmética. Não podemos deixar a Geometria de lado.
***
1.
Ponto, Reta e Plano.
2.
Postulados de Euclides.
3.
Noções sobre Demonstrações.
4.
Ângulos
5.
Triângulos
6.
Quadriláteros
7.
Polígonos
8.
Círculo e Circunferência
Cada livro com suas
modificações e complementações. Muitos com erros conceituais (Ex: tangente à
uma curva é a reta que “toca” a curva num ponto). Outras com excessivo
algebrismo (Ex: “determine o valor de x se 3x+4y e 2x-3y são suplementares e
3x-2y e 2x-y são opostos pelo vértice” ou “calcule 22o30’20”x52”).
Alguns livros jamais apresentando as figuras em outras formas. Raros falando em
Tangram ou dobraduras, e, na maioria, uma grande pobreza de aspectos históricos
e práticos.
Este não é o plano que quero
apresentar.
***
Vale a pena ressaltar que a
nossa ênfase é exatamente ao contrário da tradicional. Nós vamos começar da
Geometria Espacial e partir para a plana, pois, para todos, a idéia de Bloco
Retangular é mais fácil e prática de ser compreendida pela intuição do que a
idéia de Ponto.
CAPÍTULO II – DOS OBJETIVOS DO ENSINO DA GEOMETRIA NO ENSINO FUNDAMENTAL
O Ensino Fundamental, diferentemente das outras modalidades de ensino, em nosso país estão, em nível de Educação Matemática, com excelente parâmetros curriculares e seleções de conteúdos.
A
Matemática, e a sua metodologia, a ideal e oficial, estão totalmente
explicadas, com clareza de detalhes nos atuais PCNs, que são, uma revolução
total, em termos de Educação Matemática. O governo reconheceu oficialmente
nestes documentos o que matemáticos e professores tanto pregavam.
E
mais: em Matemática, temos três coleções de bons livros para o Ensino
Fundamental, o que não acontece em nenhuma outra disciplina, e em nenhum outro
nível (exceto por uma única coleção de História do Ensino Fundamental, de
acordo com o PNLD).
Por
mais que não pareça, o ensino da Matemática, no Brasil, principalmente no
Ensino Fundamental, melhora. Melhora, pois antes, em sua quase totalidade, o
ensino da Matemática era maçante, enfadonho, e, ninguém aprendia nada, mas,
devido ao rigor dos professores, ao fato de que poucas pessoas (e justamente
aquelas que tinham mais respaldo financeiro e familiar) estavam na escola e ao
fato de que a nossa escola pública de antigamente era apenas para uma elite, e
não para todos, muitos falam: “Escola boa era a do meu tempo – a gente aprendia
muita coisa”. Isto é discurso ideológico – não é verdade – outrora, o ensino
era para poucos e poucos destes poucos retinham o conhecimento para o resto da
vida, e poucos dos poucos entre estes poucos tinham satisfação em que faziam.
Ou seja, era um ensino elitizado, não um ensino para a cidadania, não um ensino
para a formação, não, um ensino democrático.
Hoje,
houve a democratização do saber, permitida e fundamentada na Constituição de
1988 e nas diversas leis que regulamentam a educação, como a nossa brilhante Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
9394/96. Além dos nossos PCNs, e outros documentos que tornam o ensino
melhor.
* * *
De acordo
com os nosso Parâmetros Curriculares, são os seguintes, os Conceitos e procedimentos para o ensino do “espaço e forma”
(Geometria), no Ensino Fundamental:
5A E 6A SÉRIES
1-
Interpretar,
a partir de situações-problema (leitura de plantas, croquis, mapas), da posição
de pontos e seus deslocamentos no plano e pelo estudo das rpresentações em um
sistema de coordenadas cartesianas.
2-
Distinção,
em contextos variados, de figuras bidimensionais e tridimensionais, descrevendo
algumas de suas características, estabelecendo relações entre elas e utilizando
nomenclatura própria.
3-
Classificação
de figuras tridimensionais e bidimensionais, segundo critérios diversos, como:
corpos redondos e poliedros; poliedros regulares e não-regulares; prismas,
pirâmides e outros poliedros; círculos, polígonso e outras figuras; número de
lados dos polígonos; eixo de simetria de um polígono; paralelismo de lados,
medida de ângulos e de lados.
4-
Composição
e decomposição de figuras planas.
5-
Identificação
de diferentes planificações de alguns poliedros.
6-
Transformação
de uma figura no plano por meio de reflexões, translações e rotações e
identificação de medidas que permanecem invariantes nessas transformações
(medidas dos lados, dos ângulos, da superfície).
7-
Ampliação
e redução de figuras planas segundo uma razão e identificação dos elementos que
não se alteraram (medidas de ângulos) e dos que se modificam (medidas dos
lados, do perímetro e da área).
8-
Quantificação
e estabelecimento de relações entre o número de vértices, faces e arestas de
prismas e pirâmides, da relação desse número com o polígono da base e
identificação de algumas propriedades, que caracterizam cada um desses sólidos,
em função desses números.[12]
9-
Construção
da noção de ângulo associada à idéia de mudança de direção e pelo seu
reconhecimento em figuras planas.
10-
Verificação
de que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180o.
7A E 8A SÉRIES
1-
Representação
e interpretação do deslocamento de um ponto num plano cartesiano por um
segmento de reta orientado.
2-
Secções
de figuras tridimensionais por um plano e análise das figuras obtidas.
3-
Análise
em poliedros da posição relativa de duas arestas (paralelas, perpendiculares e
reversas) e de duas faces (paralelas e perpendiculares).
4-
Representação
de diferentes vistas (lateral, frontal e superior) de figuras tridimensionais e
reconhecimento da figura representada por diferentes vistas.
5-
Divisão
de segmentos em pares proporcionais e construção de retas paralelas e retas
perpendiculares com régua e compasso.
6-
Identificação
de ângulos congruentes, complementares e suplementares em feixes de retas
paralelas cortadas por retas transversais.
7-
Estabelecimento
da razão aproximada entre a medida do comprimento de uma circunferência e seu
diâmetro.
8-
Determinação
da soma dos ângulos internos de um polígono convexo qualquer.
9-
Verificação
da validade da soma dos ângulos internos de um polígono convexo para os
polígonos não-convexos.
10-
Resolução
de situações-problema que envolvam a obtenção da mediatriz de um segmento, da
bissetriz de um ângulo, de retas paralelas e de alguns ângulos notáveis,
fazendo uso de instrumentos como régua, compasso, esquadro e transferidor.
11-
Desenvolvimento
do conceito de congruência de figuras planas a partir de transformações
(reflexões em retas, translações, rotações e composições destas), identificando
as medidas invariantes (dos lados, dos ângulos, da superfície).
12-
Verificar
propriedades de triângulos e quadriláteros pelo reconhecimento dos casos de
congruência de triângulos.
13-
Identificação
e construção das alturas, bissetrizes, medianas e mediatrizes de um triângulo
utilizando régua e compasso.
14-
Desenvolvimento
da noção de semelhança de figuras planas a partir de ampliações ou reduções,
identificando as medidas que não se alteram (ângulos) e as que se modificam
(dos lados, da superfície e perímetro).
15-
Verificações
experimentais e aplicações do teorema de Tales.
16-
Verificações
experimentais, aplicações e demonstração do teorema de Pitágoras.
Obviamente, o nosso curso se respalda nestes
conceitos, e, são eles que devem ser o eixo central do ensino da Geometria em
qualquer nível, no Ensino Fundamental.
CAPÍTULO III –
UM PLANO CURRICULAR PARA A GEOMETRIA NA 7A SÉRIE
Ao criar o título deste capítulo, tomei o
cuidado para escrever um ao invés de
o. Justamente para deixar claro que
este plano é apenas uma sugestão, que pode ser modificada, mas, deu certo, no
ano de 2000, com a 7a Prata, e esta dando certo este ano com outras
turmas.
Antes,
de apresentar o programa, quero citar sobre os modos de conceber o ensino da
Matemática, de acordo com o livro do ano 2000 do NCTM:
1-
Resolução
de Problemas, Cálculo e Raciocínio Formal
2-
Modo
de Saber
3-
Modo
Criativo
4-
Aplicações
É importante ressaltar que,
todos estes tipos de ênfase foram incluídos no programa curricular. A Resolução
de Problemas, Cálculo e Raciocínio Formal e as Aplicações são os objetivos da
Matemática conhecidos por todos. O Modo de Saber é a matemática como meio de
conhecimento e cultura. O Modo Criativo é um modo de ver o desconhecido –
exemplos que citarei no corpo do texto ilustram bem isto.
* * *
Serão
as seguintes unidades trabalhadas:
II – GEOMETRIA
DOS RECORTES
III – DESENHO
GEOMÉTRICO
IV – ÂNGULOS
V- POLÍGONOS
VI –
CIRCUNFERÊNCIA
VII -
TRIÂNGULOS
VIII -
QUADRILÁTEROS
IX –
ISOMETRIAS
X – MOSAICOS
XI – TEOREMA
DE PITÁGORAS
O Curso começa do que mais é concreto e
palpável: O Sólido Geométrico, a Forma Espacial. Absurdo seria começar um curso
para adolescentes falando de ponto, reta e plano. Formas nada sedutoras, e
altamente abstratas. É interessante falar do que eles podem enxergar: cones,
primas, pirâmides, cilindros, esferas, cubos, blocos retangulares e toros.
Figuras palpáveis e facilmente compreensíveis.
Após,
parte-se para a construção do raciocínio geométrico plano, através de recortes,
através da manipulação de objetos. Com isto os alunos poderão explorar muito
melhor, de maneira dinâmica, as formas planas.
Após
os recortes, abstrai-se um pouquinho, aprendendo, de modo um pouco formal, as
construções geométricas planas.
Em
seguida, passam-se a trabalhar com cada um dos entes geométricos, explorando-os
de forma concreta e experimental, descobrindo suas propriedades, suas relações,
seus aspectos mais íntimos.
Ângulos,
Polígonos, Circunferência, Triângulos,
Quadriláteros. Estudando cada um destes objetos, o aluno começa a compreender
quem são os objetos que ele vai trabalhar e como eles são.
Em
seguida, o aluno vai trabalhar com duas coisas presentes na natureza e nas
artes: Mosaicos e Simetrias, sempre fora de nossos currículos, mas fundamentais
para a concretização da Matemática como Modo Criativo, como uma matemática
contemplativa. Conteúdos extremamente importantes, tanto para a criação da
sensibilidade estética, quanto para o desenvolvimento do raciocínio geométrico
através da contemplação. Alunos que aprendem sobre mosaicos, enxergam
propriedades geométricas nestes.
O
trabalho de simetrias, se estende para o trabalho geral de isometrias, com
diversas transformações no plano, sem mudar as suas medidas. Isometrias de
rotação, reflexão e translação. Num eventual curso de continuação de 8a
série, seriam trabalhadas as homotetias. E, poderíamos relacionar congruência
com isometria (excetuando a de reflexão), e semelhança com homotetia.
Em
seguida, finalizando o curso, uma das idéias mais bonitas da ciência: o Teorema de Pitágoras. Trabalhado apenas
através da comparação de áreas, sem usar relações métricas, fórmulas e
“blá-blá-blás”, que sempre se usam no ensino deste conteúdo. Trabalhar com o
Teorema de Pitágoras pode ser brilhante, e aqui, os alunos podem conhecer a
beleza da geometria. Após, pode-se generalizar este teorema, com o Teorema de
Pólya que diz que a soma da área de dois polígonos semelhantes cada um com um lado coincidente com cada um
dos catetos, é igual a área de um polígono semelhante à estes dois, com um dos
lados coincidente com a hipotenusa (perdoem-me os abusos de linguagem).
O
Curso é ideal, e contempla as idéias do PCN, e, em cursos mais avançados, pode
incluir Semelhança e Congruência, Teorema de Tales e Áreas (que também podem
ser trabalhadas com Álgebra).
CAPÍTULO IV –
SUGESTÕES DE COMO DESENVOLVER CADA UNIDADE DO PLANO SUGERIDO
Antes de entrar no plano, vou comentar sobre uma das principais idéias veiculadas no livro do ano 2000 do NCTM, “Aprendendo e Ensinando Matemática para o Século XXI”:
CONCEPÇÕES DO ENSINO DA MATEMÁTICA PARA O SÉCULO XXI:
1- Raciocínio Formal, Cálculo e Resolução de Problemas
2- Modo de Saber
3- Modo Criativo
4- Aplicações
* * *
Neste capítulo vou fazer as sugestões de
trabalho, e vou citar algumas observações e “pérolas” que surgiram no
desenvolvimento destes.
UNIDADE
I -INTRODUÇÃO À GEOMETRIA PLANA E ESPACIAL
Conteúdos Trabalhados:
·
Bloco
Retangular e suas vistas
·
Faces,
vértices e arestas do Bloco
·
Cubo
como caso particular do Bloco
·
Polígonos:
noção elementar
·
Ângulo:
noção elementar
·
Retas
paralelas: noção elementar
·
Triângulo,
Quadrilátero, Pentágono e Hexágono
·
Classificação
dos polígonos quanto ao número de lados
·
Pirâmides:
noção, elementos e classificação pela base
·
Prismas
e pirâmides retos e oblíquos
·
Troncos
de prismas e de pirâmides
·
Cálculo
de vértices, faces e arestas em prismas e pirâmides
·
Poliedros
Convexos e não convexos
·
Fórmula
de Euler para Poliedros Convexos
·
Número
de vértices, faces e arestas em prismas e pirâmides de base com n lados
·
Demonstração
da validade da Fórmula de Euler para Prismas e Pirâmides
·
Poliedros
e Nomenclatura
·
Poliedros
Regulares e Poliedros de Platão
·
Diferenciação
de Formas Planas e Espaciais
·
Retas
paralelas, perpendiculares e reversas em blocos retangulares
·
Dimensões
·
Vistas
de poliedros
·
Reconhecimento
de poliedros vistos em várias posições
·
Máximo
de vértices, faces e arestas que podem ser vistos ao mesmo tempo num poliedro
·
Noções
de lógica de classificação. Ex: Todo cubo é bloco retangular, mas a recíproca
não é verdadeira, etc...
·
Montando
poliedros apartir de suas planificações
·
Identificando
poliedros apartir de suas planificações
·
Identificação
de faixas opostas
·
Sólidos
de Revolução: Cone, Cilindro, Esfera e Toro.[13]
·
Elementos
da Esfera
·
Cone
e Cilindro oblíquos
·
Troncos
de cone e cilindro
·
Formação
de sólidos de revolução apartir de polígono gerador
·
Cálculo
de vértices, faces e arestas de poliedros de muitos lados conhecendo apenas o
número de polígonos que os compõem, o número de lados dos polígonos e o número
de vértices nos ângulos sólidos.
·
Cálculo
de vértices, faces e arestas nos poliedros regulares.
·
O
poliedro bola de futebol e o cálculo do número de vértices, faces e arestas
dele.
·
Cálculo
do número da face oposta de dados de RPG (abordagem etnomatemática).
·
Desenho
de pilhas de blocos retangulares em papel quadriculado
·
Desenho
de pilhas de blocos retangulares em malha triangular e hexagonal
·
Desenho
de sólidos no papel quadriculado, malha triangular e malha hexagonal
·
Desenhos
rudimentares em perspectiva[14]
Outros conceitos
·
Faixa
de Möbius
·
Divisão
da Faixa de Möbius em 2 e 3 partes iguais (como curiosidade)
·
A
misteriosa Garrafa de Klein
·
A
faixa Möbius Strip II do pintor MC Escher
·
Maurits
Cornelis Escher
·
A
História da Geometria
Materiais Utilizados
·
Poliedros
já montados apartir de planificações (usados em todas as aulas)
·
Planificações
de poliedros
·
Malhas
quadriculadas, triangulares e hexagonais
·
Caixas
variadas
·
Xeróx
de apostila
·
Dados
de RPG
·
Faixas
de Möbius
·
Gravura
da Möbius Strip II
·
Xeróx
de duas páginas de livro sobre MC Escher
Atividades Experimentais
·
Generalização
do número de vértices, faces e arestas de prismas e pirâmides de base “n”, por
inferência plausível, mostrando, em conseqüência, a relação de Euler.[15]
·
Montagem
de poliedros apartir de planificações, em casa
·
Cálculo
dos vértices, faces e arestas dos poliedros regulares e do poliedro bola
·
Numa
folha de sulfite ou de caderno, traçar 10 riscos de um canto ao outro. Colorir
os triângulos de uma cor, os quadriláteros de outra, os pentágonos de outra, e
assim sucessivamente. Descobrir qual é o polígono com maior número de lados que
pode ser construído.
Avaliações
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Argüição
Oral sobre nomenclatura, faces, vértices e arestas.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
·
Correção
em sala de aula da Avaliação Escrita
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
O mesmo aluno
questionou: Quantos tetraedros regulares cabem num icosaedro regular onde as
faces têm o mesmo tamanho?
O aluno Tiago observou em excursão ao Walter World,
parque de diversões em Poços de Caldas, um tronco de pirâmide sobre um cilindro
em uma das torres.
A aluna Vanessa trouxe uma porca de parafuso na
forma de um prisma octogonal
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreensão
dos conceitos básicos e nomenclatura de Geometria Plana e Espacial, bem como a
diferenciação das duas, como meio de saber e meio criativo.
-
Compreensão
sobre a classificação das formas, e que uma forma pode ser classificada de
várias maneiras.
-
Desenvolvimento
do raciocínio espacial, da estética e da percepção visual.
-
Concepção
de propriedades, através da verificação, como por exemplo Fórmula de Euler e
através da intuição como a propriedade da existência de apenas 5 poliedros
regulares.
-
Treino
da Generalização por Inferência Plausível através do Cálculo de Vértices, Faces
e Arestas de Prismas e Pirâmides.
-
Mostrar
situações em que a intuição se engana, como a decomposição da Faixa de Möbius e
a existência da Garrafa de Klein.
-
Reconhecimento
de Formas através de vistas, planificações e formas geradoras.
-
Resolução
de situações problemas, como o cálculo de vértices, faces e arestas de
poliedros com muitas faces.
UNIDADE II –
GEOMETRIA DOS RECORTES
Conteúdos Trabalhados:
·
Conceituação
do significado de Geometria.
·
Noção
de ponto, reta, plano, segmento de reta, semi-reta, retas paralelas e secantes,
perpendiculares e oblíquas, notação.
·
Noção
de ângulo, elementos, tipos de ângulo (reto, agudo, obtuso, raso, nulo e de
volta inteira), medida de ângulos (graus, minutos e segundos), ângulos
complementares e suplementares, bissetriz.
·
Noção
de polígonos, elementos, polígonos regulares, polígonos convexos, classificação
dos polígonos quanto aos lados.
·
Noção
de triângulo, elementos, classificação quanto aos lados e ângulos.
·
Noção
de quadrilátero, elementos, classificações, paralelogramos, trapézios,
quadrados, retângulos e losango.
·
Noção
de círculo e circunferência.
·
Atividades
com o Geoplano.
·
Classificação
de polígono convexo e não convexo no Geoplano.
·
Exercícios
com Tetraminós e Pentaminós.
·
Decompondo
o Quadrado em outras figuras.
·
Exercícios
que envolvem recortes.
·
Noção
de Diagonal como um corte que vai de um vértice ao outro de um polígono.
·
Diagonais
de um Pentágono e o Pentagrama.
·
Abordagem
histórica: o Pentagrama como símbolo dos pitagóricos.
·
Montagem
de um quadrado apartir de um retângulo, através de dobradura e recorte.
·
Conclusão
de que os lados dos retângulos são paralelos dois a dois e os ângulos internos
são iguais.
·
Conclusão
de que o quadrado é um caso especial do retângulo.
·
Conclusão
que se um corte for paralelo aos lados de um retângulo, o retângulo cortado se
transformará em dois outros retângulos diferentes.
·
Triângulos
Isósceles e Retângulos e exploração do Triângulo Retângulo Isósceles.
·
O
Tangram. A lenda do Tangram e estudo das peças do Tangram.
·
Montagem
de figuras com o Tangram: aspectos lúdicos e aspectos formadores de idéias
geométricas.
·
Identificação
de ângulos e lados congruentes nas peças do Tangram.
·
Formação
de figuras planas com as peças do Tangram.
·
Noção
de áreas, usando como unidade o triângulo pequeno do Tangram.
·
Resolução
de problemas envolvendo divisões de figuras planas.
·
Dividindo
um terreno na forma de um L em 4 partes congruentes (situação problema
clássica).
·
Decomposição
de figuras levando à idéia intuitiva do Teorema de Pitágoras.
·
Definição
de triângulos isósceles, equiláteros, escalenos e retângulos.
·
Definição
de quadrado e retângulo.
·
Todo
retângulo tem duas diagonais.
Materiais Utilizados
·
Tabuleiro
de pinos (Geoplano).
·
Papel
e tesoura (muito papel e tesoura).
·
Quadrados
de papel.
·
Retângulos
de papel.
·
Livro
“Matemática Atual” de Antônio José Lopes Bigode, da 5a série.
·
Tangram .
·
Pentaminó.
Atividades Experimentais
·
Montagem
de figuras no Geoplano.
·
Identificação
de figuras montadas no Geoplano através de propriedades (Jogo).
·
Obtenção
de todas as decomposições de um quadrado ou de um retângulo apartir de um único
corte.
·
Obtenção
de um quadrado apartir de um retângulo através de dobraduras e recortes.
·
Montagem
de formas com peças do Tangram.
·
Trabalho
para casa com 4 problemas de decomposição, todos comentados e resolvidos em
sala de aula.
Avaliações
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Reconhecer,
compreender e definir as principais figuras planas, através de explorações
concretas.
-
Compreender
que a nomenclatura da figura independe de sua posição.
-
Desenvolver
o raciocínio relativo à composição e decomposição de figuras.
-
Compreender,
intuitivamente, a noção de figuras com a mesma área.
-
Deduzir,
através da verificação e manipulação idéias básicas e fundamentais sobre alguns
polígonos.
Durante a realização deste trabalho com recortes, surpresas aparecem com a genialidade dos alunos. Se o trabalho for feito fielmente, como sugere o livro do Bigode, o sucesso é garantido.
UNIDADE III – DESENHO GEOMÉTRICO
Conteúdos Trabalhados:
·
Diferença
de Desenho Geométrico Clássico (Euclides – Régua e Compasso) do Desenho
Geométrico Moderno.
·
Introdução
ao uso do material de desenho e sua conservação.
·
Lápis,
traçado correto, ponta, dureza da mina (de 6B até 9H).
·
Borracha,
como apagar, conservação.
·
Régua,
conservação.
·
Compasso,
traçado, ponta-seca, chanfro, como lixar o compasso, tipos de compasso.
·
Transferidor,
limbo, centro, linha de fé, tipos de transferidor.
·
Esquadros
de 60o e 45o, utilidades e conservação.
·
Outros
materiais de desenho geométrico interessantes: pantógrafo, elipsógrafo,
espirógrafo, escalímetro, etc...
·
Desenhando
segmentos de reta com a régua graduada.
·
Desenhando
circunferências com o compasso: Raio e diâmetro.
·
Transporte
de segmentos de reta com o compasso.
·
O
número pi – conceito, história do cálculo do pi, o pi como número irracional[16],
aplicações do pi, curiosidades sobre o pi, métodos para memorizar algumas casas
decimais do pi (curiosidade).
·
Traçados
de retas paralelas e perpendiculares com o esquadro.
·
Desenho
de ângulos de 30o, 45o, 60o e 90o
com o esquadro.
·
Desenho
de ângulos múltiplos de 15o com o esquadro (através da combinação de
pontas dos esquadros).
·
Combinações
artísticas de círculos.
·
Rosáceas
.
·
Traçado
de ângulos agudos, retos e obtusos.
·
Feixes
de paralelas cortadas por uma transversal – desenho. Noção informal de ângulos
correspondentes.
·
Retas
secantes, tangentes e externa a circunferência.
·
Traçado
de ângulos com o transferidor.
·
Traçados
de ângulos maiores de 180o com qualquer transferidor .
·
Circunferências
cocêntricas, excêntricas, externas, tangentes externas, tangentes internas e
secantes.
·
Elementos
da circunferência: raio, diâmetro, flecha, corda, arco. Zona, Setor, Segmentos,
Semicírculo, Coroa, Trapézio e Lúnula Circulares.
·
Desenho
da bissetriz.
·
Desenho
da mediatriz.
·
Desenho
de retas paralelas com régua e compasso.
·
Desenho
de retas perpendiculares com régua e compasso.
·
Desenho
do hexágono regular com régua e compasso.
·
Desenho
do triângulo equilátero com régua e compasso.
·
Desenho
do quadrado com régua e compasso.
·
Desenho
do dodecágono regular, do octógono regular, do polígono regular de 24 lados, do
polígono regular de 16 lados, com régua e compasso.
·
Desenho
do pentágono regular com régua e compasso.
·
Desenho
do heptágono regular com régua e compasso.
·
Desenho
do eneágono regular.
·
Desenho
do decágono regular, do icoságono regular, do polígono regular de 14 lados, do
polígono regular de 28 lados, do polígono regular de 18 lados, do polígono
regular de 36 lados, com régua e compasso.
·
Desenho
do pentágono de Dürer .
·
Desenho
de polígonos dadas as medidas dos lados.
·
Aprendendo
a usar o compasso na lousa.
·
Aprendendo
a usar os materiais de desenho na lousa.
·
Construções
impossíveis: a trisseção do ângulo e a duplicação do cubo.
·
Gauss
e o polígono regular de 17 lados .
Outros conteúdos
·
Código
ZENIT - POLAR .
·
Filme:
“Donald no País da Matemágica”.
·
Montagem
de formas planas no geoplano.
·
Apresentação
de brinquedos (que podem ser amplamente explorados, mas no nosso plano, isto
deverá acontecer na 8a série): Circogram, Trigram, Hexagram,
Cubossauro, Pentacubo e Três ao Cubo.
Materiais Utilizados
·
Caderno
de Desenho.
·
Régua,
Compasso, Esquadros, Transferidor para cada aluno ou dupla.
·
Régua,
Compasso, Esquadros, Transferidor para quadro negro.
·
Pelo
menos um instrumento diferente .
·
Lixa
de unhas ou bisel para apontar o compasso.
·
Flanela
para limpar o material.
·
Lápis
de várias durezas diferentes para mostrar aos alunos.
·
Vários
tipos de compasso para os alunos perceberem as diferenças.
·
Filme
“Donald no país da matemágica”.
·
Geoplano.
·
Brinquedos
didáticos .
Avaliações
·
Caderno
de Desenho com todas as atividades (capricho e precisão).
·
Avaliação
Escrita, para verificar se os alunos sabem fazer os traçados corretos .
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
Eu havia pedido que me trouxessem os polígonos regulares de 12 e 24 lados, feitos através da bisseção de ângulos. O aluno Marcelo, no outro dia, me trouxe, sem eu ter pedido, um polígono regular de 48 lados e outro de 96 lados. No espírito competitivo, no outro dia, Guilherme trouxe, desenhado, um polígono regular de 192 lados.
O Aluno Ronaldo, observou que na moeda de R$ 0,25 há
um heptágono regular inscrito numa circunferência. (E usou este termo
exatamente).
O Aluno Elias disse que quanto mais lados tivesse um
polígono ele mais se pareceria com uma circunferência. Compreendeu uma noção
rudimentar de limite.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Aprender
a manusear, nomear e conservar o material de desenho geométrico.
-
Aprender
a fazer o traçado manual das principais figuras geométricas planas.
-
Compreender
a nomenclatura de diversos objetos geométricos, incluindo posições relativas de
circunferências e polígonos regulares.
-
Compreender
o uso do par de esquadros para o traçado de retas paralelas, perpendiculares e
de ângulos múltiplos de 15o .
-
Aprender
a desenhar e medir ângulos com o transferidor.
-
Aprender
a desenhar bissetrizes e mediatrizes, e justificar o traçado.
-
Aprender
a desenhar polígonos regulares de diversos lados.
-
Compreender
o desenho geométrico euclidiano, e entender que em seu trabalho só era
permitido o uso de régua sem graduação e compasso e mais nenhum outro
instrumento.
-
Entender
que a razão entre a circunferência e o diâmetro de qualquer circunferência é a
mesma, ou seja, igual à pi.
-
Compreender
a importância do desenho geométrico para precisão do traçado de figuras planas.
Conteúdos Trabalhados:
·
Ângulos:
medidas em graus, grados e radianos (justificativas).[17]
·
Conceitos
sobre ângulos.
·
Elementos
dos ângulos.
·
Classificação
dos ângulos.
· Ângulos: graus, minutos e segundos.[18]
· Ângulos no Tangram.
· A origem do grau.
· Retas perpendiculares.
· Construção de alguns ângulos através de dobraduras.
· Medição de ângulos com transferidor.
· Medição de alguns ângulos com dobraduras.
· Bissetriz.
· Construção da bissetriz através de dobraduras.
· Soma dos ângulos internos no triângulo.
· Verificação que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180o .
· Construção de ângulos de 225o e 315o e outros através de dobraduras.
· Ângulos Alternos Internos, Alternos Externos, Correspondentes, Colaterais Internos e Colaterais Externos e Propriedades.
· Ângulos complementares, suplementares e replementares e propriedades.
· Ângulos opostos num paralelogramo.
· Ângulos inscritos numa semicircunferência (Teorema Pequeno de Tales).
·
Tales de Mileto.
· Ângulos opostos pelo vértice.
· Ângulos relacionados à giros, inclinações e orientação.
· A inclinação de telhados e ruas – observações.
· Rosa dos ventos.
· Ângulos e a natureza e ângulos e arquitetura – ruas de Barcelona, abelhas, etc...
Materiais Utilizados
·
Papel
· Transferidor
· Tangram
Atividades Experimentais
·
Descobrindo
que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180o, recortando
um triângulo de papel, marcando os ângulos, cortando-o, e verificando que os
ângulos juntos formam um ângulo raso.
· Construção de ângulos de 135o, 225o, 315o e 67,5o e outros ângulos através de dobraduras apenas.
· Descobrindo que ângulos alternos internos são iguais através de medições e inferência plausível.
· Descobrindo que ângulos correspondentes são iguais através de medições e inferência plausível.
· Descobrindo que ângulos complementares somados resultam 90o através de medições e inferência plausível.
· Descobrindo que ângulos suplementares somados resultam 180o através de medições e inferência plausível.
· Verificando através de medições, que ângulos opostos pelo vértice são iguais.
· Verificando através de medições, que ângulos opostos no paralelogramo são iguais e ângulos colaterais são suplementares.
· Verificando que todo ângulo inscrito numa semicircunferência é reto, através de medições e inferência plausível.
· Verificando, com transferidor, a soma dos ângulos internos do triângulo.
· Descobrindo a medida de todos os ângulos do Tangram.
· Numa folha, fazer 10 riscos de borda até borda, e, nos encontros, assinalar de uma cor os ângulos agudos, de outra cor, os retos, e de outra cor, os obtusos.
(Todas as atividades “descobrindo” e “verificando”,
não se deve contar ao aluno qual é o resultado que se deve chegar. O Aluno deve
ser questionado: “quanto será que dá a soma tal”, “que relação tem tal com tal”
e coisas assim, e eles mesmo devem descobrir. Após a descoberta por parte de
alguns alunos, em voz alta, peça para que os alunos verifiquem, e após, mande
anotarem a conclusão).
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais.
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio.
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
O aluno Luís Fernando, trouxe, durante este estudo,
o texto “A Lenda do Xadrez” e se mostrou interessado em desenvolver um teatro
com o tema.
A aluna Josiane comentou que viu na televisão um
jogador de futebol dizendo que deu um giro de 360o (veja bem: ouviu
falar um giro de 360o e não um ângulo – mostra que ângulos não são
associados apenas à aberturas).
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreensão
da idéia de ângulo, através da associação com giros, inclinações e orientações.
-
Compreensão
do sistema de medição em graus, minutos e segundos utilizado para medir
ângulos, sem “calculismo” .
-
Compreensão
de propriedades fundamentais dos ângulos tais como as relacionadas com ângulos
alternos internos, complementares, suplementares, correspondentes, opostos pelo
vértice, internos de um paralelogramo e inscritos numa semicircunferência.
-
Compreensão que a soma dos ângulos internos num triângulo é 180o.
Conteúdos Trabalhados:
·
Polígonos:
conceitos fundamentais, elementos e nomenclatura
· Noção de polígonos convexos e não convexos
· Polígonos regulares
· Mosaicos poligonais
· Mosaicos Regulares: Triangulares, Quadrados, Hexagonais
· Mosaicos Semi-regulares
· Mosaicos Irregulares
· Decomposição de um polígono em triângulos
· Descobrindo a soma dos ângulos internos de um polígono convexo
· Soma dos ângulos internos de um polígono – fórmula
· Ângulo interno de um polígono regular
· Ângulos em torno de um ponto
· Ladrilhamento perfeito (Tesselation)
· Polígonos regulares inscritos na circunferência
· Desenho de polígonos regulares com régua e compasso
· Mosaicos de Escher
· Ângulos de visão de animais
Outros Conteúdos
·
Problemas
da Pontes de Königsberg – a impossibilidade da resolução
·
Problema
da Água, Luz e Telefone
·
Euler
– um pouco de sua história
·
Introdução
às técnicas de resolução de problemas
·
Gravuras
e Ilusão de Óptica
·
Poesia
Matemática de “Millôr Fernandes”
·
Livro:
“O Homem Que Calculava” de Malba Tahan
·
Inauguração
da Galeria dos Gênios da Matemática, com a foto de 21 gênios da Matemática
(comece colando uma foto de Euler na parede, quando falar dele)[19]
Atividades Experimentais
·
Através
da decomposição de polígonos em triângulos, descobrir a fórmula do soma dos
ângulos internos de polígonos
· Descoberta através de experimentos de ângulos em torno de um ponto, que, somente triângulos equiláteros, quadrados e hexágonos regulares, entre todos os polígonos regulares, podem fazer um ladrilhamento perfeito.
· Outras envolvendo ângulos internos e soma de ângulos internos.
Materiais Utilizados
·
Polígonos
regulares de papel (opcional)
· Livro Matemática Atual de 6a Série
· O Livro “O Homem que Calculava”
· Cartazes sobre Euler
· Cartazes sobre Ilusão de Óptica
· Fotos, cada uma em uma folha, sobre os principais gênios da matemática
· Mosaicos de MC Escher
· Poesia Matemática de Millôr Fernandes[20]
Avaliações
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
Este foi o momento mais rico de todo o curso com a 7a
Prata. Era mês de maio, e o entusiasmo dos alunos nesta época foi ao máximo,
principalmente quando falava sobre problemas e quando montava a “galeria”. Os
alunos estavam com o máximo de interesse e surgiram muitas pérolas. Foi neste
momento que apareceu a moeda de R$0,25 e foi dada a idéia da montanha russa.
A aluna Simone foi quem apresentou aos alunos o
livro do Malba Tahan, “O Homem Que Calculava”.
O aluno Elias criou uma pergunta assim: “O Símbolo
do São Paulo é um polígono regular”?
Vários alunos perceberam que as ruas principais de
Botelhos eram mosaicos regulares hexagonais.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreensão
da noção de polígono
-
Compreensão
da existência de apenas três mosaicos regulares e justificar isto
experimentalmente
-
Aprender
a compreender mosaicos através da contemplação
-
Encontrar
uma fórmula para o cálculo da soma dos ângulos internos de qualquer polígono e
outra para cada ângulo interno de um polígono regular
-
Compreender
que se um polígono de n lados tem soma de ângulos internos igual à x, um
polígono de n+1 lados tem soma de ângulos internos igual à x+180o.
-
Aprender
técnicas de resolver problemas e saber que alguns deles não tem solução
-
Conhecer
os mosaicos de MC Escher
-
Compreender
que a matemática foi uma construção humana através dos séculos
-
Conhecer
alguns aspectos da história da matemática
-
Conhecer
algumas maneiras de apresentação da matemática na literatura.
Conteúdos Trabalhados:
·
Círculo
e Circunferência
·
A
Circunferência na Arte
·
Raio
e Centro
·
Definição
de Circunferência
·
Arco
·
Diâmetro
·
Cordas
·
Conclusão
que o diâmetro é a maior das cordas
·
Conclusão
de que todos os diâmetros dividem uma circunferência em duas partes iguais
·
número
pi, raios e diâmetros
·
Propriedades
elementares da circunferência e de seus elementos
·
Posições
relativas entre ponto e circunferência
·
Posições
relativas entre reta e circunferência
·
Posições
relativas entre duas circunferências e relações entre os centros das duas
·
Encontrando
o centro de um círculo através de dobraduras
·
Quadrantes
na circunferência
·
Ângulos
na circunferência
·
Ângulo
inscrito e ângulo central de uma circunferência
·
Descoberta
de relações entre o ângulo inscrito e o central de uma circunferência
·
Ângulo
Inscrito numa Semicircunferência
·
A
circunferência nas coisas
·
Polígonos
inscritos e circunscritos
·
Desenhando
livremente polígonos circunscritos
·
Desenho
de polígonos regulares com régua e compasso (novamente)
·
Elipses
·
A
construção da elipse com alfinete e barbante
·
Propriedades
das elipses
·
Obtenção
de uma elipse através do estiramento de uma circunferência
·
Outras
curvas
·
O
Ovo Mágico
·
Construção
de circunferência com régua apenas
·
Várias
maneiras de traçar uma circunferência
·
Construção
de uma circunferência com régua e compasso dados três pontos
Outros conceitos
·
Galeria
das Mulheres Matemáticas
Materiais Utilizados
·
Livro
Matemática Atual 7a Série
·
Fotos
de Mulheres Matemáticas
·
Compasso
e Régua
·
Transferidor
·
Barbante
Atividades Experimentais
·
Atividades
que levem a conclusões sobre posições relativas entre ponto e circunferência,
entre reta e circunferência e entre duas circunferências
·
Descobrindo
o centro da circunferência através de dobraduras
·
Através
de medições concluir que o ângulo central é o dobro de um inscrito numa
circunferência, se pegarmos os mesmos pontos na circunferência
·
Através
de recortes e dobraduras concluir que o ângulo central é o dobro do ângulo
inscrito (desenhar dois ângulos inscritos, nos mesmos pontos, e colocar sobre o
central, depois de recortados).
·
Descobrindo
todas as posições relativas entre triângulo e circunferência. Depois entre
quadrilátero e circunferência.
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
Nesta parte que trabalhei com a 7a Prata
na construção de polígonos regulares com régua e compasso. Como estava no fim
do semestre, aproveitei para ensinar alguma coisa sobre baricentro, incentro,
circuncentro e ortocentro, e coisas assim. A prova foi prática, e durou 3
aulas.
O aluno Neilton elaborou a seguinte questão: “O que
o Otávio usa que é uma circunferência?”. A resposta era, o óculos!
(Contemplação)
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreensão
da diferença entre círculo e circunferência
-
Classificação
e compreensão de propriedades entre formas geométricas e circunferências
-
Encontrar
o centro de uma círculo através de vários processos, apenas conhecendo a
circunferência
-
Definir
corretamente circunferência como o conjunto de pontos à uma distância fixa de
um ponto chamado centro.
-
Compreender
que dados dois pontos, o ângulo central relacionado com estes pontos tem o
dobro da medida do ângulo inscrito relacionado aos mesmos pontos
-
Compreender
o que são polígonos inscritos e circunscritos e seu traçado
-
Conhecer
a elipse, seu traçado e suas propriedades fundamentais
Conteúdos Trabalhados:
·
Explorando
triângulos através da dobradura de triângulos de papel
·
Bissetrizes
de um triângulo
·
Encontrando
a bissetriz de um triângulo através de régua e compasso, e de dobraduras
·
Incentro
do triângulo
·
Descobrindo
que o incentro é o centro da circunferência inscrita no triângulo
·
Mediatrizes
de um triângulo
·
Encontrando
a mediatriz de um triângulo através de régua e compasso, e de dobraduras
·
Circuncentro
do triângulo
·
Descobrindo
que o circuncentro é o centro da circunferência circunscrita ao triângulo
·
Alturas
de um triângulo
·
Encontrando
a altura de um triângulo através de régua e compasso e de dobraduras
·
Ortocentro
do triângulo
·
Medianas
de um triângulo
·
Encontrando
a mediana de um triângulo através de régua e compasso e de dobraduras
·
Baricentro
de um triângulo
·
Baricentro
como centro de gravidade do triângulo
·
Pontos
notáveis no triângulo equilátero: coincidência
·
Pontos
notáveis no triângulo isósceles: colinearidade: Reta de Euler
·
Definição
de ceviana
·
Desigualdade
Triangular
·
A
rigidez do triângulo (único polígono com esta propriedade), que pode ser
verificada.
·
Construções
de triângulos com canudinhos e régua e compasso
·
Classificação
dos triângulos quanto aos ângulos
·
Classificação
dos triângulos quanto aos lados
·
O
baricentro fica mais próximo do circuncentro do que do incentro e fica entre
estes dois.
Materiais Utilizados
·
Papel
·
Livro
Matemática Atual de 7a Série
·
Compasso
·
Régua
·
Canudinhos
Atividades Experimentais
·
Fundamental:
encontrar através de dobraduras e de régua e compasso todos os 4 pontos
notáveis do triângulo.
·
Verificar
que o baricentro é o centro de gravidade do triângulo, equilibrando-o num lápis
·
Verificar
que num triângulo isósceles todos os 4 pontos notáveis estão alinhados
·
Verificar
que num triângulo equilátero todos os 4 pontos notáveis coincidem
·
Através
de experiências com canudinhos, verificar que nenhum lado do triângulo pode ser
superior ou igual à soma dos outros dois (desigualdade triangular)
·
Dê
três medidas de lados e mande a sala construir triângulos com canudinhos. Faça
o mesmo com 4 medidas de lados e mande a sala construir quadriláteros. Mostre
que, não ser pela posição, todos triângulos são iguais, e, é quase impossível
surgir dois quadriláteros iguais. Apartir deste momento conceitue a rigidez do
triângulo.
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
·
Argüição
Oral, com questões de nomenclatura
·
Os
alunos elaboraram questões para serem perguntadas para outros alunos
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Conhecimento
dos pontos notáveis do triângulo e de seu traçado
-
Incentro
como centro da circunferência inscrita e Circuncentro como centro da
circunferência circunscrita à um triângulo.
-
Compreensão
de propriedades relacionadas aos pontos notáveis do triângulo
-
Compreensão
da desigualdade triangular
-
Compreensão
que o triângulo é o único polígono com a propriedade da rigidez
Conteúdos Trabalhados:
·
Definições
e Elementos
·
Verificando
que a soma dos ângulos internos é 360o, que ele tem duas diagonais e
4 lados, 4 vértices e 4 ângulos
·
Classificando
quadriláteros através do eixo de simetria, número de ângulos retos, convexidade
ou não, lados paralelos ou não e pares de lados iguais.
·
Desenhando
quadriláteros dadas as propriedades
·
Bumerangues
·
Retângulos
·
Losangos
·
Quadrados
·
Paralelogramos
·
Trapézios
·
Relações
entre os diversos quadriláteros
·
Descobrindo
relações entre as diagonais dos diversos quadriláteros
·
Tipos
de Trapézios
·
Classificação
(convexo ou não; número de ângulos retos; números de lados paralelos; número de
eixos de simetria). (c;r;p;s).
·
Relações
entre os vários quadriláteros
·
Construção
de quadriláteros em malhas quadriculadas e triangulares
Materiais Utilizados
·
Régua
·
Esquadros
·
Livro
Matemática Atual de 7a Série
·
Papel
Quadriculado e Malha Triangular
Atividades Experimentais
·
Jogos
de adivinha com o geoplano, usando as propriedades eixo de simetria, ângulos
retos, ser ou não ser convexos, ter ou não ter lados paralelos, ou ter ou não
ter lados iguais
·
Através
dos jogos de adivinha, chegar à classificação de quadriláteros
·
Desenhar
um polígono de cada tipo e verificar, se as diagonais são congruentes, se são
perpendiculares e se cortam-se no ponto médio. Verificar cada uma destas
propriedades para cada tipo de quadrilátero: quadrado, retângulo, losango,
paralelogramo, trapézio isósceles, trapézio retângulo e trapézio escaleno.
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreensão
dos diversos critérios de classificação dos quadriláteros
-
Compreensão
de como são classificadas formas geométricas, através de quais parâmetros
-
Compreensão
que a classificação dos quadriláteros independe da posição deles
-
Conhecer
as propriedades das diagonais dos quadriláteros
-
Familiarizar-se
com as formas geométricas de 4 lados
-
Compreender
as principais propriedades dos quadriláteros
Conteúdos Trabalhados:
·
Noção
de Simetria
·
Etimologia
da palavra Simetria
·
Simetria
e Arte (mostrar várias gravuras)
·
Simetria
e Natureza
·
A
Simetria do Ser Humano
·
Simetria
de Reflexão
·
Simetrias
nas formas geométricas
·
Isometrias
- conceito
·
Isometria
de Reflexão
·
Isometria
de Rotação
·
Isometrias
de Rotação de vários ângulos
·
Isometria
de Translação
·
Motivos
·
Frisas
·
Logotipos
e Isometrias
·
Linhas
Gregas
·
Construindo
Frisas com os Pentaminós
·
Rotações,
Translações e Reflexões com dobraduras e recortes
·
Rotações,
Translações e Reflexões com régua e compasso
Os itens
abaixo são opcionais – eu mesmo os criei, e testei, e deram certo:
·
Isometrias
de Rotação de 90o, 180o, 270o e 360o
·
Identificação
do tipo de Isometria, dadas formas variadas, e rotação variadas
·
Módulo,
distância e sentido numa isometria de Translação
·
Transformações
Geométricas: conceitos
·
Movimentos
Rígidos
·
Isometrias
de Rotação em polígonos regulares
·
Simetria
Radial
·
Isometrias,
Rigidez do Triângulo e a Criação da Trigonometria
·
Soma
de Isometrias de Rotações
·
Comutatividade
de Isometrias de Rotação e Reflexão
·
Rotações
no Espaço
·
Desenhando
isometrias de uma forma dada
Eu criei uma lista com cerca de 25 exercícios sobre
Isometria, todos desenvolvendo aplicações deste conteúdo tão escasso em nosso
livros didáticos. Apliquei-a em tópicos como pontos notáveis do triângulo.
Materiais Utilizados
-
Livro
Matemática Atual de 7a Série
-
Folha
complementar de exercícios, feitas no Microsoft Word, usando e abusando de rotações
e reflexões
-
Papel
quadriculado
-
Régua
-
Figuras
com bastantes isometrias
-
Pentaminó
Atividades Experimentais
·
Verificando
os eixos de simetrias em todas as letras do nosso alfabeto
·
Construindo
toalhinhas de papel através de recortes (dobrando o papel em oito partes)
·
Procurar
isometrias em logotipos (atividade difícil se os alunos não tiverem acesso à
logotipos, isto você deve disponibilizar para eles).
·
Desenhando
figuras simétricas
·
Mandar
os alunos desenhar frias, com motivos selecionados
·
Desenhando
frisas com os pentaminós
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
O
aluno Fredy encontrou diversas simetrias numa das escolas de Botelhos (E. E.
Ernesto Santiago)
Os
alunos encontraram muitas simetrias, e, todos os dias falavam nelas.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreender
os diversos tipos de isometria e as suas principais propriedades e os seus
traçados
-
Entender
a importância da simetria na estética, e suas aplicações geométricas
-
Fazer
transformações geométricas no plano
-
Aguçar
a sensibilidade estética
-
Desenvolver
o raciocínio dinâmico na geometria, em contrapartida com o raciocínio estático
visto por muitos
-
Inter-relacionar
a arte, a natureza e a arquitetura com a matemática, mostrando a beleza das
simetrias
-
Mostrar
as profundezas do raciocínio geométrico através das isometrias
Conteúdos Trabalhados:
·
Conceito
de Mosaicos
·
Mosaicos
de Escher
·
Padrões
e Mosaicos
·
Ladrilhando
ou pavimentando com polígonos
·
Ladrilhamento
perfeito
·
Mostrando
que é possível apenas três mosaicos regulares
·
Descobrindo
a existência dos 8 mosaicos Semi-regulares (Teorema de Kepler)
·
Caleidoscópios
·
Ladrilhamentos
simétricos e assimétricos
·
Construção
de mosaicos dado o padrão
·
Pavimentando
com pentaminós
·
Pavimentando
com moldes
·
Construindo
mosaicos escherianos
Materiais Utilizados
·
Livro
Matemática Atual de 7a Série
·
Caleidoscópio
·
Régua
·
Compasso
·
Polígonos
regulares recortados em cartolina
·
Pentaminós
·
Tesoura
·
Várias
gravuras de mosaicos, incluindo quadros de M. C. Escher
Atividades Experimentais
·
Verificar
a existência de apenas três mosaicos regulares através da medida dos ângulos
internos de um polígono regular
·
Descobrir
que existem exatamente 8 mosaicos Semi-regulares. (É uma tarefa dura e
importante, que exige muito tempo, paciência e dedicação – é a mais difícil de
ser concretizada – por falta de tempo, eu consegui, na 7a prata,
concretizá-la com pouquíssimos alunos).
·
Construção
de mosaicos com pentaminós, com moldes, e mosaicos escherianos
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
Os alunos passaram a encontrar mosaicos em todos os lugares – foi incrível. A Flaviane me relatou vários mosaicos hexagonais regulares.
Alguns alunos notaram que alguns calçamentos são
mosaicos com combinações de hexágonos
A aluna Vanessa comentou que na casa de sua avó, o
chão é pavimentado com mosaicos pentagonais não regulares. Foi uma discussão
bacana! Ela não se conformava que os pentágonos não eram regulares, mas se
convenceu.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreender
que existem apenas 3 mosaicos regulares, mas existem 8 mosaicos semi-regulares
(Teorema de Kepler)
-
Aguçar
a sensibilidade estética dos mosaicos
-
Aprender
a contemplando os mosaicos observar propriedades angulares, entre outras
-
Compreender
a técnica usada por Maurits Cornelis Escher na construção de seus mosaicos
Conteúdos Trabalhados:
·
A construção de
triângulos retângulos de lados 3, 4 e 5 com barbantes pelos egípcios.
·
Construindo triângulos
com régua e compasso, dadas as medidas e verificando quando eles são retângulos
pela observação
·
Noção de catetos e
hipotenusas
·
Observação que a área
do quadrado construído sobre a hipotenusa é igual a soma das áreas dos
quadrados construídos sobre os catetos num triângulo retângulo
·
Verificar que a
igualdade não vale nos outros triângulos (acutângulo e obtusângulo)
·
Conceituar Teorema de
Pitágoras, pela relação a2=b2+c2, sem aplicar
a fórmula, apenas levando os alunos à sua compreensão
·
Ternas Pitagóricas
·
Verificando se as
ternas dadas são pitagóricas, usando o Teorema de Pitágoras
·
Verificando que sendo
(a,b,c) pitagórica, (ka,kb,kc) também é pitagórica.
·
História da Vida de
Pitágoras: Filósofo, Matemático, Político e Líder Religioso
·
Pitágoras dizia “Os
números governam o mundo!”
·
Os Pitagóricos e a
Escola de Crótona
·
O Teorema de os
babilônios, egípcios, chineses.
·
As várias celebridades
que demonstraram o teorema: Abu I-Wafa, Bhaskara, Leonardo da Vinci e até o
ex-presidente dos Estados Unidos: Abram Garfield[22]
·
O livro de Elisha
Scott Loomis que publicou uma coletânea com 370 demonstrações do Teorema, que
foi para o Guiness Book – o Livro dos Recordes, como o Teorema demonstrado de
mais maneiras diferentes
·
As infinitas
demonstrações do educador matemático moçambicano, Paulus Gerdes, baseadas na
cultura dos povos africanos
·
A decomposição de
quadrados e o Teorema de Pitágoras. (Aqui pode-se falar no produto notável
(a+b)2=a2+2ab+b2, que também fica claro aqui).
Dividindo um quadrado de lado a+b em um quadrado axa, outro bxb e quatro
triângulos de catetos axb. Pegando estes quatro triângulos e colocando em outro
quadrado, com as hipotenusas para dentro, formando um quadrado interior,
apartir daí, verificar que este quadrado (quadrado da hipotenusa) é igual à
soma dos quadrados axa e bxb, que é o quadrado da hipotenusa. (A mais elegante
prova do Teorema de Pitágoras, feita pelo próprio Pitágoras)
·
Outras maneiras de
decompor quadrados e provar o Teorema de Pitágoras
·
Verificação que em um
triângulo acutângulo a soma dos quadrados dos catetos é inferior ao quadrado da
hipotenusa e a recíproca é verdadeira
·
Verificação da
propriedade acima, através de construção de quadrados
·
Verificação que em um
triângulo obtusângulo a soma dos quadrados dos catetos é superior ao quadrado
da hipotenusa e a recíproca é verdadeira
·
Verificação da
propriedade acima através de construção de quadrados.
·
Classificação de
triângulos quanto aos lados e aos ângulos apenas dadas as medidas dos lados
·
Verificação que a soma
da área de triângulos retângulos isósceles construídos sobre os catetos de
triângulos retângulos é igual a área de triângulo retângulo isósceles
construído sobre a hipotenusa. Verificação de que esta mesma propriedade vale
para triângulos equiláteros
·
Falar que a
propriedade da soma de áreas de figuras semelhantes construídas sobre catetos é
igual a área de figura semelhante construída sobre a hipotenusa.
·
Construção de régua
pitagóricas
Tópicos sobre ternas pitagóricas e o encontro destas
também podem ser trabalhadas, com êxito.
Materiais Utilizados
·
Barbante
·
Régua
·
Compasso
·
Livro
Matemática Atual de 7a Série
·
Papel
·
Tesoura
·
Calculadora[23]
Atividades Experimentais
·
Através
de barbantes e nós, verificar que triângulos de lados 3, 4 e 5 em diversas
unidades são retângulos
·
Verificar,
experimentalmente, que a área dos quadrados sobre os lados do triângulo de
medidas 3, 4 e 5 é coerente com o Teorema de Pitágoras
·
Verificar
o Teorema de Pitágoras, decompondo quadrados, através da prova de Pitágoras.
·
Outras
demonstrações do Teorema através da decomposição de áreas
·
Verificar
que se a2>b2+c2, o triângulo é obtusângulo
e se a2<b2+c2,
o triângulo é acutângulo, através da construção de quadrados sobre os lados dos
triângulos e inferência plausível.
·
Verificar
que qualquer polígonos semelhantes, construídos sobre os lados de um triângulo
retângulo, se comportam como o quadrado, nas relações de soma de áreas.
(Teorema de Pólya)
·
Palavras
cruzadas sobre o Teorema de Pitágoras
·
Dados
os lados, classificar os triângulos quanto aos lados e quanto aos ângulos
Avaliações
·
Observação
dos alunos realizando as atividades experimentais
·
Argüição
diária e constante, para verificação do conhecimento.
·
Avaliação
Escrita, com questões para raciocínio
PÉROLAS QUE
SURGIRAM NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
A aluna Cristina construiu todos os barbantes
necessários para a construção de triângulos retângulos
Os alunos ficaram super empolgados em estar
aprendendo sobre o Teorema, e, dialogavam muito sobre este.
OBJETIVOS ESTABELECIDOS E ATINGIDOS:
-
Compreender
o Teorema de Pitágoras
-
Aprender
e compreender a importância da demonstração na matemática
-
Demonstrar
de algumas maneiras o Teorema de Pitágoras
-
Conhecer
toda a cultura que envolve o Teorema de Pitágoras
-
Saber
reconhecer a beleza e elegância do Teorema de Pitágoras
-
Aprender
a classificar um triângulo quanto aos lados, apenas conhecendo a medida de seus
lados
-
Compreender
o Teorema de Pòlya
* * *
É claro que muita coisa mais pode ser trabalhada. Existe uma infinidade de assuntos que podem ser criados e intercalados nesta lista. Alguns eu provavelmente esqueci, e se um dia refizer este texto, devo acrescentar. Existem muitos, centenas, dezenas, de tópicos extras, complementares e curiosidades. Alguns deles, poucos, eu posso citar:
1-
Atividades
com o Pentaminó
2-
Atividades
com o Geoplano
3-
Atividades
com o Tangram
4-
Geometria
no Geometriks
5-
Geometria
no Cabri Geomètre
6-
Aplicações
do pi
7-
Semelhança
e Congruência (obrigatório na 8a série)
8-
Teorema
de Tales (obrigatório na 8a série)
9-
Demonstrações
de Propriedades Simples (obrigatório na 8a série)
10-
Atividades
com Trigram, Hexagram e Circogram
11-
Áreas
12-
Princípio
de Cavalièri
13-
Volumes
14-
Estudos
complementares das propriedades dos sólidos geométricos
15-
Os
Poliedros de Platão (obrigatório na 8a série)
16-
Dobraduras
– construção de Origamis
17-
Desenhos
Africanos
18-
Seqüência
de Fibonacci e a Razão Áurea (obrigatórios na 8a série)
19-
Construção
de sólidos com barbantes
20-
Construção
de sólidos com palitos
21-
Construção
de sólidos com encaixes de polígonos
22-
Construções
geométricas mais avançadas com régua e compasso
23-
Construções
geométricas mais avançadas em malhas
24-
Homotetias
25-
Outras
transformações geométricas no plano
CAPÍTULO V – ALGUMAS IDÉIAS COMPLEMENTARES PARA O CURSO DE GEOMETRIA
É
importante ressaltar que muitas idéias de ensino de tópicos na 7a
série poderiam ser acrescentados. Aliás, é muito grande a quantidade de tópicos
de geometria que poderiam ser trabalhados neste nível.
Poderíamos
aprofundar o estudo de dobraduras e recortes, bem como as construções com régua
e compasso. Poderíamos tratar de outras curvas, como a hipérbole, a parábola, a
lemniscata, a catenária, a ciclóide e a braquistócrona. Poderíamos também
trabalhar com construções destas curvas com barbantes.
Construções
de poliedros poderiam ser feitas com canudos ou palitos de dentes para que
possamos trabalhar com idéias sobre rigidez em geometria.
Trabalhos
com mapas também seriam bem vindos.
Além
de trabalhar com frações, polinômios, medidas, áreas e perímetros, explorando
os conceitos da Geometria apresentada. Os alunos, conhecendo a representação
geométrica de polinômios e frações eles têm oportunidades de compreender estes
conceitos de maneira mais eficaz.
Aliás,
são infinitas as possibilidades de criação de tópicos. Aprofundando no estudo
de muitas obras indicadas no CAPÍTULO IX, talvez o professor encontre muitos
caminhos para seguir, e, isto é fundamental. O professor, de maneira alguma,
pode seguir este meu plano à risca; ele deve tentar inovar, tentar criar – ele
deve ousar – só a ousadia, tentando conteúdos novos, vai nos permitir dizer se,
estes conteúdos são interessantes, se são aplicáveis, e se são úteis. É
necessário que haja esta ousadia para que haja progresso no ensino. Fale de
tópicos novos, leve curiosidades para sala, trabalhe com jogos, e use bastante
o computador; leia, se informe e conte coisas novas para seus alunos: leia para
eles textos de Malba Tahan, textos da RPM e até mesmo comentários sobre
Educação Matemática, pois, muito se aprende com estas informações. E não se
esqueça da história da Matemática, que é fundamental para os alunos.
Conheça
os livros do Bigode, inclusive o livro da 8a série, nos seus tópicos
de Geometria. O livro de 8a série é fantástico e muito legal!
Leia-os, explore-os, e tente aplicá-los.
Pesquise
também na Internet, você pode encontrar muita coisa interessante.
Mas,
cuidado com charlatões, enganadores. Muita gente inventa “técnicas de ensino”
da Matemática, onde ensinam a efetuar operações e resolver equações com
truques. Estes truques só são interessantes se forem provados! Truques por
truques podem até ter sentido antipedagógico. Existem truques para somar
frações, resolver equações do 2o grau, calcular raízes quadradas ou
cúbicas, construir gráficos, etc... Alguns destes charlatões vendem materiais.
Cuidado com eles!!! Um deles já se apresentou na televisão e publicou livro em
grandes editoras.
CAPÍTULO VI –
A REPERCUSÃO ENTRE OS ALUNOS DA 7A PRATA – COMENTÁRIOS
Após
o ensino de todos os tópicos de Geometria, me dediquei com a 7a
prata ao ensino dos vários conjuntos numéricos, com ênfase nas frações. A parte
mais importante foi após isto tudo. Fiz uma apresentação dos trabalhos. Todos
os alunos deveriam apresentar tópicos que trabalhei durante todo o ano. Dividi
os grupos, e pedi que eles apresentassem. Já não valia mais nota, tinha
encerrado todos os diários, pedi para que eles comparecessem, e quase todos
foram. E foram e apresentaram brilhantemente. Fotografei tudo. As apresentações
me surpreenderam. Foram brilhantes, e mostraram que eles tinham aprendido quase
tudo. Falaram em pontos notáveis, desigualdade triangular, sólidos, faixa de
Möbius, poliedros de Platão, garrafa de Klein, relação de Euler, rosa dos
ventos, isometrias, geoplano, tangram, entre outros tópicos de destaque.
No final do ano, tive que
fazer uma avaliação do meu trabalho, de tudo que eu tinha feito com a minha
turma, a 7a Prata. Estava satisfeito e orgulhoso de tudo que havia
conseguido, mas precisava verificar se estava tudo certo mesmo. Alguns
comentários de alunos me deixaram comovido, outros me deixaram orgulhoso. Veja
alguns destes comentário, sem correção estilística, que eles deixaram em
provas, em relatórios ou na minha avaliação de desempenho, incluindo
comentários sobre a educação para a vida e a cidadania, incluindo o trabalho
com ternura, carinho, afeto e amor:
“Vi um ângulo no céu de 90o de fumaça ,
no Jardim Eldorado estava subindo uma fumaça para o céu e aí formava um ângulo
reto muito fera no céu porque era tarde e a fumaça junto com o céu meio cor de
rosa era uma cor esquisita que o céu fica a tarde” Fredy
“Espero que você tenha um belo futuro de professor e
quem sabe um dia ser um gênio da Matemática, heim? Você já estava na galeria
dos matemáticos mesmo[24]”
Érica
“Foi um ano bom, aprendi muito, mas fiquei com
algumas dúvidas sobre o pi, mas com tudo que aconteceu foi legal!” João Paulo
“Achei legal a parte das abelhas montarem um
ladrilhamento perfeitíssimo, não é só nós que usamos o ladrilhamento, a
matemática; as abelha, os animais, também acham isto muito interessante[25]”
Fredy
“Acho legal, a Escola Ernesto Santiago é totalmente
geométrica, por dentro e por fora, tudo que ela tem é de figuras geométricas”
Fredy
“Eu sempre, desde que estudo, eu amo Matemática.
Este ano foi o melhor, pois Geometria, nós aprendemos brincando e é muito
melhor de estudar que equações e inequações” Deliane
“Muita coisa aprendi, muito mudou a minha visão e
muito mais. Agora gosto de Matemática. Matemática faz parte de nossa vida.
Tenho prazer de estudar matemática, precisamos dela. Matemática não é só conta”
Fredy
“O que nós aprendemos em Matemática, eu gostei
muito. Achei super legal. As aulas mudaram, passaram a ser mais interessantes,
e por isso, eu aprendi a gostar da Matemática, mas porque o professor é bom, e
ensina até todos na sala entenderem. Está ótimo trabalhar este ano com você,
Otávio, eu tenho muito prazer de estudar este ano, sobre essas matérias e
espero que nós continuemos com você.”
Guilherme
“Eu aprendi muita coisa com você, Otávio,
principalmente a Ter carinho por tudo que gostamos de fazer. Você tem um
carinho tão grande pela gente! Isto a gente vê em seu sorriso quando entra em
nossa sala para dar aula. Jamais esquecerei o professor muita fera que tive!
Falô!” Valquíria
“Aprendi a observar o mundo que me rodeia. Sim,
mudou muito. Estou gostando de Matemática. As suas aulas são interessantes e
produtivas, as brincadeiras. Aprendi que a Geometria está em todo lugar, em
todos os cantos. Você é um ótimo professor, seja sempre assim.” Érica
“Muita coisa que eu nunca tinha percebido antes eu
aprendi. Mudou muito, eu passei a gostar das aulas, porque as aulas ficaram
mais interessantes. Acho que não precisa mudar nada. O nosso professor é muito
inteligente e eu acredito que se ele
continuar dando aula para nós, seremos iguais a ele, muitíssimo inteligentes. O
nosso professor é muito legal, faz brincadeiras, ou melhor, ele é um ótimo
professor.” Neilton
“Eu acho que aprendi várias coisas como por exemplo:
que uma circunferência é um conjunto de pontos da mesma distância de um outro
ponto; que Polígonos regulares podem ser feitos em circunferência (sic)[26]”
Douglas.
“Legal a matéria porque a tua matéria é bem
avançada. Sim, as aulas são legais, e eu acho que só devia dar trabalho em
grupo dentro da sala.” Flaviane
“Eu não gosto muito de matemática, desenhos
difíceis. Mas isso eu acho ótimo, pois ajuda a pessoa a ser mais criativa e
inteligente. Continue a ensinar coisas assim, gostosas de aprender” Ronaldo
“Eu gostei muito dessas aulas, porque eu aprendi
muita coisa boa. Por isso eu estou gostando muito da aula de Matemática”
Rodrigo
“Aprendi muita coisa importante. As suas aulas são
muito importantes” Edilene
“Eu gostei muito dessas aulas e aprendi muitas
coisas. A Matemática mudou muito para mim e para melhor” Aline
“Eu estou gostando muito das aulas de Matemática.
Estou aprendendo muita coisa. E com o comentário de ontem eu entendi que temos
que amar o próximo” Mírian
“O filme Donald no País da Matemágica é muito bom.
Eu gostei de tudo por que este filme tá falando da matéria que estamos
estudando” Edilene
“Otávio seja sempre esse professor legal que você é”
Edilene
“Tudo no mundo está envolvido com a matemática. A
matemática vem desde os tempos antigos. E jogos usam matemática” Moralis
“Pitágoras, considerado o pai da Matemática, faz a
descoberta que o som da música tem a ver com a Matemática” Maiara
“Matemática é tudo. A Matemática não é uma diversão.
Tudo que a gente faz é matemática, os jogos, por exemplo, de pôquer. A
Matemática não é só conta” Fredy
“Achei lindo as formas das flores na natureza”
Cristina
“A Matemática mostra segredos que existem e eu nem
percebia” Rodrigo
“Eu te adoro. Você é o melhor professor do colégio”
Edilene
“Otávio, desde quando você começou a dar aula de
matemática, sempre gostei de suas aulas (...). As suas aulas sempre foram ótimas,
aprendi várias coisas graças a você. Agora eu aprendi que não devo Ter medo das
aulas de matemática. (...) Você foi carinhoso o máximo que pode conosco e fez o
máximo para nos ensinar. Eu quero te dizer que mesmo que você não der aula mais
para mim, sempre e sempre vou gostar de você” Mírian
“Suas aulas são tão gostosas que se melhorar,
estraga” Loredane
“Gostei muito de suas aulas, nunca tive um professor
assim” Loredane
“Você, professor, fez com que eu gostasse das suas
aulas e perdesse o medo da Matemática” Loredane
“Otávio, é impossível não gostar do professor, né?
Então, eu, Loredane, gosto de você, Otávio, como você gosta de mim. (...) Você
foi legal comigo e um professor carinhoso, pois eu gosto que me trate com
carinhos. Até outro dia...” Loredane
“Desde quando comecei a estudar eu não tinha medo de
Matemática. E gostar dela, eu já gostava, e esse ano eu aprendi mais” Maiara
“Os pontos positivos das aulas foram a boa vontade
do professor, a matéria que foi ensinada e os trabalhos interessantes” Maiara
“Aprendi que devemos ser repreensivos sem nunca
perder a ternura” Maiara
“Você é o melhor professor de Matemática que já
tivemos”. Taís
“Você, Otávio é muito sincero com tudo que você
fala. A matéria vai ser usada, muito por todos nós.” Taís
“Para mim, todas as aulas foram úteis” Regina
“Todos os pontos da matéria são positivos porque eu
estava aprendendo” Marcelo
“Para minha vida eu aprendi que as pessoas nunca
devem perder a ternura junto com as outras” Rodrigo
“Os pontos positivos do professor são que ele
explica muito bem as matérias, tem um bom conhecimento. A matéria ensinada este
ano foi muito boa, mostrou para todos os alunos coisas novas e super
interessantes. As aulas foram super interessantes, as explicações são boas e os
exercícios também são ótimos.” Rodrigo
“Neste ano, a Matéria de Matemática foi a melhor do
ano para o meu melhor aprimoramento. Aprendi várias coisas novas, o professor
ensina muito bem. Deu vários exercícios interessantes, trabalhos e desafios.
Para mim, eu quero dizer que você foi o melhor professor que eu já tive”
Rodrigo
“Gostei muito porque aprendi muitas coisas e você dá
aula muito bem” Elias
“O professor é bem humorista e sincero nas horas
certas, e a matéria foi legal” Cristina
“O seu método de dar aula é muito bom, incluindo a
disposição para dar aulas. Tem ótimas idéias e sempre procurou ajudar todos os
alunos” Juliana Rodrigues
“Aprendi que devemos lutar pelo que queremos, como
você faz.” Juliana Rodrigues
“Sempre compartilhe sua inteligência como você
compartilhou com a 7a prata. Seja ótimo professor como você foi e
será. Otávio você foi um dos melhores professores que já tive. Seja hoje,
amanhã e sempre esta pessoa agradável, sincera, alegre e inteligente. Desejo a
vocÊ muita felicidade. Espero que tenha um belo futuro de professor, e quem
sabe um dia, ser um gênio da Matemática, heim? Você já está na galeria dos
Matemáticos mesmo.” Érica
“Aula: sempre agitada, interessante. Professor:
inteligente, legal, ótimo. Matéria: difícil, mas muito gostosa.” Érica
“Aprendi que há matemática em todos os lugares”
Érica
“As aulas são ótimas, porque pensamos, raciocinamos
muito, e tentamos aprendo o máximo possível” Fredy
“Pontos positivos. Aula: passa rápido e aprendemos
muita coisa. Professor: além de ser um ótimo professor, haja alguém para dar
nota máxima no bimestre sem ter acertado as provas, etc, da nota pelo aquilo
que sabemos e não por aquilo que erramos. Matéria: não gostava de matemática,
mas esse ano estou gostando porque estou melhor, porque matemática era
difícil.” Fredy
“Não tenho muito mais o que falar, além de agradecer
os pontos dados, porque não merecia muito, porque nunca prestei em Matemática”
Fredy
“Esse ano perdi o medo da Matemática, porque na 6a
série, passei com 60 pontos só em Matemática, para passar era 50 pontos,
consegui 10 pontos além dos pontos que fazem passar de série. Mas esse ano
estou tranqüilo, nunca tirei nota máxima em
Matemática desde a 4a série.” Fredy
“As aulas foram muito boas e legais de estudar,
porque coisas que nós nunca tínhamos ouvido falar você nos ensinou” Guilherme
“Tudo que eu aprendi com você foi muito útil”
Guilherme
“As tuas aulas são legais e criativas” Flaviane
“Aprendi que temos que ser duros, mas jamais perder
a ternura” Flaviane
“Você é legal e faz a gente gostar de matemática.
Sua maneira de ensinar os alunos é legal” Flaviane
“Você é criativo e tem futuro” Flaviane
“O professor ensinou bem e a matéria é muito legal”
Laura
“As aulas foram legais porque não ficavam só em um
assunto” Laura
“Gostei e aprendi muita coisa com as aulas de
matemática” Willian
CAPÍTULO VII –
A APRESENTAÇÃO DOS ALUNOS EM GUAXUPÉ – OBSERVAÇÕES
O trabalho que realizei em 2000 com a 7a
Prata foi impossível de ser continuado em 2001. Como eu não sou efetivo, a
turma, que era boa, foi escolhida pela professora, sobrando para mim, a 8a
série mais fraca, a 8a Prata (a 8a Branca era dos alunos
da 7a Prata). Fiquei com a turma, e, com carinho, passei a trabalhar
com ele o curso de Geometria de 7a Série, seguindo o programa que
apresentei nesta monografia. Ainda, na unidade de ângulos, eu levei a turma
para se apresentar na Faculdade de Guaxupé, e eles se saíram muito bem: não
erraram gravemente e nem cometeram gafes – foi um sucesso. Também levei alguns
alunos da 8a Branca (ex-7a Prata). Os alunos me
surpreenderam, eu me surpreendi falando muito bem, e também surpreendemos os
professores que assistiam a palestra. Foi tudo filmado. Abaixo, transcrevo
artigo que saiu no jornal “A Folha Regional”, de 13 de julho de 2001, sobre a
apresentação:
Jovem professor e seus alunos realizam
palestra na Faculdade de Guaxupé
O professor
muzambinhense, Otávio Sales falou para professores do Dom Inácio e alunos da
FAFIG sobre Metodologia de Ensino de Matemática
Quem nunca ouviu os alunos falarem: “Matemática é difícil!”,
“Matemática é Chato!”, “Eu Odeio Matemática!”. O professor muzambinhense,
Otávio Luciano Camargo Sales de Magalhães, (filho do ex-vice-prefeito, prof.
José Sales e da prof. Juju) mostrou, e provou por A+B, que isto pode ser
facilmente modificado, apenas seguindo as orientações do PCN e estudando muito
No dia 30 de junho deste ano de 2001, o jovem professor Otávio,
juntamente com 23 seus alunos da Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro, de
Botelhos, realizaram palestra sobre Metodologia do Ensino da Geometria na 7a
Série para os professores do Colégio Dom Inácio, escola tradicional de Guaxupé,
e para os alunos dos Cursos de Pós Graduação em Matemática, Física e Química da
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé. A palestra foi organizada
pela professora Luciane Marostegan (mestre em matemática pela UNICAMP) e pelo
diretor acadêmico da FUNDEG, prof. Reginaldo Arthus.
O aspecto mais interessante da palestra foi que a explanação das idéias
se confirmavam com a presença dos alunos, que mostravam que as teorias
apresentadas funcionam. É importante ressaltar que todos os alunos das turmas
presentes foram convidados, e, que, a maioria deles, em anos anteriores, foram
taxados como “fracos” em matemática.
O jovem professor falou durante 4 horas sobre como podemos aplicar as
novas idéias de ensino de Geometria e Frações no Ensino Fundamental, com
eficiência, rigor matemático e de forma que os alunos compreendam e gostem de
Matemática. As idéias do professor foram fundamentadas no PCN, nas idéias do
NCTM (Conselho de Professores de Matemática dos EUA) e na maioria das teorias
de Educação Matemática no Ensino Fundamental. Foram mostrados aspectos teóricos
e práticos.
Interessante foi a participação dos alunos, que apresentavam como as
experiências eram realizadas. Notou-se que os alunos dominavam os conteúdos e
concordavam com as técnicas apresentadas por Otávio. Foi destaque a
apresentação da soma de frações – quase todos os alunos conseguiam realizar
adições com frações mentalmente.
O professor
falou sobre As novas concepções da Matemática no Ensino Fundamental, o
PCN, O Livro Didático, O Fim da
Matemática Moderna, Técnicas Renovadoras no Ensino da Matemática (Modelagem,
História, Problemas, Etnomatemática, Tecnologias e Jogos), além de falar sobre
a metodologia do ensino de diversos conteúdos no Ensino Fundamental, fazendo a
crítica ao ensino tradicional que desrespeita os aspectos cognitivos do aluno.
A palestra foi
amplamente aplaudida por todos os presentes, sendo muito elogiados o professor
e seus alunos.
A primeira
parte da palestra, onde o professor fala sobre Geometria foi totalmente
gravada, e encontra-se a disposição de quem quiser alguma cópia. O telefone de
Otávio é 0-xx-35-3571-2443 ou 9955-9130. O professor se diz disposto a fazer
outras palestras, divulgando as idéias da revolução da Educação Matemática no
Ensino Fundamental, que atualmente se encontra em estado precário.
Os alunos participantes foram: Alexsandra Cássia da
Silva, Bruno Lindolfo Nanini, Cláudia Donizéti Alves, Cristiano dos Reis,
Edriel Honório Cândido, Fabio Augusto de Gouvêa, Flaviane Hélen dos Santos,
Guilherme Gonçalves da Silva, Jânio Alberto Severino, João Paulo Francisco,
Josiane dos Santos, Juliana Rodrigues, Juveslei Aparecido Barbosa, Lerci Jorge
de Paula, Neilton Aparecido da Costa, Paola Oriena Mafra Cruz, Raquel Aparecida
Antero, Ricardo Aparecido dos Santos, Richard Alexandre Sancho, Saniéli
Aparecida da Silva, Tatiana Aparecida de Oliveira, Tiago Siqueira Barbosa, Tobias
Tadeu Rocha.
CAPÍTULO VIII
– SUGESTÕES PARA CONTINUIDADE NA 8A SÉRIE
O
plano de curso tradicional, e horrível de 8a série, é o seguinte:
1.
Semelhança de Triângulos
2.
Teorema de Tales
3.
Relações Métricas no
Triângulo Retângulo e Teorema de Pitágoras
4.
Relações Trigonométricas no
Triângulo Retângulo
5.
Relações Métricas na
Circunferência
6.
Relações Métricas nos
Polígonos Regulares Inscritos e Circunscritos
7.
Cálculo da Circunferência
8.
Áreas
Um curso ideal de 8a
série, que projetei seria mais ou menos, o abaixo listado, considerando que o
aluno já tenha feito o curso de 7a série:
1.
INTRODUÇÃO À GEOMETRIA
Revisão de conceitos básicos de
Geometria Espacial e Geometria Plana (Circunferência, Ângulos, Polígonos,
Triângulos e Quadriláteros), com ênfases em definições e propriedades básicas.
Apresentação de conceitos como ponto, reta e plano.
2.
POLIEDROS DE PLATÃO. Trabalhando a idéia dos poliedros de
Platão, de acordo com o livro “Poliedros de Platão e os dedos da mão”.
3.
DESENHO GEOMÉTRICO PLANO. Revisão das construções geométricas, e
outras construções geométricas com régua e compasso, valorizando o aspecto
histórico.
4.
NOÇÕES DE PERSPECTIVA. Aprendendo a desenhar e observar
figuras geométricas espaciais desenhadas no papel, incluindo trabalho com
vistas, perspectivas e raciocínio espacial.
5.
DOBRADURAS E RECORTES.
Atividades com dobraduras e recortes, explorando propriedades geométricas.
6.
LÓGICA E ARGUMENTAÇÃO. Noção de argumentação, , premissas e
conclusões e silogismos, sofismas, diagramas de Venn, diagramas de Carrol,
paradoxos, paradoxo do Barbeiro, paradoxos clássicos, enigmas e passatempos
lógicos. Seguindo o livro do Bigode e o livro “Lógica, é Lógico”, da Editora
Ática
7.
DEMONSTRAÇÕES EM GEOMETRIA.
Quando a percepção visual nos enganas, verdades geométricas baseadas nos
sentidos, verdades geométricas baseadas na experiência prática, as primeiras
verdades geométricas da história, axiomas, postulados de Euclides, proposições
geométricas e demonstrações, procedimentos Euclidianos, algumas demonstrações
importantes, demonstrações angulares, soma dos ângulos internos de um
triângulo, proposição de tales sobre o ângulo inscrito numa circunferência,
desigualdades triangulares. Demonstrações impossíveis: conjecturas: conjectura
de Goldbach, o problema das 4 cores, a conjectura de Fermat. Atividades de
demonstração.
8.
ISOMETRIAS E HOMOTETIAS.
Atividade incluindo isometrias, homotetias, mais ou menos como a ênfase da 7a
série, mas profundamente, acrescentando ampliações por homotetias nos mesmos
conteúdos. Trabalhando inclusive com as obras de Escher.
9.
CONGRUÊNCIA E SEMELHANÇA.
Figuras congruentes, triângulos congruentes, casos de congruências de
triângulos (observação do que acontece com suas medidas). Figuras semelhantes,
triângulos semelhantes, casos de semelhança de triângulos (observação do que
acontece com suas medidas). Feixe de retas paralelas cortadas por uma
transversal. Teorema de Tales. Aplicando o Teorema de Tales
para distâncias inacessíveis.
10. NOÇÕES DE TRIGONOMETRIA. História e noções básicas. Seno. Cosseno. Tangente.
Explorados de maneira intuitiva e baseando na semelhança de triângulos
retângulos de ângulos iguais e no Teorema de Tales.
11. SEQUÊNCIA DE FIBONACCI E A RAZÃO ÁUREA. Tratamento histórico destes
dois conceitos, suas relações e suas presenças na natureza
12. TEOREMA DE PITÁGORAS. Histórias
e revisão, algumas demonstrações do Teorema de Pitágoras, Problemas Clássicos
resolvidos através do teorema de Pitágoras. Distância de dois pontos. Espiral
pitagórica. Pitágoras e a calculadora. Teorema de Pòlya. Seno, Cosseno e
Tangente de ângulos de 45o, 30o e 60o através
do Teorema de Pitágoras.
13. ÁREAS E VOLUMES. Revisão do cálculo de perímetros e áreas. Princípio de
Cavalièri, área de Prismas, Pirâmides, Cilindros, Cones, Toros e Esferas.
Muitos tópicos podem ser acrescentados, o trabalho da circunferência e o pi podem ser trabalhados junto com aritmética e álgebra, e o trabalho de áreas deve ser trabalhado juntamente com polinômios.
É importante observar que,
este curso não foi testado na prática, é apenas uma idéia. Eu não posso
garantir o sucesso do programa, pois ele não tem embasamento prático, porém, é
muito provável que funcione, se o programa de 7a série listado acima
logrou sucesso.
CAPÍTULO IX –
SUGESTÕES PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA
Não acredito que, no Brasil, exista alguma
das disciplinas dos Ensinos Fundamental e Médio que tenha uma diversidade de
opções tão grande para o professor se aperfeiçoar do que a Matemática. No
Brasil existe muita coisa que um professor de Matemática deve conhecer, e pode,
apartir daí, aperfeiçoar seu trabalho de maneiras diversas.
O
fato desta diversidade é muito positivo. De acordo com a União Internacional de
Matemática – IMU, o Brasil está no terceiro grupo de classificação em qualidade
de produção matemática, sendo 5 grupos, ou seja, o Brasil é considerado um
grande país na produção de ciência Matemática. Na parte de educação, existem
uma infinidade de pesquisas e trabalhos na área. Abaixo, faço um relato de
materiais, entidades, livros, softwares e outros itens que podem ser procurados
pelo professor para que ele aperfeiçoe o seu trabalho.
Base Legal
Compõem
a base legal para o Ensino da Matemática no Brasil:
1- Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática – PCN
2- Guia do PNLD 2002 (a parte específica de Matemática)
3- Propostas Curriculares dos Estados
Livros de aperfeiçoamento didático
Existem vários, de várias editoras. São tantos, que se fizesse uma lista aqui estaria sendo injusto com alguns. Procure livros dos grupos que vou citar.
Porém, abaixo, relaciono alguns livros, por serem básicos:
Etonomatemática – Ubiratan D’Ambrósio – publicado por várias editoras
Série Americana – Aplicações da Matemática Escolar, Aprendendo e ensinando Geometria, As idéias da Álgebra e A resolução de problemas na Matemática Escolar – Atual Editora e NCTM
Introdução à História da Educação Matemática – Maria Ângela Miorin - Atual Editora
Testes de Vestibular –
Gelson Iezzi e outros – Atual Editora
Livros de apoio conceitual
Tópicos da História da Matemática – 6 livros (Álgebra, Cálculo, Computação, Geometria, Números e numerais, Trigonometria) – Atual Editora
Descobrindo
Padrões – 2 livros (em Mosaicos, Pitagóricos) – Ruy Madsen Barbosa – Atual
Editora
Matemática:
Aprendendo e Ensinando – 10 livros: Álgebra Booleana, Construindo Gráficos,
Curvas Notáveis, A demonstração em Geometria, Equações algébricas de grau
qualquer, Erros nas demonstrações geométricas, Figuras equivalentes e
eqüicompostas, Método de indução matemática, Sistemas de numeração e Atividades
em Geometria – Atual Editora e Editora Mir, de Moscou. Existem outros livros
desta coleção “Iniciação à Matemática”, publicados pela própria Editora Mir, em
Português, Inglês, Espanhol e Francês.
Aprendendo
com padrões mágicos – Ruy Madsen Barbosa – SBEM/SP
Apostila
do Kit Pedagógico de Semelhança e Replicação – Ruy Madsen Barbosa - Nissei Brinqueds Educativos LTDA
Coleção
do Professor de Matemática – 17 livros – Elon Lages Lima – Sociedade Brasileira
de Matemática SBM
Exame
de Textos: Análise de livros de Matemática para o Ensino Médio – Elon Lages
Lima – VITAE / IMPA / SBM
História
da Matemática – Carl Boyer – publicado por várias editoras.
História
da Matemática – Howard Eves – Editora da UNICAMP. Existem também muitos outros
livros de História da Matemática, muitos de excelente qualidade.
Série “A descoberta da
Matemática” – Editora Ática
Série “Contando a História da
Matemática” – Editora Ática
Série “Para que Serve a Matemática”
– Atual Editora
Série “Vivendo a Matemática” – Editora Scipione (indispensáveis – são os melhores deste gênero no Brasil, e, completam o programa deste curso de geometria)
Série “Investigação Matemática” – Editora Scipione
Livros motivadores,
que falam sobre matemática ou contam histórias relativas à matemática:
Vários livros de Y. I. Perelmann, entre eles, Aprenda Álgebra Brincando, Aprenda Geometria Brincando, Matemática Recreativa, Álgebra Recreativa, Física Recreativa, etc...
O Diabo dos Números – Hans Magnus Enzensberger – Companhia das Letras. Uma história infantil muito motivadora e encantadora, com belas ilustrações.
O Último Teorema de Fermat – Simon Singh – Record. Em clima de novela policial.
Tio Petrus e A Conjectura de Goldbach – Apóstolos Dioxiads – Editora 34. Também um romance de altíssimo nível.
20000 Léguas Matemáticas – A. K. Dewdney – Jorge Zahar Editor
O Romance das Equações Algébricas – Gilberto G. Garbi – Makron Books. Livro premiado, um best-seller, é um livro apaixonante, que conta, de modo encantador a história da busca à resolução de equações algébricas de graus maiores. Os capítulos sobre Cardano e Tartaglia e sobre Abel e Galois são particularmente encantadores. O livro é tão bom, que não conseguimos largá-lo antes do fim.
Um passeio à Geometria – Álvaro Zózimo – Livraria Francisco Alves
Matemática e Música – Oscar João Abdounur – Escrituras
Coleção “O Prazer da Matemática” – cerca de 40 livros, publicados pela Editora Gradiva, de Portugal. Livros caros, mas muito interessantes.
Todos os livros de Matemática de Malba Tahan (são muitos), em especial “O Homem que Calculava”
Olimpíadas
Um dos aspectos mais interessantes da ciência, é que ela sempre promove, em todo o mundo, desde o final do século passado, competições, chamadas de olimpíadas. As primeiras olimpíadas foram de Matemática. Existem, em nível mundial, centenas de olimpíadas de Matemática, em quase todos os países do mundo. As principais para o Brasil são:
Olimpíadas Brasileiras de Matemáticas, realizadas pela SBM/IMPA. Abrangem todo o país[28]. O site das olimpíadas possuem centenas de provas de várias competições, links para olimpíadas de outros países, e dezenas de informações. Site: www.obm.org.br.
Olimpíadas de Maio, de onde participam Brasil e Argentina.
Olimpíadas do Cone Sul, onde participam Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia.
Olimpíadas Ibero-Americanas, onde participam todos os países da América, Portugal e Espanha
Olimpíada Internacional de Matemática, onde todos os anos participam 6 brasileiros, sempre nos trazendo medalhas.
Além de diversas Olimpíadas Estaduais e de Cidades, sendo as principais, as dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Livros de
Olimpíadas
Olimpíadas Brasileiras de Matemática 1a à 8a – Renata Watanabe e Élio Mega – Atual Editora e SBM
Olimpíadas Brasileiras de Matemática 9a à 15a – Luiz Amâncio Machado Souza Jr. – Edições UFC
Problemas de las Olimpíadas Matemáticas del Cono Sur 1a à IVª - Fauring, Wagner e outros – Red Olímpica
Olimpíadas de Matemática do Estado do Rio de Janeiro – Antonio Luiz Santos, Eduardo Wagner e Raul F. W. Agostino – Atual Editora e SBM
Questões e Soluções da OM de 1977 à 1997 – da 5a à 8a séries / do 2o Grau. Dois livros da ACIESP – Academia de Ciências do Estado de São Paulo, sobre as Olimpíadas Paulistas de Matemática
Competições Matemáticas – Charles T. Salkind – Interciência. Este é um livro, com as provas dos dez primeiros anos do MAA – terceira maior sociedade de matemática dos Estados Unidos. Existem 5 livros, com as provas de vários anos, numa coletânea, apenas publicada em inglês chamada “The Problem Contest Book”, de Charles T. Salkind.
Recomendamos para quem quer começar a resolver problemas olímpicos que ainda leiam:
A Arte de Resolver Problemas – George Pòlya – Interciência
A Resolução de Problemas na Matemática Escolar – Stephen Krulik e Robert E. Reys – NCTM e Atual Editora
Didática da Resolução de Problemas – Luiz Roberto Dante. Este último é apenas uma versão resumida dos principais tópicos do livro acima.
É bom ressaltar que a literatura olímpica e de problemas é muito vasta, tanto na língua portuguesa, quanto em outros idiomas.
Métodos de Ensino
de Matemática
Método Romazen – baseia em cálculos matemáticos usando o “soroban”, ábaco de cálculos japonês.
Método Kumon – aprendizado de Matemática através da repetição de exercícios – privilegia muito a manipulação. Leia o livro da Ediouro “Estudo Gostoso de Matemática” – Toru Kumon.
Softwares
São tantos, que se fosse escrever aqui todos, precisaria fazer longas pesquisas para descobri-los, mas, recomendo alguns, ou por serem acessíveis, ou por serem bons:
Cabri Gèométre II. O melhor software de matemática existente no mundo.
Geométriks. Custa cerca de R$ 40,00. Não é comparável ao Cabri em qualidade, mas é muito mais acessível e permite um trabalho interessante.
Logo.
Mathe Ace.
Existem muitos livros sobre o Cabri.
Também é interessante observar o CD produzido pela Sociedade Portuguesa de Matemática e pela Universidade de Lisboa, o “Para Além da Terceira Dimensão” – um programa de cenas geométricas em movimento que visam a compreender a noção de dimensões de nível superior. Lá tem uma animação interessante da Garrafa de Klein.
Arte
O Software “Para Além da Terceira Dimensão” é interessante do ponto de vista artístico, mas, numa sala de aula de Matemática são indispensáveis as obras do pintor Maurits Cornelis Escher, que exploram uma quantidade grande de conceitos geométricos.
É interessante também observar obras do artista brasileiro Alfredo Volpi, além de muitas esculturas e monumentos.
É claro que existem muitos poemas e filmes que falam de matemática artisticamente, destaque para a Poesia Matemática, de Millôr Fernandes e para o filme Donald no País da Matemágica.
Grupos de
Matemática como Ciência ou de Educação Matemática
Sociedade Brasileira de Educação Matemática – SBEM, com muitas regionais, sediada em São Paulo.
Sociedade Brasileira de Matemática – SBM, sediada no IMPA – Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no Rio de Janeiro. Ligada ao CNPq e a SBPC.
Comitê da Olimpíada Brasileira de Matemática, sediada no IMPA
Comitê Editorial da Revista do Professor de Matemática, sediada em São Paulo
Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional – SBMAC, sediada em São José dos Campos. Ligada a SBPC.
CEMPEM - Círculo de Estudo, Memória e Pesquisa em Educação Matemática da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
LEACIM – Laboratório de Ensino e Aprendizado de Ciências e Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES
GEPEM – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática
CAEM – Centro de Aperfeiçoamento do Ensino de Matemática do Instituto de Matemática da USP
Grupo do Projeto Fundão do Instituto de Matemática da UFRJ
NEMOC – Núcleo de Educação Matemática Omar Catunda da UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana
Além de grupos em institutos de universidades e faculdades, e da participação da SBPC na Matemática.
Publicações
Revista do Professor de Matemática – indispensável – publicada pela SBM, com apoio do IMPA e da USP. É a melhor publicação do Brasil.
Revista Matemática Universitária – SBM / IMPA
Revista Eureka – Comissão da OBM / SBM / IMPA
Bolema – Boletim de Educação Matemática – UNESP Rio Claro
Revista Zetetiké – CEMPEM UNICAMP
Educação Matemática em Revista – SBEM
Temas e Debates – SBEM
Folhetim de Educação Matemática – NEMOC
Revista de Matemática Aplicada e Computacional – SBMAC
Além de Boletins do GEPEM, SBEM, SBM, SBMAC e de Institutos de Matemática de várias universidades.
Em outros países, destacamos as publicações:
El Acertijo – Buenos Aires,
Argentina – extinta
Jornal de Matehemática Elementar – Lisboa, Portugal
Revsta Epsilon – da Sociedade Andaluza de Educacion Matematica Thales – Sevilla, Espanha
Eventos
ENEM – Encontro Nacional de Educação Matemática, realizados trienalmente, pela SBEM. É o evento de Matemática com maior número de participantes do Brasil. O próximo será em 2004, na UFPE – Universidade Federal de Pernambuco, em Recife.
Colóquio Brasileiro de Matemática – realizado pelo IMPA / CNPq e SBM, congrega profissionais da Matemática de todo o país para discutir sobre as pesquisas atuais. Realizado bianualmente. Realizado no Rio de Janeiro. Até alguns anos atrás era realizado em Poços de Caldas – MG.
CNMAC – Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional – maior evento da SBMAC, realizado anualmente em cidades diferentes. O próximo será realizado em Belo Horizonte, em setembro deste ano.
Encontros Regionais da SBEM
Encontros Regionais da SBMAC, chamados de ERMACs
Reunião Anual da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que tem eventos matemáticos.
Jogos e quebra
cabeças
Tangram
Trigram, Circogram, Hexagram, Cubossauro, Pentaminó, Três ao Cubo e Pentacubo – da S’ócio Brinquedos
Geoplano
Outros materiais
Revista Superinteressante
Revista Galileu
Revistas Coquetel
APÊNDICE 1 –
OS ALUNOS DA 7A PRATA 2000 E 8A PRATA 2001
Não posso esquecer dos meus maiores colaboradores: os alunos. Vou
citá-los, todos abaixo:
Alunos da 7a
Prata 2000
Carlos Antônio Melo
Deliane Fernanda Franco
Douglas Alberto dos Reis
Edilene Ramos da Silva
Elias Donizete dos Santos
Érica Augusta dos Reis
Éster da Silva Pereira
Flaviane Hélen da Costa
Fredy Augusto de Lima
Guilherme Gonçalves da Silva
João Paulo de Souza
Josiane dos Santos
Juliana Rodrigues
Luiz Fernando da Costa
Maiara Franco
Marcelo Eduardo Passos
Mírian Fernanda Ramos
Moralis Aparecido de Souza
Neilton Aparecido da Costa
Patrícia de Souza
Priscila Daiana Ramalho
Regina Vieira de Almeida
Rodrigo Aparecido de Souza
Ronaldo Lemes Rodrigues
Simone Siqueira Anunciação
Taís Aparecida Rodrigues
Tiago Siqueira Barbosa
Valquíria Inácia da Silva
Vanessa Marques Marcelino
Willian Hipólito Borges
Alunos da 8a
Prata 2000
Alexsandra Cássia da Silva
Ana Paula Pires Marques
Bruno Lindolfo Nanini
Cláudia Donizete Alves
Claudinéia dos Santos
Rodrigues
Cristiane Correa Alves
Cristiano dos Reis
Denise Delfino
Diego Rodrigues do Prado
Edriel Honório Cândido
Elenice de Cássia Vieira
Fábio Augusto de Gouvêa
Isaías Fabrício dos Reis
Jânio Alberto Severino
João Paulo Francisco
Juveslei Aparecido Barbosa
Lerci Jorge de Paula
Rafael Aparecido de Souza
Raniéli da Silva Domingos
Raquel Aparecida Antero
Renan Vieira Maciel
Ricardo Aparecido dos Santso
Richard Alexandre Sancho
Silvana Aparecida Rúbio
Siqueira
Tatiana Aparecida da Silva
de Oliveira
Tobias Tadeu da Rocha
Vilma dos Santos Lopes
Paola Oriena Mafra da Cruz
Micheli de Melo Rosa
Ana Paula da Silva
Todos meus alunos em Botelhos, no ano 2000 e 2001, na Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro.
APÊNDICE 2 – A
MINHA HISTÓRIA COMO EDUCADOR
Nasci, no dia 11 de outubro
de 1978, sendo o primeiro filho da professora de matemática e ciências Josefina
Camargo Sales de Magalhães e do então presidente da câmara de Muzambinho, o
professor de português José Sales de Magalhães Filho. Nasci na cidade de
Bragança Paulista, cidade do médico de sua mãe, que antes de se casar morava na
estância hidromineral de Socorro com meus avós, cerca de 100 km desta cidade.
Logo após o nascimento, fui para Socorro com minha mãe e meus avós, e fiquei lá
por 3 meses, até voltar para Muzambinho, onde fixei residência e moro até hoje.
Em 1982, meu pai é reeleito
vereador de Muzambinho e neste mesmo ano nasce minhã irmã Fábia Cristina. Em
1984 nasce a minha outra irmã, Paula Marize.
Em 1985, começo a
freqüentar, já alfabetizado, o pré-primário, na Escola Estadual Cesário
Coimbra, onde freqüentei até 1989, quando conclui a 4a série do
Ensino Fundamental.
Durante a infância (infância mesmo – até os 10 anos) me dediquei ao autodidatismo, estudando na vasta biblioteca do meu pai, e com alguns livros que meu avô sempre me dava, principalmente a enciclopédia anual chamada Almanaque Abril e outros livros e enciclopédias que ganhava. Na infância estudei Classificação dos Animais, o Mapa Mundi, noções muito elementares de Zoologia, Evolução, Citologia, Geografia Geral do Brasil, Geologia, Astronomia, História, Filosofia, Língua Portuguesa; nesta fase adquiri uma excelente habilidade numérica (e até hoje me surpreendo com que fazia quando criança, principalmente quanto comparo-me com os meus alunos do Ensino Médio), péssima ortografia, memória muito desenvolvida e descaso com a formalidade do saber. Fui fã ardoroso de gibis e coleções, e desde pequeno possuía milhares de gibis Dysney, entre outros, os quais sempre lia e relia. Também inventei milhares de personagens e histórias e fazia lista dos meus personagens e histórias. Passei grande parte da infância, nas férias e finais de semana em Socorro, cidade de seus avós, onde estudava ainda mais.
Sempre amei saber, descobrir coisas novas – isto me dava muito prazer. Na minha infância, nada me agradava mais do que pegar um livro e descobrir novas coisas, ler, compreender. Lembro-me, que quando estudava a taxonomia animal, pegava todos os livros da Biblioteca Municipal de Muzambinho (onde passava tardes e mais tardes, férias e mais férias), e em cada livro procurava mais detalhes sobre a taxonomia animal – anotava cada detalhe das classificações, e percebia que existiam classificações diferentes, e percebia que havia ramos desconhecidos que poucos livros falavam, e descobria quão complexa era a classificação dos seres vivos. Uma vez, eu lembro, por volta de 1989, peguei a enciclopédia Mirador inteirinha e procurei nela toda detalhes sobre a classificação animal – folheei todas as páginas da enciclopédia, e anotei todas as taxonomia. Nestas alturas, já conhecia toda a terminologia da taxonomia – conhecia muito bem quem era Lineu, sabia o que era Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie, conhecia sutilezas sobre sub-grupos e coisas assim. Me lembro dos princípios que estudei de taxonomia até hoje, é claro que não me lembro de todas as várias ordens de Mamíferos, Aves e outras classes, que sabia quando tinha 11 anos, mas lembro dos princípios, e também lembro que, quando tinha esta idade não decorava estas informações, de tanto eu ver, de tanto eu trabalhar com estas idéias, acabei decorando, acabei guardando muitas informações na cabeça, o que me propiciou, muito jovem, uma cultura imensa, que foi só crescendo (dando uma pequena estagnada quando comecei a ser professor), e crescendo. O que é interessante, é que em todos os meus estudos, seja de Biologia, Geografia ou História, o que me interessava eram as listas, a organização, a classificação, as relações. Estudava os pontos de vistas matemáticos de cada ciência, e não percebia. A classificação dos animais é de certa forma matemático – os critérios são matemáticos. Eu não importava com as características que levavam para a classificação, eu só importava com a classificação propriamente dita, como um objeto, exatamente como hoje eu sei, que é a matemática pura.
Em 1988, meu pai é eleito vice-prefeito de Muzambinho pelo PSB, sendo o
prefeito, o então deputado estadual Marco Régis (PPS). Lembro das noites e dias
que o acompanhei nas campanhas eleitorais, comícios e na festa que faziam todo
o dia no comitê do partido, na esquina da minha casa. Nesta época comecei a
gostar de política. E gostava dos aspectos matemáticos. Gostava de saber
quantos votos cada um tinha, e fazer estatísticas. Amava fazer estatísticas
sobre votos e eleições. Fazia gráficos, comparava, analisava e verificava
detalhes. E conseqüentemente decorava muita coisa. E neste ano, aprendi
detalhes sobre o sistema político no Brasil, que sei até hoje. Adorava dados e
números. Fazia eleições simuladas no colégio só para ter o prazer de contar os
votos. Quando realizava eleições sérias dentro do Clube de Ciências, mais
tarde, adorava observar e analisar os resultados e até usá-los em sala de aula.
Aliás, não era só dados de
política de que eu gostava. Eu adorava dados numéricos, como populações de
cidades, o que me fez, desde pequeno saber de cor a população de centenas de
cidades (a localização no mapa destas eu já sabia desde pequeno, pois a minha
primeira paixão foi os mapas – até hoje sei localizar em menos de 10 s qualquer
país no mapa mundi, e nunca tive o trabalho de decorar nenhuma, apenas mexia
tanto com isso, passava semanas contemplando, igualzinho os artistas e até
mesmo os pitagóricos, quando minha cabeça desenvolvia, que acabei guardando
para sempre). Lembro uma vez que peguei a população de todas as cidades do
Brasil e fui colocando-as em ordem – não terminei, mas devo ter gastado uns 10
dias. Lembro que fui até as cidades com mais de 40.000 habitantes.
Adorava fazer estatísticas.
Ficava contando as coisas que aconteciam, colocando no papel e analisando as
estatísticas, contemplando as estatísticas como se elas estivessem revelando
alguma coisa importante para mim. Aliás, faço isto até hoje. E, este
comportamento é matemático de alguma forma, talvez o comportamento dos
geômetras da Grécia antiga, os pré-euclidianos, os que não se preocupavam com o
raciocínio formal, mas com a intuição.
Em 1989, meu pai foi nomeado
Secretário Municipal de Educação de Muzambinho. Eu começo a liderar um grupo de
meninos que se reunia para jogar queimada e futebol no pátio de terra da Escola
Municipal José Januário de Magalhães
(e tinha imensas tabelas de resultados de jogos, campeonatos, de números de
gols, presenças, estatísticas, etc,..., e adorava contemplar estes resultados,
e talvez isto me motivava fazer estes jogos), e idealiza para meu pai que se
pavimente o pátio e lá sejam construídas quadras esportivas – é feito – e lá
vira um grande centro de lazer, que foi o maior da cidade até o fim da administração
de meu pai, quando encerrei definitivamente o meu trabalho com atividades
esportivas. Detalhe: raramente eu jogava – eu comandava o time e anotava tudo.
Em 1990 muita coisa
aconteceu, a minha vida começou a agitar:
entrei na 5a série da Escola Estadual Prof. Salatiel de Almeida
de Muzambinho, onde permanece até o 3o ano do Colegial, em 1996 (até
a 8a série anotava todas as salas e matérias que eu tinha aula, e
fazia gráficos das classes que eu mais tinha aula). Montei meu time de futebol,
o Falcões Muzambinhense F. C. (inspirado no time de seu pai, os Condores), com
meninos, que não durou muito. Idealizei uma escolinha de futebol – esta é
montada pela prefeitura, sob o comando do prof. Márcio Dias de Souza, e dura
vários anos. Fui candidato a membro do Centro Cívico da Escola Estadual Prof.
Salatiel de Almeida, pela chama VISUAL, e perdi a eleição. Dediquei à leitura
de romances, lendo quase toda a coleção de livros juvenis, denominada Vagalume,
da editora Ática, apenas neste ano. Talvez meu prazer da descoberta da leitura,
que aconteceu em 1989 me afastou um pouco do estudo e me aproximou da leitura –
isto foi bom, pois me permitiu a leitura de mais de 60 livros em apenas um ano.
Este hábito de leitura foi diminuindo, se extinguiu, e só retornou muitos anos
depois. Em 1994 fui obrigado a ler um livro da literatura brasileira, e fiquei
traumatizado e revoltado – era uma besta – e era teimoso e só queria aprender
matemática, naquela típica rebeldia de aluno do Ensino Médio, e isto me fechou
algumas portas (e como me arrependo de querer só estudar matemática), e fiquei
os primeiros anos dos meus estudos matemáticos sem ler, e fui retornando aos
poucos, mas até hoje não retornei como eu lia antes. Neste ano dediquei também
ao meu time de Futebol, e nas aulas de educação física era o ajudante principal
do prof. Willian Pérez, atual diretor da Escola Superior de Educação Física de
Muzambinho e da Fundação Educacional de Muzambinho – nas aulas dele, eu anotava
tudo, preenchia súmulas, e fazia tabelas, gráficos e coletava dados – e eu
adorava, apesar de raramente participar de qualquer atividade.
Em 1991 mesmo com o fracasso
do meu time de futebol, continuei reunindo meninos para jogar futebol (eu mesmo
não participava). Também reunia pessoas para jogar queimadas. Foi um ano de
poucos feitos, mas muitas estatísticas e eleições simuladas para um grupo de
queimadas que inventei. Neste ano, comecei a jogar videogame, quando ganhei, em
setembro, o meu primeiro jogo: o Odyssei (não seria novidade dizer que anotava
o placar de todo mundo e fazia tabelas de melhores desempenhos, incluindo
médias aritméticas, recordes, modas, etc...).
Em 1992, tentei, com insucesso, continuar com seus times de futebol e
queimada, mas não funcionou. Fiz dois cursos de datilografia. Neste ano, meu
pai perde a sua primeira eleição para prefeito de Muzambinho, para o empresário
José Ubaldo de Almeida. Se candidatei ao cargo de orador da chapa META do
Centro Cívico do Colégio Salatiel, sendo líder dentro de minha chapa, a chapa
fica em último lugar. Ajudei a criar, novamente, no Colégio Salatiel o jornal
“O Líder”, que durou de 1955 até 1972, iniciei com um cargo menor e cheguei, em
poucos meses, ao cargo de Redator Chefe – o jornal durou apenas 6 meses e teve
como diretor Marco Marcelo Bortolotti, filho do diretor do Colégio e
ex-prefeito Nilson Bortolotti. Amava as atividades do Jornal “O Líder”, foi o
meu primeiro passo para a liderança, e foi neste ponto que comecei a conhecer
todo mundo em Muzambinho, comecei a conhecer com quem conviveria, e, aos
poucos, fiquei conhecendo quase todo o colégio, e fiz muitas amizades, comecei
a me apaixonar por meninas que não eram da minha classe, e comecei a ter
atividades sociais que não eram relativas à números e estatísticas. Entrei num
mundo social, onde a comunidade era a Escola Estadual Prof. Salatiel de
Almeida, por onde permaneci, andando livre por ela, nos três turnos, até o ano
de 1999; escola esta, que foi muito mais minha casa do que a própria, escola
onde passava o dia todo, e onde aconteceram os maiores acontecimentos da minha
vida. Nos finais de semana, me dedicava ao meu novo videogame: um Nintendo de
oito bits.
Em 1993 montei com minha tia materna Albertina uma locadora de videogames,
chamada Arcádian Games, que durou do dia doze de janeiro até treze de dezembro,
neste ano. Durante este período dediquei bastante ao videogame, e foi a única
parte da minha vida onde não me dediquei principalmente para as atividades
intelectuais. Mesmo assim continuei a luta pelo retorno do jornal “O Líder”, que
havia acabado, mesmo afastado do Colégio Salatiel. Neste mesmo ano, meu pai
monta a locadora de videocassetes, chamada Arcádia Vídeo.
Em 1994, entrei no 2o
grau, na Escola Estadual Professor Salatiel de Almeida e no noturno, na Escola
Municipal Dr. José Januário de Magalhães, onde fiquei durante 3 anos. Não
consegui reabrir sua locadora de videogames e se dedica todo o dia ao estudo.
Nos primeiros meses, só estudava, todo o dia, incessantemente, repassando cada
detalhe das aulas dos dois turnos. Comecei a dar aulas, dia dezoito de março,
como monitor para os meus colegas de classe, para aperfeiçoar o que aprendia em
Matemática e Física, minhas disciplinas favoritas. Após isto, depois de muitas
aulas para os meus colegas, e no final de abril, comecei um programa, dando
aulas para as turmas de minha mãe de Matemática e de mais três professoras no
Colégio Salatiel, iniciando neste momento a minha carreira de professor, nunca
parando de dar aulas – neste ano, apartir do dia 29 de abril, dediquei para
ensinar 9 turmas de 5a e 2 de 6a série, me envolvendo
completamente com estas turmas, e passei um ano satisfeito e feliz. Neste ano,
também dava algumas aulas de reforço para outras turmas, além de aulas
particulares. Este trabalho me rendeu notas 100 em Matemática nos cursos
matutino e noturno. Fui candidato ao cargo de Diretor Cultural do Centro Cívico
do Colégio Salatiel, em chapa única que foi eleita. Consegui levantar o jornal
“O Líder” que durou apenas 2 edições, tendo eu como coordenador geral. Foi um
ano de muitos sucessos e felicidades, onde (re)comecei a ter vida social, e
conheci centenas de pessoas, muitas delas que iam fazer parte do meu círculo
social para sempre – comecei a cavar o meu meio, a fazer amigos e amigas, a ter
pessoas mais novas freqüentando a minha casa – pessoas com interesses mais
semelhantes aos meus do que os da minha idade. O ano me rendeu muitas
felicidades e alegrias; um ano que foi quase perfeito, mas que foi marcada pela
maior perda que tive na minha vida até então, o falecimento da minha avó
materna, no dia vinte e um de março, três dias após o início da minha carreira
de professor.
Em 1995, continuei meus
trabalhos como monitor na Escola Estadual Prof. Salatiel de Almeida, agora com
18 turmas, de 5a a 8a série. Iniciei o curso técnico em
Contabilidade, na Escola Municipal Dr. José Januário de Magalhães, continuando
o curso colegial no Colégio Salatiel. Conheci a minha futura noiva Mírian
Freire Tavares, que era minha aluna na 5a série. Criei, em julho, o
Clube de Ciências Onze de Agosto, apartir de um pic-nic com alunos meus, este
Clube, existindo até hoje, tendo eu como líder e presidente o tempo todo. Este
Clube foi um grande auxiliar para que pudesse realizar meus trabalhos sociais.
Comecei a realizar um trabalho de educação ambiental, liderando um grupo de
meninos do Onze de Agosto, com o
Instituto Sul Mineiro de Estudo e Conservação na Natureza, na Fazenda Lagoa, em
Monte Belo – MG, juntamente com a fitogeógrafa Maria Cristina Weyland Vieira.
Realizei, para inaugurar o Clube Onze de Agosto, a modesta gincana Potências e
Radicais, que tornou mais tarde um dos maiores eventos de Muzambinho, logo
mais. Fui eleito membro do colegiado do Colégio Salatiel, onde fiquei durante
um ano. Filie-me ao Partido Popular Socialista – PPS, partido do meu pai e do
recém eleito deputado estadual Marco Régis. Neste ano, continuava a estudar
muito matemática, e só estudava matemática – em 1994, ainda estudava outras
coisas, mas neste ano estudava só matemática, o que quase me levou a uma
reprovação na matéria de Contabilidade.
Em 1996 continuei o trabalho como monitor, agora com 32 turmas, de 5a
a 8a série. Continuei também com o Clube de Ciências Onze de Agosto,
realizando neste ano, mais duas edições da Gincana Potências e Radicais, cada
uma maior do que a anterior. Comecei a participar, com o Clube Onze de Agosto,
da Semana Florestal de Guaxupé – MG, com a apresentação de vários trabalhos,
sempre com sucesso, participando até hoje, ininterruptamente, todos os anos,
nos meses de setembro. Com bastante intensidade continuei os trabalhos de
educação ambiental na Fazenda Lagoa, em Monte Belo – MG. O Clube de Ciências
fixa sede na Casa da Cultura de Muzambinho, e inicia uma série de projetos e
atividades, incluindo realização de Shows Artísticos, sempre eu estando na
liderança e coordenação (de fato e de direito). Neste ano, o Clube tem a sua
primeira aparição na televisão – até então, o Clube já participou de mais de 15
entrevistas da EPTV Sul de Minas, incluindo duas matérias exclusivas sobre ele,
dando eu várias vezes entrevistas. Durante este ano, fui colunista no jornal “A
Folha Regional”, mantendo uma coluna semanal denominada “Um jovem e seu ponto
de vista”, que durou 1 ano, e trazia opiniões sobre comportamento, ensino,
matemática e também falava sobre o Clube de Ciências.
Em 1997, continuei o
trabalho como monitor, desta vez com 27 turmas de Ensino Fundamental e Médio.
Fui aprovado em 3o lugar, com nota máxima em Matemática, do
vestibular de Ciências para a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé
– MG, e, em 2o lugar, também com nota máxima em Matemática, do
vestibular de Ciências para a Fundação Educacional Octávio Bastos de São João
da Boa Vista – SP. Me matriculei no 1o ano de Ciências na Faculdade
de Filosofia Ciências e Letras de São João da Boa Vista – SP, continuando a
morar em Muzambinho. No Clube de Ciências Onze de Agosto, continuei minha
atuação, bastante intensa, sempre líder de fato e de direito. O Clube foi
oficializado e considerado de Utilidade Pública Municipal, e realizou mais uma
Gincana Potências e Radicais (4a edição), que alcançou toda a
cidade. Pelo Onze de Agosto, continuei meu trabalho de educação ambiental,
participando do pré-fórum de Educação Ambiental, no Rio de Janeiro - RJ, com
apresentação de trabalhos e presença de Maria Cristina W. Vieira. Também
participei do IV Encontro Nacional de Educação Ambiental em Guarapari – ES, I
Conferência Nacional de Educação Ambiental em Brasília – DF e de reuniões
temáticas em Belo Horizonte – MG, todos estes eventos em nome do Clube Onze de
Agosto, com outros membros, sendo delegado, um dos seis representante da
sociedade civil mineira no evento de Brasília. Para o evento em Brasília
tivemos apoio do deputado federal e atual ministro, Carlos Melles, com quem
encontramos. Neste ano, o Clube de Ciências lança duas edições do jornal “De
Olho no Mundo”, estando eu na coordenação; e além disto, o Clube tem várias
aparições na televisão, em vários jornais, nas rádios de Muzambinho e com
várias participações da tribuna livre da Câmara Municipal. O Clube, além de
tudo, participou de um encontro com o secretário estadual de Meio Ambiente, Dr.
José Carlos de Carvalho, em Varginha – MG, onde eu pude lhe fazer sugestões
para a defesa meio ambiente, ressaltando a importância da implementação de uma
Agenda 21 Local para o estado de Minas Gerais. Em nome do Clube, fui nomeado
membro da Comissão Municipal da Sub-bacia de Muzambinho, tudo ainda neste ano
de 1997. Eu também participei pelo Clube de reunião do Movimento de Cidadania
pelas Águas, em Guaxupé – MG, de plantio de matas ciliares em Guaranésia – MG,
de encontro de Ciências Agrárias em Alfenas – MG, além de muitos outros pequenos e mínimos eventos e da
participação novamente da Semana Florestal de Guaxupé. Foi o ano onde o Clube
de Ciências fez maior número de realizações de toda a sua história, até mesmo,
foi o ano onde houveram mais visitas à Fazenda Lagoa, entre outros locais
visitados, sempre tendo eu na liderança e participação. Também neste ano,
realizei diversas experiências educacionais, com vários alunos, obtendo vários
sucesso e tendo o meu nome projetado em grande escala em Muzambinho. A maior
destas experiências foi feita com a aluna Luana Nuevo dos Santos, de 11 anos, 6a
série, que havia ficado de recuperação em matemática no ano anterior – tive a
oportunidade de ensinar minúcias algébricas e de resolução de equações para
ela, que desenvolveu uma capacidade manipulativa fenomenal, apesar das
dificuldades, ela conseguia resolver várias equações, até mesmo um sistemas de
equações não-preparadas com três variáveis. Além do trabalho com Luana, também
tinha uma turma de 8a série da minha mãe, que voltava no turno da
tarde e eu pude dar dezenas de aulas para eles, aprofundando a matemática com
eles – não era a ênfase ideal, que eu não conhecia, mas permitiu que eles
adquirissem uma habilidade manipulativa fenomenal, que eles nunca esqueceram –
o método era inadequado, mas era um método que permitia avanços na área
exclusiva da manipulação, e isto já era algum progresso. Comecei neste ano a
montagem de diversas apostilas e livros textos, montei minha escolinha de
matemática, que futuramente foi denominada Oficina de Matemática Malba Tahan,
onde possuo grande biblioteca especializada, acervo de materiais didáticos
entre outros objetos e materiais de interesse. Nesta escolinha de matemática
montei diversos cursos, para vestibular, concursos ou aprofundamento, além de
aulas particulares, que duraram até 1999. Neste ano, me filiei na Sociedade
Brasileira de Educação Matemática – SBEM. Na Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras de São João da Boa Vista da FEOB – Fundação Educacional Octávio Bastos,
eu nunca fui valorizado ou reconhecido – apesar de ser o melhor dos alunos da
minha classe, e ser aprovado com quatro notas dez de sete matérias, incluindo
aí até Psicologia da Educação, eu nunca fui percebido ou notado pela direção da
escola ou da fundação.
Em 1998, me transferi para a
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé – MG, no segundo ano da
faculdade. Neste ano tirei o primeiro lugar geral, entre todos os cursos das
faculdades FAFIG e FACEG de Guaxupé, com nota máxima em Matemática. Neste mesmo
ano fui eleito, no início do ano, membro do diretório do PPS de Muzambinho, e
fui eleito delegado do partido, participando de convenção estadual, com a
presença do ex-ministro Ciro Gomes. Continuei o trabalho como monitor, desta
vez para 35 turmas de Ensino Fundamental e Médio do Colégio Salatiel. Continuei
atuando no Clube de Ciências Onze de Agosto, na Fazenda Lagoa e na realização
das Gincanas Potências e Radicais (a 5a), sendo o evento deste ano
maior ainda. Comecei a participar com o Clube das Exposições de Biologia de
Machado – MG, onde participo todos os anos, até hoje, desde este ano, levando
sempre a mesma exposição apresentada na Semana Florestal de Guaxupé. Também
pelo Clube, participei de dezenas de eventos, inclusive da Caminhada Ecológica
em Divisa Nova – MG, apresentação do grupo de danças do Clube em Delfinópolis
–MG. Este ano, a sede do Clube é transferida para a Escola Municipal Dr. José
Januário de Magalhães, e são iniciados novos trabalhos e atividades, incluindo
lazer, dentro do Clube. Fui contratado pela Fundação Educacional de Muzambinho
para dar aulas no Colégio Lyceu, de reforço de Matemática para 5a
até 8a série, onde fiquei durante um ano, realizando um trabalho
medíocre, visto a impossibilidade de acompanhar o ritmo das várias aulas de
matemáticas no primeiro ano que aquele colégio usava o Sistema Anglo de Ensino
no Ensino Fundamental. Realizei um trabalho de montagem de apostilas para todas
as turmas do Ensino Fundamental do Colégio Salatiel, no conteúdo de Matemática.
Também fiz um trabalho idealista e de muito sucesso com turmas de 8a
série desta escola, conseguindo progredir muito no ensino da Matemática na
escola, sempre com o apoio de minha mãe e de outros professores de Matemática,
conseguindo o apoio e admiração até hoje, da maioria daqueles alunos de 8a
série, que até hoje têm um certo carinho por minha pessoa. Introduzi e difundi
em Muzambinho as olimpíadas científicas, trazendo a Olimpíada Brasileira de
Matemática para Muzambinho, e fui coordenador delas durante três anos, ajudando
no quarto ano. Montei vários cursos. Iniciei um programa de estudos, no período
da tarde, com o prof. Dr. José Carlos de Souza Kiihl, doutor em Matemática pela
Universidade de Chicago e livre docente pela UNICAMP, que me orientou nos
estudos de matemática até maio de 2000. Cursei como ouvinte o curso de pós
graduação em Matemática na Faculdade de Guaxupé – MG, com o prof. Kiihl. Projetei
o meu nome em toda a faculdade, e fui escolhido como monitor de matemática da
faculdade, chegando a dar várias aulas, até para turmas do 3o ano
(eu estava no 2o). Neste ano tive um grande reconhecimento dentro da
FAFIG. Era elogiado, pediam meu auxílio, tirava notas altas (exceto em Física,
onde briguei com a professora). Sempre acompanhava as lições do prof. Kiihl,
que muito me ensinou e me fez enxergar o que era matemática e perceber o tempo
que eu perdia. As aulas do Kiihl me permitiram ter uma nova visão do
aprendizado e do conhecimento matemático, e ele falava e citava fatos que
estavam contidos em revistas e jornais que já havia lido, e parecia que ele
sabia quase tudo de “Cultura Matemática”, e, com isso, fui aperfeiçoando-me e
descobrindo o que deveria aprender. O Kiihl foi o único professor que fez com
que eu aprendesse alguma coisa diferente de Matemática. Antes de conhecer ele,
achava que quase todo mundo não sabia nada de Matemática! Todos os meus
professores sabiam o mesmo tanto que eu, e talvez menos! Como eu poderia
aprender? Precisava aprender, e não sabia como – tinha uma ambição: Queria
saber tudo de Matemática! Tola ambição! O prof. Kiihl foi quem me fez
compreender o tamanho da Matemática e a extensão maior da minha ignorância, que
hoje percebo que é muito maior. Ele dizia “Todos os anos são descobertos
200.000 teoremas novos de matemática”. Eu fui me convencendo que tinha que
aprender muito, mas não tudo. E hoje percebo que não sei nem o mínimo, nem o
necessário para um graduando. E antes do Kiihl, pensava inocentemente que sabia
tudo. Até ganhei o apelido na faculdade de “Kilzinho”, e não nego que tinha
orgulho do apelido. A Faculdade me reconhecia, e isto para mim foi muito
importante e me fez um ano muito produtivo e promissor dentro da Matemática e
do aprofundamento. Após uma semana de aulas com o Kiihl fiz uma lista de 103
integrais indefinidas – e nunca tinha estudado integrais (no segundo ano do
colegial, em 1995, havia comprado o livro de Cálculo do Simmons, e tentava
fazer os exercícios – levava o livro para a sala de aula, e ficava tentando
resolver os exercícios – acabei aprendendo a fazer algumas derivadas, e
descobrir que existia Cálculo Diferencial e Integral, em uma e várias
variáveis). Neste mesmo ano, os alunos do 3o ano de Matemática me
convidaram para dar aulas particulares para eles no Sábado, e me deslocava,
todos os sábados, para Guaranésia para ensiná-los a calcular limites, derivadas
e integrais com uma variável.
Em 1999, iniciei o último
ano do meu curso de Matemática na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de
Guaxupé e também o curso de pós graduação latu senso, como aluno matriculado
nesta mesma faculdade, sendo sempre orientado pelo prof. José Carlos Kiihl.
Continuei o meu trabalho como monitor no Colégio Salatiel, para todas as turmas
do Ensino Fundamental e Médio, cerca de 35 – ano onde passei dificuldades, pelo
fato de minha mãe ter se aposentado. Também mantive o meu trabalho de montagem
de cursos, apostilas e aplicação de olimpíadas. No Clube de Ciências realizei o
maior evento de todos os tempos – a 6a Gincana Potências e Radicais
– que foi eleita pela Rádio Cidadania FM como o quarto melhor evento de
Muzambinho. A 6a Gincana foi tecnicamente impecável e amplamente
elogiada, riquíssima em modelos matemáticos simples, envolvendo
proporcionalidade e funções. Também no Clube, continuando as participações de
eventos em Machado e Guaxupé, participei de pequenos eventos e da I Exposição
de Ciências Integradas do Colégio Alternativo de Guaranésia – MG. Participei também
do VI Encontro de Educação Ambiental do CREA Rio de Janeiro – RJ. Pelo Clube,
realizei dezenas de eventos, como festas juninas, shows artísticos e outros. No
fim do ano iniciei grandes projetos de reestruturação e remodelação do Clube de
Ciências Onze de Agosto. No fim do ano, me inscrevi em concurso público para
professor da prefeitura municipal de Botelhos – MG. Fui eleito membro da
executiva do PPS, como 2o vice-presidente. Participei do 22o
Colóquio Brasileiro de Matemática, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada
do Rio de Janeiro – RJ, representando a FAFIG, Faculdade de Filosofia Ciência e
Letras de Guaxupé – MG, tendo sido levado pelo prof. Kiihl (e tive oportunidade
de ver na minha frente dois ganhadores da Medalha Fields, incluindo o célebre
sir Michael Atthya, que me repreendeu com os olhos, pois comia um pacote de
amendoim durante sua palestra tão inacessível para mim, que estava lá apenas
para ver tão célebre figura). Fiz algumas substituições na FAFIG e no Colégio
Dom Inácio, tradicional escola particular de Guaxupé – MG. Realizei diversas
experiências educacionais, inclusive uma com Quarta série, da Escola Municipal
Coronel José Martins – e estas experiências já levavam em conta os aspectos
cognitivos do aluno, e não eram manipulativas, como as de 1997 – trabalhava com
o ensino de Poliedros (o primeiro capítulo do meu curso ideal de Geometria de 7a
Série, que escrevi na minha monografia de pós graduação). Participei do Exame
Nacional de Cursos – PROVÃO, do Ministério de Educação, do Curso de Matemática,
e, entre quase quatro mil estudantes de escolas públicas e particulares, de
todo o estado de Minas Gerais, tirei a segunda maior nota, sendo uma das
maiores do país (De cada 200 alunos, fui melhor que 199). Neste ano se filiei
na Sociedade Brasileira de Matemática – SBM.
Em 2000, dia seis de
janeiro, reencontrei, depois de quatro anos minha ex-aluna Mírian Freire
Tavares, que, um dias depois se torna minha primeira namorada e em seis meses
minha noiva. Neste ano decidi procurar
aulas, e sai atrás de aulas em toda a região. Prestei o concurso de Botelhos e
fui chamado antes da realização da 2a etapa do concursos para dar
aulas. Fui contratado pela prefeitura para dar 25 aulas (1 6a, 1 7a
e 3 8as, entre elas, a 7a Prata, de que trato na monografia)
de Matemática na Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro de Botelhos - MG. Em
pouco tempo, o meu número de aulas subiu para 37 (mais 1 7a e 1 8a),
e no fim do ano para 43 (mais uma 8a). Quando fui chamado, já estava
à quase dez dias dando aulas de Física na Escola Estadual Prof. Pedro Saturnino
de Magalhães, de Cabo Verde – MG, com onze aulas (1 3o colegial e 1
3o supletivo), onde fiquei até o meio do ano. Continuei o trabalho
no Clube de Ciências Onze de Agosto, fazendo este ano poucas visitas à Fazenda
Lagoa, mas realizando sete gincanas Potências e Radicais em bairros rurais
(Palméia, Moçambo, Bom Retiro, Barra Bonita, Campestre, Três Barras e
Patrimônio), que tiveram sucesso absoluto. No final do ano, remodelei o Clube
de Ciências, o tornando mais modesto, mas apresentando trabalhos excelentes em
Guaxupé e Machado. Me matriculei no curso de Física da FAFIG de Guaxupé – MG,
mas desiste em maio, por pegar aulas no período noturno. Conclui o curso de pós
graduação em Matemática na FAFIG (mas não regularizei tudo, o que fez com que
tivesse que repetir uma das matérias no ano seguinte) e inicio a pós em Física,
mas desisto após duas aulas. Após problemas internos e renúncia do presidente,
assumi a presidência do PPS, durante um tumultuado ano eleitoral. Em Botelhos,
depois de muito tempo na sala de aula, com um trabalho reconhecido e
valorizado, que até rendeu um trabalho monográfico, fui reprovado em avaliação
psicológica do concurso, e, iniciei uma batalha judicial e política contra o
prefeito municipal Marcionil Moreira da Silva. Participei de concurso da
Prefeitura Municipal de Poços de Caldas - MG, para professor de Matemática de 1o
e 2o graus, e professor de Ciências de 1o grau, fiquei
com nota máxima nas duas provas de Matemáticas (única e bem distante do 2o
colocado), e, 85% na prova de Ciências.
Em 2001, iniciei o ano com a
notícia de que fui reprovado na avaliação psicológica de Poços de Caldas, o que
me causa revolta e desânimo, fazendo eu começar o ano totalmente perturbado.
Continuei como professor da Escola Municipal Isaura Vilela Brasileiro, em
Botelhos – MG, onde peguei 22 aulas de Matemática do Ensino Fundamental (e
apesar de perder noites de sono, diversos telefonemas e dias de insistência,
não me deixaram continuar com a turma que era a minha 7a Prata, e
neste ano, 8a Branca, mesmo depois de alegar os diversos motivos
pedagógicos), e como professor da Escola Estadual João de Souza, em Botelhos –
MG, onde peguei 18 aulas de Física no Ensino Médio e professor da escola
particular Criativa Idade em Poços de Caldas – MG, onde peguei 5 aulas de
Ciências no Ensino Fundamental. Meu pai é nomeado Secretário de Educação em
Muzambinho, mas tem de deixar o cargo, por causa de ter cargo como professor na
rede pública. Iniciei minha atuação como presidente do PPS, estando no meu
partido o deputado Marco Régis e dois vereadores, incluindo o presidente da
Câmara. Fui obrigado a cursar novamente uma das matérias curso de pós graduação
em Matemática, pela terceira vez, pois a faculdade se recusa dar o seu diploma,
alegando que o prof. Kiihl não deixou a nota, porém, o curso serviu para que eu
retomasse a minha vontade de estudar e aprofundar dentro da área de matemática.
A profa. Luciane Mastoregan, mestre pela UNICAMP, reconheceu o meu valor e
começou a me dar apoio e incentivo, e senti novamente a valorização vinda da
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé, que me fez animar e voltar
a querer progredir no estudo da Matemática e não ficar dando aulas em escolas
públicas. Neste mesmo ano, continuei com a realização da Olimpíada de
Matemática, levando o evento para Bandeira do Sul e Botelhos, onde consegui, a
participação de 150 alunos, além de 100 alunos de Muzambinho. Também continuei
com o trabalho no Clube de Ciências, preparando a realização de gincanas rurais
Potências e Radicais em vários bairros, além do início dos preparativos para a
Gincana Potências e Radicais do ano 2002, visto que em 2000 e 2001 não foram
realizadas as Gincanas, por motivos políticos. Neste mesmo ano, consegui com a prefeitura
municipal de Botelhos, que me arrumassem um ônibus para que levasse os alunos
de uma das minhas 8as séries, a 8a Prata para que eles se apresentem
na Faculdade de Guaxupé, mostrando o meu trabalho de matemática renovado, e, no
dia 30 de junho, levei 23 alunos da Escola Isaura para se apresentaram na
Faculdade de Guaxupé, onde consegui muitos elogios e apoio, e pela primeira
vez, depois de quase dois anos, consegui mostrar o valor do meu trabalho, quase
sempre reconhecido em Muzambinho e Guaxupé e raramente reconhecido em Botelhos
e Cabo Verde. Comecei em Botelhos uma campanha de incentivo dos alunos para o
sucesso, e consegui que sessenta alunos do terceiro ano do Ensino Médio se
inscrevessem para a participação do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, e
também consegui condução para levar estes alunos para a prova em Alfenas – MG.
Apoiando a participação do ENEM em Muzambinho, também consegui, por intermédio
e trabalho minha noiva, que 105 alunos recebam condução da prefeitura para
Alfenas também. Este ano participei de três eventos de Matemática. Participei
de Encontro de Educação Matemática na PUC-MG, no Câmpus de Poços de Caldas,
realizado pela SBEM-SP, neste evento mantive contato com vários nomes da
Educação Matemática, como o prof. Ruy Madsen Barbosa, o prof. Irineu Bicudo e a profa. Lourdes
de La Rosa Onuchic. Em julho fui para o Rio de Janeiro e fiquei lá durante 9 dias, onde
participei do VII ENEM – Encontro Nacional de Educação Matemática, realizado na
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, evento este, realizado pela
SBEM, sendo o maior evento de Matemática, em número de participantes, já
realizado na história do país, tendo quase 3.000 participantes. Este evento foi
muito bom para abrir muitas portas para o meu aprendizado, e compreensão do que
é Educação Matemática e quais são os rumos para esta. Neste evento tive a
oportunidade de conversar e conhecer pessoalmente com o prof. Luís Márcio
Imenes (conversei com ele um bocado e troquei muitas idéias, e acho que ele
teve uma boa impressão de mim), além de trocar algumas palavras com pessoas
célebres dentro do ensino da Matemática no país, como o prof. João Bosco
Pitombeira de Carvalho e o prof. Ubiratan D’Ambrósio, além de conhecer várias
pessoas de grupos de matemática como o GEPEM, CEMPEM, e outros grupos, além de
bater boca com um professor de Brasília que dizia “ensinar” e na realidade as
técnicas dele eram apenas truques para cálculos rápidos, e tinham apenas
utilidades circenses e não pedagógicas.
No mesmo mês de julho, no Rio de Janeiro, participei também do 23o
Colóquio Brasileiro de Matemática, realizado no IMPA, e este evento me fez ver
a necessidade de continuar os estudos e fazer mestrado o mais rápido possível,
e começar a conhecer o mundo da matemática de verdade. Estive com o prof.
Kiihl, durante os dias do colóquio e conversamos muito. O Kiihl me apresentou
várias figuras, entre elas o prof. Elon Lages Lima, o prof. Manfredo Perdigão
do Carmo, e uma grande quantidade de nomes importantes na Matemática do país –
e ele conhecia estes nomes importantes muito bem e mostrava que fazia parte do
círculo deles. Os dois eventos do rio me fizeram trazer para casa nada menos
que 86 novos livros, pagos em várias parcelas. Neste ano, ainda participarei do
Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC), da SBMAC,
Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional, que vai ser
realizado em Setembro em Belo Horizonte. E ainda este ano, devo participar de
diversas atividades em Muzambinho, em Botelhos, em Poços de Caldas, no PPS, no
Clube de Ciências, entre outras atividades possíveis. Devo participar da Semana
Florestal de Guaxupé, da Exposição de Biologia em Machado, e de outros eventos
talvez, e, também devo realizar 5 gincanas rurais, e também vou fazer um concurso
para professor do estado de Minas Gerais, concorro para três cargos, dois de
matemática, e quero me sair muito bem no concurso, e talvez o resultado do
concurso seja outro dado importante para o meu currículo. Quem sabe? E talvez
ano que vem vá fazer o curso de mestrado. Quem sabe?
O importante é que esta
biografia é importante para que o leitor conheça quem escreveu esta monografia,
conhecendo os detalhes da minha formação como educador e como professor, para
que o leitor entenda que eu não fui formado na escola e sim na marra, cheio de
falhas e distrações. E que, me dediquei muito, mas talvez muito da minha
capacidade tenha sido canalizado para rumos não tão produtivos, que me fazem
perder tempo. Talvez....
Muzambinho, 18 de agosto de 2001
APÊNDICE 3 – TEXTO: “UM NOVO ENSINO DE MATEMÁTICA”
Texto de Luís Márcio Imenes e Marcelo Léllis,
Retirado do Manual do
Professor do livro de Matemática dos dois,
único livro com nota máxima na avaliação do MEC
POR QUE MUDAR?
Todos conhecem o velho medo da Matemática. Ele pode até ter diminuído, pois, com o mundo em mudança, o ensino naturalmente progride. Mas, mesmo hoje, a Matemática ensinada da maneira tradicional é a disciplina que apresenta o mais baixo desempenho dos alunos e é, ainda, a que mais reprova. Isso acontece no Brasil e no mundo inteiro!
Tanta dificuldade exigia um remédio. Há tempos, psicólogos, pedagogos, professores e matemáticos de várias nacionalidade vêm estudando as causas do fracasso do ensino da Matemática e as maneiras de evitá-lo. Formou-se um movimento internacional dedicado à educação matemática, com propostas de mudanças bem-sucedidas nos conteúdos e nos métodos de ensino.
ONDE FALHA O
ENSINO TRADICONAL?
É importante conhecer as principais causas do fracasso do ensino tradicional, para não repetir os mesmos erros:
1- A programação é mal distribuída.
2- Desconsidera o desenvolvimento cognitivo do aluno.
3- Há conteúdos que nem desenvolvem o raciocínio e nem têm aplicações práticas.
4- O enfoque do ensino tradicional é incorreto. Gasta-se mais tempo treinando cálculos mecânicos do que trabalhando com idéias. É um duplo erro: na época das calculadoras e dos computadores, o treino de cálculo perde importância; gastando tempo demais com mecanismos, os alunos não aprendem a pensar.
O objetivo de todos nós, professores de Matemática, é desenvolver o raciocínio lógico do aluno. Só que, no ensino tradicional, isso não se dá plenamente!
E COMO
CONSERTAR?
O movimento de educação matemática, além de detectar os problemas, também busca soluções. Ele vem mudando currículos e formas de ensinar nos Estados Unidos, França, Espanha e também no Brasil.
Atualmente, é consenso entre os educadores matemáticos que, no ensino bem-sucedido, os alunos precisam compreender aquilo que aprendem e que essa compreensão é garantida quando eles participam da construção das idéias matemáticas. É uma mudança significativa!
No passado, professor bom era o que explicava tudo muito bem.
Com as novas idéias, professor bom é aquele que prefere ajudar o aluno a descobrir, construir, pensar, em vez de dar tudo pronto.
Sempre se falou que a Matemática deveria desenvolver o raciocínio, mas isso nunca ocorria para a maioria dos alunos. Agora, finalmente, estamos chegando lá. Muitas inovações já atingiram as salas de aula, graças aos esforços de dedicados pesquisadores na área de educação matemática.
BIBLIOGRAFIA
A
maioria do que eu escrevi na Bibliografia foi baseando nos meus conhecimentos,
que fui aprendendo no decorrer da minha vida profissional, e acumulando na
minha memória. Sinceramente, a maior parte do que escrevi, fiz mentalmente, sem
consultar obra alguma, outra grande parte foi retirada de todas as provas,
trabalhos e avaliações de desempenho da 7a prata que eu guardei.
Mas, a minha melhor bibliografia, que mais me ajudou foram as anotações que
fiz, durante todo o ano, no meu caderno, e no diário de classe, acompanhando
todos os resultados que obtive na 7a prata.
Abaixo,
faço a relação dos livros que usei principalmente:
[ 1 ] IMENES, Luiz Márcio e LÉLIS, Marcelo –
Matemática – 5a à 8a série – 4 volumes – Editora Scipione
[ 2 ] BIGODE, Antônio José Lopes – Matemática Atual
– 5a à 8a série – 4 volumes – Atual Editora
[ 3 ] BIGODE, Antônio José Lopes – Matemática Hoje
Se Faz Assim – 5a à 8a série – 4 volumes – FTD Editora
[ 4 ] BORDEAUX, Ana Lúcia e outros – Matemática Na
Escola e Na Vida – 5a à 8a série – 4 volumes – Editora do
Brasil
[ 5 ] MEC – Parâmetros Curriculares Nacionais de
Matemática do Ensino Fundamental
[ 6 ] MEC – Guias do PNLD 2000 e 2002
[ 7 ] NCTM – Aprendendo e Ensinando Matemática para
o Século XXI
[ 8 ] IMENES, Luiz Márcio e LÉLIS, Marcelo – Artigo:
A Matemática e o Ensino Médio – Educação Matemática em Revista – SBEM
[ 9 ] SILVA, Clóvis Pereira da – A Matemática no
Brasil: Uma história de seu desenvolvimento – Editora Unisinos / RS
[ 10 ] TAHAN, Malba – O Homem Que Calculava – Várias
Editoras
[ 11 ] FERNANDES, Millôr – Poesia Matemática
[ 12 ] PÒLYA, George – A Arte de Resolver Problemas
– Interciência
[ 13 ] MACHADO, Nilson José – Lógica, É Lógico –
Editora Scipione
[ 14 ] MACHADO, Nilson José – Os Poliedros de Platão
e Os Dedos da Mão – Editora Scipione
Também:
RPM, Educação Matemática em Revista, Bolema, Zetetiké, anotações do VII ENEM e
do 23o CBM.
[1] Dando ênfase à Arte de Resolver Problemas, de George Pòlya.
[2] Esta galeria tinha fotos, nome completo, país onde fez a maior parte de sua pesquisa, data de nascimento e morte. Constaram da primeira galeria, montada para os alunos: Pitágoras, Euclides, Arquimedes, Al-Karismi, Fibonacci, Galileu, Kepler, Pascal, Descartes, Fermat, Newton, Leibniz, Euler, Gauss, Abel, Galois, Riemann, Cantor, Poincaré, Hilbert e Russel; além de uma galeria de mulheres matemáticas, incluindo Hipatia, Marquesa de Châtelet, Maria Agnesi, Sophie Germain, Mary Somerville, Condessa de Lovelace, Sofia Kovalesvskaya e Emmy Noether.
[3] Hoje, com nova edição, Matemática Hoje Se Ensina Assim, da FTD. De mesma qualidade.
[4] Mesmo as mudanças, da Matemática Raiz para a Matemática Moderna para o Back to Basics e para a Matemática pós a lei 5692/72 tiveram pouquíssimas variações no ensino da Geometria, apenas eliminando alguma quantidade de teoremas demonstrados e acrescentando exercícios manipulativos que usavam conceitos da álgebra e da aritmética.
[5] Este movimento foi impulsionado pela corrida espacial, quando o cosmonauta russo Iuri Gagárim foi mandado em órbita, e os Estados Unidos perceberam que não possuía cientistas em número suficiente para a conquista do espaço, e, decidiu começar a produzi-los através da preparação de crianças, através de ensino de Ciências de modo formal e aplicável ao objetivo deles.
[6] Foi também nesta época que se começaram as primeiras reuniões para discutir o ensino da Matemática.
[7] Eles já produziram um excelente artigo sobre a Matemática no Ensino Médio, que foi publicada na “Educação Matemática em Revista” da SBEM, onde dão as idéias iniciais para o início das mudanças.
[8] Esta tese, felizmente, é sustentada oficialmente, com a avaliação do PNLD. O guia do PNLD faz as críticas aos livros de todos os conteúdos. No ensino da Matemática existem críticas e recomendações sobre cada livro no Brasil. Para confirmar a tese, basta observar a sutileza com que as obras são tratadas pelos avaliadores, no guia.
[9] Este livro trabalha todos os conceitos através de atividades, sendo uma metodologia um pouco diversa das outras, porém, com a mesma filosofia. Esta coleção livros foi lançada no mercado após o início dos meus trabalhos, e, curiosamente, podemos notar presente nela, muitas das minhas idéias.
[10] Num E-mail, que recebi recentemente do prof. Marcelo Lélis, ele diz que não devemos cair em tentação, pois alguns temas que para nós podem ser super interessantes e motivadores, para os alunos podem ser vazios e sem sentido.
[11] Alguns livros anteriores, como a obra do professor Euclides Roxo, de 1929, não podem ser considerados nesta lista. A coleção do engenheiro e professor do Colégio Dom Pedro I, do Rio de Janeiro, prof. Roxo, é uma obra que, mesmo nos dias de hoje, pode ser considerada como atual. Naquele tempo, ele já usava nomes como bloco retangular em lugar de paralelepípedo retângulo, ele já trabalhava com simetrias, gráficos estatísticos, além de conter longos textos, com capsulas históricas, e começar do intuitivo para depois partir para o formal.
[12] O que é curioso é que, muito antes de ter lido os PCNs, eu já trabalhava com estes conceitos e procedimentos e defendia a sua importância.
[13] Mostre sólidos como o copo de Yakult, garrafas, vidros, potinhos de filmes, etc...
[14] Você pode fazer uma montanha, com um sol no horizonte e uma estrada caminhando para o horizonte, e, esta estrada, você desenha ela como duas retas convergentes. E mostra que as retas são paralelas, mas este desenho é um desenho que tem que respeitar a quadro negro, que é plano, e não podemos “furar” o quadro. Portanto é um desenho em perspectiva.
[15] Magnífico momento para os alunos fazerem uma demonstração: A Validade da Relação de Euler para prismas e pirâmides. Poderá ser a primeira demonstração da vida deles. Ressalte isto.
[16] Aí é um ótimo momento se os alunos ainda não aprenderam o que é um número irracional, deste conceito ser ensinado, faz mais sentido.
[17] Não é aconselhável mandar os alunos fazer transformações de medidas de ângulos neste nível.
[18] Evite a babaquice, como por exemplo, fazer aquelas operações absurdas com graus, minutos e segundos.
[19] Colando estes personagens da história na parede, toda vez que você falar em qualquer matemática, os alunos vão o procurar na parede. Também, muitas vezes os alunos o perguntarão sobre os matemáticos, e será um momento ótimo para você contar um pouco de história, e chamar um pouquinho de matemática, o que vai dar um tom de seriedade no conhecimento matemático. Outro aspecto positivo é a familiarização com os nomes.
[20] Muitos destes materiais eu tenho cópias, algumas “chupinhadas” da Internet, outras, cópias de livros. Ilegais para comercialização ou para uso com os alunos. Mas podem ser mostradas aos alunos. Disponibilizo a enviar estas cópias aos interessados.
[21] Antes de trabalhar com este conteúdo é legal ler o livro Matemática Atual de 7a Série, pág 197. O livro faz uma sátira com aquela história: “A Soma dos Quadrados dos Catetos é Igual ao Quadrado da Hipotenusa”. Os alunos falam que não entenderam nada. Os meus também falaram, riram, e compreenderam que se eu falasse daquela maneira ninguém ia compreender, e, com o tempo, tudo ficou claro.
[22] Aqui é legal falar de algumas celebridades (algumas negativas) que conheciam bem matemática, como Benjamim Constant, Napoleão Bonaparte, etc...
[23] Exigir que os alunos façam as contas manualmente pode comprometer o trabalho e desestimular os alunos. O objetivo aqui é chegar no Teorema de Pitágoras e seus corolários e não calculeira. É claro que, se os alunos nunca usaram a máquina, é importante ressaltar, que devemos usá-la racionalmente, e não para fazer contas básicas, como 3x3, 4x4, 5x5, 9+16 e coisas assim.
[24] Quando eu fiz a Galeria dos Matemáticos, alguns alunos colocaram na frente deles uma foto minha que eles tiraram na sala.
[25] Os favos das abelhas serem hexagonais, em mosaicos regulares são fatos que, levados pelo instinto e intuição, as abelhas perceberam que esta era a forma onde se poderia fazer aproveitar o maior espaço possível. Foi a resolução de um problema de máximos e mínimos, no Cálculo Diferencial e Integral.
[26] Ele quis dizer que, se um polígono regular tiver muitos lados passa cada vez, a parecer mais com uma circunferência. Noção intuitiva de limite.
[27] Talvez tópicos do Ensino Superior, trabalhados em ênfase de Ensino Médio
[28] Guaxupé, Botelhos e Muzambinho participam desta Olimpíada. Eu que introduzi em Botelhos e Muzambinho, além de Bandeira do Sul, e idealizei em Guaxupé, passando a idéia para a profa. Vera Ribeiro do Valle, professora da Escola Estadual Benedito Leite Ribeiro, e, ela começou a aplicação da idéia na escola.