Sob Todos os Aspectos, um espetáculo para Artaud
- Por Elaine Pauvolid
A peça de um ato e de apenas uma artriz-diretora foi montada a partir de texto produzido por Luiz Horácio
Rodrigues, dramaturgo, jornalista e escritor. Não há sequer uma palavra em toda apresentação,
apenas um grito, apenas música de Alex Saba, apenas luz, apenas Tereza Amoêdo encarnando dor em estado
bruto.
Citemos Antonin Artaud em Teatro e seu duplo (tradução de Teixeira Coelho, editora Max Limonad, 1987):
"O fato de existirem chaves profundas no pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo
é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por
isso. Mas de todo modo é preciso que estas chaves 'estejam aí', e isso nos diz respeito" pág.
119.
As chaves apontadas por Antonin Artaud estão presentes na peça em questão. O ser encarnado
pela atriz, o ser humano, prossegue sempre massacrado. Através do massacre da personagem vemos nosso massacre
como espécie. Isto só é possível pelas tais chaves escondidas na peça. Não
as vemos e nos afetam profundamente. O tema é a opressão sofrida pelo ser humano, em última
instância, caracterizada pela dor.
Encarnando o ritual de catarse, apresenta a crueldade por sua outra via, produzindo efeito libertário. De
alguma forma, doendo impulsionados pela ilusão produzida pela obra artística, deixamos nossa dor
noutro lugar, libertamo-nos do existente por trás dela, seu alimento.
Esta era a função do teatro grego e é esta a função do teatro de Bali a que
Artaud refere-se com freqüência no livro referencial. Citemo-lo: "não se devolverá
ao teatro os poderes específicos de ação antes de sua linguagem [do teatro] lhe ser devolvida",
esta linguagem requisitada, Tereza Amoêdo atualiza.
O espetáculo representa também um recorte de humanidade no cenário da arte contemporânea
onde todos parecem super-heróis. Onde precisa-se vencer a dor, mostrar-se em combate, dando o exemplo numa
espécie de pedagogia da existência. Tereza não é heroína, sua personagem padece,
luta e é vencida pelo caos moderno cuja filosofia não se diferencia da grande regra da natureza animal,
a lei do mais forte. No caso da apresentação, a personagem perde, é tragada, engolida, não
sem lutar, não sem berrar.
Quanto ao aspecto técnico, Tereza demonstra apuro. Não realiza movimentos jamais feitos, nem tampouco
seu corpo representa algo sobre-humano - itens a gerar pontos, rotineiramente, a favor de peças contendo
expressão corporal como linguagem. No entanto, alguns momentos valem por toda uma peça conduzida
pelos maiores coreógrafos e diretores vivos. São o reflexo das tais chaves mencionadas acima.
Tereza dirige a si mesma com assistência de Luiz Horácio Rodrigues, comunicando-se inteiramente com
a platéia e consigo mesma. Não há uma palavra em toda cena, apenas um grito, apenas música
e luz - iluminação de Luísa Friese.
Lembre-se que este tipo de teatro não costuma atrair, atualmente, grandes multidões como antes acontecia
na Grécia. Talvez porque o público ainda não conheça seu efeito instantâneo de
catarse, talvez nem mesmo conheça a catarse e então temos que citar Antonin Artaud quando em seu
primeiro manifesto do Teatro da Crueldade, acerca do público, fala que antes de falar deste tópico
"é preciso que o teatro exista". Se ele pudesse assistir à peça de Tereza, diria
que já existe.
Elaine é poeta e organiza o evento cultural Sarau João do Rio que acontece toda quinta-feira,
20:00 na Livraria João do Rio, Rua do Catete, 144, Rio de Janeiro, RJ. |

Baseada em texto de:
Luiz Horácio Rodrigues
Direção:
Tereza Amoêdo
Iluminação:
Luísa Friese
Música:
Alex Saba
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TECENDO O AMANHÃ
O projeto TECENDO O AMANHÃ, é um programa de leitura do SESC- RIO que, além de uma Feira
de Livros, promove ocontato com autores e textos teatralizados. No SESC TIJUCA será apresentada pela Companhia
de Teatro Medieval a peça POR QUE O MAR TANTO CHORA - No dia 22 de outubro às 15:30h.
No último final de semana de outubro, a Feira de Livros será no Campo de São Bento em Niterói,
sendo que no dia 28 às 11 horas será aprsentada POR QUE O MAR TANTO CHORA e no dia 29 às 11
horas O REIZINHO MANDÃO. A atriz e autora Marcia Frederico estará autografando seu livro O SEGREDO
BEM GUARDADO após a apresentação.
Por que o Mar Tanto Chora ou A Cinderela Brasileira
"Por que o Mar tanto chora" foi registrado por Sílvio Romero em Contos Populares do Brasil
e faz parte dos Contos de Encantamento do folclore Brasileiro, sendo muitas vezes conhecido como "A Cinderela
Brasileira".
Adaptada para ser dramatizada, a história é contada e interpretada por Marcia Frederico e Marcos
Edom, que se dividem nos mais de 12 personagens, convidando muitas vezes a platéia a participar das cenas.
Com elementos cênicos que se transformam, várias imagens são montadas para ilustrar a encantadora
história que, além de lírica, é contada de forma bem humorada.
A história é de uma Princesa, Maria do Brasil, que nasce com uma cobra enrolada no pescoço
e esta, além de sua irmã, é sua melhor amiga e é quem lhe ajuda a se desvencilhar de
um Rei, feio, estranho e rabugento que quer com ela se casar...Fugas, Navegações para Reinos distantes,
Bailes de Carnaval e Príncipes apaixonados fazem parte do desenrolar da narrativa. E, ainda, uma referência
à Nêga Fulô (personagem tema do poema de Jorge de Lima).
Marcia Frederico, Marcos Edom e Heloisa Frederico (que assina a direção de arte da Companhia - cenários,
figurinos e adereços), são os fundadores da COMPANHIA de TEATRO MEDIEVAL que desde 1988 pesquisa
o gênero popular da Farsa Medieval, e obtiveram neste período mais de 45 indicações
e 12 Prêmios, entre SATED, SHELL, SHARP, COCA-COLA, MAMBEMBE e MOLIÈRE, sendo que este último
a própria Marcia foi vencedora na categoria Melhor Atriz, também premiada na categoria Autora, foi
júri do Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem, no Rio, durante 2 anos. |

Ficha Técnica
Atriz / Autora / Produtora
Marcia Frederico
Diretor / manipulador cênico / técnico som, luz, cenário
Marcos Edom
Diretora de Arte / cenógrafa, figurinista, aderecista
Heloisa Frederico
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O Reizinho Mandão
Estréia: Universidade Estácio de Sá, RJ - 1998
Adaptado do livro homônimo de Ruth Rocha, é uma história de tradição oral, que
fala do excesso de autoritarismo de um pequeno Rei. De tanto mandar os outros calarem a boca, ele se surpreende
com o silêncio absoluto de seu reino: todos desaprenderam a falar. Sentindo-se solitário e arrependido,
o reizinho parte em busca da solução...
A história é introduzida pelo Contador de Histórias (Marcia Frederico) e seu ajudante (Marcos
Edom), figuras tiradas do folclore brasileiro. O Contador tem em sua capa o universo infantil: chocalho, peões,
cataventos, passarinhos, boneca de pano e bolas. O Ajudante vem na burrinha, com o chapéu de fitas e espelhos,
inspirado no maracatu, nas congadas e no bumba-meu-boi. |
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