CENTRAL
DE QUADRINHOS BRASILEIROS - ENTREVISTA 4
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Entrevista com Gedeone Malagola - 2 ªParte.
(Rod Gonzalez)
R - Quem detém os direitos sobre o Raio Negro atualmente?
G - Eu tenho registrado.
R - Já fizeram algum desenho-animado dos seus personagens?
G - Bom... já tentaram fazer, mas não foi para frente...
R - Quais hqs do Raio Negro vão sair pela editora do Daniel Vardi?
G - Algumas que eu já tenhom e outras novas que já estão aí. Produzidas por ele mesmo.
R - E o encontro do Raio Negro com outros super-heróis brasileiros clássicos, o sr. já vi algum?
G - Já vi que fizeram aí. Os do fanzines eu gostei, mas sou franco... não gostei daquela que saiu na Wizard.
R - O que o sr. achou da luta do Capitão 7 contra o Raio Negro que eu te mostrei agora? Quem venceria? Teve uma votação e escolheram o Raio Negro.
G - Votaram, mas deveria ter terminado empatado. Deveriam terminar em
uma amizade.
R - O que o sr. achou do encontro do Raio Negro com o Homem-Escudo?
G - Gostei, mas vou te contar um segredo: eu desenhando o Raio Negro não faço ele pra por cor. Uso muito preto e branco, claro e escuro. É outra técnica.
R - E desse encontro do Raio Negro com o Gralha, desenhado pelo Gratão?
G - Gostei também.
R - Esses desenhos aqui são do Evandro Molina que me falou da situação do senhor.
G - Não conheço pessoalmente, mas já ouvi falar muito dele!
R - O que o sr. achou da Mulher-de-Lua (Felipe Meyer)?
G - É meio esquisito, não sou muito favorável a personagem pelada.
R - Qual seu preferido Raio Negro, Homem-Lua ou o Jony Star?
G - É o Homem-Lua mesmo!
R - Porque mesmo com o enorme sucesso só saíram duas edições do Jony Star?
G - Só saíram duas e eu só tenho uma também, me falta o número 1. Mas
saíram só duas porque o editor Miguel Penteado que era meu compadre
brigou com o sócio dele e terminou a empresa. Ai foi embora pra Santos
ou Mongaguá.
R - E o nome fosse João Estrela, o sucesso seria o mesmo?
G - João Estrela... Pode ser que fosse bem também, né? Mas acontece que o público se habituou com o nome estrangeiro, infelizmente! Nem o europeu tem aceitação aqui.
É tudo nome americano!
R - É Capitão Op-Art ou Op-Art apenas?
G - É Capitão Op-Art.
R - Pelo número de personagens e pela duração dos personagens, o sr. esperava que os personagens
fossem durar tanto?
G - Sinceramente, não. E eu gostava mais do Homem-Lua. Aquele cineasta Roberto Miller da televisão, eu trabalhava com ele que queria fazer um filme do Homem-Lua. E ele falava assim: "O Homem-Lua é bem melhor que o Raio Negro."
R - Vão sair muitas hqs do Raio Negro.Você está sabendo dessa negociação com a Opera Graphica da obra "Eclipse"que traz Raio Negro e o Homem-Lua?
G - Eles querem fazer o Raio Negro, mas o negócio é o seguinte. Eles fizeram meu Lobisomem. Não sei se você viu?
R - Vi..
G - Que a história é minha você sabe, né?
R - Sei.
G - Antes de sair o Lobisomem ele falou que me mandava 10 exemplares do Lobisomem e me mandava o Príncipe Valente, o novo. Eu concordei. Mas ele me pagou direitinho, só que eu fiquei esperando o Lobisomem, para mandar para os amigos também. Não mandaram até hoje. E nem mandaram o Príncipe Valente. E quando eu telefonei pra ele dizendo que não recebi, ele disse :"Já mandei.
Você quer me tapear. Nnão sou trouxa!"
R - O livro do Roberto Guedes "A Saga dos Super-Heróis Brasileiros" que cita Raio Negro e o Homem-Lua você recebeu?
G - Não me mandaram mais nada, nada,nada. O Franco de Rosa que é sócio do Carlos Mann veio aqui ainda faz uns 15 dias, ele me deu uns gibis velhos tão porcarias, que eu sou franco, joguei fora.
R - Ah, tem que ser gibi porcaria não, esses gibis que eu trouxe para o senhor é a coleção completa da Heróis Brazucas repletos de super-heróis brasileiros clássicos e atuais.
G - Falo que é porcaria não só nesse assunto. Velhos, rasgados, mal conservados. Ô Franco to te pedindo uma coisa melhor... Isso aí não dá.
R - O sr. ainda acredita que os super-heróis brasileiros tem chance de conquistar o Brasil
?
G - Eu acho que não. Não é questão do herói é questão do poder aquisitivo do povo. O povo não tem dinheiro pra comprar gibi. Recentemente saiu o "1OO anos do Tico-Tico", 130 reais. Não dá pra comprar. E o barato acontece outro problema, o muito barato o jornaleiro não quer pegar porque ganha pouco. O jornaleiro fala, "Ah, vou pegar isso aqui para ganhar 10 centavos, 20.
Não quero não"! Tem isso também.
R - Posso fazer hqs de um personagem que eu inventei em homenagem ao Raio Negro, um jovem afro-descendente morador de uma comunidade carente que também encontra um anel de Lid?
G - Pode fazer.
R - Tudo que complica os quadrinho brasileiro de chegar às bancas...
G - A distribuição no quadrinho na Brasil é um problema . O maior problema é a distribuição.
R - E talentos tanto em roteiros quanto desenhos, temos muitos no Brasil?
G -Tem bastante, está sobrando...
R - A distribuição que complica os quadrinho brasileiro de chegar
às bancas...
G - A distribuição no quadrinho na Brasil é um problema . O maior problema é a distribuição. Conheço o norte bem, minha mulher é Pernambucana.
Eu ia lá, ficava com o Emir na Paraíba, então por exemplo, a rodoviária de Recife, é grande, bonita. Eu fui lá e conversei com o jornaleiro, se vende quanto gibi:"
Ah, revistas em quadrinhos? Vendo 3, 4 , 5. Ninguém procura. Livro de bolso? Nem pego mais porque não vende nada."
R - O povo brasileiro não está lendo mais?
G - Não tem dinheiro para comprar...
R - Antes, o pessoal lia mais. Na época do Raio Negro, por exemplo. nos anos 60..?
G - O Raio Negro, na época, vendia 40 mil. Era o que mais vendida na editora. Depois vinha o Lobisomem, a Múmia, aí vinham outros.
R - O sr. é considerado o Stan Lee brasileiro.
G - É um exagero.
R - Gedeone Malagola seria considerado o número 2 do quadrinho brasileiro, depois do Maurício de Souza?
G - Mas eu vou lhe contar uma história, que pode gravar aí...
R - Tá aqui gravando...
G - Eu era investigador e trabalhava no plantão da central de polícia, mas já desenhava para
as revistas, e o Roberto Miller era escrivão, e também trabalhava comigo lá. Um dia então, o Mauricio veio me procurar que queria fazer os quadrinhos, mas ele não sabia como fazer. Eu ensinei o Maurício, fiz tudo pelo Maurício. Levei o Maurício para
a editora, fiz a revista Bidu para ele. Ajudei muito. E tenho 3 livros lá embaixo que ele dedicou "Ao meu mestre Gedeone, que me indicou os primeiros passos". Isso tudo não vem ao caso. Ensinei, assim como levei um monte de gente para lá. Não tem problema. Acontece que ele fala hoje em dia que não me conhece. Eu acho ingratidão! Não quer nem ouvir falar em mim. E fez outra coisa. Um dia que eu fui com Paulinho Hamasaki na editora dele, ele olhou lá do fundo para gente:
"Ô, espera aí". Chamou a moça: "Ô, dá um cafezinho para eles e manda embora". E ele faz isso com todo mundo. A Mônica quando nasceu, em Moji das Cruzes na rua Otto Unguer, e eu fui com ele lá para emprestar dinheiro para ele, que ele não tinha. A Mônica que ele usa o nome dela na revista.
R - E hoje em dia ele não pensa em vir aqui fazer uma visita pro senhor, conversar com o senhor?
G - Mas nem quer saber!
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