Luis Filipe Esteves


EM NOME DE...

Em nome dos que choram, dos que sofrem,
dos que acendem na noite o facho da revolta
e que de noite morrem,
com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
de amor que nunca foram ditas.
Em nome dos que rezam em silencio
e falam em silencio
e estendem em silencio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
a esmola que os humilha e os destroi
e devoram as lágrimas e o medo
quando a fome lhes dói 
Em nome dos que dormem ao relento
numa cama de chuva com lençóis de vento
o sono da miséria, terrível, profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!



PRINCESA, MEU AMOR

Há muitos sonhos de imaginação,
De mera fantasia;
Outros, que são a voz da profecia,
A voz da intuição, a voz do coração.
Pões fé em sonhos tais, Princesa?...
Pões?
E fazes bem, que às vezes
Sonha a gente venturas e reveses,
Que se tornam depois
Bem certos! Ouve pois:
Sonhei que estava num vale. Anoiteceu:
E então duas estrelas
(Tão lúcidas, tão límpidas, tão belas!)
Vieram lá do céu
Alumiar-me. E eu...
Não sabia e pergunto: "Que buscais,
Ó lâmpadas celestes?
Vós cá por este mundo... que perdestes?
Na terra não achais
Se não prantos e ais!"
Respondem-me as estrelas (como a quem
As tivesse cativas,
Tão tremulas, as belas fugitivas!):
"Buscávamos alguém
Que nos quisesse bem:
É sorte nossa, é nossa condição
Dar luz, ser norte e guia;
Mas de mais boamente se alumia
Na terra um coração,
Que nos tenha afeição."
"Pois e se vós do céu, lá onde até 
Se ignora o que são dores,
Vindes à terra procurar amores...
Estrelas! Se assim é,
Tendes-me aqui ao pé;
Que, em suma, a noite da minha alma é tal,
Que eu, pobre viajante,
Ando... se para trás, se para adiante,
Neste profundo vale,
Não sei se bem nem mal!
Guiai-me pois, estrelas do Senhor!
E a jura que vos faço
É que na terra não darei um passo,
Senão só por amor
De vosso resplendor!"
Elas então sorrindo-se, que eu vi,
(Tão meigas e suaves!)
Voaram como duas lindas aves,
Indo poisar aí...
Nesse teu rosto... Em ti!

©2002 Luis Filipe Esteves
Madrugada 15/02/2002





Se Eu Voltar

Às vezes pergunto
que mais te hei-de eu fazer,
tanto orgulho ferido, 
tanta paz por vencer.
Às vezes detesto 
o que resta de mim,
Sempre longe do mundo, 
sempre perto do fim.
Já contei as palavras, 
e as pedras do chão,
Pelas ruas escuras 
vendi toda a razão.
Já te disse poemas
que não quis escrever,
Foram gritos apenas
que não soube conter.
Eu só quero 
que tu saibas quem sou,
ter a certeza que 
o meu tempo chegou.
Quero que me 
digas para partir ou ficar.
Se eu voltar para trás
Será que dizes
que sim outra vez,
Tomas conta de mim 
de vez em quando,
se eu voltar.
©2002 Luis Filipe Esteves
Madrugada 28/3/2002



Algures por aí

à luz pálida da lua
há alguém que pensa em mim
e me ama esta noite
Algures por aí
há alguém a rezar
para que nos encontremo-nos
nesse mundo enorme
E apesar se saber
como estamos distantes
já me conforta saber que temos o mesmo desejo.
E quando o vento canta uma triste canção
Ajuda, pensar que dormimos
sob o mesmo céu brilhante.
Algures por aí
se o amor nos ajudar, conseguiremos juntarmo-nos
Algures por aí
Onde os sonhos se tornam realidade.



À PRIMEIRA VISTA

Mal te olhei, quando te vi,
Temendo que o meu olhar
Te fosse fazer pensar
Que não pensei bem de ti

Quando me encontro contigo
E não te posso falar
Com os meus olhos te digo
O que me diz teu olhar.

Com os cegos me confundo,
Amor, desde que te vi,
nada mais vejo no mundo,
quando não te vejo a ti.



POEMA DO FUTURO

medito o meu destino.
o declive do tempo os anos correm,
deslisam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.



AMOR

No homem ou na mulher
Amor é uma cegueira
Mas só não vê quem não quer
E vê sempre a quem o queira.
Amor é cego e vê
Mas eu não sei porquê.
Deus lhe deu esta graça
Este poder fatal
De ver dentro de nós o que se passa
Como se o peito fosse de cristal.
Se o amor nos olha, logo a gente
Preso na alma o sente
E escuta a sua voz
Mas enfim o que se não entende
Aquele a quem se prende
É quem nos prende a nós.





AOS POETAS 

Não sou isto nem aquilo
e o meu modo de
é, às vezes, tão tranquilo
que nem chega a dar prazer...
todavia, onde apareço,
logo a paz desaparece
e a guerra que não mereço
dá principio à minha prece.
És alegre? Vês-me triste?
Porque não te vais embora?
Quem é triste é porque é triste,
e quem chora é porque chora.
Tenho tudo o que não tens
tenho a névoa por remate
sou da raça desses cães
em que toda a gente bate.
Só a idade com o tempo
há-de vir tornar-me forte
a uns, basta-lhes o vento...
Aos poetas, basta a morte.




AMAR 
Luis Filipe Esteves 

O segredo é amar. Amar a vida
Com tudo o há de bom e mau em nós.
Amar a hora breve e apetecida,
ouvir todos os sons em cada voz
e ver todos os céus em cada olhar.

Amar por mil razões e sem razão.
Amar, só por amar,
Com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
E ver, na própria sombra, claridade.

O segredo é amar, mas amar com prazer,
Sem limites, fronteiras, horizonte.
Beber em cada fonte,
Florir em cada flor,
nascer em cada ninho,
Sorver a terra inteira como um vinho.

Amar o tronco, a folha verde,
Amar cada alegria, cada mágoa,
Pois o beijo de amor jamais se perde
E cedo refloresce em pão, em água.



MORRI
E silenciosamente
Morri, de morte humilde, humildemente
Numa longínqua torre
Num triste anoitecer...
Não é quando se acaba que se morre;
É quando acaba o gosto de viver.




Poesia

Foges-me, prenda cara?
É talvez só minha desdita,
Ou também de outro a dita
Quem de mim te separa?

Volta os olhos, sequer, por compaixão;
Verás meu coração
Atrás de ti sair do aflito peito,
Pelos olhos em lágrimas desfeito!

Não são suspiros estes que estou dando;
É a alma saudosa
Que estou já exalando.
É a alma que ansiosa
Atás de ti, como uma flecha parte
E a mim me deixa só, por não deixar-te.

Levas-me o que vale mais que a mesma vida.
Mas no meu coração fica esculpida
A tua imagem, tão perfeitamente
Que nem dos anos à força, ou de esquivança,
Pode ser destruida.

E comigo andará continuamente,
Até da vida a hora derradeira.
Será minha vingança
Tê-la prisioneira.
Presa estará, de dia,

Do entendimento em amorosos laços;
E, de noite, nos braços
Da amortecida, amante fantasia.
Nem eu creio que rompa a mesma morte
De um Amor como o meu a prisão forte.

06/10/2001
©2001 Luis Filipe Esteves




Eu te quero

simplesmente assim...
Quero sentir o teu medo
ao me olhar,
Quero sentir teu desejo
ao me desejar. 
Quero sentir o teu corpo 
junto ao meu, 
Quero sentir o teu olhar 
ao cruzar com o meu. 
Quero sentir teu amor 
ao me amar, 
Quero sentir o teu beijo
ao me beijar. 
Quero sentír-te sempre, 
simplesmente perto de mim... 
Eu te amo e estarei sempre ao
teu lado toda a minha vida
em todas as situações
em todas as alegrias
em todas as tristezas
pois a vida é feita por nós dois
e para nós dois
Juntos venceremos tudo e todos

BEIJOS
AMO-TE
©2001 Luis Filipe Esteves




BOAS NOITES, ADEUS

Arcanjo vai-te embora, é tarde, em nossas casas 
Talvez alguém se aflija, é tão deserta a rua!...
Tu deves sentir frio! Embuça-te nas asas,
Dá saudades à Lua.
Um beijo em cada estrela!... Espera que sou louco!
Sonhei, devo pagar, perdão, anjos dos céus!
Agora tem cuidado, o céu escorrega um pouco.
Boas noites, adeus.






Ilusão

(Luis Filipe Esteves)

Dizem que a Lua é uma princesa errante,
Cheia de luz, o doce olhar magoado,
Correndo atrás do Sol tão distante
E sem jamais o Sol ter alcançado.
E dizem mais, que teve por amante
Há muito tempo o lindo Sol doirado
E é por isso que segue vida adiante
Presa num sonho casto de noivado
A minha vida é como a da princesa
Mas há muito perdi toda a certeza
E a ela a fé que nos conforta
E assim, teve mais sorte do que eu tive
Pois corre atrás de uma ilusão que vive
e eu corro atrás de uma ilusão já morta.

Homenagem ao meu amigo
Luis Filipe Esteves
Poeta Português.

Dilene Maia




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