Cinema
por Maria João

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Programação do Circuito Estação
Em Produção
Premiação do Festival RioBR


28/Outubro/2000

LESTE-OESTE- O AMOR À LIBERDADE

Junho de 1946, Stalin joga a isca e um cardume de ingênuos emigrantes russos que vivia no Ocidente se deixa apanhar. A isca era brilhante, anistia, passaporte soviético e a honra de poder participar da reconstrução da URSS pós guerra. No desembarque em Odessa os viajantes percebem que uma coisa era o convite para a festa e a outra era a ausência da festa.

Daquela leva de soviéticos ocidentalizados restou com vida um casal, Alexei e Marie, e seu filho. Serioja. Não por serem simpáticos ao regime e sim pela utilidade de um médico além de oportuna peça de propaganda. Havia porém um detalhe, mais tarde seriam dois: a esposa francesa do médico que desde o primeiro passo em terreno soviético adivinhara sua incapacidade de adaptação. Marie é vista como espiã e pessoas são castigadas por manterem contato com a estrangeira. Alexei trabalha na enfermaria de uma fábrica em Kiev e divide, com sua família, um apartamento comunitário. A vida que é apresentada à Marie se assemelha a uma prisão e ela começa a construir seu sonho de liberdade.Enquanto isso Alexei abre mão de suas convicções e cede em prol de privilégios para ele e sua família. Acabam se separando e Marie alimenta a chama da liberdade. Ela vê na apresentação de um importante grupo de teatro francês liderado pela atriz Gabrielle Develay , vivida com a sobriedade habitual de Catherine Deneuve, a oportunidade de denunciar sua situação ao govêrno francês. Mas ela já não possui mais seu passaporte. E seu plano fracasa. Ganha importância a figura de Sacha, outro que anseia por liberdade, que fora expulso da equipe de natação e passa a ser treinado por Marie, nadando nas águas frias sempre contra a correnteza do rio. O objetivo é integrar a equipe que sairá do país.

O ser humano porém necessita estar apaixonado para só assim correr riscos que provocarão mudanças. E Marie se apaixona por Sacha. Sofrimentos e lágrimas não faltarão a esse drama sub-político indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro-2000. E Marie como o pão que o diabo amassou e não desiste da liberdade. Foi com uma viagem que Régis Wargnier em "INDOCHINA"descobriu a face escondida de um país , usando do mesmo recurso mostra a face cruel de um país sem face. A identidade da URSS é cinza e gelada, alguém espiona alguém.Olhares suspetios e atitudes furtivas preenchem a tela do inicio ao fim de LESTE-OESTE.

Foi com "O SENHOR DO CASTELO" que Régis Wargnier mostrou as sórdidas táticas que marcam o jogo do poder onde o garoto Thomás, o senhor do castelo, não mede esforços para garantir sua supremacia. Em LESTE-OESTE a manutenção do poder é fator importante assim como a necessária insatisfação contra seus desmandos. E mais uma vez é a arte que proporciona a liberdade. Gabrielle terá papel decisivo no desfecho da história. A trilha sonora de Patrick Doyle cumpre papel de grande significado, como em todos os filmes de Régis, embora na comparação com O SENHOR DO CASTELO (música de Sergei Prokofiev) deixe a desejar.

O elenco está em sintonia com o clima, frio, à exceção de Sandrine Bonaire que consegue transmitir sua dor e insatisfação embalada pelo sopro vital de liberdade. Wargnier tem em seu currículo exemplos magistrais de seu exitoso trabalho de direção, especificamente com mulheres. Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro em 93 com INDOCHINA, César de Melhor Atriz para Cathérine Deneuve e Melhor Atriz Coadjuvante para Dominique Blanc.

LESTE-OESTE é mais um filme a mostrar a hipocrisia comunista em sua origem, no entanto cabe ressaltar que em nenhum momento é feito o sórdido jogo de espelhos onde os horrores do comunismo são confrontados com as benesses do capitalismo.Wargnier preferiu se demorar examinado o bem mais valioso de para qualquer ser , em qualquer parte do mundo: A "LIBERDADE".


LESTE-OESTE
O AMOR NO EXÍLIO


(Est-Ouest, França, 1999)
duração: 121 min.

Elenco
Sandrinne Bonnaire (Marie),
Oleg Menchikov (Alexeï),
Catherine Deneuve (Gabrielle)

Direção
Régis Warnier

Produção
Yves Marmiou (UGC - YM)

Roteiro
Sergëi Roustam Ibraguimbekov
Louis Gardel-Bodrov
Régis Wargnier

Direção de Fotografia
Laurent Dailland

Música
Patrick Do

DANÇANDO NO ESCURO
"...por que num musical nada de horrível acontece."

Lars Von Trier é o idealizador do Dogma, uma maneira despojada de realizar filmes, que em seguida apresentou-a a Thomas Vinterberg ( "Festa de Família") e juntos estabeleceram o rascunho de como gostariam que fossem feito os filmes. Aos dois uniram-se outros dois diretores dinamarqueses e firmaram um pacto ao qual todos os filmes do Dogma devem obedediência : tomadas sempre em externas, áudio nunca produzido à parte, câmera na mão e tomadas feitas onde ocorre a ação do filme, sem flashbacks, contra-regras ou maquiagem e sem crédito para o diretor. Uma das razões do Dogma é fazer com que a vivência interna dos personagens justifique o enredo. Parece simples? Realmente, só que exige um elemento não listado pelos rapazes dinamarqueses: "talento". Lars Von Trier já provou que tem com "Ondas do Destino-1996" e com "Os Idiotas - 1998" seu primeiro filme no Dogma.

Por exigência dos produtores DANÇANDO NO ESCURO teve sessão única no Festival do Rio BR 2000. Infelizmente! Palma de Ouro em Cannes e prêmio de melhor atriz para Björk é um musical lacrimoso onde apenas uma tragédia pode amenizar a outra. Selma emigra da República Tcheca para os Estados Unidos, ela está ficando cega e sabe que o futuro do seu filho Gene também será escuro.Embora escandinavo, DANÇANDO NO ESCURO apela para a culpa como mola propulsora das açôes de Selma.Usando um método nada convencional ela consegue ser aprovada no exame oftalmológico e passa a trabalhar como operária numa fábrica economizando cada centavo para custear a operação salvadora do garoto. Ingenuidade como embalagem mais o conteúdo da cegueira fazem de Selma a vítima em potencial. Ela ensaia um musical e o espectador adivinha que nas próximas duas horas viverá a história de alguém com grande chance de ganhar a coroa do fracasso. É enorme o abismo que separa a vontade da aptidão. Mas quem irá sacanear a pobre heroína cega que aluga um trailer nos fundos da casa de um casal que recebeu uma herança e a mulher se encarregou de gastar? O banco ameaça tomar a casa e uma bela noite o marido (Bill), que para acentuar a opressão é policial, espreita Selma cega guardar o dinheiro.Enquanto isso, para o espectador, a cegueira de Selma ameniza a tragédia financeira do seu senhorio. E a pergunta está respondida.

Selma adora musicais e quando ela confessa ao seu pretendente a razão para tamnho fascínio brilha na tela o talento de um grande diretor: "Sonhava ser estrela de um musical por que nos musicais nada de horrível acontece". Sutil ironia.

DANÇANDO NO ESCURO é um melodrama dos mais pesados, sobra frustração e tristeza apesar de musical, esqueça os musicais hollywoodianos por que você forçosamente irá lembrar deles logo após os créditos. Os números musicais representam os sonhos da heroína e são filmados de inúmeros pontos de vista, a medida que o filme avança os devaneios musicais adquirem o tom trágico da existência de Selma.

Certas profissões não conseguem esconder sua verdadeira face mercenária, no alto do pódio estão os insuperáveis médicos, em DANÇANDO NO ESCURO os advogados são homenageados na cena em que Selma recebe, o advogado que irá reabrir o caso. Ela discorda da forma encontrada para remunerar os seus serviços e ele pergunta cinicamente se ela sabe no que implica aquela decisão. Mais uma crueldade desaba sobre os ombros da pequena, frágil, ingênua e cega imigrante. Para aumentar sua desgraça a moça tem como sua melhor amiga e protetora a mais bela-eterna-inexpressiva e agora velha- Catherine Deneuve. E como as desgraças nunca andam só, seu chefe é o também inexplicável e inexpressivo Jean Marc Barr. Apesar de musical não vi ninguém cantando após a exibição tampouco sorrindo. E as canções compostas por Björk são maravilhosas.

A câmera constantemente tremida e a lendária quantidade de câmeras de vídeo digital espalhadas pelo set causam o estranhamento instigante de DANÇANDO NO ESCURO.

Lars Von Trier inventou o Dogma, ainda bem, do contrário o rapaz seria mais um a repetir clichês. Escapa por pouco, creio que o rigor das leis que inventou marquem o limite do seu melodrama, mesmo assim exagera. Seus filmes são curiosos, estranhos na forma, azedos no conteudo.


Dançando no Escuro


Titulo Original: Dancer in the Dark
Titulo em Inglês: Dancer in the Dark
Classificação: 18 anos


Direção
Lars Von Trier

Roteiro
Lars Von Trier

Elenco
Björk, Catherine Deneuve, Joel Grey

Fotografia
Robby Müller

Montagem
Molly Malene Stensgaard , François Gedigier

Música
Björk

País
Dinamarca / França / Suiça

Ano
2000

Duração
140min

GAROTOS INCRÍVEIS
Escrevendo Certo em Linhas Erradas

James Leer(Tobey Maguire) o aluno problemático pergunta ao professor (Michael Douglas): "O que estamos fazendo aqui professor Tripp?". E o mestre responde: "Indo pelo caminho mais longo".

Parece ser esta a sina do professor, optar sempre pelo caminho mais longo. Seu segundoe interminável romance já ultrapassou as duas mil páginas, assumir a amante grávida também está longe de ser uma prioridade . Atropelado pela a sucessão de fatídicos acontecimentos naquele final de semana em que se realiza um festival de literatura é forçado a mudar de estratégia e buscar o caminho mais curto.Mas a dúvida , personagem invisível, não é mera coadjuvente no roteiro de Steve Kloves baseado no romance de Michael Chabon. O filósofo tcheco Vilém Flusser ensina que: "a dose moderada de dúvida estimula o pensamento e que a dose excessiva paralisa toda atividade mental." O professor Tripp estava sendo consumido pelas dúvidas e os objetivos já pareciam muito distantes.Para quem estaciona o caminho é sempre longo.

A extensão do caminho é determinada pela dúvida que gera o medo. Medo de entregar seu segundo livro para o editor (Robert Downey Jr) e este frustrar as expectativas alimentadas pelo primeiro que foi um sucesso há sete anos, medo de assumir a amante grávida e na sequência ser abandonado por ela como acabara de acontecer, medo de ver em seu aluno alguém com talento superior. O editor também é um refém da dúvida e confessa a submissão logo na sua primeira cena quando desembarca acompanhado de uma amiga: um travesti, justificando a pergunta inevitável.

Michael Douglas surpreende com o professor Tripp, um personagem diferente de tudo que ele havia feito até então, ocupa a maior parte dos 112 minutos do filme desfilando seu desamparo e dúvidas. Mordido por um cachorro numa festa na casa da amante (Frances McDormand) ele atravessa a história mancando Triste, desleixado, chapado e na cena em que aparece trôpego enrolado no roupão da mulher que o abandonou é o fiel retrato de alguém que esqueceu, no caso do professor Tripp, fumou; a auto-estima. O professor não abandona seu companheiro fiel, um cigarro de maconha,que no fim também tentará se equilibrar sobre o fio inquieto da dúvida e sofrerá a traição que literalmente o jogará escada a baixo.

James Leer é o aluno problemático envolto em mistério que sua imaginação de escritor fora de série ajuda a alimentar. As dúvidas que o cercam permanecem ao acender das luzes da sala de projeção. Ele escuta de seu professor que "boa influência não existe, toda influência é imoral," mas era tarde, ele já havia escolhido seu ídolo. Uma aluna, da mesma classe de James nutre uma admiração combinada com paixão pelo professor e ao ver frustrada sua tentativa de maior intimidade responde: "não sou a inocente tola que pareço ser" e o professor apresenta sua mais contundente arma, a palavra: " precisamos todos da inocência tola que possamos ter." Robert Downey Jr, que estava em liberdade condicional durante as filmagens e logo pós o término tornou a ser preso, faz da figura do editor algo entre o comico e o patético, cercado de credibilidade e verossimilhança. Sob o disfarce de uma personalidade vulgar esconde-se o personagem que terá participação decisiva no desfecho da trama.

GAROTOS INCRÍVEIS, do diretor Curtis Hanson- vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado com "Los Angeles - Cidade Proibida", é um filme de escritores, editores e consequentemente de palavras, muitas palavras e nenhum excesso, entra em cartaz no Rio de Janeiro no próximo dia 20.

Quem duvidava de Michael Douglas, que o tinha na conta de um canastrão poderá comprovar que não estava enganado. Apenas desconhecia o talento maduro de um ator sempre jovem. E a trilha sonora com Neil Young e Bob Dylan entre outros é um belo caso à parte.


Garotos Incríveis
Titulo Original
The Wonder Boys

Classificação: 14 anos

Direção
Curtis Hanson

Roteiro
Michael Chabon

Elenco
Michael Douglas, Tobey Maguire, Frances Mcdormand

Fotografia
Dante Spinotti

Montagem
Dede Allen

Música
Bob Dylan, Christopher Young

País
Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido

Ano
2000

Duração
112min

EM PRODUÇÃO

Filme em fase de produção "SONHOS TROPICAIS" de André Sturm

Apresentação
“Sonhos Tropicais ” é um longa-metragem histórico que enfoca um período da vida de Oswaldo Cruz e os eventos relacionados a essa época de intensas mudanças no Brasil do início do século XX. O filme parte da adaptação livre do livro homônimo de Moacyr Scliar.

O roteiro, de Fernando Bonassi e Victor Navas, tem como pano de fundo as transformações ocorridas no Rio de Janeiro, após a posse de Rodrigues Alves na Presidência da República. O Rio, então capital do país, era um caos urbano, uma cidade devastada por epidemias como febre amarela, varíola, peste bubônica. As tentativas de alterar esse quadro levarão à insurreição civil e militar em 1904, conhecida como a “Revolta da Vacina”. Dessa forma, personagens desconhecidos da história oficial ganham destaque, mostrando a atmosfera e o sentimento das pessoas tendo suas vidas modificadas pelos eventos narrados.

É o caso de Esther - judia polonesa -, principal personagem do filme, que chega ao Rio no mesmo navio em que Oswaldo Cruz volta da França. Ela viera para se casar. No entanto, ao chegar, a realidade é bem diferente e é obrigada a se prostituir, passando a viver num cabaré. O personagem de Esther se relaciona com todos os principais fatos do filme, ao lado de Prata Preta, o retrato do negro digno, pobre, recém liberto e Amar al, um malandro “da gema” que vive de trambiques e biscates.

Essa história oferece uma rara possibilidade: unir informação e entretenimento. Todos os diversos personagens, ricos e pobres, poderosos e oprimidos, acabam envolvidos no turbilhão dos acontecimentos, numa trama que cria interesse no destino dos personagens, ao mesmo tempo que conta um importante trecho da História do Brasil.

SINOPSE

“Sonhos Tropicais ” trata das possibilidades sempre perdidas do Brasil. A história inicia com a chegada de Esther ao Rio de Janeiro, que vem com o sonho de se casar e iniciar uma nova vida. Ela aporta no mesmo navio em que retorna de Paris Oswaldo Cruz, em 1899, após alguns anos estudando no Instituto Pasteur, cheio de sonhos de transformar a saúde pública do país. O filme acompanha a trajetória desses dois personagens até o episódio que ficou conhecido como “A Revolta da Vacina”.

O país está à beira de um colapso: endividado com bancos internacionais pela simples razão de não conseguir exportar seu principal produto, o café. Isto se deve ao fato de o Rio de Janeiro encontrar–se devastado por pestilências diversas. Vemos Esther que vem ao Brasil para se casar, mas as coisas não acontecem como ela pensa e é obrigada a se prostituir. Sua única amiga é Vânia, outra judia polaca, já há alguns anos no Brasil. Nessa vvida Seu algoz é Rotchilds, dono do cabaré em que ela é obrigada a trabalhar.

Amaral, malandro da gema e trambiqueiro, apaixona-se por Esther e faz de tudo para estar ao seu lado. Cardoso de Castro, Chefe de Polícia, também se encanta pela bela judia e usa de seu poder para seduzí-la e “protegê-la” do mundo.

Em 1903, o Presidente Rodrigues Alves resolve colocar uma pessoa capacitada no comando da Diretoria de Saúde Pública - órgão correspondente ao atual Ministério da Saúde - e indica Oswaldo Cruz, que aceita. Três jornalistas boêmios Tibério, Macedo e Sílvio permeiam o filme comentando as ações de políticos importantes, principalmente de Oswaldo Cruz.

Muito convicto do que tem que ser feito, Oswaldo Cruz organiza campanhas sanitárias com o intuito de erradicar doenças, mas enfrenta dificuldades. Isso nada impede, entretanto, que ele forme batalhões de “mata-mosquitos” entrando nas casas em busca de focos de insetos. Amaral, oportunista, alista-se na Brigada Mata-Mosquitos.

Apoiado pelo prefeito Pereira Passos, Oswaldo Cruz resolve que a Diretoria de Saúde Pública deve comprar roedores mortos para controlar a peste causada pela pulga do rato. Isso dá margem a um lucrativo negócio para os picaretas de plantão. O maior deles é Amaral.

A crise, porém, eclode com decreto obrigando a vacinação anti-variólica. A população, apoiada por forças políticas, se revolta por desconfiar da própria vacina e dos vacinadores que poderiam se aproveitar para expor braços e pernas das mulheres. Tudo isso somado transforma a antiga capital federal em verdadeiro campo de batalha.

Prata Preta, negro altaneiro e digno é um dos personagens que simboliza o homem simples, urbano e recém liberto do final do século passado, transforma-se em artífice da revolta Popular. O cenário de “Sonhos Tropicais ” é de intenso movimento, centrado nos personagens de Oswaldo Cruz e Esther.

HISTÓRICO

Oswaldo Cruz não é apenas um importante vulto histórico, é também uma figura paradigmática que resume, em sua trajetória, todas as contradições pelas quais passou o Brasil no tumultuado processo de sua modernização.

O que temos é um jovem médico, animado por uma profunda crença na ciência como missão. Movido por esta crença, ele, recém-formado, dirige-se a Paris, onde estagia no famoso Instituto Pasteur, e testemunha alguns dos mais importantes movimentos políticos e culturais do “fin-du-siècle”, notadamente o caso Dreyfus. Volta ao Brasil num momento crucial. O pais está à beira de uma grave crise: endividado com bancos internacionais, não dispõe de divisas, pela simples razão de que não consegue exportar o seu principal produto, o café. E não consegue exportar porque os navios estrangeiros recusam-se a aportar no Rio de Janeiro, cidade devastada por pestilências de vários tipos: febre amarela, peste bubônica, varíola. O presidente eleito, Rodrigues Alves, precisa de alguém de pulso para colocar à frente da Diretoria de Saúde Pública, órgão correspondente ao atual Ministério da Saúde. O desconhecido Oswaldo Cruz é indicado para o cargo, aceita - e neste momento tem início um dos períodos mais tumultuados (e ao mesmo tempo, dos mais interessantes) na história do Brasil.

Firmemente convicto do que deve fazer, Oswaldo de imediato organiza campanhas sanitárias destinadas a combater as várias doenças. Já de início enfrenta feroz oposição: os professores da Faculdade de Medicina contestam as suas idéias: não acreditam, por exemplo, que a febre amarela seja transmitida por um mosquito. Isso não impede que os batalhões de “mata-mosquitos” entrem nas residências em busca de focos do inseto, o que causa muita celeuma. Celeuma também causa o combate a peste, veiculada pela pulga do rato: a Diretoria de Saúde Pública passa a comprar roedores mortos (o que, de imediato, dá origem a um lucrativo negócio..). A crise porém eclodirá com o decreto tornando obrigatória a vacinação anti-variólica. Revoltada com o “bota-abaixo”, a violenta reforma urbana empreendida por Pereira Passos para transformar o centro do Rio num equivalente à Paris do Barão Hausman, a população protesta, com o apoio de um importante, e estranho, arco político: monarquistas, positivistas, oposicionistas, anarquistas, médicos. Há desconfiança quanto à vacina e há desconfiança de que os vacinadores aproveitarão a oportunidade para expor braços e pernas das senhoras e senhoritas, violando assim o pudor de uma sociedade que tem muito de conservadora. Eclode então a Revolta da Vacina, que transformou o Rio de Janeiro num verdadeiro campo de batalha.

Deixando o cargo de Diretor de Saúde Pública, Oswaldo Cruz dedica-se ao Instituto que fundou e que hoje leva seu nome. Posteriormente, e já bastante enfermo, torna-se prefeito de Petrópolis, onde, de novo, a sua administração gera polêmicas que só terminarão com sua precoce morte, em 1.917.

MOACYR SCLIAR
(Autor do Livro “Sonhos Tropicais”)

André Sturm
Iniciou seu trabalho com cinema ainda na Faculdade, como programador do Cineclube da GV em 1984, realizando vários eventos de destaque no panorama cultural da cidade. Após terminar a faculdade, e por conseqüência sair do Cineclube, foi convidado a trabalhar na Cinemateca Brasileira como Chefe do departamento de Programação, tendo como principal atribuição a Sala Cinemateca, em Pinheiros. Diversos eventos, tais como Retrospectivas dos cineastas Orson Welles, Fritz Lang e Alfred Hitchcock, entre outros movimentaram a Sala Cinemateca na época, com grande destaque na imprensa.

Em 1989 criou a distribuidora cinematográfica PANDORA FILMES, especializada em filmes de arte e clássicos do cinema. Como atestam algumas das críticas, a distribuidora criou uma excelente reputação, como responsável pelo lançamento de grandes filmes no país. Alguns destaques foram: “Não Amarás” (o primeiro filme do diretor polonês Kieslowski a ser lançado no Brasil), “Paisagem na Neblina”, “Os Imorais”, “Trainspotting”, entre muitos outros. No setor de clássicos, as versões restauradas de “O Leopardo” de Visconti e “Bonequinha de Luxo” com Audrey Hepburn, além de “Lolita”, “Jules e Jim” e “Nós que nos amávamos tanto” em cópias novas.

Dirigiu três filmes de curta-metragem
“ARREPIO” em 1987 - com Rosi Campos e Joel Barcellos
“NEM TUDO QUE É SONHO DESMANCHA NO AR” em 1989 - com Cassio Gabus Mendes, Antônio Calloni e Ana Maria N. Silva
“DOMINGO NO CAMPO” em 1994 - com Osmar Prado e Guilherme Karam

Os filmes foram selecionados para diversos festivais no Brasil tais como : Gramado, RioCine, Brasília, São Paulo, São Luís do Maranhão, Salvador, Cuiabá e no exterior: Havana, Caracas, Berlim, Leipzig, Santiago, Montevidéu, entre outros.

Os filmes também receberam diversos prêmios, entre eles “Domingo no Campo” recebeu os de Melhor Diretor e Melhor Ator (Osmar Prado) no Festival de Gramado 94 (o mais importante festival do Brasil).

“Sonhos Tropicais ” é seu primeiro filme de longa metragem.

Características
Filme de longa-metrgaem de época, com 100 minutos de duração, rodado em 35mm.

Produzido pela Providence e Cooperativa Cinema & Mídias Digitais, co-produzido pela TV Cultura, com incentivo da Lei Audiovisual.

Filmagens

As filmagens de “Sonhos Tropicais ” passarão pelas cidades paranaenses de Castro, Lapa, Antonina e Paranaguá e serão finalizadas no Rio de Janeiro. A data de abertura de câmera está prevista para a terceira semana de setembro de 2000 ..

O elenco
Bruno Giordano, no papela de Oswaldo Cruz; Carolina Kasting, como Esther; Lu Grimaldi, no papel de Vânia; Gracindo Jr. como Cardoso de Castro; e Antônio Petrin, que fará o cáften Rotchilds.

Lançamento
A data de lançamento do filme está prevista para maio de 2001.

Produtoras
CENTRO DE CULTURA CINEMATOGRÁFICA PROVIDENCE
Rua Arizona, 433, Brooklin Novo, São Paulo - SP, 04567-001
Tels: 11-530-0839 / 241-0133

Filmografia:
Arrepio (CM, 10 minutos, cor, 1987 )
Direção: André Sturm
Elenco : Rosi Campos, Joel Barcellos
Prêmio Estímulo - Secretária de Estado da Cultura de São Paulo.

Nem Tudo que é Sonho Desmancha no Ar (CM, 15 minutos, cor, 1989)
Direção: André Sturm
Elenco : Cássio Gabus Mendes, Ana Maria Nascimento e Silva, Antônio Calloni.

Domingo no Campo (CM, 10 minutos, cor, 1994)
Direção: André Sturm
Elenco : Osmar Prado, Guilherme Karam.
Prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator (Osmar Prado) Festival de Gramado.

Outras Atividades:
Primeira Distribuidora Independente de Filmes, no Brasil.
Criada em 1989 para trazer filmes específicos, que outras distribuidoras não se interessavam. Nossos primeiros filmes distribuídos foram: Vozes Distantes (Prêmio da Crítica em Cannes), Sugar Baby (Percy Adlon), A Pequena Vera, O Estado das Coisas (Wim Wenders). Em seguida tivemos dois sucessos: Não Amarás, de K. Kieslovski, diretor polonês até então desconhecido no Brasil, e Paisagem na Neblina de Theo Angelopoulos, primeiro filme do diretor grego distribuído no Brasil.

A partir de 1991, fizemos acordo com uma empresa de vídeo, que possibilitou o lançamento de filmes maiores, tais como Os Imorais (Stephen Frears), Cães de Aluguel (Quentin Tarantino), e A Voz da Lua, último filme de Fellini.

Após o final desse acordo, lançamos diversos filmes que fizeram bastante sucesso, tais como Trainspotting, O Doce Amanhã, Minha Vida em Cor-de-Rosa, O Prisioneiro das Montanhas, Denise Está Chamando, Bem Vindo a Casa de Bonecas, Na Companhia dos Homens.

Outra linha de nosso trabalho é o relançamento de filmes clássicos em cópias restauradas como Os Guarda-Chuvas do Amor, Morangos Silvestres, O Sétimo Selo, Jules e Jim, O Leopardo, Bonequinha de Luxo, A Marca da Maldade, Noites de Cabíria, Rocco e seus Irmãos, Morte em Veneza, e mais recentemente A Doce Vida.

COOPERATIVA CINEMA & MÍDIAS DIGITAIS

cooperativacm@convoy.com.br
FESTIVAL DO RIO BR - FILMES PREMIADOS

prêmio de melhor vídeo:
SURREAL de André Metello
voto juri popular
Prêmio Festival do Rio BR - R$ 5.000, 00

melhor curta:
O BRANCO de Angela Pires e Liliana Sulzbach
voto: juri popular
Prêmio Festival do Rio BR - R$ 5.000, 00 ( Festivalo do Rio BR)

Prêmio QUANTA - R$ 6 mil em equipamentos de iluminação,
acessórios e maquinárias.

Prêmio Labocine: 1.800 metros de revelação, preparação e limpeza, e a correspondente telecinagem em offline.

Prêmio de melhor curta da ABD e C
TROPEL de Eduardo Nunes e
OUTROS de Gustavo Spolidoro

melhor longa - documentário:
O SONHO DE ROSE, 10 ANOS DEPOIS de Tete Moraes
voto: juri ppopular
prêmio BR: R$100.000,00

melhor longa - ficção:
TAINÁ - UMA AVENTURA NA AMAZÔNIA de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch
voto: juri popular
prêmio BR: R$ 200.000,00

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  Luiz em meio à sua paixão

Lula Rodrigues (interino) viaja com a Maria João (foto) e vai ao cinema.