| COMENTANDO BEM VIVER por Sandra Florencio |
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Os políticos acabaram com a frase " É dando que se recebe", mas... Das muitas coisas que podemos fazer para bem viver, hoje vou falar numa que, em especial, considero muito importante (redentora até): a doação. Muito eu poderia falar sobre esse ato de desprendimento que sempre beneficia a ambas as partes envolvidas. Entretanto, prefiro comentar dois trabalhos de entidades sérias e dignas não só de respeito mas principalmente de muita ajuda. A primeira delas, desde 1971 pratica a doação sob a forma de assistência humanitária na área de saúde mundo afora. É gente, estou falando dos MÉDICOS SEM FRONTEIRAS (MSF). Hoje, o MSF vem trabalhando em mais de 80 países, tanto em situações de urgência humanitária (como guerras, catástrofes, epidemias, por exemplo) quanto em situações onde é possível desenvolver projetos de longo prazo. Merecedores do Prêmio Nobel da Paz de 1999, nas palavras do Comitê Nobel fica claro o motivo: "...cada destemido e generoso trabalhador que presta assistência mostra a cada vítima um rosto humano, representa o respeito pela dignidade daquele indivíduo, e é uma fonte de esperança pela paz e pela reconciliação." A mim particularmente, fica a sensação de estar contribuindo para com uma entidade séria, muito bem organizada e que não se furta de estar sempre divulgando seus trabalhos, inclusive prestando contas de tudo que faz e como faz, através não só de sua páginas na rede, mas também de um Informativo semestral escrito pela própria equipe do MSF aqui no Brasil. A Segunda entidade que também vem fazendo um bem-sucedido trabalho social e, por isso está prestes a receber o Prêmio de Direitos Humanos e Cultura de Paz da UNESCO, além de ser a candidata brasileira ao Prêmio Nobel da Paz de 2001, é a PASTORAL DA CRIANÇA da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Fundada em 1983 e coordenada pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, começou seus trabalhos no interior do Paraná e tem seu foco de atuação voltado para a redução da mortalidade infantil em comunidades carentes do país, sendo hoje modelo copiado em diversos países, entre eles, Paraguai, Chile, Peru, Angola e Moçambique. No Brasil atua em 3 mil municípios com 145 mil voluntários mantendo programas de geração de renda, alfabetização e saúde da mulher, além da assistência a 1,5 milhão de crianças com idade até 6 anos no que tange a orientação alimentar, ensino do uso do soro caseiro e pesagem mês a mês dos bebês. Em entrevista recente ao Jornal "O GLOBO" a Dra. Zilda, indagada sobre o segredo do sucesso da Pastoral, respondeu "Nunca nos desviamos do nosso objetivo, que sempre foi reduzir a mortalidade infantil e a violência. Também nunca gasto o que não tenho." São dois exemplos de uma série crescente de entidades que, felizmente, apesar da inércia e individualismo ainda reinantes nas modernas sociedades desse fim de milênio, comprovam que há sempre algo a fazer, a doar e a divulgar em prol de uma sociedade mais justa, melhor de se viver, bem viver. P.S. Voltando a chamada inicial, nesses tempos de campanha eleitoral, cuidado com os políticos que prometem "dar" muito. Não se esqueça de que qualquer doação tem que fazer bem para ambas as partes, dentro de um propósito maior de construção. Assim, não dê seu voto para receber um caraminguá qualquer, sob pena de receber também um representante pronto a (des)cumprir um mandato inteiro com inépcia, descaso e grande capacidade para prejudicar não só você mas sua família, seus amigos, seus vizinhos, seus colegas de trabalho... Semana que vem tem mais. |
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Sandra Florencio é administradora e consultora de gente. |