| COMENTANDO Cinema por Maria João |
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"A VIDA COMEÇA QUANDO SE FAZ AMOR" A MULHER E O ATIRADOR DE FACAS, medo e prazer em magnífico preto e branco. "A vida começa quando se faz amor". Adele escutara a frase em sua infância e foi fiel em sua crença. Teve vários relacionamentos, várias relações sexuais, e sua vida não começava. A vida de Adele se arrastava na zona abissal que não permite a felicidade tampouco a infelicidade.Como diz Adele: "Para ser infeliz é preciso perder alguma coisa". E ela não tinha nada para perder. Adele confessa a falta de sentido em sua vida, excluída pela sorte diz estar sempre do lado errado. Deprimida joga-se de uma ponte, elege a gélida profundeza do Sena como o derradeiro lado correto. Antes de jogar-se é interpelada por Gabor, um atirador de facas, que oferece a ela trabalho como a mulher do atirador de facas. Para quem quer se matar, correr tamanho risco seria uma insignificância.Adele pula e Gabor também pula, milagrosamente salvam-se. E Adele aceita ser "o alvo". Um parentese: Embora a depressão em primeiro plano seja a de Adele, é a de Gabor que nunca sai de foco. E ele transforma Adele, corta os cabelos, compra roupas, etc.. "Farei de você a rainha da noite"! E a ingenua/maliciosa Adele questiona: "E de dia o que farei?" Como a vida começa quando se faz amor, a de Adele necessitva estar sempre começando, atraida por rapazes bonitos durante suas apresentações pelo Mediterrâneo ela investe na procura enquanto o amor platônico que protege sua relação com Gabor chega ao limite. Numa cena após assistir Gabor arriscar a vida andando nos trilhos, ela diz que não aguenta mais, ela quer, Gabor pergunta se é o mesmo que ele e ela responde que tem que ser naquele momento, em qualquer lugar. Na sequência ela está prazerosamente encostada à parede na expectativa da chegada da primeira faca. Prazer e medo revestem a relação. A cena é antológica, uma relação sexual repleta de prazer e medo. A música rege, com tensão,extase e medo; a cena e os corações dos espectadores. Patrice Leconte trata a vida como uma grande encenação, como fez anteriormente em Monsieur Hire,O Marido da Cabelereira e O Perfume de Yvonne; a mulher está sempre no leme de suas embarcações. Freud inventou a psicanálise ao tentar capturar a feminilidade através do inconsciente e ao final de sua obra retorna à relação da mulher com a mãe, Leconte faz de Adele uma consequência da relação com a mãe, foi lá que ela ouviu: "a vida começa quando se faz amor". Adele necessitava de um pai para se desligar da mãe e Gabor que precisava de uma amante,de uma virgem, de uma mãe encontrou naquela menina inocente e sábia, depressiva e aflita sua imagem e semelhança.O par perfeito, obrigatóriamente teriam de se encontrar sobre o fio da navalha de onde partem para uma jornada de apresentações em casa de espetáculos e jogos em casa de apostas. A sorte os acompanha e fazem fortuna mas "a sorte é algo mais", muito mais do que simplesmente apostar num determinado número da roleta e acertar, muito mais que ganhar carros com bilhetes de loterias.Mas a sorte também tem dois lados, ela não está com A nem vem com B, a sorte é como mostra Gabor apresentando à Adele uma nota pela metade: não tem valor sem a outra parte. Durante uma viagem à trabalho Adele apaixona-se por um grego recém casado e resolvem fugir, a paixão dura pouco e ela é logo rejeitada. Enquanto isso Gabor perambula pela Turquia, sujo, dormindo em albergues, chega ao extremo de vender suas facas, atropelado percebe aumentadas suas dificuldades e sobe no mesmo fio da navalha que subira Adele: uma ponte, noite sobre a água gélida...Seria tarde demais para Gabor e Adele perceberem que a sorte os abandonou, que ela não retornará, a não ser que se unam mais uma vez? A MULHER E O ATIRADOR DE FACAS é cômico, romântico, filosófico, denso e, embora os atores maravilhosos, sobretudo um filme do diretor Patrice Leconte. "Meus filmes penetrarão o coração não com lógica, mas com paixão" disse Frank Capra e A MULHER E O ATIRADOR DE FACAS penetra o coração com paixão e com muita lógica à medida que analisa a exata falta de lógica que ofusca a existência humana e aponta em cada lançamento de faca o extase, o medo, o suspense e o prazer necessário para justificar a vida: correr o risco. O roteiro de Serge Frydman é irretocável , a fotografia em preto e branco de Jean-Marie Dreojou e a câmera inquieta colaboram com os personagens no infindável deslize para além da "tolerável normalidade". Condenados à vida Adele e Gabor frenéticamente fogem e buscam. A câmera capta o tormento de ambos e o ceticismo do diretor.
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| FESTIVAL DO RIO BR 2000 Segue lista dos 14 filmes selecionados para a PREMIÈRE BRASIL, concorrendo ao Prêmio BR. Foram 7 longas selecionados na categoria ficção, 6 na categoria documentário e um HORS CONCOURS. Os filmes serão apresentados em sessões de gala no ODEON BR e terão sessões públicas onde os espectadores escolherão os melhores filmes em cada categoria. Os vencedores receberão o Prêmio BR para lançamento coemrcial do filme no valor de R$200.000,00 para ficção e R$100.000,00 na categoria documentário. FILMES: DOCUMENTÁRIO - O RAP DO PEQUENO PRÍNCIPE CONTRA AS ALMAS SEBOSAS - direção Paulo Caldas e Marcelo Luna - SAUDADES DO FUTURO - direção: Cesar Paes - SENTA A PUA - direção e produção: Erick de Castro - O SONHO DE ROSE - direção e produção: Tetê Moraes - 2000 NORDESTES -direção: Vicente Amorim e David F. Mendes - ANÉSIA - UM VÔO NO TEMPO - direção e produção: Ludmila Ferolla HORS CONCOURS - MILAGRE EM JUAZEIRO - direção: Wolney da Oliveira FICÇÃO - A HORA MARCADA - direção: Marcelo Taranto - BRAVA GENTE BRASILEIRA - direção: Lúcia Murat - BUFO & SPALLANZANI - direção: Flávio Tambellini - DEUS JR. - direção: Mauro Lima - TAINÁ UMA AVENTURA AMAZÔNICA - direção: Tânia Lamarca e Sérgio Bloch - TOLERÂNCIA - direção: Carlos Gerbase - BICHO DE SETE CABEÇAS - direção: Laís Bodanski FESTIVAL DO RIO BR 2000 - ASSESSORIA DE IMPRENSA imprensa@estacaovirtual.com Liège Monteiro - 522 6843 / 267 3485 Regina Zappa, Eduardo Graça e Liliam Hargreaves - 286-6336 / 539-1505 / 537-9222 |
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Maria João viaja e vai ao cinema. |