COMENTANDO
Teatro
por Gustav Marhaban

Concurso Dramaturgia


16/Setembro/2000

RETRATO EM 3X4 DE UMA TRISTE PÁTRIA

O romance de Leon Tolstói começa com a emblemática frase: "Todas as famílias felizes se parecem entre si: as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira." E a família feliz vive em crise e como em toda crise o tempo parece não passar consequentemente a família feliz se eterniza. A família feliz no entanto necessita da crise para perceber o temporal, ocupar um tempo.A crise não escolhe hora ou lugar, no entanto alguns momentos são mais propícios ao desabrochar do "inconsciente familiar". O natal por exemplo. Passarela iluminada para os desfiles do cinismo e da hipocrisia. Mesmo quando em algum desses encontros familiares a realidade aparece é por que cinismo e hipocrisia fizeram as preliminares.

"Festa de família só mesmo anestesiado" diz uma das personagens de AMIGO OCULTO peça de Augusto Boal sob a inteligente e criativa direção de Marília Pêra que embora sendo uma comédia de costumes com suas óbvias repetições não perde o dinamismo e o tradicional entra e sai é executado com suavidade. Nada excede em O AMIGO OCULTO, tudo é milimétricamente ajustado permitindo um desfile homogêneo de profissionais talentosos com larga experiência na sua maioria.Dos menos experientes destaque especial para Claudio Ghiesse que usou de sutileza,qualidade dos mais experientes, na composição do seu personagem, não apelando em momento algum para o esteriótipo fácil e abominável . Já Esperança Mota exagera na caricata doméstica. E nem sempre personagens caricatos são engraçados, muito pelo contrário, em sua maioria soam repititivos e consequentemente enfadonhos.

Noite de Natal e os parentes chegam para a festa preparada à revelia da dona da casa: "A família se une e a família se perdoa".

O amigo oculto obriga a troca de presentes: "eu comprei o seu presente e escolhi o seu amigo oculto".

Cada presente antes de ser entregue exige que determinadas características do "amigo" sejam declinadas e elas vão aparecendo: o marido mulherengo que traía a mulher,alcóolatra, com a cunhada, o filho homosexual, "sempre que o pai é macho demais o filho sai pela culatra". a doméstica que abortara, a matriarca doente que, maquiavélicamente,tramou o desfecho daquela festa.

O AMIGO OCULTO embora aparentando ser uma deliciosa comédia, um competente bulevar catártico, é muito mais, representa muito mais. Em primeiro lugar o primor de um texto, em segundo a amplitude do referido texto. Mesmo que o universo retratado seja o familiar, na ampliação vem à tona a hipocrisia, o cinismo, a corrupção e a alienação que reina em todo o tipo de sociedade que habita "a terra onde canta o sabià", da família ao Planalto.Não deixa de ser um texto político. Amplie a cena que você verá um "conhecido país" e sua impudência.


Sábio e "augusto"Boal, sábia Marília, elenco e equipe de O AMIGO OCULTO. Sábio todo aquele que for assistir essa magnífica encenação.

O AMIGO OCULTO está em cartaz de quinta à domingo no Teatro Sesi - Rua Graça Aranha, 1
quinta, sexta e domingo, às 19:30 sáb, às 20:30

Foto de Guga Melder
Elenco
Fafy Siqueira
Françoise Forton
Debora Olivieri
Esperança Pêra Motta
Silvia Aderne
Claudio Ghiesse
Alexandre Barbalho
Reinaldo Gonzaga
Mario Cardoso

Foto de Guga Melder
FICHA TÉCNICA
texto: Augusto Boal
Direção: Marília Pêra
Figurinos: Kalma Murtinho
Iluminação: Rogério Wiltghen
Cenografia: Alexandre Murucci
Produção: Montenegro e Raman
www.montenegroeraman.com.br
email: mraman@uol.com.br

3º CONCURSO DE DRAMATURGIA - PRÊMIO CARLOS CARVALHO

REGULAMENTO

1. - FINALIDADE

A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura, com o objetivo de incentivar a literatura dramática e o surgimento de novos dramaturgos, realiza o Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho. Esta edição marca os quinhentos anos de descobrimento do Brasil ampliando a abrangência de forma favorecer o intercâmbio entre os países de língua portuguesa.

2. - INSCRIÇÕES

2.1 - Estão autorizados a inscrever-se no concurso dramaturgos nascidos, naturalizados ou residentes em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste;
2.2 - O conteúdo das peças deverá estar direcionado ao público adulto;
2.3 - Os textos deverão ser inéditos, entendendo-se por inéditos textos não publicados ou encenados;
2.4 - Os originais deverão permitir a montagem de um espetáculo com duração mínima de 1 (uma) hora;
2.5 - Os concorrentes poderão inscrever até 3 (três) obras, desde que sob pseudônimos diferentes;
2.6 - Os trabalhos deverão ser apresentados em língua portuguesa, em 4 (quatro) vias, em folhas tamanho A4, numeradas, datilografadas ou digitadas, em uma face apenas; caso digitadas utilizando fonte tamanho 12 e entrelinha dupla; cada via deverá ser presa em pasta própria, identificada com o nome do concurso, o pseudônimo do autor e o título da obra;
2.7 - A identificação do concorrente, acompanhada de endereço completo para correspondência e breve currículo, deverá ser entregue dentro de um envelope lacrado, sobrescrito com o título do trabalho, o nome do concurso e o pseudônimo do autor;
2.8 - A inscrição poderá ser direta ou via correio;
2.9 - Comprovantes de inscrição serão fornecidos no ato do recebimento dos textos (entrega direta) ou serão remetidos para o endereço indicado pelo concorrente no envelope de remessa postal (inscrição pelo correio);
2.10 - As quatro vias do texto deverão ser encaminhadas através de uma única remessa postal;
2.11 - A remessa pelo correio deverá ser feita através de carta
simples ou sedex (nacional ou internacional) e só serão considerados inscritos os textos que forem entregues diretamente na sede do concurso;
2.12 - Os interessados deverão inscrever seus trabalhos no seguinte
endereço: Coordenação de Artes Cênicas - Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, Av. Érico Veríssimo, 307 - CEP 90.160-181 - Porto Alegre - RS - Brasil. Telefone e fax: (55 51) 2216622 ramais 232 e 234;
2.13 - As inscrições serão realizadas no período compreendido
entre 28 de agosto e 18 de dezembro de 2000; a data efetiva da inscrição, para os trabalhos remetidos pelo correio, será determinada pelo carimbo postal.

3. - JULGAMENTO

3.1 - Os textos serão examinados por uma Comissão Julgadora composta por:
Décio Antunes, Bacharel em Direção Teatral - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - e diretor de teatro;
Fernando Peixoto, ator, diretor de teatro e ensaísta;
Ivete Huppes, Doutora em Letras - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - com Pós-Doutorado no Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa;
3.2 - O pronunciamento final da Comissão Julgadora será formalizado no prazo de 70 (setenta) dias após o encerramento das inscrições;
3.3 - A Comissão Julgadora é soberana e terá o direito de não atribuir qualquer modalidade de premiação ou unidade de prêmio.

4. - MODALIDADES DE PREMIAÇÃO

4.1 - EM DINHEIRO
Serão concedidos 3 (três) prêmios:
1º lugar: R$ 4.000,00 (quatro mil reais),
2º lugar: R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais),
3º lugar: R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais);
A cerimônia para divulgação das obras e entrega dos prêmios, em dinheiro, está prevista para março de 2001, durante a Semana de Porto Alegre.
4.2 - PUBLICAÇÃO
As peças premiadas em 1º, 2º e 3º lugares serão editadas no volume 3º Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, que terá ampla divulgação e distribuição;
4.3 - Menção Honrosa: A Comissão Julgadora, a seu critério, poderá conceder, ainda, uma ou mais Menções Honrosas;
4.4 - Os autores deverão submeter-se às formalidades de praxe junto à Secretaria Municipal da Cultura, tendo em vista a liberação dos prêmios.

5. - PUBLICAÇÃO E DIREITOS AUTORAIS

5.1 - A Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre se reserva o direito de publicação das obras premiadas;
5.2 - O ato da inscrição implica, por parte dos autores, a cessão automática dos direitos de publicação para a Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, que será responsável pela edição do livro 3º
Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho;
5.3 - Os vencedores cedem à Coordenação de Artes Cênicas os
direitos para leitura dramática das peças premiadas, com o objetivo de divulgação, sem qualquer ônus;
5.4 - A título de quitação dos direitos autorais, 10% (dez por cento) sobre a tiragem do livro serão divididos, entre os três autores premiados.

6. - DISPOSIÇÕES GERAIS

6.1 - Os textos inscritos não serão devolvidos pela Comissão Organizadora;
6.2 - Os casos omissos neste Regulamento serão resolvidos pelas Comissões Organizadora e/ou Julgadora, dependendo do caso;
6.3 - A inscrição no concurso implicará, por parte do concorrente, a
plena
aceitação dos termos deste Regulamento.


Porto Alegre, 28 de agosto de 2000.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE
SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA
COORDENAÇÃO DE ARTES CÊNICAS

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  Luiz em meio à sua paixão

Gustav Marhaban adora teatro.