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ITAPOAN FM FAZ DOBRADINHA COM RÁDIO METRÓPOLE NO CORONELISMO RADIOFÔNICO DE SALVADOR

Sai Marcos Medrado, entra Pedro Irujo na dobradinha com o ex-prefeito de Salvador, Mário Kertèsz, no coronelismo eletrônico do rádio FM de Salvador. Dono da Itapoan FM, o político Pedro Irujo, nascido na Espanha e naturalizado brasileiro, era proprietário do Sistema Nordeste de Comunicação, grupo empresarial que teve boa parte de seu patrimônio desfeito devido a um processo de divórcio da então esposa do espanhol, em 1996.

O Sistema Nordeste havia adquirido o patrimônio baiano dos Diários Associados, como a Rádio Sociedade da Bahia e a TV Itapoan. A eles se juntaram a Itapoan FM e o jornal de Feira de Santana Feira Hoje. Em 1994, implantou o jornal Bahia Hoje, em Salvador, que chegou a ser considerado inovador, por adotar uma edição visual completamente informatizada. Mas as pressões tendenciosas de Irujo, que, diziam, comandava o jornal com mão-de-ferro, e as irregularidades trabalhistas, como atraso no pagamento de salários, o próprio valor insuficiente dos mesmos e a demissão de muitos jornalistas, fizeram com que o jornal mergulhasse na falência, juntando a esses fatores a péssima reputação do Bahia Hoje na Faculdade de Comunicação da UFBA, principal escola de jornalismo na capital baiana, e o citado divórcio do empresário. Irujo chegou a ser enfocado em reportagens do jornal O Globo denunciando as irregularidades do espanhol.

Em 1997, o divórcio fez Irujo se livrar da Rádio Sociedade AM e da TV Itapoan, vendidas para a Rede Record, administrada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Fechou o Bahia Hoje e o Feira Hoje, e ficou apenas com a Itapoan FM, gerenciada pelo filho Luiz Pedro.

Enquanto isso, a Aemização das FMs de Salvador tinha Mário Kertèsz e Marcos Medrado fazendo reserva de mercado e tentando combater AMs emergentes. Juntos, combateram a CBN AM em 1992, a Rádio Cristal AM em 1995 e tentaram enfraquecer a Rádio Cultura AM. Mas Marcos Medrado viu também sua Salvador FM declinar diante da reação de repúdio dos radiófilos baianos e, sem recuperar a rádio, vendeu a Salvador para a Rede Bahia (dona da TV Bahia, administrada por Antônio Carlos Magalhães Jr., filho do senador e pai do deputado), que virou Tropical Sat. Mas, desfazendo-se da Tropical, para investir numa nova rádio (Bahia FM, 88,7 mhz), a Rede Bahia vendeu a Tropical para outro grupo empresarial e ela virou Nova Salvador.

Marcos Medrado também viu sua carreira política declinar e, símbolo do então PPB (Partido Progressista Brasileiro), atual PP, era líder do populismo conservador do subúrbio ferroviário da capital baiana (Paripe, Plataforma, Periperi, Lobato etc.). Um dos símbolos de sustentação do carlismo, Marcos Medrado, por integrar um grupo de políticos carlistas que pegou carona no prefeito eleito João Henrique em 2004, migrou, a mal-disfarçado contragosto, para o PDT (Partido Democrático Trabalhista). Apesar de populista, Marcos Medrado pertence a uma corrente extremamente oposta à que simbolizou o PDT, partido idealizado por Leonel Brizola (populista de esquerda) depois que perdeu o PTB numa armação entre generais da ditadura e a filha do ex-presidente Getúlio, Ivete Vargas. Se vivo fosse, Brizola talvez não teria deixado Marcos Medrado entrar no partido.

Saindo Marcos Medrado, o coronelismo eletrônico teve em Pedro Irujo um novo parceiro para Mário Kertèsz. A dupla coronelista atual, assim como a anterior, manipula o rádio FM de Salvador de acordo com os interesses provincianistas. Seus principais propósitos: o controle sobre a população baiana, através da domesticação, evitando dessa forma a mobilização social e a real transmissão de conhecimento. Como conseqüências, agrava o provincianismo e a miséria na capital baiana. Como se sabe, Salvador é um dos piores índices em desenvolvimento humano e educacional do país. No rádio, a dupla coronelista investe no impedimento à segmentação e na tentativa de sufocar o rádio AM baiano.

Enquanto a Rádio Metrópole FM, de Kertèsz, tem como alvo o público de classe média, no sentido de domesticar sua consciência crítica (missão que, com muito mais sutileza, é feita pela Band News local), a Itapoan FM é escancaradamente populista. A rádio é um verdadeiro mercado de jabaculê, onde se despeja muita grana de contraventores, donos de grupos de pagode baianos, proprietários de casas noturnas e dirigentes esportivos. Estes, no caso, por causa da contratação de Djalma Costa Lino e equipe, na sua infeliz terceira tentativa de fazer carreira em FM, lembrando as aventuras de Raimundo Varela na primeira metade dos anos 90. Djalma Costa Lino não consegue obter o mesmo Ibope que tinha na Rádio Sociedade AM, onde trabalhou durante muitos anos e chegou a chefiar o setor de jornalismo. Passou pela Rádio Metrópole, Itaparica FM e está há três anos na Itapoan. Não consegue metade dos pontos de audiência da Rádio Sociedade.

Juntas, a Rádio Metrópole e a Itapoan FM são as rádios que mais praticam jabaculê em Salvador. E muito desse jabaculê pouco tem a ver com música, tem mais a ver com dirigentes esportivos. O medíocre futebol da capital baiana, monopolizado pelo Bahia e Vitória, já tinha outros clubes, antigamente (Galícia, Ipiranga, Atlético e até Botafogo), viu seus dois clubes naufragarem porque seus dirigentes preferiam aumentar o raio de influência nas FMs baianas, "lavando" dinheiro em cima e ajudando a montar novos programas esportivos em FM, boa parte deles nem tendo sequer 1% de audiência, enquanto os dois clubes declinavam para divisões inferiores do futebol brasileiro.

O perfil político-ideológico de Pedro Irujo é de centro-direita, de conteúdo populista mais moderado que o de Marcos Medrado (embora a Itapoan FM seja bem mais populista que seu proprietário). Irujo já chegou a ser opositor de Antônio Carlos Magalhães, mas em outras ocasiões já chegou a ser aliado, fazendo parte, durante um tempo, do PFL. Irujo ainda tem problemas para falar português e não possui carisma expressivo como líder político.

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