14/Outubro/2000
Sob Todos os Aspectos, um espetáculo para Artaud
- Por Elaine Pauvolid
A peça de um ato e de apenas uma artriz-diretora foi montada a partir de texto produzido por Luiz Horácio
Rodrigues, dramaturgo, jornalista e escritor. Não há sequer uma palavra em toda apresentação,
apenas um grito, apenas música de Alex Saba, apenas luz, apenas Tereza Amoêdo encarnando dor em estado
bruto.
Citemos Antonin Artaud em Teatro e seu duplo (tradução de Teixeira Coelho, editora Max Limonad, 1987):
"O fato de existirem chaves profundas no pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo
é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por
isso. Mas de todo modo é preciso que estas chaves 'estejam aí', e isso nos diz respeito" pág.
119.
As chaves apontadas por Antonin Artaud estão presentes na peça em questão. O ser encarnado
pela atriz, o ser humano, prossegue sempre massacrado. Através do massacre da personagem vemos nosso massacre
como espécie. Isto só é possível pelas tais chaves escondidas na peça. Não
as vemos e nos afetam profundamente. O tema é a opressão sofrida pelo ser humano, em última
instância, caracterizada pela dor.
Encarnando o ritual de catarse, apresenta a crueldade por sua outra via, produzindo efeito libertário. De
alguma forma, doendo impulsionados pela ilusão produzida pela obra artística, deixamos nossa dor
noutro lugar, libertamo-nos do existente por trás dela, seu alimento.
Esta era a função do teatro grego e é esta a função do teatro de Bali a que
Artaud refere-se com freqüência no livro referencial. Citemo-lo: "não se devolverá
ao teatro os poderes específicos de ação antes de sua linguagem [do teatro] lhe ser devolvida",
esta linguagem requisitada, Tereza Amoêdo atualiza.
O espetáculo representa também um recorte de humanidade no cenário da arte contemporânea
onde todos parecem super-heróis. Onde precisa-se vencer a dor, mostrar-se em combate, dando o exemplo numa
espécie de pedagogia da existência. Tereza não é heroína, sua personagem padece,
luta e é vencida pelo caos moderno cuja filosofia não se diferencia da grande regra da natureza animal,
a lei do mais forte. No caso da apresentação, a personagem perde, é tragada, engolida, não
sem lutar, não sem berrar.
Quanto ao aspecto técnico, Tereza demonstra apuro. Não realiza movimentos jamais feitos, nem tampouco
seu corpo representa algo sobre-humano - itens a gerar pontos, rotineiramente, a favor de peças contendo
expressão corporal como linguagem. No entanto, alguns momentos valem por toda uma peça conduzida
pelos maiores coreógrafos e diretores vivos. São o reflexo das tais chaves mencionadas acima.
Tereza dirige a si mesma com assistência de Luiz Horácio Rodrigues, comunicando-se inteiramente com
a platéia e consigo mesma. Não há uma palavra em toda cena, apenas um grito, apenas música
e luz - iluminação de Luísa Friese.
Lembre-se que este tipo de teatro não costuma atrair, atualmente, grandes multidões como antes acontecia
na Grécia. Talvez porque o público ainda não conheça seu efeito instantâneo de
catarse, talvez nem mesmo conheça a catarse e então temos que citar Antonin Artaud quando em seu
primeiro manifesto do Teatro da Crueldade, acerca do público, fala que antes de falar deste tópico
"é preciso que o teatro exista". Se ele pudesse assistir à peça de Tereza, diria
que já existe.
Elaine é poeta e organiza o evento cultural Sarau João do Rio que acontece toda quinta-feira,
20:00 na Livraria João do Rio, Rua do Catete, 144, Rio de Janeiro, RJ. |

Baseada em texto de:
Luiz Horácio Rodrigues
Direção:
Tereza Amoêdo
Iluminação:
Luísa Friese
Música:
Alex Saba
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EM CARTAZ
1. DUAS MULHERES E UM CADÁVER
Duas mulheres, uma amante e paciente e a outra esposa, se encontram trancadas no consultório de um psicanalista,
que acaba de ser encontrado morto, assassinado. "Mais que um romance policial, ou uma história sobre
traição, o texto de Patrícia mostra a relação entre essas duas mulheres, que
são amigas e inimigas ao mesmo tempo. A violência é um tema recorrente nos textos de Patrícia.
Em ““Duas Mulheres e Um Cadáver”, ela fala da violência feminina, que é muito mais cruel, por
ser mais verbal e tocar em questões morais", diz Debora. "A violência dessas personagens
está na banalidade de suas vidas", completa Fernanda. "A peça pode representar a derrota
ou a vitória da psicanálise.
Vitória porque até morto, o analista consegue fazer com que tudo seja dito. Ou a derrota, porque
mesmo com ele morto, as mulheres conseguem liberar suas emoções", brinca o diretor.
Horário: 5ª - 21h / 6ª e Sábado – 21:30h / Domingo – 20:30h
Preços: 5ª - R$ 20,00 / 6ª e Domingo – R$ 25,00 / Sábado – R$ 30,00
20% de desconto Clube do Assinante do Jornal O Globo
Local: Teatro das Artes – Shopping da Gávea (Rua Marques de São Vicente, 52 - 2ª piso - Gávea
Ficha Técnica)
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Duas Mulheres e um Cadáver
Texto: Patrícia Melo
Direção: Aderbal Freire – Filho
Elenco:
Débora Bloch, Fernanda Torres e Ricardo Pavão
Direção de Arte e Cenário: Daniela Thomas
Figurino: Marcelo Pies
Luz: Maneco Quinderé
Preparador Corporal: Renata Melo
Programador Visual: Gaulter Puppo
Fotógrafo: Bob Wolfenson
Trilha Sonora: André Abujamra
Ass. de Imprensa: BCM – Barata Com. Marketing
Direção de Produção e Produção Executiva:
Alessandra Reis e Miriam Juvino
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2. VENTRILOQUIST
A visão irônica e inteteligente de um encenador criativo e inquieto.
Ventriloquist provoca riso e constrangimento numa necessária e muito apropriada reflexão sobre a
cultura, desprezada, e seus dejetos, incensados.
Com a Cia de Ópera Seca
Teatro Sesc Copacabana
Direção: Gerald Thomas
Quinta a sábado; 21h e domingo às 20h |
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3. SOLOS SECOS
Dando prosseguimento à programação que vem implementando no Sesc Copacabana, Gerald Thomas
estreou, no dia 20 de setembro, os Solos Secos. Com o objetivo de mostrar ao público carioca seu
processo criativo à frente da Cia. de Ópera Seca, Gerald e seus atores apresentarão
gratuitamente, todas as quartas-feiras até 18 de outubro, sempre às 21h, espécies de ensaios
abertos ou "jam sessions" teatrais, como o diretor as define com bom humor.
Nesses Solos Secos, os atores de sua companhia mostram com bastante liberdade - Gerald fará apenas
intervenções ocasionais - exercícios cênicos sobre fragmentos de textos escolhidos por
eles. A idéia é expôr o funcionamento do trabalho que o diretor vem desenvolvendo junto ao
grupo e que chama de "work in progress" ou "Gerald Thomas Unplugged", e que consiste justamente
na construção e desenvolvimento dos espetáculos no decorrer dos ensaios, incorporando idéias
e material sugeridos pelos próprios atores da companhia.
Além disso, Gerald Thomas espera, com esses Solos, evidenciar a qualidade do trabalho desenvolvido pelos
atores da Cia. de Ópera Seca, proporcionando assim uma oportunidade para que mostrem seu talento sem uma
interferência tão efetiva do diretor.
Solos Secos
Com a Cia. de Ópera Seca, de Gerald Thomas
Quartas-feiras, às 21h
ENTRADA FRANCA
SESC COPACABANA
Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana
Tel: 547-0156/ 548-1088
Cia de Ópera Seca: Camila Morgado, Fabiana Guglielmetti, Ludmila Rosa, Muriel Matalon, Bruce Gomlevsky,
Caetano Vilela, Fabio Mendes, Marcelo Boechat, Marcos Azevedo, Dominic Barter |
3º CONCURSO DE DRAMATURGIA - PRÊMIO CARLOS CARVALHO
REGULAMENTO
1. - FINALIDADE
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria
Municipal da Cultura, com o objetivo de incentivar a literatura dramática e o surgimento de novos dramaturgos,
realiza o Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho. Esta edição marca os quinhentos
anos de descobrimento do Brasil ampliando a abrangência de forma favorecer o intercâmbio entre os países
de língua portuguesa.
2. - INSCRIÇÕES
2.1 - Estão autorizados a inscrever-se no concurso dramaturgos nascidos, naturalizados ou residentes em
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe,
Timor Leste;
2.2 - O conteúdo das peças deverá estar direcionado ao público adulto;
2.3 - Os textos deverão ser inéditos, entendendo-se por inéditos textos não publicados
ou encenados;
2.4 - Os originais deverão permitir a montagem de um espetáculo com duração mínima
de 1 (uma) hora;
2.5 - Os concorrentes poderão inscrever até 3 (três) obras, desde que sob pseudônimos
diferentes;
2.6 - Os trabalhos deverão ser apresentados em língua portuguesa, em 4 (quatro) vias, em folhas tamanho
A4, numeradas, datilografadas ou digitadas, em uma face apenas; caso digitadas utilizando fonte tamanho 12 e entrelinha
dupla; cada via deverá ser presa em pasta própria, identificada com o nome do concurso, o pseudônimo
do autor e o título da obra;
2.7 - A identificação do concorrente, acompanhada de endereço completo para correspondência
e breve currículo, deverá ser entregue dentro de um envelope lacrado, sobrescrito com o título
do trabalho, o nome do concurso e o pseudônimo do autor;
2.8 - A inscrição poderá ser direta ou via correio;
2.9 - Comprovantes de inscrição serão fornecidos no ato do recebimento dos textos (entrega
direta) ou serão remetidos para o endereço indicado pelo concorrente no envelope de remessa postal
(inscrição pelo correio);
2.10 - As quatro vias do texto deverão ser encaminhadas através de uma única remessa postal;
2.11 - A remessa pelo correio deverá ser feita através de carta
simples ou sedex (nacional ou internacional) e só serão considerados inscritos os textos que forem
entregues diretamente na sede do concurso;
2.12 - Os interessados deverão inscrever seus trabalhos no seguinte
endereço: Coordenação de Artes Cênicas - Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos
Carvalho, Av. Érico Veríssimo, 307 - CEP 90.160-181 - Porto Alegre - RS - Brasil. Telefone e fax:
(55 51) 2216622 ramais 232 e 234;
2.13 - As inscrições serão realizadas no período compreendido entre 28 de agosto e
18 de dezembro de 2000; a data efetiva da inscrição, para os trabalhos remetidos pelo correio, será
determinada pelo carimbo postal.
3. - JULGAMENTO
3.1 - Os textos serão examinados por uma Comissão Julgadora composta por:
Décio Antunes, Bacharel em Direção Teatral - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - e
diretor de teatro;
Fernando Peixoto, ator, diretor de teatro e ensaísta;
Ivete Huppes, Doutora em Letras - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - com Pós-Doutorado
no Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa;
3.2 - O pronunciamento final da Comissão Julgadora será formalizado no prazo de 70 (setenta) dias
após o encerramento das inscrições;
3.3 - A Comissão Julgadora é soberana e terá o direito de não atribuir qualquer modalidade
de premiação ou unidade de prêmio.
4. - MODALIDADES DE PREMIAÇÃO
4.1 - EM DINHEIRO
Serão concedidos 3 (três) prêmios:
1º lugar: R$ 4.000,00 (quatro mil reais),
2º lugar: R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais),
3º lugar: R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais);
A cerimônia para divulgação das obras e entrega dos prêmios, em dinheiro, está
prevista para março de 2001, durante a Semana de Porto Alegre.
4.2 - PUBLICAÇÃO
As peças premiadas em 1º, 2º e 3º lugares serão editadas no volume 3º Concurso
de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, que terá ampla divulgação e distribuição;
4.3 - Menção Honrosa: A Comissão Julgadora, a seu critério, poderá conceder,
ainda, uma ou mais Menções Honrosas;
4.4 - Os autores deverão submeter-se às formalidades de praxe junto à Secretaria Municipal
da Cultura, tendo em vista a liberação dos prêmios.
5. - PUBLICAÇÃO E DIREITOS AUTORAIS
5.1 - A Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre se reserva o direito de publicação das obras
premiadas;
5.2 - O ato da inscrição implica, por parte dos autores, a cessão automática dos direitos
de publicação para a Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, que será responsável
pela edição do livro 3º Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho;
5.3 - Os vencedores cedem à Coordenação de Artes Cênicas os direitos para leitura dramática
das peças premiadas, com o objetivo de divulgação, sem qualquer ônus;
5.4 - A título de quitação dos direitos autorais, 10% (dez por cento) sobre a tiragem do livro
serão divididos, entre os três autores premiados.
6. - DISPOSIÇÕES GERAIS
6.1 - Os textos inscritos não serão devolvidos pela Comissão Organizadora;
6.2 - Os casos omissos neste Regulamento serão resolvidos pelas Comissões Organizadora e/ou Julgadora,
dependendo do caso;
6.3 - A inscrição no concurso implicará, por parte do concorrente, a plena aceitação
dos termos deste Regulamento.
Porto Alegre, 28 de agosto de 2000.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE
SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA
COORDENAÇÃO DE ARTES CÊNICAS |