Teatro
por Gustav Marhaban

Tecendo o Amanhã
Por que o Mar
, O Reizinho Mandão
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28/Outubro/2000

OSCAR WILDE DESPERDIÇADO

...com amor Oscar Wilde em cartaz no Teatro do SESI no Rio de Janeiro é um tiro na água para não dizer um gol contra. Num determinado momento Oscar adverte que "nada moderado é bom". Discutível como toda a obra de Oscar que em sua quase totalidade é direcionada à um público específico, cativo e atualmente pouco afeito a reflexão.

Em tempos de proliferação de pitty-boys e seus congêneres ...com amor Oscar Wilde despreza o potencial da obra do autor irlandes quando se demora ao detalhar o homossexualismo evitando aprofundar-se na análise do autoritarismo e do preconceito que ainda vigora. A vítima (Oscar) é a figura central, como não poderia deixar de ser, deste patético e equivocado drama enquanto seus opressores são mostrados de maneira simplista sem que sobre eles recaia análise significativa. Desta forma não faltarão defensores para os intolerantes visto que Oscar é apresentado como um devasso que em sua necessidade de consumir o novo - "sou um amante da juventude"- relega a planos inferiores mulher, filhos e compromissos.

O autor e também protagonista Mauriciom Souza Lima perpetrou um texto confuso, de cronologia acrobática, que veio a completar o conjunto de equívocos. É um espetáculo, não para iniciados em Oscar Wilde mas para profundos e aguerridos adoradores deste ícone do homossexualismo deslumbrado. Não resta outra análise, graças ao enfoque do espetáculo, a não ser a da defesa da homossexualidade e sua aceitação pela maioria hetero.

A sucessão de equívocos começa pelo texto que tem narrativa linear, a direção que não se faz notar, a iluminação sóbria, acentuando o tom supostamente grave do que deveria ser mostrado, é desperdiçada visto o tom arco-íris predominante do espetáculo, o cenário simples acaba se tornando um obstáculo para uma cronologia desordenada, o elenco é por demais afinado em sua ambiguidade. Alguns exageram na má atuação: Mauriciom Souza Lima defende seu Oscar com irregularidade, demais afetado em momentos de conflito que beiram o patético. Estaria à vontade num baile de máscaras, Eron Cordeiro faz de Alfred Douglas, o amante de Oscar, um tipo sem nuances, numa linha de interpretação totalmente avessa às exigências de um amante de Oscar.

Nem nos momentos extremos, onde é fácil até para atores sem talento, o rapaz se impõe. Renata Versari tenta dar sentido a presença de Constance, a esposa submissa relegada a segundo plano, embora seu reduzido papel. Talvez seja Renata a única interpretação coerente neste...com amor Oscar Wilde. Perry Sales tenta dar um tom grave ao Marquês de Queensberry, pai de Alfred, beirando o caricato.

As demais atuações não são sentidas a não ser a constrangedora presença de uma sonolenta criança submetida a uma exposição sem sentido.

...com amor Oscar Wilde não chega a ser um mau espetáculo, antes de tudo é um exercício. De interpretação para o elenco e para o público, de paciência.

Mesmo assim, como diz Oscar no espetáculo em questão: "Se não houver aplausos, haverá sim o silêncio."




"...Com amor Oscar Wilde"
Teatro SESI
Rua Graça Aranha, 1- Centro
(563 4163)
Lugares: 350+50 extra

Horário
Quinta, sexta e domingo às 19h30m

Preços
Quinta, sexta => R$ 15,00
Sábado e domingo => R$ 20,00

Autor
Maurício Souza Lima

Direção
Ivone Hoffmann

Elenco
Mauríciom Souza Lima- Oscar Wilde
Perry Salles - Marquês de Queensberry
Erom Cordeiro - Alfred Douglas
Sílvio Pozzato - Rob
Marcus Toledo -Promotor
Flávio Mota - Juiz

Cenário e Figurino
Rosa Magalhões

Iluminação
Aurélio de Simone

QUARTO CIRCUITO DAS ARTES DO JARDIM BOTÂNCIO

Heloisa Frederico, artista plástica e diretora da Companhia de Teatro Medieval, participa do quarto Ciruito Das Artes do Jardim Botânico e abre seu atelier dias 27, 28, 29 de outubro das 11 às 21 horas. Estarão à mostra figurinos, máscaras, aguadas de nanquim e aquarelas.

Heloisa Frederico
Formação
Artes plásticas: Autodidata, catalogada como desenhista no Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos, Instituto Nacional do Livro - MEC
I Exposição Individual - Galeria Montmartre Jorge, 1970
Línguas neolatinas: Bacharel - PUC RJ, 1962
Licenciatura - PUC RJ, 1963
Cursos de extensão: História, Arte e Literatura na Espanha Medieval - PUC RJ, 1961
Inglês: Universidade de Michigan, 1960

Atividade Profissional
Companhia de Teatro Medieval - 1988 ao presente
Membro do Núcleo de Criação da Companhia desde 91.
Supervisora de pesquisa, orientadora artística e tradutora - 88/91.
Diretora de arte e coordenadora de pesquisa: Enganado, Surrado e Contente - 91.
Tradutora, aderecista (incluindo criação/execução de acessórios de figurino: chapéus, máscaras, jóias e sapatos), coordenadora de pesquisa, professora e programadora visual: O Segredo Bem Guardado, O Elixir do Amor, Mestre por um Triz, Shakuntalá - O Anel Perdido e A Farsa de Inês Pereira - 91 ao presente.

Diretora de arte, figurinista e cenógrafa: Projeto Ouvi Dizer - O Teatro Sem Palco, O Médico Camponês, Os Gregos, O Pescador e a Tartaruga, A Rainha e o Flautista, O Rei Midas, O Reizinho Mandão, Por Que o Mar Tanto Chora e Papagaio, Terra à Vista! - 95 ao presente.

Professora: adereços e máscaras - Núcleo de Teatro das Escolas Municipais (implantação do núcleo-matriz na Escola Municipal José de Alencar), Secretaria Municipal de Educação, RJ - 93; figurino, cenário, adereços, história e arte medievais - Oficina Coca-Cola de Teatro Infantil (curso de férias), Centro Cultural Cândido Mendes - 94; máscaras - SESC Rio Preto, SP - 97.

Membro da mesa do I Encontro de Profissionais da Cultura e do Teatro voltados para a Infância e a Juventude, Centro Cultural Banco do Brasil, 93.

Teatro - outros trabalhos
Figurinista assistente (acessórios) de O Cortiço e o Cortiço e aderecista (máscara da Morte) de Carmen de Sérgio Britto, Teatro Delfin.

Exposições - cenografia
Cenógrafa das exposições: A Moda Vê a Arte - São Conrado Fashion Mall, 95; As Cores do Teatro - Teatro Glauce Rocha, 97; Fábulas, Cruzadas, Bufões e Parábolas - SESC Rio Preto, SP, 97; Figurinos de Teatro - Arte & Cia., Casa de Cultura Estácio de Sá, 98.

Cinema
Diretora de arte, cenógrafa e figurinista do curta-metragem Vencido, 96, de Flavio Frederico: VII Festival Internacional de Curta-metragem de São Paulo (eleito um dos dez melhores pelo público); convidado para IV Festival Internacional do Chile; um dos três curtas brasileiros selecionados para a XX Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; seleção oficial XIII Chicago Latino Film Festival, IV Festival de Cinema de Cuiabá, I Festival de Cinema do Recife, II Toronto Crossing Borders Film Festival, XXXII International Film Festival in Kraków; pré-selecionado para o Festival Internacional de Curta-metragem de Vila do Conde, Portugal; veiculação no Canal Bravo Brasil, TVA.

Diretora de arte do curta-metragem Todo Dia Todo, 98, de Flavio Frederico. Prêmios: Melhor Filme de Ficção e Direção, XXV Jornada de Cinema da Bahia (Brasil, set/98); Melhor filme Íbero-americano, Festival Int. de Doc. e Curtas de Bilbao (Espanha, nov/98); "Silver Spire" de curta narrativo, Golden Gate Awards Competition (San Francisco Int. Film Festival). Festivais: IX Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Brasil, ago/98), 36th New York Film Festival (EUA, set/98), Festival International de Biarritz (França, set/98), Drama International Short Film Festival (Grécia, set/98), 47 Internationales Filmfestival Mannheim-Heidelberg (Alemanha, out/98), Siena International Short Film Festival (Itália, nov/98), Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana (Cuba, dez/98), Festival Internacional de Documentário e Curtas de Bilbao (Espanha, dez/98), Roterdam International Film Festival (Holanda, jan/99), Sundance International Film Festival (EUA, jan/99), Brussels International Film Festival (Bélgica, jan/99), Bradford Film Festival (Inglaterra, março/99), Festival de Cinema do Recife (Brasil, mar/99), 41st San Francisco Int. Film Festival/Golden Gate Awards Comp. (EUA, abr/99).

Ilustração
Ilustradora do livro infantil O Passeio das Nuvenzinhas (em produção);
da série infanto-juvenil Festas Populares (em produção).

Heloisa Frederico integra o Núcleo de Criação da Companhia de Teatro Medieval, junto com Marcia Frederico, Ricardo Venancio e Marcos Edom.

TECENDO O AMANHÃ

O projeto TECENDO O AMANHÃ, é um programa de leitura do SESC- RIO que, além de uma Feira de Livros, promove ocontato com autores e textos teatralizados. No SESC TIJUCA será apresentada pela Companhia de Teatro Medieval a peça POR QUE O MAR TANTO CHORA - No dia 22 de outubro às 15:30h.

No último final de semana de outubro, a Feira de Livros será no Campo de São Bento em Niterói, sendo que no dia 28 às 11 horas será aprsentada POR QUE O MAR TANTO CHORA e no dia 29 às 11 horas O REIZINHO MANDÃO. A atriz e autora Marcia Frederico estará autografando seu livro O SEGREDO BEM GUARDADO após a apresentação.

Por que o Mar Tanto Chora ou A Cinderela Brasileira

"Por que o Mar tanto chora" foi registrado por Sílvio Romero em Contos Populares do Brasil e faz parte dos Contos de Encantamento do folclore Brasileiro, sendo muitas vezes conhecido como "A Cinderela Brasileira".

Adaptada para ser dramatizada, a história é contada e interpretada por Marcia Frederico e Marcos Edom, que se dividem nos mais de 12 personagens, convidando muitas vezes a platéia a participar das cenas. Com elementos cênicos que se transformam, várias imagens são montadas para ilustrar a encantadora história que, além de lírica, é contada de forma bem humorada.
A história é de uma Princesa, Maria do Brasil, que nasce com uma cobra enrolada no pescoço e esta, além de sua irmã, é sua melhor amiga e é quem lhe ajuda a se desvencilhar de um Rei, feio, estranho e rabugento que quer com ela se casar...Fugas, Navegações para Reinos distantes, Bailes de Carnaval e Príncipes apaixonados fazem parte do desenrolar da narrativa. E, ainda, uma referência à Nêga Fulô (personagem tema do poema de Jorge de Lima).
Marcia Frederico, Marcos Edom e Heloisa Frederico (que assina a direção de arte da Companhia - cenários, figurinos e adereços), são os fundadores da COMPANHIA de TEATRO MEDIEVAL que desde 1988 pesquisa o gênero popular da Farsa Medieval, e obtiveram neste período mais de 45 indicações e 12 Prêmios, entre SATED, SHELL, SHARP, COCA-COLA, MAMBEMBE e MOLIÈRE, sendo que este último a própria Marcia foi vencedora na categoria Melhor Atriz, também premiada na categoria Autora, foi júri do Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem, no Rio, durante 2 anos.

Ficha Técnica
Atriz / Autora / Produtora
Marcia Frederico

Diretor / manipulador cênico / técnico som, luz, cenário
Marcos Edom

Diretora de Arte / cenógrafa, figurinista, aderecista
Heloisa Frederico

O Reizinho Mandão
Estréia: Universidade Estácio de Sá, RJ - 1998

Adaptado do livro homônimo de Ruth Rocha, é uma história de tradição oral, que fala do excesso de autoritarismo de um pequeno Rei. De tanto mandar os outros calarem a boca, ele se surpreende com o silêncio absoluto de seu reino: todos desaprenderam a falar. Sentindo-se solitário e arrependido, o reizinho parte em busca da solução...

A história é introduzida pelo Contador de Histórias (Marcia Frederico) e seu ajudante (Marcos Edom), figuras tiradas do folclore brasileiro. O Contador tem em sua capa o universo infantil: chocalho, peões, cataventos, passarinhos, boneca de pano e bolas. O Ajudante vem na burrinha, com o chapéu de fitas e espelhos, inspirado no maracatu, nas congadas e no bumba-meu-boi.


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Gustav Marhaban adora teatro.