Idiotices



POLITIQUICES


	Quem faz um cesto faz um cento, foi com esta que o meu 
amigo veio novamente à insistência.
	Nem se lembrou que a verga se podia estar a acabar.
	Malaquides de um corisco!
	Então que agora andava cá tão ocupado com esta coisa das
eleições.
	Sim, disse com as eleições, porque eu vou votar. Estou a
ganhar confidência nos políticos.
	Passei meio Século a formar uma ideia muito negativa dos
políticos e suas politiquices.	Não me vem à memória o nome de 
um político que não tenha posto os seus interesses pessoais à 
frente dos interesses dos seus constituintes.
	Apenas me lembro de recentemente na Inglaterra uma 
senhora  Primeira Ministra, que seguiu em frente com um plano de 
austeridade, quando já era sabido que isso lhes iria custar a 
reeleição.
	Que honra lhes seja feita!
	Acontece agora, que após terem sido gastos tantos 
milhões de dólares, em investigações ao nosso Presidente 
Clinton, nada de anormal se apurou.
	Nunca pensei que um político pudesse sobreviver a 
semelhante escrutínio.
	Até chego a pensar que também estava enganado ao fazer 
um conceito tão generalizado dos nossos profissionais da caça ao
voto.
	Mas como diz o meu amigo Malaquides, não há um sem dois, 
nem dois sem três. Possivelmente haverá mais políticos capazes 
de enfrentar o revés de semelhantes inquéritos, e isso faz-me 
mais confiante no sistema democrático.
Vamos pois votar, cumprir um dever e um direito de todos nós.
	Mas não nos deixamos eludir por aqueles que só nos 
conhecem nesta época do ano em que precisam de nós; pois nunca 
vi um político à porta de uma fabrica a apertar a mão a 
operários, sem que necessitasse dos seus votos.
	Devemos lembrar-nos de quais foram as iniciativas, em
nosso favor, levadas a cabo por aqueles que agora nos pedem o
voto.
	Nunca tenhamos receio, de abandonar quem nos abandonou,
e experimentar aqueles que alguma coisa terão para nos oferecer;
pois eles também terão de compreender que o seu mandato não é 
infinito, e haverá novas eleições.
	Assim como também será uma boa ocasião para reconhecer e 
agradecer aqueles que se lembraram de nós durante os seus 
mandatos.
	Vamos pois todos cumprir o nosso dever.

			(Ferrugem)