CENTRAL DE QUADRINHOS
BRASILEIROS - Super-heróis brasileiros
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Acima: Golden Guitar era uma brasa, mora, e inspirado no Rei da Jovem Guarda da época, o cantor Roberto Carlos ! Abaixo: Targo, o Tarzan brasuca combatendo animais pré-históricos ou africanos, em histórias de cunho variado, mas repletas de idéias ingênuas.
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Capítulo 17:
GOLDEN GUITAR
(Por Antonio Luiz Ribeiro)
Em 1967 o
pessoal da Jovem Guarda estava em alta. Era o tempo de expressões do tipo “É
uma brasa, mora?”, “Essa garota é “papo-firme”, “Morou ou boiou?”, dos Beatles,
Roberto Carlos, da série de TV Mod Squad e outros “bichos”. Tudo meio ingênuo
e muito datado hoje, mas na época era um “barato”. Para aproveitar a “onda” da
Jovem Guarda e para substituir a série Archie, que tinha dificuldades de
importar dos Estados Unidos, a editora paulistana Graúna, formada por uma
equipe do “Jornal da Tarde”, resolveu lançar um super-herói que encarnasse
aquele espírito dos simpáticos teenagers.
Golden Guitar era um herói mascarado de uniforme no estilo mod-londrino. Não
possuía superpoderes, mas em compensação tinha como arma uma guitarra dourada
cheia de truques, que atirava “mil trecos” (servia como metralhadora, arpão,
zarabatana...), e um “carrão” de alta tecnologia "Abarth" - estilo Astor
Martin do 007 - "que podia fazer com facilidade 260 km/h”.
A turma da Graúna era liderada por Ulisses Alves de Sousa e pelo diretor de
arte Rivaldo Macedo (o autor do Zé Latinha). Este último é apontado como o
criador do herói junto a A. Torres.
Os roteiros do Golden Guitar, criados em equipe, narravam as aventuras do
cantor de iê, iê, iê Renato Fortuna (calcado em Roberto Carlos) que, auxiliado
por seu mordomo Oliver, se transformava em super-herói para combater o mal. GG
tinha como inimigos “figuras” como Cabeleira – o Barra Suja (um careca usando
peruca, no nº 1), O Violinista (no nº 2), um vilão que tocava o instrumento
favorito dos “coroas” e Hydra. Na Identidade de Renato, nosso herói era
acompanhado por sua banda – Os Taiobas – formada por Bolha, Beto e o balofo
Bolão (eles tiveram uma HQ solo, no nº 2) e por sua “mina”, Verinha. Mas, o
único que conhecia o segredo de Golden Guitar/Renato mesmo era o fiel mordomo
Oliver. Essa deliciosa e verdadeira cápsula do tempo era desenhada pela dupla
Apa (José Aparecido da Silva, que fazia os desenhos a lápis) e Rubens Cordeiro
(responsável pela arte-final). A exceção foi o quarto e último número, que
teve arte exclusiva de Cordeiro e roteiro solo de Luscar. As revistas tinham
32 páginas, preto e branco e capas coloridas. Nas últimas capas, cada revista
trazia uma linda ilustraÇão de um calhambeque, produzida por Omar Grassetti.
Além da revista de linha, teve também um almanaque onde o herói é chamado de
“Capitão Guitarra” e o “Superalmanaque Três heróis” – uma publicação de
encalhe que reuniu em um único volume as revistas-sobras do Homem-Fera,
Mistyko e Golden Guitar. Como bem notou uma revista paulista dos anos 90,
Golden Guitar é um dos primeiros super-heróis brasucas totalmente originais, e
não um mero plágio dos heróis americanos, como era praxe naqueles anos 60.
Em julho de 2000, uma revista paulista anunciou a existência de um projeto
para trazer Golden Guitar e outros super-heróis brasucas dos anos 60 de volta.
Porém, parece que tudo ficou nos planos mesmo, pois até agora, nada ocorreu.
Pena.
(O texto acima foi
originalmente publicado no fanzine ZONA TOTAL nº 14, de abril/2001)
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Capítulo18:
TARGO
(Por Paulo S. Campos)
Além do Fantasma, Tarzan
foi dos personagens clássicos mais plagiados, devido à sua popularidade do
Brasil. E quem pensa que eram os roteiristas e desenhistas que tomavam tal
iniciativa, engana-se. Como sempre, as editoras, históricas subservientes do
mercado estrangeiro, achavam sempre que se algo fazia sucesso nos EUA, também
fariam por aqui. E assim, exigiam dos criadores adaptações de heróis de fora
para o Brasil.
Targo foi criado dessa forma. Seus roteiros eram quase sempre de Helena
Fonseca e Francisco de Assis, mas houveram outros escritores, e todos tentavam
imprimir no herói alguma característica brasileira, visto que na época (ao
contrário de hoje), os leitões se identificavam com personagens que
explorassem coisas nossas. Tanto é que Targo às vezes estava no Planalto
Central, e às vezes na floresta Amazônica, se bem que, ocasional e
estranhamente se via em ambientes pré-históricos, com dinossauros e tudo. Tal
como antes o foi O Escorpião, se tornou um defensor de nossas florestas.
As aventuras de Targo eram bem diversificadas, pois variavam entre roteiros
ingênuos e violentos, com algumas passagens que pareciam fábulas infantis, com
fundo moral e tudo.
Foi publicado pela Editora Taika, em fins dos anos 60 e início dos 70, e
chegou a ser desenhado pelo competente Rodolfo Zalla.
Na primeira aventura, desenhada por Moacir Rodrigues e com roteiro de
Francisco de Assis, Targo enfrentou piratas que desembarcaram em praias
paradisíacas à procura de uma preciosa areia radioativa, a qual era usada
pelos índios locais para terem vigor e saúde. A aventura é cheia de lances que
à vista de um leitor de hoje, arrancaria muitas risadas. Na segunda história,
acontece algo mais tresloucado: os índios estavam aterrorizados por um
elefante agressivo, sendo que os roteiristas não se deram conta que não
existem elefantes na fauna brasileira... e o final não poderia ser mais
simplório: a fúria do elefante se devia a um espinho enterrado numa de suas
patas.
Targo, assim como seu inspirador, também tinha família: “Jane” tinha o nome de
Arimá, e o “Boy” era o garoto Aurici. Não havia uma macaca Chita, mas sim uma
onça de nome Jaguaretê (pelo menos, era um animal brasileiro).
Foi no Almanaque do Targo que apareceu pela primeira vez o super-herói
Fantastic, de Luiz Meri e Osvaldo Talo.
Hoje, nem Targo e nem Tarzan estão mais nas bancas...
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